Conversa com o Presidente - Live do dia 14.nov.23
TRANSMISSÃO | Conversa com o Presidente #18
Jornalista Marcos Uchôa — Bom dia a todos, mais um Conversa com o Presidente. A gente tem obviamente um ilustre convidado aqui, o ministro da Educação, Camilo Santana. E foi uma noite de dormir pouco, né, porque acabou tarde ontem a chegada das pessoas que vieram de Gaza, uma longa viagem até o Egito, até o Cairo, pegaram o avião, duas paradas, Las Palmas, Recife. Até que chegaram ontem. O presidente recebeu e foi muito, muito emocionante, né, e mais do que tudo uma expectativa de muitos dias esperando. Era chegada, a saída dessas pessoas e finalmente eles chegaram ao Brasil. Como é que foi estar lá ontem?
Presidente Lula — Olha, Uchôa, foi uma noite inusitada, porque era uma noite muito aguardada, porque nós estávamos há muitos dias tentando trazer o pessoal que estava na Faixa de Gaza. Não foram poucas as conversas com vários presidentes de países com nosso ministro das Relações Exteriores com o ministro das Relações Exteriores de Israel do Egito. Era muita conversa e, na verdade, pouca solução.
E finalmente, houve uma frustração na quarta-feira passada, que estava anunciado que ia sair, e não saíram. Aí finalmente eles conseguiram sair nesse final de semana, e a chegada deles foi uma coisa emocionante, porque você percebe pela cara que são pessoas sofridas, que são pessoas, que é um companheiro que foi no casamento de uma irmã e depois de três dias que ele estava lá, aconteceu.
Duas meninas que eu conversei ontem à noite, elas foram com a mãe dela, porque a mãe delas estava com câncer e a mãe dela foi a Faixa de Gaza se despedir da família porque ela tinha certeza que não tinha cura e ela morre na Faixa de Gaza. Então coisas como essa faz com que a gente fique muito sensível. Nós agora temos uma responsabilidade de ficar procurando mais brasileiros que estão lá ou tentar ver se a gente consegue liberar parentes de brasileiros que estão lá, que querem sair, porque é o mínimo que a gente pode fazer.
É ser humano no momento em que os humanos precisam de humanismo, é isso que o Brasil tem que fazer. O Brasil vai continuar brigando pela paz. Não é possível. É inadmissível que a gente não tem uma solução para isso. É inadmissível saber que a gente não tem encontrado uma solução. O Brasil, na presidência do Conselho de Segurança, fez um trabalho extraordinário. O Mauro Vieira foi excepcional. Produzimos uma nota que teve o apoio de 12 países, teve mais abstenção da Rússia e da Inglaterra, que são também do Conselho de Segurança e apenas um país teve o direito de vetar e vetou, que foi os Estados Unidos.
Quer dizer, isso é incompreensível. Não é admissível. Por isso que nós brigamos para mudar, a ONU precisa mudar. A ONU de 1945 não vale mais nada em 2023. É por isso que a gente quer mudar a quantidade de pessoa, e o funcionamento, e acabar com o direito de veto. Então, foi uma noite feliz, eu estou muito feliz, sabe. Espero que a gente tenha a competência de cuidar dessas pessoas que estão aí. Têm jovens que estão estudando, têm meninas e meninos que vão estudar, têm crianças que vão ter que entrar na escola.
E eu acho que é um papel que nós temos que ajudar. No âmbito do governo estadual e do governo municipais, para onde essas pessoas vão? Eu acho que foi uma dádiva de Deus o que aconteceu ontem à noite. Finalmente a gente conseguiu receber os filhos do Brasil que estavam fora visitando parente e que foram vítimas de uma guerra insana.
Enfim, eu vou repetir. Uma guerra insana. Porque eu disse ontem: “é verdade que houve um ataque terrorista do Hamas e nós combatemos desde o início, mas o comportamento de Israel fazendo o que está fazendo com criança, com hospital, sabe? Com mulheres e com crianças. São mais de 5.000 crianças que já morreram, tem mais 1.250 crianças desaparecidas que certamente estão embaixo dos escombros.
Fora a quantidade de mulheres, gente, a quantidade de mulheres grávidas que eu vi ontem que estão antecipando o filho porque elas têm medo de morrer e os médicos estão fazendo cesariana para ver se as crianças nascem enquanto as mulheres estão bem de saúde. Gente, que horror! Em pleno século XXI, quando o mundo precisava falar de paz.
Nós precisamos de paz para o crescimento econômico. Nós precisamos de paz para acabar com a desigualdade. Nós precisamos de paz para fazer com que o ser humano volte a ser humanista outra vez. Precisamos de paz para as crianças poderem crescer de forma sadia. Nós precisamos de paz para que a gente possa cuidar da questão do clima. Nós estamos aqui brigando para tentar evitar o desmatamento, evitar queimadas para diminuir o gás de efeito estufa e os caras ficam jogando bomba toda hora, explodindo bomba. Quanto de gás de efeito estufa tem aquelas bombas?
Marcos Uchôa — Quanto dinheiro gasto nisso, né?
Presidente Lula — Quanto dinheiro jogado fora? Quanto dinheiro gastado numa guerra quando temos 135 milhões de crianças passando fome no mundo. Quantos médicos já morreram, jornalistas já morreram, sabe, pessoas ligadas a ONU que estão lá para cuidar da paz, da cruz Vermelha estão sendo assassinadas e as pessoas veem isso como normal. É por isso que eu disse ontem que a atitude de Israel com relação às crianças e com relação às mulheres é uma atitude igual terrorismo. Não tem como dizer outra coisa.
Se eu sei que tá cheio de criança naquele lugar, pode ter um monstro lá dentro. Eu não posso matar as crianças porque eu quero matar o monstro. Eu tenho que matar o monstro sem matar as crianças. É simples assim. Então é preciso. Eu até fiz um apelo ontem, que a China tá na presidência do Conselho de Segurança. É preciso que a gente tome uma outra atitude.
É preciso que a ONU convoque alguma coisa especial, porque essa guerra, do jeito que vai, ela não tem fim, não tem fim. Eu estou percebendo que Israel parece que quer ocupar a Faixa de Gaza e expulsar os palestinos de lá. E isso não é correto, não é justo. Nós temos que garantir a criação do Estado palestino para que eles possam viver em paz junto com o povo judeu.
Porque nós do Brasil, sempre defendemos a criação de dois estados. Nós queremos o Estado judeu e queremos o Estado palestino e que eles vivam como a gente vive aqui. Como a Bolívia convive com 12 países, deles a gente faz fronteira com dez. É bem isso que a gente quer. Que eles sejam bons vizinhos e aí somente a paz pode garantir isso.
Por isso, eu agradeço a Deus poder ter vivido a noite de ontem e conseguir receber meu povo brasileiro que estava lá.
Marcos Uchôa — A gente está falando de certa maneira de educação no termo mais amplo, de educação, de cuidar das pessoas, de saber tratar os outros. E uma das conversas que o senhor teve foi com essas duas meninas, uma delas universitária. Eu acho que é até um bom gancho para a gente trazer o Camilo para a conversa, porque em relação à universidade, a gente tem muita novidade. Tem a questão do FIES, 1,2 milhão, mais ou menos, de pessoas endividadas com empréstimos que foram feitos para fazer universidade. Isso tudo está sendo resolvido aos pouquinhos. Teve a Lei de Cotas ontem. Camilo, entra no jogo aí.
Presidente Lula — Eu acho que o Camilo, antes de falar do FIES, o Camilo tem um assunto importante para nós, que é o Enem. O Enem terminou domingo e foi um Enem que foi feito sem nenhum problema, sem nenhum problema que pudesse criar qualquer confusão. Mas o Camilo tem uma preocupação, ou seja, nós precisamos trabalhar para que a juventude no próximo Enem participe mais, nós precisamos motivar a meninada a participar. E para isso, nós temos que, enquanto governo, trabalhar. Como é que foi o Enem?
Ministro Camilo Santana (Educação) — Primeiro, bom dia, presidente, bom dia, Uchôa, bom dia telespectadores. Presidente, eu queria primeiro te parabenizar pela decisão de olhar e cuidar dos brasileiros que estavam na Faixa de Gaza, estavam em Israel. Porque essa é a característica maior sua, a capacidade de cuidar das pessoas. Eu queria aqui fazer esse registro, e é isso que o senhor tem feito também na educação. Cuidar das pessoas, dando oportunidade, esperança de acesso à universidade. E o Enem é isso, garantir que os jovens brasileiros possam ter acesso ao sistema, inclusive no Brasil.
E nós realizamos, foi concluído o segundo dia das provas do Enem nesse último domingo, dia 12. No Brasil, foram quase 4 milhões de pessoas inscritas no Enem, Uchôa, houve um esforço inicial esse ano pra gente ampliar o número de inscritos, porque essa é uma grande preocupação do presidente (e nossa), porque a curva dos últimos anos vem caindo, todo ano vem caindo o número de inscritos no Enem.
Nós conseguimos pela primeira vez reverter essa curva esse ano, com quase 500 milhões de novos alunos inscritos. Então foi um esforço, mas ainda precisamos avançar ainda muito mais, presidente. E preocupados também, não houve nenhum incidente que prejudicasse o Enem esse ano, ao contrário. Mas houve uma abstenção grande, que faz parte do histórico, mas acho que nós precisamos lutar para diminuir.
No primeiro dia de prova teve 28% de abstenção e no segundo dia de prova teve 32% de abstenção. É a média dos últimos anos, mas precisamos fazer um esforço para garantir... não só aumentar o número de inscritos no Enem, mas também garantir que as pessoas façam as provas, as duas provas, durante esse período. Presidente, a gente vai agora, a partir de ontem, de 13 a 17, todos os alunos que se sentiram prejudicados (ou por problema de doença ou por qualquer outro motivo), terá o direito de fazer uma reaplicação da prova no dia 12 e 13 de dezembro e terão esses cinco dias dessa semana para solicitar, que será avaliado pelo Inep, que o órgão que é responsável pelo Enem, no Ministério da Educação.
E nós vamos a partir daí, presidente, concluindo esse primeiro Enem deste ano, vamos fazer uma série de avaliações para ver o quê que a gente pode melhorar. Ou isenção total da taxa de inscrição para todos os alunos do Enem, ou fazer um trabalho articulado com os estados. Pra você ter uma ideia, presidente, tem estados que tem 90% ou mais de alunos que estão no terceiro ano do ensino médio, se inscreve no Enem, mas tem estado que não chega nem a 40%.
Então há uma discrepância muito grande para os estados. Portanto, eu acho que o maior esforço é garantir que todo aluno do ensino médio brasileiro, que esteja concluindo o terceiro ano, se inscreva no Enem, porque independente se ele quer ou não ir para a universidade, é a porta de entrada que ele tem para o seu futuro, independente da decisão que ele vai tomar.
E não custa nada se inscrever, porque quem já é do ensino médio público já é gratuita a inscrição. Então acho que é um esforço que nós precisamos fazer, e criar mecanismo de estimular. Mas eu queria só parabenizar, presidente, esse é um dos maiores eventos que ocorrem no Brasil. São 380 mil colaboradores e envolvidos na aplicação dessa prova.
Presidente Lula — Quantas escolas?
Ministro Camilo Santana — 132 mil salas de aula foram utilizadas, quase 1750 municípios brasileiros aplicaram a prova. Então eu quero agradecer a todos, os Correios, a Polícia Federal, as polícias estaduais, os governadores que colocaram o transporte gratuito no dia.
Presidente Lula — Ô Camilo, é uma coisa que eu acho que o MEC tem que se preocupar, os governadores têm que se preocupar, que é o seguinte: entre o ato da inscrição e o ato da execução da prova, você disse que teve 28% de abstenção no primeiro dia e 32 no segundo.
Ministro Camilo Santana — Acumulado, né.
Presidente Lula — É preciso que a gente descubra, sabe, nesse interregno de tempo, entre a pessoa se inscrever e o dia da prova, o que é que acontece na vida da pessoa? O que é desestimula ele a fazer? Essa eu acho que é uma pesquisa que a gente tem que fazer, porque eu acho que depende muito do pai e da mãe. Depende muito do vizinho, depende muito dos parentes, depende muito da atitude dos prefeitos, depende da atitude do governador, depende da atitude do MEC, de todo mundo incentivar para que esse jovem estude, na perspectiva de que a solução da vida dele está no fato de ele estudar, ter uma profissão e cuidar da vida dele.
Essa é uma coisa, Camilo, que você pode ter certeza que da parte da Presidência da República, o Ministério da Educação terá todo o apoio para que a gente investigue. Porque eu quero que todo jovem brasileiro tenha o direito de fazer um curso universitário se não quiser fazer um instituto federal, se não quiser fazer uma escola técnica, aprender uma profissão. Mas o que a gente não pode deixar de garantir para ele é oportunidade e isso nós vamos garantir.
Agora, Camilo, uma outra coisa que eu achei extraordinária...
Ministro Camilo Santana — Só acrescentar, presidente, o senhor vai ainda esse ano, que eu acho que vai ser uma das maiores políticas que o senhor vai implementar. É a bolsa-poupança para o aluno no ensino médio. Nós perdemos hoje milhares (e centenas de milhares) de jovens no ensino médio que abandonam a escola, às vezes por necessidade de trabalhar, às vezes por necessidade.
Presidente Lula — Como é que vai funcionar essa bolsa, Camilo?
Ministro Camilo Santana — Essa bolsa vai ser uma parte o aluno vai receber todo mês durante o ano e uma outra parte que vai receber uma poupança no final do ano. Ele concluindo... ingressou no primeiro ano... porque o primeiro ano do ensino médio, presidente, é o ano com o maior número de evasão, abandono e reprovação de todo o ensino básico brasileiro. Para o senhor ter uma ideia, se a gente somar evasão, reprovação e abandono, chega de 16% no primeiro ano do ensino médio brasileiro.
São jovens que estão deixando a escola. Então, o que é que vamos fazer? O aluno entra no primeiro ano e vai receber todo mês um auxílio e no final do ano ele concluindo o primeiro ano, ele recebe uma bolsa. Vai ser depositado uma poupança, um compromisso. E aí ele vai entra no segundo ano, começa também, recebe auxílio mensal e no final do ano também a bolsa depositada e ao final da conclusão do ensino médio, ele pode resgatar todo aquele recurso — ou para montar um negócio que ele queira começar ou ir para a universidade que ele queira.
Enfim, é uma forma de estimular. Eu não tenho dúvida que essa é uma das maiores políticas que o senhor vai fazer para garantir nós não perdermos essa juventude na escola brasileira. Eu acho que é um dos compromissos importantes do seu governo. Que olha e que cuida dos jovens do Brasil.
Presidente Lula — Eu acho importante dizer para o jovem que está nos assistindo o seguinte: cara, nos ajuda a ajudá-lo. Nós vamos criar as condições. O que nós não podemos é pegar você e levar diretamente na escola. Nós só vamos te dar incentivo para que você saiba que nós estamos pensando no seu futuro e no futuro da sua família. Por falar em futuro da família, Camilo, eu estava vendo aqui um número. Nós temos hoje 1.280.000 pessoas que não conseguiram pagar o financiamento do FIES.
Nós anunciamos agora, sabe, que vamos fazer uma renegociação, uma espécie do Desenrola. Essa dívida de 1.280.000 alunos significa R$ 54 bilhões. É muito dinheiro, gente. E nós estamos querendo que você se liberte dessa dívida para que você volte a andar de cabeça erguida e possa voltar para a universidade. Nessa semana que passou, o Banco do Brasil conseguiu fazer 12.870 acordos.
Teve gente que teve 90% de desconto, 95% de desconto. Teve gente que teve 80% de desconto. A Caixa Econômica conseguiu fazer 45.159 acordos, ou seja, perfazendo 2 bilhões e 240 milhões. Então eu trouxe o Camilo aqui pro Camilo dizer pra você: “Cara, não jogue fora essa oportunidade. Se você, por algum motivo, por desemprego, por crise familiar, você não conseguiu terminar o seu curso, não conseguiu pagar o FIES, agora você tem a chance de zerar os problemas da sua vida.
A gente só quer que você procure a Caixa Econômica Federal, que você procure o Banco do Brasil. Se tiver dúvida, procura o Ministério da Educação, procure o FNDE. Ou seja, você tem jeito de solucionar o seu problema. Nós queremos que você reconquiste o direito de andar de cabeça erguida, reconquiste o direito de voltar a estudar. E nós vamos. Nesse caso, tem gente que zera a dívida 100%, tem gente que vai pagar 10% do que deve, 5% do que deve.
Não tenha vergonha, não tenha vergonha, cara, é o seu futuro que está em jogo! Levanta a cabeça, vai na Caixa Econômica, vá no Banco do Brasil e revolva o seu problema como gente grande, porque é para isso que nós criamos esse programa, que a gente está apelidando de "Desenrola Educacional", tá? O Camilo vai falar um pouco sobre isso.
Ministro Camilo Santana — Presidente, a gente, além de estar cuidando dos jovens que estão na escola, essa decisão que o senhor tomou de fazer o "Desenrola da Educação" é também cuidar das pessoas que estão endividadas. A gente fica muito emocionado, que o senhor publicou nas suas redes sociais, na semana passada, uma jovem que se formou em enfermagem no Maranhão, que trabalha aqui em Brasília e ela deixou de pagar o FIES porque tinha que mandar o dinheirinho todo mês para a família.
Presidente Lula — Ela tá passando no vídeo agora aqui atrás.
Ministro Camilo Santana — Agora ela está passando no vídeo. Então, são exemplos como esse que são pessoas que se esforçaram, que o senhor deu oportunidade no seu governo, no governo da presidenta Dilma, de ter acesso ao ensino superior, ter esperança de ser um profissional, mas que muitas vezes não tem condições de pagar. Então, o que o senhor está fazendo é garantindo que essas pessoas possam se libertar dessas dívidas. Como o senhor disse, pra você ter uma ideia, presidente, a gente divulgou e está na página do MEC o valor, quantidade de contratos por estado e o volume de recursos.
Pra você ter uma ideia, São Paulo é o maior. São mais de 290 mil contratos, pessoas, que estão com dívida no Fies em São Paulo. Isso representa mais de 10,6 bilhões de reais, Uchôa. Inclusive essa situação dessa enfermeira aqui em Brasília, a dívida dela era de 25 mil reais e ela vai pagar 5 mil, ainda parcelado e sem juros. Tem situações, por exemplo, presidente, que um cidadão de São Paulo que deve 10 mil reais no curso de análise de desenvolvimento de sistema, ele vai ter um desconto de 99%. Ele vai pagar 100 reais.
Um aluno de odontologia que de Minas Gerais, uma mulher, deve 322 mil reais e vai pagar 25.824 reais.
Presidente Lula — Em quantos meses?
Ministro Camilo Santana — Isso ela pode dividir em até 150 meses. Então, assim, é a condição para que as pessoas possam se libertar e ter a oportunidade de poder ter mais tranquilidade na vida dela, no futuro.
Presidente Lula — Ô Camilo, eu queria aproveitar esse exemplo que você deu de uma pessoa que deve 300 e vai poder pagar 5 mil em 150 meses. Ou seja, vai fazer um acordo. Deixa-me dizer uma coisa pra vocês: Você brigou com a namorada, você está com bronca da escola, você levantou mal humorado, você não gosta do Lula, você não gosta do Camilo. Ou seja, você brigou com a família, até brigou com amigos e por isso você desistiu? As matérias estavam difíceis e você resolveu desistir. O jeito mais fácil de um covarde é desistir. É o que a gente quer é que você levante a cabeça, cara, e vá para a briga. Você, jovem mulher, jovem estudante, levante a cabeça. Vamos acertar a sua dívida para você voltar a estudar.
Não jogue fora o seu futuro por medo. Não jogue fora o teu futuro por uma briguinha qualquer. Não jogue fora o teu futuro por divergência política. Vá na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil renegociar a sua dívida e volte a ser brasileiro de primeira classe. Volte a conquistar o direito que você tem de estudar o curso que você quiser, o tempo que você quiser. E é para isso que nós criamos o FIES, cara. Por favor, faça um esforço por você mesmo. O maior sonho da sua mãe e o maior sonho do seu pai, não é deixar uma herança para você. O maior sonho do seu pai é que você conclua a sua universidade, tenha um curso profissional, seja alguma coisa na vida. Pode ser um enfermeiro, pode ser um médico, pode ser um dentista, pode ser um engenheiro, pode ser um psicólogo, pode ser qualquer coisa. Escolha. Escolha e vá a luta, porque o governo está garantindo.
Você veja que nós estamos colocando R$ 54 bilhões de dívida em negociação para você pagar o que você puder pagar no tempo que você puder pagar, porque o que nós queremos é que você volte a estudar. É isto que nós queremos. Então, por favor, coragem. Levante cedo da cama, sabe? Está com preguiça? Faça um pouco de ginástica. Eu tenho 78 anos, eu faço ginástica todo dia, cara. Mexa com as pernas. Mexa com o corpo, sabe. Mexa, sobretudo, com a sua cabeça. Vá à luta e nós estamos oferecendo para você uma arma chamada educação. Essa arma é poderosa. Ela é mais poderosa que uma guerra, porque ela liberta você. Ela dá a você o direito de ter uma profissão, de escolher o que você quer ser. É isso que nós estamos fazendo.
E é por isso que eu sou grato ao companheiro Camilo, que foi o governador do Ceará, que foi um extraordinário governador. É no Ceará que a gente tem as melhores notas da educação no ensino fundamental do Brasil. É no Ceará que a gente tem mais estudante ganhando medalha de ouro. Eu não sei se vocês esqueceram, mas a primeira Olimpíada da Matemática que eu fiz, um menino do Ceará tetraplégico, carregado pelo pai num carrinho de pedreiro de mão para ir pra escola, esse menino já ganhou medalha de ouro de matemática. Se um jovem com esse problema todo teve a coragem de disputar e ganhar, por que é que você tá com medo, cara? O que é que você tá afinando assim? Porque teve um problema? Não. Levanta a cabeça, gente, vamos resolver esse problema porque é isso que nós queremos. Nós queremos que você seja um cidadão brasileiro, sabe?
Eu diria de primeira categoria, porque o Brasil precisa de gente assim para se tornar um país mais competitivo, um país mais produtivo e um país que esteja entre as maiores economias do mundo. É isso que nós queremos. E por isso, Camilo, meus parabéns. Eu quero que você acompanhe esse Desenrola. Todo dia você tem que ligar pra Caixa, todo dia você tem que ligar para o Banco do Brasil, e se alguém não for atendido, procure o Ministério da Educação, procure o MEC. Porque a gente criou esse programa para resolver o problema de vocês. A gente quer que vocês estejam na universidade, no Instituto Federal, que você esteja aprendendo uma profissão para cuidar do futuro de vocês, do pai e da mãe de vocês. Camilo.
Ministro Camilo Santana — Presidente, só lembrando que todas essas pessoas terão o prazo até o dia 31 de maio de 2024. É o prazo final para renegociação do FIES. Portanto, tem aí também mais de seis meses.
Presidente Lula — Ou seja, até dia 31 de maio de 2024, seis meses. Tem tempo, até dia 31 de maio você pode fazer a negociação, ou seja, não fica esperando a fazer dia 30 de maio, faça logo.
Ministro Camilo Santana — E é fácil. Pode entrar pelo aplicativo da Caixa, pelo aplicativo do Banco do Brasil. Quem não quiser ir na agência, pelo celular, pelo tablet e, presidente, com os dados da Caixa, já foram nesses cinco dias 58 mil negociações realizadas. Temos ainda muito chão aí, são ainda, 1,2 milhão. Mas a média de desconto da Caixa foi de mais de 85% em todos os contratos. Então é um valor significativo para as pessoas quitarem suas dívidas.
Presidente Lula — Imagina. Imagina o que que é você se reunir no Natal com a sua família. Você se reunir no ano novo com a sua família. Se você é casado, com o seu filho; se não é, com o seu pai, com a sua mãe, com seus parentes, sabendo que você não tem dívida, cara. Imagina sabendo que você pode até tomar uma cerveja a mais, porque você não tem dívida!
Eu fico imaginando a sua cara de alegria, o seu sorriso no dia de Natal. É isso, cara. Não basta ter frango e peru na mesa, o que é importante é sentar com a cabeça leve. É você dizer: "eu não devo para ninguém e eu vou estudar outra vez, porque o Brasil está garantindo que eu estude". É isso que nós queremos, e por isso eu vou repetir: até dia 31 de maio de 2024, você pode quitar a sua dívida, a sua dívida pode chegar, você pode dever de 50 mil, e você pode pagar mil.
Então, por favor... por favor. Sabe, se você tiver dúvida, converse com a sua mãe, converse com o seu pai, converse com o seu vizinho. Converse com o seu melhor amigo. Em última instância, converse com Deus, cara, converse porque você precisa. Você precisa quitar suas dívidas para você voltar a ser cidadão brasileiro respeitado e andar de cabeça erguida.
Eu espero, se você fazer a negociação, como eu vou visitar muitas universidades do ano que vem com o Camilo, eu espero poder encontrar você numa universidade e poder dar os parabéns a uma menina e ao menino que tiveram a coragem de renegociar a sua dívida e voltar a estudar. E a gente também vai motivar o ano que vem o Enem. Nós já tivemos Enem de quase 9 milhões de pessoas, então ele está caindo porque está caindo a juventude brasileira também, as pessoas estão ficando mais velhas. Mas nós vamos incentivar, porque nós queremos que todo e qualquer estudante brasileiro que esteja no terceiro ano do ensino médio possa fazer o Enem. Ou seja, é a primeira janelinha do futuro que se abre para você. Não feche a janela, abra a janela e entre de peito e tudo porque a gente tem que dizer todo dia: "Eu sou brasileiro, eu sou brasileira e não desisto nunca". Esse tem que ser o nosso lema.
Marcos Uchôa — E até tem gente, Camilo, que não tem, já passou do terceiro ano, mas que está voltando a fazer Enem já mais velho, que sentiu no momento da sua vida, que pode ter uma oportunidade de novo de entrar numa universidade e transformar.
Ministro Camilo Santana — Não tem idade para isso.
Marcos Uchôa — Não tem idade, né.
Ministro Camilo Santana — São pessoas que podem, a qualquer momento, e tem experiências e exemplo disso. Ontem mesmo, no lançamento que o presidente sancionou a nova lei de cotas, foi um momento simbólico e emocionante, porque é garantir exatamente a inclusão em um país tão desigual — e a nova Lei de Cotas trouxe novidade, incluiu quilombolas. Pra você ter uma ideia, ontem eu disse lá no discurso que se não fosse a lei de cotas para pessoas com deficiência, por exemplo, em 2019 entraria apenas 66 pessoas. E entrou mais de 6.000 pessoas por conta da Lei de Cotas.
Marcos Uchôa — Que diferença.
Ministro Camilo Santana — Então, agora vai garantir mais acesso às pessoas mais vulneráveis, as pessoas mais pobres, porque também leva em consideração a renda, diminuiu agora a renda, o corte é para um salário mínimo per capita, antes era um e meio, ou seja, as pessoas mais pobres vão ter mais acesso, vai entrar quilombolas, ou seja, garantir os próximos dez anos que a mudança que houve na cara da universidade, hoje tem negros, hoje tem indígenas, tem quilombolas, hoje tem pessoas com deficiência e essa política é importante.
E ontem, no depoimento, tem uma senhora, se não me engano tinha quase 50 e tantos anos e estava na universidade, e entrou também pela lei de cotas na universidade. Ou seja, são exemplos como esse que mostram a importância, o sonho das pessoas ter acesso ao ensino superior e lembrando, presidente, hoje nós vamos antecipar a divulgação do gabarito do Enem. Hoje, às 19h, o Inep vai divulgar, atenção aos estudantes que fizeram. Eu sei que sai os gabaritos extras oficiais nas redes sociais, mas hoje, às 19h o Inep vai divulgar o gabarito oficial das provas do Enem de 2023.
Marcos Uchôa — Sim. E essa lei de cotas já está valendo para esse Enem, né? Isso é importante lembrar.
Ministro Camilo Santana — O esforço do presidente de sancionar logo ontem, para inclusive valer agora para o Sisu, que é o Sistema de Seleção Unificado, porque se não, se demorasse mais, não ia dar tempo de entrar pro Sisu. Então essa nova lei já vai ser para inclusão de alunos que queiram entrar na universidade já nesse Sisu. Agora no próximo ano.
Marcos Uchôa — Houve algumas mudanças, né.
Ministro Camilo Santana — Mudanças, inclusão de quilombola nas cotas, perfil de corte que era um salário e meio para um salário. Também o cotista ele entra na seleção geral, caso ele não passe na seleção geral, ele entra para a seleção de cotas. Ou seja, um pouco de mudanças, enfim, são ações que vão aperfeiçoar e solidificar. Porque foi o maior programa de inclusão no ensino superior do Brasil, da história do Brasil, foi o programa da Lei de Cotas no Brasil que completou dez anos e agora...
Presidente Lula — Uchôa, um dado aqui importante que eu queria que vocês percebessem o seguinte. Olha, em São Paulo, que é o maior estado da Federação, nós temos 294 mil pessoas com uma dívida de R$ 10 bilhões. Sabe, eu queria que você, em São Paulo, procurasse o Ministério da Educação, a Caixa Econômica do Brasil. Essa dívida de 10 bilhões pode cair para 500 milhões. Gente, por favor.
É uma ajuda extraordinária. O Rio de Janeiro tem 96 mil estudantes que pararam de pagar, numa dívida de quase 4 bilhões e meio. Eu queria convidar o povo do Rio de Janeiro a assumir a responsabilidade de voltar a estudar, negociar sua vida, ficar livre dessa dívida, de poder pagar. Pernambuco, meu estado natal, 49 mil pessoas. Pernambuco, que é o estado mais revolucionário do Brasil, não pode ter 49 mil pessoas que não podem estudar porque não paga o FIES. Negocie o FIES.
Vai na Caixa Econômica, vai no Banco do Brasil. A Bahia tem 108 mil. Cadê a nossa baianidade e a nossa alegria? Das nossas meninas, dos nossos meninos? Se eles estão com problema de dívida, procura a Caixa Econômica na Bahia. O Ceará teve 67 mil pessoas que estão devendo. O Ceará, que é o símbolo da melhor educação deste país e muitas vezes foi premiado, não pode ter 67 mil.
Você tem que procurar Caixa para negociar. Um outro estado que tem muita gente, em Minas Gerais, 127 mil. A nossa Minas da Independência, a nossa Minas do Betinho, do Henfil, do Milton Nascimento, do Tiradentes. Não pode, gente. Minas Gerais tem que negociar urgentemente essa dívida que é de praticamente 6 bilhões e meio. Você pode diminuir essa dívida em 6 bilhões.
Se você deve 50/40 mil, você vai pagar 1.000, cara, vai na Caixa Econômica, no Banco do Brasil. Bem, eu estou apelando aqui porque é o seguinte cara, eu graças a um custo técnico, eu cheguei à Presidência da República. Quando você tem uma profissão, você tem emprego em qualquer lugar do mundo e do Brasil. Quando você não tem, você é um Zé ninguém. Quando você chega numa fábrica, no escritório, numa loja e pede um emprego, a pessoa vai perguntar o que você sabe fazer. “Ah, de tudo, de tudo um pouco”. Quem sabe fazer de tudo um pouco não sabe fazer nada. Sabe? E quando eu digo nada, não tem emprego. Então, pelo amor de Deus, eu vou pedir outra vez.
É uma oportunidade de ouro. Sabe o que você está tendo? Procure a Caixa Econômica. O Banco do Brasil negocia a sua dívida e volte a ser um cidadão de primeira classe, um cidadão com todos os direitos adquiridos pela universidade. Bonitão, você pode até arrumar namorada ou a mulher pode até arrumar um namorado se tiver boas notas. Se não tiver, vai ficar no fim da fila.
Então trate de quitar sua dívida, por favor. O Brasil precisa de você. Mais do que o Brasil, a sua família espera isso de você. Faça isso. Se não por mim, se não pelo Camilo, se não por você mesmo. Faça pelo seu pai, pela sua mãe, pelo seu irmão mais novo, pelo seu filho. As pessoas estão precisando de gestos de ousadia nossa.
Por isso eu quero parabenizar o Camilo, porque é uma coisa extraordinária. Nós já fizemos o Desenrola para quase 70 milhões de brasileiros que têm dívida, que estão pendurados, que a gente quer que as pessoas possam voltar a comprar alguma coisa, sabe? No final do ano, um presente para o filho, uma roupa para o filho e você, se estiver endividado, não pode comprar.
Nós queremos libertar você para você poder só comprar as coisas que você possa pagar, porque também a gente não pode gastar o que não tem. Então, este é um desafio que nós estamos enfrentando agora e nós queríamos contar com todos vocês para que esse Brasil volte a sorrir, como nós sorríamos há muito tempo atrás.
Marcos Uchôa — Presidente, a gente está chegando no fim do programa aqui. Agora tem um assunto que é importante para o futuro, que é importante para os brasileiros e, importante para os argentinos. Domingo que vem tem eleição na Argentina, o segundo turno, dois candidatos e a Argentina é muito importante para a gente. Qual é a sua visão em relação a esse futuro da relação Brasil e Argentina, seja quem ganhar?
Presidente Lula — Olha, o meu exemplo de amizade com a Argentina foi que quando eu ganhei as eleições, em 2002, o primeiro país que eu visitei antes de tomar posse foi Argentina. Na época era o Duhalde [Eduardo Alberto Duhalde], o companheiro presidente. Em 2023, agora, quando eu voltei, o primeiro país também foi a Argentina. E por quê? Porque a Argentina é muito importante para o Brasil.
Eu não convivi com todos os presidentes, mas eu lembro do Afonsinho, do Sarney, criando o Mercosul e eu lembro da minha relação com Kirchner, com a Cristina. Gente, quando eu entrei na presidência, em 2003, o fluxo comercial entre Brasil e Argentina era de US$ 7 bilhões. Quando eu deixei a presidência, em 2010, eram US$ 39 bilhões. A Argentina é o maior parceiro comercial do Brasil na América do Sul e o Brasil é o maior parceiro comercial da Argentina na América do Sul.
Ou seja, Argentina e Brasil, nós precisamos um do outro, nós precisamos estar junto, sem divergência. Quando a gente tiver divergência, senta numa mesa e negocia e acaba com a divergência. Foi assim que convivi com a Argentina até agora. Eu não posso falar de eleição na Argentina, porque é um direito soberano do povo da Argentina. Mas eu queria pedir para vocês que vocês lembrem de que o Brasil precisa da Argentina e de que a Argentina precisa do Brasil, dos empregos que o Brasil gera na Argentina, do emprego que a Argentina gera no Brasil, do fluxo comercial entre os dois países e de quanto nós podemos crescer junto.
Para isso, é preciso ter um presidente que goste de democracia, que respeite as instituições, que goste do Mercosul, que goste da América do Sul e que pense na criação de um bloco importante. Hoje o mundo está dividido em blocos: é o bloco europeu, é o bloco asiático. Nós precisamos criar o nosso bloco para negociar comercialmente com o resto do mundo.
Nós poderemos fazer acordo da América do Sul ou do Mercosul com a China. Nós podemos fazer com a União Europeia. Nós podemos fazer com os Estados Unidos agora. E para isso nós precisamos estar juntos. Se a gente briga, a gente não vai a lugar nenhum. Eu só queria pedir para o povo argentino na hora de votar, pense na Argentina. É soberano o voto de vocês. Mas pense um pouco no tipo de América do Sul que você quer criar, de América Latina que você quer criar e de Mercosul que você quer criar. Juntos nós seremos fortes; separados, nós somos fracos. É isso que eu queria que você pensasse na hora de votar.
Marcos Uchôa — Obrigado, presidente. Obrigado, Camilo. Agradeço a vocês que nos assistiram aí também pelas rádios, também pelo Spotify. Depois vocês podem ver pelo YouTube. Enfim, até terça feira que vem.