Pronunciamento na cerimônia de entrega de Unidades Odontológicas e de Ambulâncias do SAMU em Alagoas
Quando eu era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, eu descobri, nas discussões com as indústrias automobilísticas, que quando a gente ia fazer um acordo coletivo e a gente ia discutir plano de saúde para os trabalhadores, os planos de saúde não tratavam dos dentes dos trabalhadores. E as empresas também não se incomodavam. Então os trabalhadores tinham um plano de saúde em que não se tratava da boca.
Parecia que essa boca não era tratada como uma questão de saúde pública. Quando eu assumi a presidência, eu estava cansado de viajar ao Brasil, na periferia das grandes cidades, mas também, e sobretudo no Nordeste, e eu ficava muito irritado quando eu via pessoas, meninas e meninos de 20 anos, muitas vezes até mais jovens, sem dentes na boca, ou faltando dois, três dentes na boca da frente, que as pessoas passavam a não sorrir. Pessoas que não conseguiam comer uma castanha, pessoas que não conseguiam mastigar carne.
E eu achava uma provocação a questão dos dentes não ser tratado como uma questão de saúde pública. Aí tomamos a iniciativa de fazer o Brasil Sorridente. Quando eu pensei em fazer o Brasil Sorridente, eu imaginava exatamente isso.
Que a gente tivesse um monte de ambulância móvel, que pudesse percorrer os lugares das cidades onde moram as pessoas mais necessitadas, porque a verdade no nua e crua é que tem setores da sociedade que podem pagar um dentista, e vão no dentista. Mas tem pessoas que não podem pagar. Eu mesmo, querido Lira [Arthur, deputado federal], quando eu era jovem, sabe como é que eu tratava de dente? Minha mãe me levava num benzendor.
O dente estava cariado, o benzedor mandava colocar álcool com gengibre, mandava fazer o algodão com álcool que coloca na boca, sabe? E o dente ia apodrecendo e eu não sei se parava de doer ou ficava bêbado de tanto álcool com cachaça que colocava na boca. Mas a verdade é que o pobre era tratado assim. Eu lembro que uma vez eu recebi uma delegação de companheiros de Suape, em Pernambuco, e coloquei um monte de castanha na mesa, de caju, e um companheiro não pegava.
E eu falei, você não quer castanha? O que você quer pra comer? Ele falou: “não, presidente, eu quero. É que eu não posso mastigar, eu não tenho dente”. E já tinha o Brasil Sorridente em Pernambuco.
O Eduardo Campos era governador. Eu falei, Eduardo, pelo amor de Deus, assuma a responsabilidade de levar esse rapaz pra cuidar da boca. Passados uns três meses, eles voltaram, esse rapaz pediu castanha pra comer.
E aí falou, já cuidei da minha boca, agora eu quero que o senhor me dê um carro. Eu falei, o carro não dá pra dar. Então, na verdade, a gente botou muitos consultórios de dentista pelo Brasil inteiro.
Mas os consultórios sempre montados no centro da cidade, que as pessoas mais longínquas da periferia também não podiam ir. Porque às vezes não tem dinheiro. Às vezes não tinha dinheiro para ir ao dentista e não tinha dinheiro para pagar o ônibus.
Aí eu falei para o Padilha [Alexandre, ministro da Saúde]: “Padilha, vamos fazer uma revolução nesse negócio aqui. Se as pessoas que estão no campo trabalhando, na cidade pequena, não podem ir no dentista, ou, às vezes, na cidade não tem dentista, vamos nós até elas”. E vocês vão ter uma surpresa.
Vocês vão ter uma surpresa. Outro dia, eu fui inaugurar uma máquina de radioterapia, lá em Itabira, em Minas Gerais. E eu tive orgulho, governador [Paulo Dantas, governador de Alagoas], de dizer lá que a máquina que a gente vai instalar lá, e vai instalar em todos os estados da federação, vai permitir às pessoas mais humildes do país fazer radioterapia, quando precisar, na mesma máquina que fará a radioterapia o presidente Trump [Donald, dos Estados Unidos], o presidente Xi Jinping [da China], o presidente Lula.
Porque é uma máquina muito moderna que tem no mundo. Muito melhor do que a que eu fiz quando eu fiz radioterapia. Por que isso? Para garantir às pessoas humildes, que cada estado garanta a elas ter direito às coisas que garantem civilidade neste país, que garante rentabilidade, dignidade e tal.
E o dentista é a mesma coisa. Essas ambulâncias daqui, elas têm gerador. Se ela chegar numa escola ou numa vila e não tiver energia, ela vai funcionar por oito horas.
Aqui a pessoa vai obturar o dente, fazer tratamento de canal. Faz ortodontia também ou não? Aí, faz limpeza na boca. Se uma pessoa precisar fazer implante, faz.
Se precisar fazer uma prótese, não é mais aquele negócio de abrir a boca, colocar o molde na boca e ficar empurrando a boca do cara, não. Agora, tira uma fotografia com a máquina 3D. Fica fotografando a boca do cidadão, manda para o laboratório e daqui a pouco a pessoa recebe uma prótese de qualidade.
Aqui em Alagoas, em Pernambuco e no Nordeste, todo mundo que é político aqui sabe. Há 20 anos atrás, há 25 anos atrás, esse país, há 30 anos atrás, levava pros comícios uma cesta de dentadura e dava pro pobre escolher. O pobre ficava colocando na boca qual é que serve, qual é que não serve, qual é que serve, qual é que não serve.
E às vezes colocava. Era assim que se fazia com o pobre neste país. Era assim. Então, isso aqui eu quero que vocês compreendam. É pura e simplesmente. Não é favor.
É trazer para o povo brasileiro mais humilde o mesmo direito que ter acesso ao mais rico. Ser tratado com respeito, com dignidade e ter acesso às coisas que a tecnologia permite que ele tenha. Portanto, os prefeitos que estão aqui, eu peço a Deus que vocês encham o tanque da perua de gasolina, ou de óleo diesel, ou de biodiesel, e que vá na periferia.
Pegue aquelas pessoas mais pobres que estão sem dentes. Faça ele voltar a sorrir outra vez. Faça ele voltar a comer um pedaço de carne.
Faça ele poder roer um osso. Faça ele poder comer uma castanha. E depois, gente, ninguém sem dente arruma namorada. Nem o homem arruma uma namorada, nem a namorada arruma um homem. Não é possível. Então, é cuidando também da beleza estética das pessoas.
Além do respeito, a gente está cuidando da beleza estética. Então, eu quero, para isso, dar os parabéns pela rapidez com que a gente conseguiu essas 800 ambulâncias. A rapidez com que a gente está colocando o SAMU.
Eu lembro, Padilha, que quando nós inauguramos o SAMU, o prefeito de uma cidade importante, lá no Rio de Janeiro, ficou mais de oito meses com 70 ambulâncias paradas no estado dele e não colocava para funcionar porque era do governo federal. Eu quero dizer aos prefeitos o seguinte. Essas ambulâncias não são do governo federal.
Essas ambulâncias não são do presidente Lula. Essas ambulâncias são conquistas do povo brasileiro. Então, por favor, tratem desse povo com respeito e carinho, que é a razão pela qual nós fomos candidatos a alguma coisa.
Que Deus abençoe Alagoas, governador; prefeito da capital [João Henrique Caldas]; companheiro Renan [Filho], ministro [dos Transportes]; companheiro Lira, deputado; companheira senadora, cadê a senadora [Dra. Eudócia], que se escondeu aqui? Que Deus possa permitir que Alagoas continue a evoluir como está evoluindo, a crescer, a gerar empregos e a nossa obrigação é apenas compartilhar as coisas. Eu estou muito satisfeito, muito satisfeito, porque cada vez que eu vejo uma pessoa sorrindo com todos os dentes na boca, essa pessoa está sendo tratada com respeito. É mais bonita, mais bonita.
É poder mastigar uma galinhazinha, uma codornazinha, um pedacinho de carne, sabe? Então é isso, gente. Era isso que eu queria falar para vocês.
Agora nós vamos para a inauguração das casas para o povo do estado de Alagoas e de Maceió. Um abraço. Obrigado, governador.