Pronunciamento do presidente Lula sobre investimentos em Saúde e Educação em Mauá e região
Eu queria começar a minha conversa com vocês agradecendo a vocês. Eu frequento Mauá há muitos anos. Há muitos anos. Desde que eu assumi a criação de um partido político, eu venho a Mauá.
Eu aqui tenho como um dos meus melhores companheiros, o Paulo Okamotto [presidente da Fundação Perseu Abramo], que é casado com a mulher que é filha de um farmacêutico do Jardim Zaíra, há muito tempo aqui. E ele nasceu em Mauá.
Deixa eu dizer uma coisa para vocês. Eu, toda vez que eu fui candidato aqui em Mauá, eu ganhei as eleições em Mauá. Por isso, eu sou grato a vocês. Vocês votaram em mim em 2022, eu fui o primeiro colocado no primeiro turno, no segundo turno.
Em 2006, eu fui o primeiro no segundo e no segundo turno. Em 2022, eu fui o primeiro no primeiro e no segundo turno. Pois bem, eu sou muito grato a vocês, como eu sou grato a toda a região do ABC.
Quando eu fui candidato a deputado federal em 1986, eu fui o deputado mais votado em todas as cidades do ABC, mais Guarulhos, Osasco e Campinas. Onde tinha classe operária, eu fui o mais votado. Agora foi o Boulos [Guilherme, ministro da Secretaria-Geral da Presidência] o mais votado, mas eu fui o mais votado. E eu queria chamar os prefeitos para ficarem aqui, porque o Marcelo [Oliveira, prefeito de Mauá] está enchendo os “pacuá” para a gente tirar uma foto aqui.
E eu queria falar uma coisa para vocês sobre democracia. O que é a gente governar exercendo a democracia? De todos esses prefeitos que estão aqui, vocês viram que Santo André recebeu 10 ambulâncias. Santo André, não é um prefeito do PT.
Eu poderia ter feito como outros presidentes fizeram, não trazer ambulância para Santo André. Diadema recebeu 9 ambulâncias. Diadema derrotou o PT. Eu poderia não ter trazido nenhuma ambulância para Diadema. São Caetano sempre derrotou o PT. Eu não precisaria dar ambulância para São Caetano.
Eu não precisaria dar ambulância para Ribeirão Pires. Eu não poderia dar ambulância para São Bernardo, que também derrotou o PT. Eu não poderia dar ambulância para você, que também derrotou o PT.
Só deveria dar ambulâncias, as 37, para esse caboclo aqui [Marcelo Oliveira, prefeito de Mauá]. Agora, eu chamei vocês aqui para tirar uma foto, mas também para tentar colocar um pouco de consciência política nestas pessoas. Quando a gente exerce um cargo político importante, e o de presidente da República é o cargo mais importante que nós temos no Brasil, a gente não tem o direito de ser mesquinho.
A gente não tem o direito de ser pequeno. Só para você ter ideia, quando eu ganhei as eleições, em janeiro eu chamei os 27 governadores para perguntar para eles: “eu quero que vocês me digam quais são as obras de infraestrutura mais importantes para o estado de vocês, para a gente colocar no PAC”.
Depois, nós chamamos os prefeitos e fizemos uma coisa chamada PAC Seleções. Os prefeitos que se inscreveram em quase todos os nossos programas e foram premiados, todos receberam as obras. Eu vou dar o último exemplo, Alckmin [Geraldo, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços]. Há um mês, mais ou menos, um mês e meio, o prefeito de Ribeirão Preto [Ricardo Silva] jamais pensou em votar no Lula. E eu dei ao prefeito de Ribeirão Preto um bilhão de reais. Muita gente ficou assustada: “Esse Lula é louco. Está dando um bilhão para um prefeito que é inimigo dele”.
Eu não dei um bilhão para o prefeito. Eu dei um bilhão para um projeto de infraestrutura em Ribeirão Preto que o povo de Ribeirão Preto merecia. Portanto, eu estou dando a ambulância para vocês. Não é vocês que vão andar na ambulância. Não é vocês que vão dirigir a ambulância. Eu estou dando a ambulância porque o povo da cidade de vocês merece ter ambulância e eu não posso ser pequeno com vocês. Não posso.
Se todos os presidentes da República e todos os governadores fizessem assim, a gente teria muito menos problemas. Vocês sabem que no governo passado, os estados do Nordeste que não estavam do lado do presidente não receberam um centavo de ajuda para nada. E podem ter certeza que eu estou colocando mais dinheiro no estado de São Paulo do que qualquer presidente deles já colocava.
Porque não me importa quem é o governador. Me importa o seguinte: a cidade é importante, o projeto é importante, vai fazer bem para o povo, eu coloco dinheiro. É assim que é a minha cabeça.
Se aqui em Mauá não tivesse ganhado o Marcelo, eu estaria fazendo o Instituto assim mesmo. Porque é um compromisso meu com o povo de Mauá. E queria dizer para vocês uma coisa mais importante ainda.
O Marcelo estava dizendo para mim: “presidente, eu tenho um prédio lá em São Bernardo. Se o senhor fizer o Instituto lá, eu dou o prédio para fazer o Instituto”. Portanto, o companheiro Camilo [Santana, ministro da Educação] tem a obrigação de passar no prédio da ex-universidade metodista, ver se o prédio comporta e São Bernardo merece o Instituto Federal também.
E por que a gente faz isso? Eu tenho uma obsessão com a educação. Eu lembro que de vez em quando as pessoas falam assim, esses dias um babaca estava na rede digital, dizendo o seguinte: “esse Lula, ele fala que acabou com a fome. Mas eu tenho fome de manhã, de tarde e de noite”. Coma, seu imbecil. Coma. Se enturracha de comer.
Eu não acabei com a fome. Eu acabei com a fome dando comida àqueles que não tinham o que comer, para que eles possam comer três vezes por dia. Então, tem gente que diz assim: “ah, mas esse negócio do Lula falar que ele faz escola técnica, universidade, esse povo, é porque o povo tem muita vontade, o povo foi para a universidade porque ele fez um esforço pessoal.”
É verdade. Se vocês não fizessem esforço, vocês não iriam. A minha pergunta é a seguinte, eu sou o único presidente da República, desde a proclamação da República, que não tem diploma universitário.
Único. Por que eu vou passar para a história como o cara que mais fez universidade, que mais fez institutos federais? Em 100 anos, a elite brasileira fez 640 institutos. Nós, em 12, vamos fazer 782 institutos federais neste país.
Aqui, em São Paulo, tinha pouca universidade federal. Tinha a USP [Universidade de São Paulo], que é a mais importante universidade brasileira, e tinha a Federal de São Carlos e a Unifesp [Universidade Federal de São Paulo]. Eu, quando entrei, resolvi que o ABC merecia universidade.
Nós fizemos da Universidade Federal de Santo André, de São Bernardo, de Osasco, de Guarulhos, de Sorocaba, de Diadema, de Santos, e aqui nós não fizemos, porque teve um problema com o terreno. O terreno não tinha condições sanitárias para fazer. Mas a gente, se tiver terreno, a gente fará também, porque Mauá não é menor do que nenhum outro município deste país. Eu, vocês sabem que eu tenho obsessão pela educação de vocês.
E a minha obsessão é pelo fato de eu não ter tido estudo. Eu teria muita vontade de ter tido um curso superior, mas eu não pude ter. Mas eu acho que todo filho de trabalhador que quiser estudar, nós temos que garantir que ele tenha o direito.
Nós não estamos dando para ele, nós estamos apenas criando a oportunidade para que ele possa competir em igualdade de condições com qualquer outro. Vocês vejam que agora em Salvador, um menino que é filho de uma empregada doméstica e filho de um pedreiro, ele foi o primeiro colocado no vestibular de Medicina da USP. Olha, é lógico que esse moleque fez um esforço imenso.
É lógico que é um esforço dele. Mas quando a gente criou a política de cotas, quando a gente disse que o Brasil tinha uma dívida histórica, com 300 anos de escravidão, e que durante muitos séculos não permitiram que os pobres estudassem neste país. Porque o trabalho de um pobre era para trabalhar, cortar cana e ser pedreiro, sem diminuir o cortador de cana e os pedreiros. É que nós assumimos a responsabilidade de dizer, o cara pode ser cortador de cana, a mulher pode ser empregada doméstica, o cara pode ser pedreiro, mas se ele quiser, ele pode ser médico, pode ser engenheiro, pode ser o que ele quiser. Esse é o nosso papel, é criar as condições para que as pessoas possam chegar lá.
E por que eu tenho essa obsessão? Vocês que estão lendo na imprensa, nós assumimos agora a coordenação, junto com a Suprema Corte, o Senado e a Câmara, a luta para diminuir a violência contra a mulher e o feminicídio. Vocês que estão acompanhando pela imprensa. No ano passado, 1.470 mulheres foram assassinadas por marido, ex-marido, namorado, ex-namorado e amigo de trabalho. Um canalha qualquer que não suporta que a mulher não goste mais dele e queira largar dele. Ele acha que a mulher é propriedade, ele tem o direito de matar.
E nós criamos um pacto para chamar os homens da responsabilidade. A mulher não é propriedade do homem, ela é livre. E por isso, é importante fazer investimento na educação, porque uma menina sem profissão, ela vai se humilhar para arrumar um simples emprego numa loja, ela vai ser assediada, ela vai ser provocada da mesma forma que um menino sem uma profissão, ele terá dificuldade de arrumar emprego, de cuidar de uma família, de comprar uma casa.
Então, nós queremos que todo mundo estude, porque não há exemplo na história da humanidade de um país que conseguiu progredir sem antes fazer investimento na educação. Então, eu quero que todas vocês possam se formar. Não tem idade.
Quem está com 40 anos, quem está com 50 anos, que não estudou, ainda tem tempo de estudar, ser doutora e ter um diploma e trabalhar. E por que isso? Porque uma mulher, quando ela tem uma profissão, ela vai morar com alguém, se ela quiser. Ela vai ficar com alguém, se ela gostar.
Agora, uma mulher não pode ficar morando com um homem por conta de um prato de comida, por conta do pagamento do aluguel. Não tem sentido isso, gente. A minha mãe, quando ela chegou em São Paulo, em 1952, ela veio para encontrar com o meu pai, que tinha deixado ela, em 1945, grávida de mim.
Depois de sete anos, minha mãe veio para cá para encontrar o amor da vida dela. Chegou em Santos, encontrou meu pai casado com outra, já com quatro filhos. A minha mãe estava com oito filhos “de menor”, agarrado no rabo da saia dela.
Você pensa que a minha mãe ficou chorando? A minha mãe largou do meu pai e sozinha foi criar os oito filhos. E o caçula dela, o caçula dela, que não teve a oportunidade de ter um diploma primário, está aqui, eleito pela terceira vez presidente da República deste país, pelo voto de vocês. É por isso que eu assumi a luta contra a violência contra a mulher.
Se o cara chegar nervosinho e quiser bater na mulher, antes de bater, dê uma cabeçada na parede, porra. Mulher não é saco de pancada de ninguém. A mulher tem que ser respeitada. Ela tem que ser respeitada. Ela passa o dia inteiro cuidando das crianças, lavando merda, lavando fralda, lavando cama, lavando banheiro, fazendo comida. Chega em casa, tem dois ovos pra comer, você vai: “porra, só ovo, só ovo”.
Aí não comprou a carne porque não tinha dinheiro. Ela não tem culpa. Aí não está gostando da comida, vai pra cozinha fazer.
Eu, eu tenho dito, prefeitos, cada um de vocês, daqui para frente, tem que assumir a responsabilidade na cidade de vocês de fiscalizar se tem algum mau caráter batendo na mulher. Se tiver batendo, é preciso chamar a polícia, é preciso prender essa pessoa, porque essa pessoa não tem o direito de bater. Se você está vendo uma vizinha sua, antigamente dizia: “ah em briga de marido e mulher, eu não ponho colher”.
Não. Tem que pôr a colher. Se aqui tiver uma mulher apanhando, pega o telefone e chama a polícia para que alguém possa dar jeito. A outra coisa, Camilo, você que é ministro da educação, cadê o Camilo? Fica aqui na frente.
Outra coisa, nós precisamos começar a mudar o currículo escolar. Da creche à universidade, os homens têm que aprender que não são melhores do que as mulheres, não são mais importantes. E a gente tem que começar a ensinar isso na creche para as crianças, no ensino fundamental. O menino não é dono da menina, não é maior do que ela, não é mais importante que ela. Se a gente não ensinar na escola, ele não vai aprender.
Porque todo pai, todo pai. E eu sou pai de cinco filhos. Eu estou falando com conhecimento de causa. Todo pai, quando tem um filho macho, fala: “ah, meu filho é machão, meu filho é machão. Quando ele tiver com 14 anos, eu vou levar ele para ter sua primeira experiência sexual. Agora, minha filha, não. Minha filha tem que casar virgem com 50 anos de idade”.
É assim. Nós homens, quando ficamos tomando umas cachaças fora e chegamos em casa tarde, a gente quer que a nossa mulher entenda.
“Não, amor, entenda, meu amor. Eu estava com meus amigos, eu estava jogando bola, meu amor”. E a gente quer que a mulher compreenda. Mas, quando a gente chega em casa, que a mulher não está e ela demora meia hora para chegar, nós já ficamos puto da vida, ficamos nervosos e já ficamos xingando.
Que mundo é esse que a gente quer viver? Então, gente, é uma mudança na nossa cabeça. Nós precisamos reconstruir o humanismo, a fraternidade, a solidariedade, o respeito e a gente viver em comunidade. É assim que a gente vai recuperar o nosso povo.
Não é sendo violento. Então, por isso, a educação, para mim, é importante. E eu vou continuar.
Daqui a 50 anos, quando os netos de vocês estiverem lendo o livro de História, ele vai abrir na página 56, na página 58 ou na página 59. Um dia, o Brasil teve um cara metalúrgico, sem diploma universitário, que ganhou a presidência da República e fez mais escolas do que os doutores que governaram este país a vida inteira. É assim que vai ser a história deste país. Pois bem, eu espero contar com o apoio dos prefeitos, com o apoio da igreja.
Ah, o padre vai estar na igreja, vai começar a rezar o Pai Nosso antes de um “pito” que estão lá nos cordeiros e fala: “ó, cordeiro não tem que bater em mulher”. Aqui, a igreja recomenda. O pastor para fazer o culto dele, mas também começa dizendo: “evangélico não pode bater em mulher”.
Se todo mundo falar. O Moisés [Selerges Júnior], que é presidente do sindicato de São Bernardo [dos Metalúrgicos], vem aqui, que é candidato a deputado federal e que, se Deus quiser Mauá vai votar em você.
O Moisés, quando for fazer assembleia para pedir aumento de salário, ele tem que começar a dizer o seguinte: “metalúrgico não bate na mulher, metalúrgico tem que respeitar a mulher.” Falar essas coisas, os sindicalistas todos, os deputados todos, todo mundo tem que falar, porque, senão, a gente não educa a sociedade. Bem, obrigado, prefeitos queridos.
Obrigado por ter ficado em pé aqui. Tiramos a foto bonita aqui, cadê a foto, Stuckinha [Ricardo Stucker, Secretário de Produção e Conteúdo Audiovisual]? A foto aqui. O presidente do partido dele vai bater nele, porque ele tomou uma foto comigo aqui, olha.
Olha, só para vocês terem ideia, só para vocês. Aqui tem dois prefeitos que são do PL. O PL é o partido do Bolsonaro [Jair, ex-presidente da República]. O PL é o maior inimigo nosso na Câmara, mesmo assim, vocês estão recebendo ambulância. Porque vocês foram eleitos pelo voto, e eu respeito o voto do povo da cidade de vocês. Portanto, parabéns, queridos.
Bem, agora... agora, para terminar, a questão da saúde. Eu, desde 2012, sonhei em criar o Mais Especialista [Agora Tem Especialistas], porque sempre me agoniou o seguinte. Uma pessoa pobre, trabalhador, aqui de Mauá, metalúrgico, químico, gráfico, uma menina que trabalha no comércio, ou um homem. Ele vai ao médico, ele chega na UPA, ou na UBS, ele vai ser atendido. Antigamente, ele era atendido e o médico dava uma receita.
Ele pegava a receita, ia para casa, não tinha dinheiro para comprar o remédio. Colocava o remédio na cabeceira da cama, ou dentro de um copo no armário, morria sem poder comprar o remédio. Nós resolvemos isso, criando o Farmácia Popular e dando remédio de graça, 41 tipos de remédios de uso contínuo.
Vocês sabem que as pessoas, os pais de vocês, as mães de vocês, que estão doentes, que têm doenças como hipertensão, como diabetes, pegam remédio de graça no posto de saúde. Então, nós resolvemos esse problema. Mas aí tinha um outro problema.
Aqui, uma pessoa vai no médico, o médico fala: “olha, você está com um problema sério, eu estou sentindo o seu batimento do coração alterado, você tem que procurar um cardiologista”. Aí você sai do médico, vai na secretária da UBS [Unidade Básica de Saúde], ela pegava o computador: “olha, só vai ter cardiologista daqui a 11 meses”. Não era assim? Aí você ia para casa, se Deus te ajudasse e o coração aguentasse, você, 11 meses depois, ia ser atendido pelo cardiologista.
Aí você chegava no cardiologista, depois de 11 meses, o médico colocava um negócio no teu peito aqui, mandava você falar 33 para ver o pulmão, colocava o batimento, falava: “Nossa senhora, você está com o coração alterado. Você tem que fazer o quê, Padilha [Alexandre, ministro da Saúde]? Um eletrocardiograma? Ou ecocardiograma? Aquelas coisas de grama, você tem que fazer.” Aí você saía do médico, do cardiologista, ia na secretária.
Ela falava: “minha senhora, só vai ter essa máquina daqui a nove meses”. Aí você voltava para casa com o pedido. Então, o que nós fizemos? Nós fizemos o Agora Tem Especialistas.
O que é isso? É que nós queremos, com 150 jamantas que a gente vai ter andando pelo Brasil, a gente quer oferecer todo tipo de exame para as pessoas. Aqui está aquele caminhão grande, aqui. Aquele caminhão grande tem que resolver o problema de uma fila de mil cirurgias em Mauá.
Então, nós vamos tentar fazer os exames em todas as mulheres. Exame de cabeça, exame de coração, exame de joelho, fazer todos os exames e encaminhar para o médico. E vamos tentar ver se em 30 ou 60 dias a gente consegue cuidar dessa pessoa para ninguém morrer esperando. Da mesma forma, a questão do dentista.
Eu, sexta, semana que vem, eu vou com a Janja [Lula da Silva, primeira-dama], numa jamanta dessa, e a Janja vai fazer mamografia. Eu sei que é um exame dolorido, eu sei que as mulheres não gostam, as máquinas estão mais modernas agora, mas a gente vai fazer.
Eu quero ver ela fazer, para depois fazer propaganda. Porque teve um tempo que eu fazia propaganda para os homens fazerem exame de próstata. Não sei se vocês sabem, tem homem com 60 anos que nunca fez um exame.
“Ah, eu não posso, eu sou homem, eu não quero que o médico mexa nas minhas partes”. Sabe, enquanto a mulher se submete a um monte de exames, o homem tem vergonha de tomar uma dedada. Ah, tenha juízo, meu caro!
Tenha juízo. Se você não fizer exame de próstata, quando você tiver um problema na próstata, você vai ver que não é um dedo que ele vai enfiar. Você vai perceber o tratamento como é difícil de fazer. Então, a gente precisa educar a pessoa.
Minha mãe morreu de câncer de útero, porque a minha mãe nunca deixou um médico examinar ela. Ora, isso é ignorância. E nós temos que educar. Então, quem não fez exame de próstata depois dos 50 anos, pelo amor de Deus, faça. Faça, antes que seja tarde. Antes que seja tarde.
Nós também, agora, nós vamos ter espalhado por este país 800 vans odontológicas. Nós sabemos que tem muita gente nova que não tem dentes na boca. E quem não tem dentes não pode comer carne, não pode comer castanha, não pode comer amendoim, não pode comer o pé de moleque, não pode comer uma cocada.
Então, nós achamos que ter dentes é uma questão de saúde pública. E vai ter 800 vans andando pelo país. Nós vamos nas comunidades mais pobres. Não é o pessoal que vai ao dentista. Nós daqui vamos até ele. E vamos fazer exame na boca dele.
Se tiver que fazer obturação, vamos fazer. Se tiver que fazer tratamento de canal, vamos fazer. E depois, se precisar fazer uma prótese, não vai mais enfiar aquele negócio na boca e ficar apertando para tirar o molde, não.
Agora vamos escanear a boca da pessoa, fotografar. E a pessoa vai receber uma prótese perfeita. A mais perfeita que ele já utilizou. Para que as pessoas voltem a sorrir. Porque o sorriso faz parte da nossa saúde. Quem ri tem muito mais saúde do que quem é azedo, quem levanta mal-humorado, quem não tem a coragem de falar bom dia. É rir, rir é saúde. E a pessoa com o dente na boca, comendo uma castanha, comendo um bife ainda é muito melhor.
Por isso, gente, eu vou contar para vocês uma coisa. Este ano eu estou considerando o ano da verdade. O ano da verdade. Vai ser a verdade contra a mentira. Aqueles caras que ficam na televisão e na rede digital, mentindo o dia inteiro, falando inverdades, cada vez mentindo mais, nós vamos desmascarar. Eu vou dizer por que nós vamos desmascarar.
Prefeitos, prestem atenção numa coisa que eu vou falar para vocês. Nós estamos terminando o terceiro ano de mandato de governo. Eu vou até para ficar perto de vocês aqui para o Moisés também para aprender, para ir na porta de fábrica falar.
Vou dizer uma coisa para vocês. Prestem atenção. Nós temos hoje a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil. Hoje nós temos a maior população economicamente ativa da história do Brasil. Hoje nós temos a maior sequência de aumento do salário mínimo da história do Brasil. Se não fosse a gente aumentar o salário mínimo com o PIB, o salário mínimo hoje não seria R$ 1.621, seria só R$ 800.
Nós temos hoje a maior massa salarial da história do Brasil. Nós temos a maior exportação da história do Brasil, a maior produção de safra do Brasil. E nós vamos fazer muito mais, porque nós vamos fazer comparação entre o que nós fizemos em estrada, na saúde, no salário, na renda.
E depois, não sei se vocês sabem, que os funcionários de vocês que ganham até R$ 5 mil não pagam mais Imposto de Renda neste país. Então, é este país que a gente vai disputar. É este país.
Eu quero saber o que eles fizeram. Eu quero pegar Temer [Michel, ex-presidente da República] e Bolsonaro, e comparar com três anos nossos. Quero pegar sete anos deles e comparar com três anos.
Na educação, na saúde, no transporte, na questão da igualdade racial, na terra para o quilombola, na terra para os indígenas, na terra de preservação. Eu quero, inclusive, a dignidade menstrual que a gente dá para a menina pegar quando ela estiver menstruada e não deixarem ser humilhada, porque não tem dinheiro para comprar. Nós vamos dar para a menina poder utilizar e ser respeitada.
Então, queridas companheiras e companheiros, eu, como tenho que ir para Brasília ainda, eu quero dizer para vocês o seguinte: este ano, vocês precisam me ajudar. Não é o Lula.
Vocês têm celular. Vocês têm celular. Eu sei como funciona a cabeça de vocês. Todo mundo tem um grupo de zap [WhatsApp, aplicativo de mensagens]. E nesse grupo de zap, eu não sei o que vocês discutem, mas tem muita mentira nesses grupos de zap. Tem muita mentira.
Outro dia eu ouvi dizer que eu, quando apareço na televisão, não sou eu, que eu já morri. Dizem que é inteligência artificial. Então, eu não sou eu, eu morri. Depois eu vou pedir para vocês tocarem em mim para ver se eu estou morto. Tem muita mentira. Mas muita mentira.
Eu queria pedir para vocês que a guerra da verdade contra a mentira vai depender de vocês. Quando vocês ouvirem uma bobagem muito grande, não passem para frente. Se puder, xinga a pessoa que fez a bobagem.
Mas não passem para frente, porque senão a gente não destrói. A gente não destrói. É mentira todo santo dia. É mentira demais, mentira. Então, eu queria pedir para vocês que têm celular. Tomem cuidado.
Vocês estão lembrados? Eu aprendi a ser contra jogo. Eu era contra-cassino. Eu era contra o jogo do bicho, porque a igreja me ensinava que eu tinha que ser contra o jogo de azar.
E todos nós fomos contra, não fomos? O que está acontecendo hoje? O cassino foi para dentro da casa da gente. O cassino está na sala, está na mão do filho de vocês de 14 anos. Ele pega o celular de vocês e ele joga nas bets, muitas vezes gastando o que não tem.
E nós vamos tomar uma atitude muito séria com essas bets, porque ela está tomando o dinheiro do povo pobre desse país. Então, vocês estão vendo a nossa briga com o tal do Banco Master. Estão vendo? Está vendo a briga desse banco aí que deu um desfalque de quase 80 bilhões? É a primeira vez, presta atenção, é a primeira vez na história do Brasil que nós estamos perseguindo os magnatas da corrupção neste país.
Não é prender o cara que está na favela ou matar ele, não. É prender aquele que está de terno e gravata roubando e mora em apartamento de cobertura ou mora em Miami. Eu, por exemplo, conversei com o Trump [Donald, presidente dos Estados Unidos], e o Trump falou: “ô presidente Lula, eu quero combater o crime organizado”. Eu falei: eu também quero. Você quer combater de verdade? Me entregue os bandidos brasileiros que estão lá”. Nós pegamos 250 mil de combustível contrabandeado em cinco navios.
Sabe onde mora o cara? Em Miami. Sabe aonde? Na melhor casa de Miami. Eu falei para o Trump: “me entregue ele”. Vamos combater o crime organizado, porque ou a gente acaba com a corrupção das classes poderosas neste país ou eles voltam a acabar com o povo brasileiro.
Nós tínhamos acabado com a fome. Vocês estão lembrados que em 2012 a gente tinha anunciado que tinha acabado com a fome nesse país. Eu votei em 2023, 33 milhões de pessoas estavam passando fome. Trinta e três milhões. Nós acabamos com a fome em dois anos e meio.
E eu quero não acabar com a fome. Eu quero que o povo brasileiro coma bem. Tome café bem. Almoce bem. Jante bem. Se vista bem.
Porque tem pessoas que acham que pobre não gosta de nada bom. Que pobre gosta de ir na feira meio-dia pegar aquele tomate já esmagado. Até o ovo a gente aperta. Não, a gente quer comer coisa de primeira. A gente quer viajar de férias. A gente quer passear.
E é este país que eu quero construir. E eu só vou construir se vocês se transformarem no Lula. Porque eu digo, eu não sou eu.
Eu sou vocês. Então vamos à luta para a gente poder não permitir a volta do fascismo neste país.
Eu queria começar a minha conversa com vocês agradecendo a vocês. Eu frequento Mauá há muitos anos. Há muitos anos. Desde que eu assumi a criação de um partido político, eu venho a Mauá.Eu aqui tenho como um dos meus melhores companheiros, o Paulo Okamotto [presidente da Fundação Perseu Abramo], que é casado com a mulher que é filha de um farmacêutico do Jardim Zaíra, há muito tempo aqui. E ele nasceu em Mauá.Deixa eu dizer uma coisa para vocês. Eu, toda vez que eu fui candidato aqui em Mauá, eu ganhei as eleições em Mauá. Por isso, eu sou grato a vocês. Vocês votaram em mim em 2022, eu fui o primeiro colocado no primeiro turno, no segundo turno.Em 2006, eu fui o primeiro no segundo e no segundo turno. Em 2022, eu fui o primeiro no primeiro e no segundo turno. Pois bem, eu sou muito grato a vocês, como eu sou grato a toda a região do ABC.Quando eu fui candidato a deputado federal em 1986, eu fui o deputado mais votado em todas as cidades do ABC, mais Guarulhos, Osasco e Campinas. Onde tinha classe operária, eu fui o mais votado. Agora foi o Boulos [Guilherme, ministro da Secretaria-Geral da Presidência] o mais votado, mas eu fui o mais votado. E eu queria chamar os prefeitos para ficarem aqui, porque o Marcelo [Oliveira, prefeito de Mauá] está enchendo os “pacuá” para a gente tirar uma foto aqui.E eu queria falar uma coisa para vocês sobre democracia. O que é a gente governar exercendo a democracia? De todos esses prefeitos que estão aqui, vocês viram que Santo André recebeu 10 ambulâncias. Santo André, não é um prefeito do PT.Eu poderia ter feito como outros presidentes fizeram, não trazer ambulância para Santo André. Diadema recebeu 9 ambulâncias. Diadema derrotou o PT. Eu poderia não ter trazido nenhuma ambulância para Diadema. São Caetano sempre derrotou o PT. Eu não precisaria dar ambulância para São Caetano.Eu não precisaria dar ambulância para Ribeirão Pires. Eu não poderia dar ambulância para São Bernardo, que também derrotou o PT. Eu não poderia dar ambulância para você, que também derrotou o PT.Só deveria dar ambulâncias, as 37, para esse caboclo aqui [Marcelo Oliveira, prefeito de Mauá]. Agora, eu chamei vocês aqui para tirar uma foto, mas também para tentar colocar um pouco de consciência política nestas pessoas. Quando a gente exerce um cargo político importante, e o de presidente da República é o cargo mais importante que nós temos no Brasil, a gente não tem o direito de ser mesquinho.A gente não tem o direito de ser pequeno. Só para você ter ideia, quando eu ganhei as eleições, em janeiro eu chamei os 27 governadores para perguntar para eles: “eu quero que vocês me digam quais são as obras de infraestrutura mais importantes para o estado de vocês, para a gente colocar no PAC”.Depois, nós chamamos os prefeitos e fizemos uma coisa chamada PAC Seleções. Os prefeitos que se inscreveram em quase todos os nossos programas e foram premiados, todos receberam as obras. Eu vou dar o último exemplo, Alckmin [Geraldo, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços]. Há um mês, mais ou menos, um mês e meio, o prefeito de Ribeirão Preto [Ricardo Silva] jamais pensou em votar no Lula. E eu dei ao prefeito de Ribeirão Preto um bilhão de reais. Muita gente ficou assustada: “Esse Lula é louco. Está dando um bilhão para um prefeito que é inimigo dele”.Eu não dei um bilhão para o prefeito. Eu dei um bilhão para um projeto de infraestrutura em Ribeirão Preto que o povo de Ribeirão Preto merecia. Portanto, eu estou dando a ambulância para vocês. Não é vocês que vão andar na ambulância. Não é vocês que vão dirigir a ambulância. Eu estou dando a ambulância porque o povo da cidade de vocês merece ter ambulância e eu não posso ser pequeno com vocês. Não posso.Se todos os presidentes da República e todos os governadores fizessem assim, a gente teria muito menos problemas. Vocês sabem que no governo passado, os estados do Nordeste que não estavam do lado do presidente não receberam um centavo de ajuda para nada. E podem ter certeza que eu estou colocando mais dinheiro no estado de São Paulo do que qualquer presidente deles já colocava.Porque não me importa quem é o governador. Me importa o seguinte: a cidade é importante, o projeto é importante, vai fazer bem para o povo, eu coloco dinheiro. É assim que é a minha cabeça.Se aqui em Mauá não tivesse ganhado o Marcelo, eu estaria fazendo o Instituto assim mesmo. Porque é um compromisso meu com o povo de Mauá. E queria dizer para vocês uma coisa mais importante ainda.O Marcelo estava dizendo para mim: “presidente, eu tenho um prédio lá em São Bernardo. Se o senhor fizer o Instituto lá, eu dou o prédio para fazer o Instituto”. Portanto, o companheiro Camilo [Santana, ministro da Educação] tem a obrigação de passar no prédio da ex-universidade metodista, ver se o prédio comporta e São Bernardo merece o Instituto Federal também.E por que a gente faz isso? Eu tenho uma obsessão com a educação. Eu lembro que de vez em quando as pessoas falam assim, esses dias um babaca estava na rede digital, dizendo o seguinte: “esse Lula, ele fala que acabou com a fome. Mas eu tenho fome de manhã, de tarde e de noite”. Coma, seu imbecil. Coma. Se enturracha de comer.Eu não acabei com a fome. Eu acabei com a fome dando comida àqueles que não tinham o que comer, para que eles possam comer três vezes por dia. Então, tem gente que diz assim: “ah, mas esse negócio do Lula falar que ele faz escola técnica, universidade, esse povo, é porque o povo tem muita vontade, o povo foi para a universidade porque ele fez um esforço pessoal.”É verdade. Se vocês não fizessem esforço, vocês não iriam. A minha pergunta é a seguinte, eu sou o único presidente da República, desde a proclamação da República, que não tem diploma universitário.Único. Por que eu vou passar para a história como o cara que mais fez universidade, que mais fez institutos federais? Em 100 anos, a elite brasileira fez 640 institutos. Nós, em 12, vamos fazer 782 institutos federais neste país.Aqui, em São Paulo, tinha pouca universidade federal. Tinha a USP [Universidade de São Paulo], que é a mais importante universidade brasileira, e tinha a Federal de São Carlos e a Unifesp [Universidade Federal de São Paulo]. Eu, quando entrei, resolvi que o ABC merecia universidade.Nós fizemos da Universidade Federal de Santo André, de São Bernardo, de Osasco, de Guarulhos, de Sorocaba, de Diadema, de Santos, e aqui nós não fizemos, porque teve um problema com o terreno. O terreno não tinha condições sanitárias para fazer. Mas a gente, se tiver terreno, a gente fará também, porque Mauá não é menor do que nenhum outro município deste país. Eu, vocês sabem que eu tenho obsessão pela educação de vocês.E a minha obsessão é pelo fato de eu não ter tido estudo. Eu teria muita vontade de ter tido um curso superior, mas eu não pude ter. Mas eu acho que todo filho de trabalhador que quiser estudar, nós temos que garantir que ele tenha o direito.Nós não estamos dando para ele, nós estamos apenas criando a oportunidade para que ele possa competir em igualdade de condições com qualquer outro. Vocês vejam que agora em Salvador, um menino que é filho de uma empregada doméstica e filho de um pedreiro, ele foi o primeiro colocado no vestibular de Medicina da USP. Olha, é lógico que esse moleque fez um esforço imenso.É lógico que é um esforço dele. Mas quando a gente criou a política de cotas, quando a gente disse que o Brasil tinha uma dívida histórica, com 300 anos de escravidão, e que durante muitos séculos não permitiram que os pobres estudassem neste país. Porque o trabalho de um pobre era para trabalhar, cortar cana e ser pedreiro, sem diminuir o cortador de cana e os pedreiros. É que nós assumimos a responsabilidade de dizer, o cara pode ser cortador de cana, a mulher pode ser empregada doméstica, o cara pode ser pedreiro, mas se ele quiser, ele pode ser médico, pode ser engenheiro, pode ser o que ele quiser. Esse é o nosso papel, é criar as condições para que as pessoas possam chegar lá.E por que eu tenho essa obsessão? Vocês que estão lendo na imprensa, nós assumimos agora a coordenação, junto com a Suprema Corte, o Senado e a Câmara, a luta para diminuir a violência contra a mulher e o feminicídio. Vocês que estão acompanhando pela imprensa. No ano passado, 1.470 mulheres foram assassinadas por marido, ex-marido, namorado, ex-namorado e amigo de trabalho. Um canalha qualquer que não suporta que a mulher não goste mais dele e queira largar dele. Ele acha que a mulher é propriedade, ele tem o direito de matar.E nós criamos um pacto para chamar os homens da responsabilidade. A mulher não é propriedade do homem, ela é livre. E por isso, é importante fazer investimento na educação, porque uma menina sem profissão, ela vai se humilhar para arrumar um simples emprego numa loja, ela vai ser assediada, ela vai ser provocada da mesma forma que um menino sem uma profissão, ele terá dificuldade de arrumar emprego, de cuidar de uma família, de comprar uma casa.Então, nós queremos que todo mundo estude, porque não há exemplo na história da humanidade de um país que conseguiu progredir sem antes fazer investimento na educação. Então, eu quero que todas vocês possam se formar. Não tem idade.Quem está com 40 anos, quem está com 50 anos, que não estudou, ainda tem tempo de estudar, ser doutora e ter um diploma e trabalhar. E por que isso? Porque uma mulher, quando ela tem uma profissão, ela vai morar com alguém, se ela quiser. Ela vai ficar com alguém, se ela gostar.Agora, uma mulher não pode ficar morando com um homem por conta de um prato de comida, por conta do pagamento do aluguel. Não tem sentido isso, gente. A minha mãe, quando ela chegou em São Paulo, em 1952, ela veio para encontrar com o meu pai, que tinha deixado ela, em 1945, grávida de mim.Depois de sete anos, minha mãe veio para cá para encontrar o amor da vida dela. Chegou em Santos, encontrou meu pai casado com outra, já com quatro filhos. A minha mãe estava com oito filhos “de menor”, agarrado no rabo da saia dela.Você pensa que a minha mãe ficou chorando? A minha mãe largou do meu pai e sozinha foi criar os oito filhos. E o caçula dela, o caçula dela, que não teve a oportunidade de ter um diploma primário, está aqui, eleito pela terceira vez presidente da República deste país, pelo voto de vocês. É por isso que eu assumi a luta contra a violência contra a mulher.Se o cara chegar nervosinho e quiser bater na mulher, antes de bater, dê uma cabeçada na parede, porra. Mulher não é saco de pancada de ninguém. A mulher tem que ser respeitada. Ela tem que ser respeitada. Ela passa o dia inteiro cuidando das crianças, lavando merda, lavando fralda, lavando cama, lavando banheiro, fazendo comida. Chega em casa, tem dois ovos pra comer, você vai: “porra, só ovo, só ovo”.Aí não comprou a carne porque não tinha dinheiro. Ela não tem culpa. Aí não está gostando da comida, vai pra cozinha fazer.Eu, eu tenho dito, prefeitos, cada um de vocês, daqui para frente, tem que assumir a responsabilidade na cidade de vocês de fiscalizar se tem algum mau caráter batendo na mulher. Se tiver batendo, é preciso chamar a polícia, é preciso prender essa pessoa, porque essa pessoa não tem o direito de bater. Se você está vendo uma vizinha sua, antigamente dizia: “ah em briga de marido e mulher, eu não ponho colher”.Não. Tem que pôr a colher. Se aqui tiver uma mulher apanhando, pega o telefone e chama a polícia para que alguém possa dar jeito. A outra coisa, Camilo, você que é ministro da educação, cadê o Camilo? Fica aqui na frente.Outra coisa, nós precisamos começar a mudar o currículo escolar. Da creche à universidade, os homens têm que aprender que não são melhores do que as mulheres, não são mais importantes. E a gente tem que começar a ensinar isso na creche para as crianças, no ensino fundamental. O menino não é dono da menina, não é maior do que ela, não é mais importante que ela. Se a gente não ensinar na escola, ele não vai aprender.Porque todo pai, todo pai. E eu sou pai de cinco filhos. Eu estou falando com conhecimento de causa. Todo pai, quando tem um filho macho, fala: “ah, meu filho é machão, meu filho é machão. Quando ele tiver com 14 anos, eu vou levar ele para ter sua primeira experiência sexual. Agora, minha filha, não. Minha filha tem que casar virgem com 50 anos de idade”.É assim. Nós homens, quando ficamos tomando umas cachaças fora e chegamos em casa tarde, a gente quer que a nossa mulher entenda.“Não, amor, entenda, meu amor. Eu estava com meus amigos, eu estava jogando bola, meu amor”. E a gente quer que a mulher compreenda. Mas, quando a gente chega em casa, que a mulher não está e ela demora meia hora para chegar, nós já ficamos puto da vida, ficamos nervosos e já ficamos xingando.Que mundo é esse que a gente quer viver? Então, gente, é uma mudança na nossa cabeça. Nós precisamos reconstruir o humanismo, a fraternidade, a solidariedade, o respeito e a gente viver em comunidade. É assim que a gente vai recuperar o nosso povo.Não é sendo violento. Então, por isso, a educação, para mim, é importante. E eu vou continuar.Daqui a 50 anos, quando os netos de vocês estiverem lendo o livro de História, ele vai abrir na página 56, na página 58 ou na página 59. Um dia, o Brasil teve um cara metalúrgico, sem diploma universitário, que ganhou a presidência da República e fez mais escolas do que os doutores que governaram este país a vida inteira. É assim que vai ser a história deste país. Pois bem, eu espero contar com o apoio dos prefeitos, com o apoio da igreja.Ah, o padre vai estar na igreja, vai começar a rezar o Pai Nosso antes de um “pito” que estão lá nos cordeiros e fala: “ó, cordeiro não tem que bater em mulher”. Aqui, a igreja recomenda. O pastor para fazer o culto dele, mas também começa dizendo: “evangélico não pode bater em mulher”.Se todo mundo falar. O Moisés [Selerges Júnior], que é presidente do sindicato de São Bernardo [dos Metalúrgicos], vem aqui, que é candidato a deputado federal e que, se Deus quiser Mauá vai votar em você.O Moisés, quando for fazer assembleia para pedir aumento de salário, ele tem que começar a dizer o seguinte: “metalúrgico não bate na mulher, metalúrgico tem que respeitar a mulher.” Falar essas coisas, os sindicalistas todos, os deputados todos, todo mundo tem que falar, porque, senão, a gente não educa a sociedade. Bem, obrigado, prefeitos queridos.Obrigado por ter ficado em pé aqui. Tiramos a foto bonita aqui, cadê a foto, Stuckinha [Ricardo Stucker, Secretário de Produção e Conteúdo Audiovisual]? A foto aqui. O presidente do partido dele vai bater nele, porque ele tomou uma foto comigo aqui, olha.Olha, só para vocês terem ideia, só para vocês. Aqui tem dois prefeitos que são do PL. O PL é o partido do Bolsonaro [Jair, ex-presidente da República]. O PL é o maior inimigo nosso na Câmara, mesmo assim, vocês estão recebendo ambulância. Porque vocês foram eleitos pelo voto, e eu respeito o voto do povo da cidade de vocês. Portanto, parabéns, queridos.Bem, agora... agora, para terminar, a questão da saúde. Eu, desde 2012, sonhei em criar o Mais Especialista [Agora Tem Especialistas], porque sempre me agoniou o seguinte. Uma pessoa pobre, trabalhador, aqui de Mauá, metalúrgico, químico, gráfico, uma menina que trabalha no comércio, ou um homem. Ele vai ao médico, ele chega na UPA, ou na UBS, ele vai ser atendido. Antigamente, ele era atendido e o médico dava uma receita.Ele pegava a receita, ia para casa, não tinha dinheiro para comprar o remédio. Colocava o remédio na cabeceira da cama, ou dentro de um copo no armário, morria sem poder comprar o remédio. Nós resolvemos isso, criando o Farmácia Popular e dando remédio de graça, 41 tipos de remédios de uso contínuo.Vocês sabem que as pessoas, os pais de vocês, as mães de vocês, que estão doentes, que têm doenças como hipertensão, como diabetes, pegam remédio de graça no posto de saúde. Então, nós resolvemos esse problema. Mas aí tinha um outro problema.Aqui, uma pessoa vai no médico, o médico fala: “olha, você está com um problema sério, eu estou sentindo o seu batimento do coração alterado, você tem que procurar um cardiologista”. Aí você sai do médico, vai na secretária da UBS [Unidade Básica de Saúde], ela pegava o computador: “olha, só vai ter cardiologista daqui a 11 meses”. Não era assim? Aí você ia para casa, se Deus te ajudasse e o coração aguentasse, você, 11 meses depois, ia ser atendido pelo cardiologista.Aí você chegava no cardiologista, depois de 11 meses, o médico colocava um negócio no teu peito aqui, mandava você falar 33 para ver o pulmão, colocava o batimento, falava: “Nossa senhora, você está com o coração alterado. Você tem que fazer o quê, Padilha [Alexandre, ministro da Saúde]? Um eletrocardiograma? Ou ecocardiograma? Aquelas coisas de grama, você tem que fazer.” Aí você saía do médico, do cardiologista, ia na secretária.Ela falava: “minha senhora, só vai ter essa máquina daqui a nove meses”. Aí você voltava para casa com o pedido. Então, o que nós fizemos? Nós fizemos o Agora Tem Especialistas.O que é isso? É que nós queremos, com 150 jamantas que a gente vai ter andando pelo Brasil, a gente quer oferecer todo tipo de exame para as pessoas. Aqui está aquele caminhão grande, aqui. Aquele caminhão grande tem que resolver o problema de uma fila de mil cirurgias em Mauá.Então, nós vamos tentar fazer os exames em todas as mulheres. Exame de cabeça, exame de coração, exame de joelho, fazer todos os exames e encaminhar para o médico. E vamos tentar ver se em 30 ou 60 dias a gente consegue cuidar dessa pessoa para ninguém morrer esperando. Da mesma forma, a questão do dentista.Eu, sexta, semana que vem, eu vou com a Janja [Lula da Silva, primeira-dama], numa jamanta dessa, e a Janja vai fazer mamografia. Eu sei que é um exame dolorido, eu sei que as mulheres não gostam, as máquinas estão mais modernas agora, mas a gente vai fazer.Eu quero ver ela fazer, para depois fazer propaganda. Porque teve um tempo que eu fazia propaganda para os homens fazerem exame de próstata. Não sei se vocês sabem, tem homem com 60 anos que nunca fez um exame.“Ah, eu não posso, eu sou homem, eu não quero que o médico mexa nas minhas partes”. Sabe, enquanto a mulher se submete a um monte de exames, o homem tem vergonha de tomar uma dedada. Ah, tenha juízo, meu caro!Tenha juízo. Se você não fizer exame de próstata, quando você tiver um problema na próstata, você vai ver que não é um dedo que ele vai enfiar. Você vai perceber o tratamento como é difícil de fazer. Então, a gente precisa educar a pessoa.Minha mãe morreu de câncer de útero, porque a minha mãe nunca deixou um médico examinar ela. Ora, isso é ignorância. E nós temos que educar. Então, quem não fez exame de próstata depois dos 50 anos, pelo amor de Deus, faça. Faça, antes que seja tarde. Antes que seja tarde.Nós também, agora, nós vamos ter espalhado por este país 800 vans odontológicas. Nós sabemos que tem muita gente nova que não tem dentes na boca. E quem não tem dentes não pode comer carne, não pode comer castanha, não pode comer amendoim, não pode comer o pé de moleque, não pode comer uma cocada.Então, nós achamos que ter dentes é uma questão de saúde pública. E vai ter 800 vans andando pelo país. Nós vamos nas comunidades mais pobres. Não é o pessoal que vai ao dentista. Nós daqui vamos até ele. E vamos fazer exame na boca dele.Se tiver que fazer obturação, vamos fazer. Se tiver que fazer tratamento de canal, vamos fazer. E depois, se precisar fazer uma prótese, não vai mais enfiar aquele negócio na boca e ficar apertando para tirar o molde, não.Agora vamos escanear a boca da pessoa, fotografar. E a pessoa vai receber uma prótese perfeita. A mais perfeita que ele já utilizou. Para que as pessoas voltem a sorrir. Porque o sorriso faz parte da nossa saúde. Quem ri tem muito mais saúde do que quem é azedo, quem levanta mal-humorado, quem não tem a coragem de falar bom dia. É rir, rir é saúde. E a pessoa com o dente na boca, comendo uma castanha, comendo um bife ainda é muito melhor.Por isso, gente, eu vou contar para vocês uma coisa. Este ano eu estou considerando o ano da verdade. O ano da verdade. Vai ser a verdade contra a mentira. Aqueles caras que ficam na televisão e na rede digital, mentindo o dia inteiro, falando inverdades, cada vez mentindo mais, nós vamos desmascarar. Eu vou dizer por que nós vamos desmascarar.Prefeitos, prestem atenção numa coisa que eu vou falar para vocês. Nós estamos terminando o terceiro ano de mandato de governo. Eu vou até para ficar perto de vocês aqui para o Moisés também para aprender, para ir na porta de fábrica falar.Vou dizer uma coisa para vocês. Prestem atenção. Nós temos hoje a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil. Hoje nós temos a maior população economicamente ativa da história do Brasil. Hoje nós temos a maior sequência de aumento do salário mínimo da história do Brasil. Se não fosse a gente aumentar o salário mínimo com o PIB, o salário mínimo hoje não seria R$ 1.621, seria só R$ 800.Nós temos hoje a maior massa salarial da história do Brasil. Nós temos a maior exportação da história do Brasil, a maior produção de safra do Brasil. E nós vamos fazer muito mais, porque nós vamos fazer comparação entre o que nós fizemos em estrada, na saúde, no salário, na renda.E depois, não sei se vocês sabem, que os funcionários de vocês que ganham até R$ 5 mil não pagam mais Imposto de Renda neste país. Então, é este país que a gente vai disputar. É este país.Eu quero saber o que eles fizeram. Eu quero pegar Temer [Michel, ex-presidente da República] e Bolsonaro, e comparar com três anos nossos. Quero pegar sete anos deles e comparar com três anos.Na educação, na saúde, no transporte, na questão da igualdade racial, na terra para o quilombola, na terra para os indígenas, na terra de preservação. Eu quero, inclusive, a dignidade menstrual que a gente dá para a menina pegar quando ela estiver menstruada e não deixarem ser humilhada, porque não tem dinheiro para comprar. Nós vamos dar para a menina poder utilizar e ser respeitada.Então, queridas companheiras e companheiros, eu, como tenho que ir para Brasília ainda, eu quero dizer para vocês o seguinte: este ano, vocês precisam me ajudar. Não é o Lula.Vocês têm celular. Vocês têm celular. Eu sei como funciona a cabeça de vocês. Todo mundo tem um grupo de zap [WhatsApp, aplicativo de mensagens]. E nesse grupo de zap, eu não sei o que vocês discutem, mas tem muita mentira nesses grupos de zap. Tem muita mentira.Outro dia eu ouvi dizer que eu, quando apareço na televisão, não sou eu, que eu já morri. Dizem que é inteligência artificial. Então, eu não sou eu, eu morri. Depois eu vou pedir para vocês tocarem em mim para ver se eu estou morto. Tem muita mentira. Mas muita mentira.Eu queria pedir para vocês que a guerra da verdade contra a mentira vai depender de vocês. Quando vocês ouvirem uma bobagem muito grande, não passem para frente. Se puder, xinga a pessoa que fez a bobagem.Mas não passem para frente, porque senão a gente não destrói. A gente não destrói. É mentira todo santo dia. É mentira demais, mentira. Então, eu queria pedir para vocês que têm celular. Tomem cuidado.Vocês estão lembrados? Eu aprendi a ser contra jogo. Eu era contra-cassino. Eu era contra o jogo do bicho, porque a igreja me ensinava que eu tinha que ser contra o jogo de azar.E todos nós fomos contra, não fomos? O que está acontecendo hoje? O cassino foi para dentro da casa da gente. O cassino está na sala, está na mão do filho de vocês de 14 anos. Ele pega o celular de vocês e ele joga nas bets, muitas vezes gastando o que não tem.E nós vamos tomar uma atitude muito séria com essas bets, porque ela está tomando o dinheiro do povo pobre desse país. Então, vocês estão vendo a nossa briga com o tal do Banco Master. Estão vendo? Está vendo a briga desse banco aí que deu um desfalque de quase 80 bilhões? É a primeira vez, presta atenção, é a primeira vez na história do Brasil que nós estamos perseguindo os magnatas da corrupção neste país.Não é prender o cara que está na favela ou matar ele, não. É prender aquele que está de terno e gravata roubando e mora em apartamento de cobertura ou mora em Miami. Eu, por exemplo, conversei com o Trump [Donald, presidente dos Estados Unidos], e o Trump falou: “ô presidente Lula, eu quero combater o crime organizado”. Eu falei: eu também quero. Você quer combater de verdade? Me entregue os bandidos brasileiros que estão lá”. Nós pegamos 250 mil de combustível contrabandeado em cinco navios.Sabe onde mora o cara? Em Miami. Sabe aonde? Na melhor casa de Miami. Eu falei para o Trump: “me entregue ele”. Vamos combater o crime organizado, porque ou a gente acaba com a corrupção das classes poderosas neste país ou eles voltam a acabar com o povo brasileiro.Nós tínhamos acabado com a fome. Vocês estão lembrados que em 2012 a gente tinha anunciado que tinha acabado com a fome nesse país. Eu votei em 2023, 33 milhões de pessoas estavam passando fome. Trinta e três milhões. Nós acabamos com a fome em dois anos e meio.E eu quero não acabar com a fome. Eu quero que o povo brasileiro coma bem. Tome café bem. Almoce bem. Jante bem. Se vista bem.Porque tem pessoas que acham que pobre não gosta de nada bom. Que pobre gosta de ir na feira meio-dia pegar aquele tomate já esmagado. Até o ovo a gente aperta. Não, a gente quer comer coisa de primeira. A gente quer viajar de férias. A gente quer passear.E é este país que eu quero construir. E eu só vou construir se vocês se transformarem no Lula. Porque eu digo, eu não sou eu.Eu sou vocês. Então vamos à luta para a gente poder não permitir a volta do fascismo neste país.