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Pronunciamento do presidente Lula em cerimônia alusiva aos 90 anos do salário-mínimo e lançamento de medalha

Pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia alusiva aos 90 anos do salário-mínimo e lançamento de medalha, no Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 2026
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Publicado em 17/01/2026 10h54 Atualizado em 28/01/2026 15h34

Uma coisa importante é que nós não estamos fazendo esse ato de apologia ao valor do salário mínimo, porque o valor do salário mínimo é muito baixo no Brasil, muito baixo. Nós estamos fazendo apologia aqui da ideia de um presidente da República que, em 1936, criou a possibilidade de se estabelecer um salário que garantisse aos trabalhadores os direitos elementares que todos nós temos direito. A gente morar, a gente comer, a gente estudar, a gente ter o direito de ir e vir.

E, desde que foi criado, o salário mínimo não preenche esses requisitos da intenção da lei. E tem uma coisa grave que eu vou falar aqui, que nós temos dois tipos de gente no Brasil que vive do salário mínimo. Nós temos pessoas que não têm profissão, que procuram emprego e só têm como salário, o salário mínimo.

Nós temos, normalmente, as mulheres que trabalham de domésticas, que muitas vezes só recebem o salário mínimo, e nós temos milhões de trabalhadores aposentados que recebem o salário mínimo. Milhões, aposentados e do BPC [Benefício de Prestação Continuada]. Por que isso? Porque nas outras categorias organizadas, as pessoas não ganham o salário mínimo.

Todos os trabalhadores organizados, e aqui é um exemplo disso. Os metalúrgicos, é um exemplo, os químicos, gráficos, todos os trabalhadores organizados têm um piso salarial acima do salário mínimo. Quando se faz acordo salarial, os sindicalistas que estão aqui sabem que a categoria deles todas, todas, ganham acima do salário mínimo porque têm um piso no acordo coletivo que vocês fazem. Então, normalmente, o salário mínimo fica exclusivamente para os trabalhadores inorganizados e para os trabalhadores aposentados.

No caso do Patah [Ricardo, presidente dos Comerciários de São Paulo], que é do comércio, tem muita gente registrada com o salário mínimo, mas não ganha o salário mínimo porque ganha por produção, ganha pelo que vende, ganha um pouco mais do que o salário mínimo.

Por que eu estou explicando isso para vocês? É porque as pessoas nunca levaram a sério a necessidade de melhorar a vida do povo mais humilde do país. Nunca.

Se vocês pegarem a história do Brasil, e podem pegar da Proclamação da República até o dia de hoje, vocês vão contar nos dedos da cabeça os presidentes que se preocuparam em resolver o problema da renda do povo mais humilde. Porque no Brasil, educação e saúde e salário é coisa para gente que estudou, coisa para gente que tem dinheiro. Os pobres são tratados como se fossem invisíveis, para que os sociólogos escrevessem teses, para que os políticos possam fazer discurso.

Porque na hora do voto, os políticos não vão na Faria Lima, em São Paulo, pedir voto, fazer uma assembleia na porta dos banqueiros. Não vão. Também não vão na porta da FIESP [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo] ou da FIRJAN [Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro].

Não vão. Eles vão aonde? No lugar onde moram os pobres. E aí fazem discurso, e aí prometem, e aí fazem um monte de coisa, e aí termina a eleição. Vocês nunca mais ouvem falar desses políticos. Mas se preparem, porque quatro anos depois eles voltarão. Se preparem.

Essa lógica nós estamos tentando mudar e não é fácil. Quando Getúlio [Vargas, ex-presidente do Brasil] criou a CLT [Consolidação das Leis Trabalhistas], que hoje é tão criticada pela elite brasileira, é tão criticada inclusive por gente nossa, está ultrapassada. É importante lembrar que quando ela foi criada, a gente vivia na semiescravidão nesse país.

Não tinha jornada de trabalho. Eram 14 horas, 15 horas, para pessoas com 12 anos de idade, com 13 anos de idade. Não tinham direito a férias.

Na Constituinte de [19]46, a elite paulista, ela achava que as férias tinham que ser só de 10 dias, porque muitas férias, o trabalhador ia beber, porque a ociosidade leva as pessoas à cachaça. Era esse o conceito que se tinha dos povos desse país. E é isso que nós temos que aprender para a gente poder se libertar.

E eu acho que o salário mínimo é muito pouco. É muito pouco. O que eu estou fazendo apologia aqui é da criação da ideia desse país ter um salário mínimo.

E que todos nós, governo e vocês, temos a obrigação de brigar para que ele melhore. E por que é difícil? Porque é muita gente. Quando você individualiza, vou dar 50 reais para o Galípolo [Gabriel, presidente do Banco Central], que ganha o salário mínimo, você fala, é pouco, eu vou dar.

Mas aí quando você percebe que igual a ele tem 30 milhões e você multiplica 50 por 30 [milhões], chega a um volume de dinheiro que não cabe no orçamento. Não são os empresários. Porque todos os empresários podem pagar mais que o salário mínimo.

E por que ele pode pagar? Porque ele vai colocar o salário no custo do produto que ele fabrica e que ele vende. Se ele percebesse que o trabalhador ganhando melhor ia comprar o produto que ele mesmo produz, ele não seria avarento na hora de pagar o salário mínimo. Então ele não paga.

Eu digo sempre o seguinte, vocês também são assim. Todo mundo é assim. Ou seja, na hora de a gente pagar mil reais, a gente acha caro pra cacete.

É muito dinheiro. Porque tem que pagar para o outro. “Pô, esse cara trabalhou comigo, ele ganha mil reais, porra, ele não faz nada, mil reais”. Mas na hora de você receber mil reais, para você também é pouco. Então o cara que recebe acha pouco, o cara que paga acha muito. Isso é a vida e vale para tudo.

O que é que nós estamos tentando mudar na cabeça da humanidade deste país? É de que na hora que todo mundo ganhar um pouco, na hora que todo mundo tiver um pouco, as coisas melhoram para tudo. E eu vou dar um exemplo para vocês aqui. Essa empresa aqui já teve para ser privatizada.

Porque muito sacano, desculpa, a palavra “sacano” não é correta não. Muitas pessoas que disputaram eleição nesse país e ganharam, eles acham que empresa pública é um desastre. Que todos vocês não trabalham, que todos vocês custam muito caro, que é melhor privatizar.

É melhor terceirizar. No caso da Casa da Moeda, as pessoas não percebem que a moeda é um símbolo de um país. E o fato de você utilizar papel brasileiro, tinta brasileira, tudo brasileiro e, sobretudo, o trabalhador brasileiro, é um símbolo extraordinário de que a gente está exercendo uma parte da nossa soberania. O que é soberania? O dinheiro de um país não pode ser feito em outro país. Tem que ser feito por nós.

Essa que é a coisa sagrada. Porque vira e mexe, você vê, as pessoas dizem: “não, porque fica fechado emprego estatal, Banco do Brasil custa muito, Correios custam muito, Banco Central custa muito, Caixa Econômica custa muito, BNB [Banco do Nordeste do Brasil] custa muito, a Casa da Moeda custa muito, tudo custa muito. A Petrobras custa muito”.

Agora imagina se não fossem essas empresas, como seria o Brasil. Então o que nós precisamos aprender a valorizar, companheiros, são as coisas que nós temos capacidade de fazer. E eu fico muito feliz com o discurso daquela companheira, que eu fiquei emocionado, mas me chamou de velhinho, me chamou de velhinho.

Eu, fazendo um esforço condenado, levantar todo dia cinco e meia da manhã, malho duas horas por dia para aparecer esse brotão aqui, e você me chama de velhinho. Eu sinceramente vou parar de fazer sacrifício, vou ficar bem gordão. Então, eu estou falando dessas coisas, gente, porque nós precisamos aprender a valorizar as coisas que nós fazemos no Brasil.

Nós precisamos valorizar, porque esse país nunca foi cuidado decentemente. Eu digo sempre, é importante vocês decorarem, a primeira universidade feita nesse país foi em 1920. O Brasil foi descoberto em 1500, a República Dominicana foi descoberta em 1498 pelo Colombo.

Trinta e dois anos depois do Colombo chegar lá, a República Dominicana já tinha uma universidade. E aqui demorou 420 anos para fazer a primeira universidade. Por que será que acontecia isso? É porque pobre não precisa estudar, porra.

Vocês nasceram só para trabalhar. Será que a gente não percebe isso? Será que vocês não percebem, pobre não nasceu para estudar, pobre nasceu para trabalhar. Estudar é para filho de rico, que pode fazer estudo na França, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Espanha, em qualquer lugar.

Mas aqui não, aqui nós temos que ser cortador de cana, fazedor de prédio. As pessoas adoravam dizer, ah, como é bom nordestino, ele sabe trabalhar na construção civil. A gente não quer ser só pedreiro, mostrar que é pedreiro, se bem que é uma profissão muito valiosa.

Mas a gente também quer ser engenheiro, a gente quer ser doutor, a gente quer ser médico, a gente quer ser professor. E o que é que precisa fazer? O que precisa fazer é dar oportunidade. Não é o governo que faz, a gente abre a porta para as pessoas passarem.

A gente abre as portas. E é por isso que a gente está vendo hoje muitos meninos e meninas negras sendo doutor. Até 40 anos atrás, você não via, até 30 anos atrás, você não via um gerente de banco preto.

Você não via um dentista negro, você não via um médico negro nesse país. Você podia ir na universidade aqui no Rio de Janeiro, pode ir nas duas, estadual e na federal. Você não via negro.

Se tivesse, de cada 2 mil, tinha um, que ainda não se achava negro, achava-se moreno. Graças a Deus, os negros lutaram tanto, que hoje ninguém tem mais vergonha de dizer que é negro. Ninguém tem mais vergonha de dizer que é negro.

Tudo isso, companheiros, é resultado do aumento da consciência política de um povo. Então, se você for na USP hoje em São Paulo, que é a melhor universidade brasileira, é a única que está entre as 100 mais importantes do mundo, você vai ver que 50% dos alunos hoje são pardos ou negros. E muitos da periferia.

Muitos. Por quê? Porque nós queremos duas coisas. Queremos o Prouni [Programa Universidade para Todos], que utilizamos a dívida que cada universidade tinha para o governo, em vez de pagar a dívida para nós, dêsse bolsa de estudo para os pobres da escola pública da periferia desse país.

E a outra coisa foi fazer com que o FIES [Fundo de Financiamento Estudantil] financiasse de verdade o povo. Porque quando as pessoas iam no FIES, que era na Caixa Econômica Federal, pegar dinheiro para estudar, eles pediam um avalista. E nem pai de pobre quer ser avalista de pobre estudante.

Esse é o dado. Então, qual foi a decisão milagrosa que nós tomamos? Obrigamos o Estado a ser o avalista. Se eu posso emprestar dinheiro para uma empresa grande, se eu posso emprestar dinheiro para um rico, por que eu não posso acreditar na juventude brasileira e emprestar o dinheiro para ela se transformar em um doutor? Isto é fazer investimento no futuro.

Então, esse ato de hoje é um ato que eu quero demonstrar a valorização da Casa da Moeda enquanto empresa pública brasileira. E de seus funcionários. Eu fico muito orgulhoso que eu encontrei muitas pessoas que foram mandadas embora porque existiu um cidadão que governou esse país e que achou que aqui tinha muita gente afim de mandar embora.

E que nós trouxemos de volta. E sinto muito orgulho de não ter deixado privatizar a Casa da Moeda. Ela vai continuar sendo pública.

Mas, eu estou vendo até a Inês Pandeló [ex-deputada estadual no Rio de Janeiro] ali. Muito bem, Inês Pandeló. Estou vendo a Elika [Takimoto, deputada estadual] aqui.

Gente, é o seguinte. Eu acho que nós vamos ter que continuar trabalhando para aumentar o salário mínimo. Qual é o problema? O PIB [Produto Interno Bruto] é o resultado do crescimento da economia produzido pelo povo brasileiro.

Quando você vê PIB, é o resultado da capacidade de crescimento que a produção brasileira conseguiu fazer. Então, é justo que você, quando cresce o PIB, cresça o PIB do trabalhador. É justo que você reparta com os trabalhadores, que são responsáveis pelo crescimento do PIB, aquilo que foi o crescimento do PIB.

Que é para você poder aumentar a renda das pessoas. Porque senão fica muito desfasado. Senão perde o valor. E daqui a pouco não vale nada o salário mínimo. E vocês já ouviram do Marinho [Luiz, ministro do Trabalho e Emprego], já ouviram do presidente da Casa da Moeda [Sérgio Perini], que não é fácil, não. Quando a gente tentou falar que ia aumentar o salário mínimo, todo mundo dizia que ia quebrar a economia, vai quebrar as empresas.

Tem cara que dá mil reais de gorjeta para tomar uísque e não quer pagar o desgraçado salário mínimo para o povo pobre? Esse cara acha que vai quebrar o país. Então precisa a gente enfrentar esse debate. E a gente não ter coragem de se acovardar diante das mentiras e dos fake news que essa gente faz todo santo dia.

E vocês mulheres tomem cuidado com essa tal de inteligência artificial. Eles são capazes de tirar uma foto sua sentada do jeito que você está aqui e colocar você pelada no celular. É isso que é inteligência artificial.

Ele é capaz de tirar uma foto da Elika vestida do jeito que ela está com a perna cruzada e amanhã aparecer no celular a Elika sentada pelada aqui. Então se preparem, porque a podridão não está nem começando na inteligência artificial. E todos nós gostamos de coisas fáceis.

Você não vê um influencer. Você sabe a quantidade de pessoas, uma profissão chamada influencer. Os caras que trabalham na internet tem 3 milhões de seguidores.

Eu não conheço um professor de Matemática que tenha 4 milhões de seguidores. Eu não conheço um professor de Geografia que tenha 4 milhões de seguidores. Eu não conheço ninguém que ensine uma coisa séria que tenha 4 milhões.

Mas se o cara estiver falando bobagem pode até ter 20 milhões. O Bolsonaro [Jair, ex-presidente do Brasil] tinha 30 milhões. Então é assim, gente.

É mais fácil acreditar numa mentira. Porque na verdade você tem que provar. A mentira você não tem que provar. Eu falo que o cara não presta, você acredita. Você nem conhece o cara porque você acredita, porra. Vai procurar conhecer o cara! Então nós estamos vivendo um mundo da mentira.

Nós estamos vivendo uma situação muito delicada. Vocês vivem no celular. Levanta de manhã, nem beija o marido e já pega o celular. O marido nem beija a mulher e já pega o celular. Vai deitar e ao invés de dar um beijinho vai pegar o celular. Vai ver a notícia meia noite.

Morreu um ganso, morreu um pato, morreu um cachorro. Ao invés de ficar olhando para a cara da mulher e conversando com ela e fazendo carinho, fica no celular. E muita mulher também fica no celular.

Então é preciso que a gente não se permita virar algoritmo. Nós somos seres humanos, nós temos sentimento, nós temos coração, nós temos solidariedade. A gente não pode ficar vendo o algoritmo robotizado pelos que eles querem que a gente veja e que a gente acredite todo dia.

É preciso que a gente se lembre que vai ter uma eleição. E é importante se lembrar que se a gente não for esperto, a mentira vencerá a verdade. Então eu estou contando essa história para vocês porque eu vou dizer como são as coisas.

Fique esperto. Fique esperto. Vocês viram que destruir, com três porradinhas que eu dei, destruí duas moedas que demorou tempo para fazer.

Com duas porradinhas. Então para destruir é muito fácil. Eu sei como é que nós pegamos esse país em 2023. Eu sei como é que nós pegamos esse país. Nós terminamos o terceiro [ano do] mandato com a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil. Com o maior aumento da faixa salarial.

Com o maior número de trabalhadores com carteira profissional assinada. Com o menor desemprego da história do Brasil. E com a maior exportação da história do Brasil. Em apenas três anos. E nós vamos fazer um comparativo. Vamos fazer um comparativo.

Quem é melhor? É o Flamengo ou é o Palmeiras? Flamengo provou que era melhor. Flamengo provou que era melhor. Quem era melhor? O Vasco ou o Corinthians? O Corinthians provou que era melhor.

Foi o campeão da Copa do Brasil. Então, nós estamos chegando na hora da verdade. Quando vocês receberam a notícia no Zap [aplicativo de mensagens - WhatsApp]. Antes de vocês passarem para alguém, se certifique se o canalha que passou para vocês não está reproduzindo uma outra coisa que o outro canalha fez. Porque se a gente não fizer isso... Eu vou contar uma coisa, Gleisi [Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais]. Eu, desde pequeno, eu ouço os religiosos dizerem, e eu também processava o mesmo discurso, de que o Brasil não poderia ter cassino. Vocês ouviram isso? O Brasil não poderia ter cassino. Aliás, nem jogo de bicho o Brasil poderia ter.

Jogo de bicho é contravenção. Todo mundo joga, mas todo mundo sabe que é tratado como bandido. Mas todo mundo joga. A mulher levanta de manhã, vai com papelzinho no padeiro lá: borboleta, jacaré.

Mas é uma contravenção. E todo mundo sabe que a igreja evangélica, católica, dizia: cassino é jogo de azar. Não pode.

Porque o pobre vai gastar... O pobre não vai entrar em cassino. Não tem nem como chegar lá. Agora, o que aconteceu? O que aconteceu? O cassino entrou dentro da casa da gente para a criança de 10 anos pegar o telefone do pai e jogar.

Com essa quantidade de bets que foram criadas aí. Que está tomando conta do futebol. Que está tomando conta da publicidade. E que está tomando conta da corrupção desse país. Porque vocês estão vendo o trabalho do Banco Central tentando fazer com que essa gente pague pelo menos os impostos nesse país.

Então, companheiros. A luta é dura. Eu vou te dizer, vou te dar um beijo daqui a pouco. Tá? Tá bem? Você não pode subir aqui, mas eu vou descer. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai até você. Tá bem? Eu vou terminar contando uma coisa para vocês. O que eu penso da vida do nosso povo.

Como é que nós vamos distribuir renda nesse país? Eu tenho um discurso que eu digo o seguinte. Muito dinheiro na mão de poucos significa miséria. Ao contrário.

Pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza. Isso você nunca ouviu numa aula de economia, onde você estudou economia, Galípolo. Nunca. Ninguém aqui que é economista nunca ouviu.

Você nunca viu, Guilherme [Mello, secretário de Políticas Econômicas do Ministério da Fazenda]. Porque os economistas brasileiros têm um dogma de copiar os grandes astros, não sei das quantas. Eles citam o nome que nem sei citar. Mas é tudo a mesma coisa, de direita e esquerda. Foram os alunos de todos. Os mesmos. Mas eu aprendi uma coisa que é o seguinte.

Vamos supor que isso aqui fosse uma cidade. Esse salão aqui é uma cidade. Uma cidade de 250 pessoas. Eu aprendi a contar rapidamente, assim. 250 pessoas tem uma cidade. E vamos supor que eu tivesse um milhão de reais aqui na mão.

Eu chegava nessa cidade, de 250 milhões de pessoas, eu não ia gritar: “quem quer dinheiro?”, como o Silvio Santos. Eu ia escolher uma pessoa, eu ia dar esse um milhão para essa cidade de 250 habitantes que tem uma padaria, que tem um bar, que tem um restaurante, que tem umas coisinhas, jogo de bocha pro velhinho de cabelo branco. Então, eu ia chegar nessa cidade, eu ia pegar esse um milhão, eu ia dar para uma pessoa. Ia dar para Elika, nossa deputada estadual.

Ia pegar um milhão e dar para uma pessoa nessa cidade de 250 habitantes. O que que a dona Elika ia fazer? Ela ia correr para um banco que não existe nessa cidade.

Ela ia fazer um depósito, aplicar o seu um milhão e ganhar o lucro dessa aplicação. Todos os outros 249 habitantes ficariam chupando o dedo. O bar da esquina ia ficar chupando o dedo, porque ela não ia comprar nada naquele bar. O restaurante ia ficar chupando o dedo, porque o milhão dela estava no banco. A padaria não ia vender o pão, porque o dinheiro dela estava guardado no banco. E 249 pessoas, com o dedo na boca.

Agora veja, ao contrário, se eu chegasse nessa cidade de 250 habitantes e fosse o mesmo milhão e fosse distribuir em partes iguais por 250 habitantes, todo mundo iria receber 4 mil reais. O que que iria acontecer na cidade? Todo mundo iria frequentar mais a padaria. Todo mundo iria frequentar mais o bar.

Todo mundo iria frequentar mais os armarinhos para comprar caderno, para comprar roupa, para comprar chinelo, para comprar sapato. O dinheiro iria dinamizar a vida da cidade. O comércio iria crescer.

O comércio crescendo, ia gerar mais um emprego. O emprego ia gerar mais trabalho. Esse comércio vendendo mais ia comprar da indústria.

A indústria ia vender mais. A cidade começaria a viver um outro padrão de vida. Por quê? Porque todo mundo tinha um pouco de dinheiro e não apenas a Elika, que tinha um milhão dela sozinha.

É isso que nós precisamos pensar quando a gente fala de economia. É preciso distribuir melhor aquilo que é a riqueza do país para que todo mundo, sobretudo aqueles que não tiveram oportunidade de estudar, aqueles que não tiveram oportunidade de brigar, não precisem viver do Bolsa Família. Não precisem viver do Gás do Povo.

Que ele possa ter o seu emprego, o seu salário, a sua aposentadoria e ele poder cuidar da sua vida tal como diz a lei que aprovou o salário mínimo. Assim, não é fácil? Por que não faz?

Você lembra que vocês votaram para deputado nas últimas eleições? Alguém lembra qual foi o senador que votou? Alguém já se preocupou com o que o senador fez nesses oito anos que ele está lá no mandato? Já foram acompanhar para saber o que que ele fez? Então gente, não precisa ter estudo. O que nós precisamos ter é responsabilidade. Nunca, nunca coloquem uma raposa no galinheiro de vocês, porque ele não vai cuidar da galinha e nem do galo. Ele vai comê-las.

Então quando a gente for votar é preciso a gente saber: a gente está votando por quê? O que que a gente quer que o deputado faça, que o prefeito faça, que o vereador faça? O que que a gente quer? Você tem que ter um propósito. Não é só digitar um número e depois esquecer. Porque quem perde é você. Muito obrigado, gente.

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