Declaração do presidente Lula à imprensa por ocasião da visita de Estado ao Panamá
Uma palavra inicial aos companheiros presidentes que estão nos aguardando para o almoço. Eu quero pedir desculpas porque a minha reunião com presidente Mulino foi uma reunião que passou um pouco do limite, porque estávamos tratando de incrementar a relação Brasil - Panamá.
Eu quero pedir desculpas a vocês pelo atraso e, depois, eu não vou ficar para o almoço que eu vou chegar em casa duas horas da manhã e eu preciso sair mais rápido.
Mas eu queria agradecer, presidente Mulino, a condecoração. É sempre gratificante quando nós, que exercemos uma função pública e construímos uma relação de amizade com outros países, a gente é condecorado por outro país é sempre um motivo de orgulho, eu diria até de vaidade, de receber uma homenagem como essa.
Eu queria primeiro dizer para a imprensa do Panamá que agradecer ao presidente Mulino pela calorosa recepção que eu tive aqui no Panamá.
Eu não sei se eu já contei ao presidente Mulino, em 2008, eu estava no Panamá no Encontro Empresarial Brasil-Panamá, onde estourou a crise do sub-prime nos Estados Unidos e a minha reunião terminou rapidamente, porque todos os empresários que tinham investimentos nos Estados Unidos foram diretamente para os Estados Unidos para resolver seus problemas.
E eu vim hoje aqui com alegria participar do Foro Econômico porque eu acho que falta entre nós compreensão do que é uma atividade política.
Um presidente da República não faz negócios, mas um presidente da República abre a porta para os que fazem negócio fazer negócio.
E eu sempre tive a ideia de participar de tantas quantas reuniões que eu sou convidado, porque a relação política é uma relação química.
A relação política, o aperto de mão, o abraço, o olhar no olho, vale mais do que 800 zaps. Vale mais do que milhares de e-mails. É a relação humana que é assim.
Nós somos assim.
Nós não somos algorítimos. Nós somos seres humanos que reagimos de acordo com a emoção que a gente sente no momento em que a gente tá fazendo alguma coisa.
Bem, em menos de dois anos, esta é a 6ª vez que nos encontramos.
Isso é sinal do nosso compromisso em aprofundar vínculos econômicos e de cooperação entre nossos povos.
O Panamá é o principal parceiro comercial do Brasil na América Central.
Em 2025, tivemos um crescimento de 78% no intercâmbio bilateral.
Mas podemos alcançar patamares muito maiores.
Estamos dispostos a importar mais produtos panamenhos.
O acordo de facilitação de investimentos que assinamos hoje vai dinamizar o fluxo de comércio e capitais entre nossos países.
Avançamos nas tratativas sobre o acordo de preferências tarifárias que queremos firmar no amparo da adesão do Panamá como Estado Associado do MERCOSUL.
Assinamos instrumentos de cooperação em turismo e gestão portuária.
Tratamos da atualização de nosso acordo de serviços aéreos, para dar maior segurança jurídica ao transporte de cargas.
Também discutimos a conclusão do procedimento sanitário para a importação de carne bovina, suína e de aves do Brasil.
Como afirmei em Brasília durante a visita do presidente Mulino, nosso país apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o Canal.
Encaminhei ao Congresso Nacional brasileiro a proposta de adesão formal ao Protocolo de Neutralidade do Canal.
Há quase três décadas, o Panamá administra de forma eficiente, segura e não-discriminatória essa via fundamental para a economia mundial.
Na visita desta tarde, me impressionei com o salto estrutural, tecnológico e operacional dado desde 2012, quando vi as eclusas pela última vez.
O Canal também é referência em governança climática, com iniciativas inovadoras como a cota para navios que utilizam combustíveis sustentáveis.
Defender a neutralidade do Canal é defender um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilaterais.
Hoje tive também a honra de participar do Fórum Internacional América Latina e Caribe 2026.
Parabenizo a CAF e o governo panamenho pela organização desse grandioso evento.
Fóruns como esse nos mostram que, com diálogo e pragmatismo, é possível trabalhar em conjunto para alcançar objetivos compartilhados.
Nossa região detém amplo potencial energético, rica biodiversidade, água e recursos minerais abundantes.
Esses ativos estratégicos para a transição digital e a transição energética podem nos reposicionar nas cadeias globais de valor.
Infraestruturas integradas geram benefícios econômicos para todos.
Aumentar o comércio intrarregional fortalece cadeias produtivas e nos torna mais resilientes a choques externos.
Precisamos ser capazes de superar diferenças ideológicas em prol dos ganhos coletivos.
Desafios comuns, como o combate ao crime organizado transnacional, só podem ser enfrentados em cooperação internacional.
Por isso, é essencial fortalecer os foros de concertação latino-americanos e caribenhos.
Retorno a Brasília inspirado pela receptividade do povo panamenho e pelos avanços concretos que tivemos em nossa relação bilateral.
Saio também com renovada certeza de que a América Latina e Caribe são capazes de construir um projeto autônomo de inserção internacional.
Juntos, podemos impulsionar um novo ciclo de prosperidade para 660 milhões de latino-americanos e caribenhos.