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Você está aqui: Página Inicial Acompanhe o Planalto Discursos e pronunciamentos Declaração do presidente Lula à imprensa e coletiva, em Nova Délhi, por ocasião da visita de Estado à Índia
Info

Declaração do presidente Lula à imprensa e coletiva, em Nova Délhi, por ocasião da visita de Estado à Índia

Transcrição da declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à imprensa e coletiva, em Nova Délhi, por ocasião da visita de Estado à Índia, em 22 de fevereiro de 2026
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Publicado em 22/02/2026 03h44 Atualizado em 23/02/2026 16h23

Bom dia a todos e a todas.

Eu queria começar essa entrevista dizendo a vocês que eu fui surpreendido ontem, no jantar e no almoço. Não sei se os jornalistas brasileiros se lembram, quando o primeiro-ministro Modi [Narendra] foi fazer uma visita no Brasil, ano passado, nós pesquisamos a música que ele mais gostava e fomos a São Paulo procurar uma cantora que cantava a música que ele mais gostava. Então, foi feita uma surpresa para ele na recepção, no Palácio da Alvorada, e era visível que ele tinha ficado emocionado com a música que nós escolhemos para ele. Eu já tinha feito o mesmo com o Xi Jinping [presidente da República Popular da China].

Quando o Xi Jinping foi ao Brasil, nós pesquisamos a música que ele mais gostava e, por coincidência, era uma música que a mulher dele cantava para ele. Então, nós arrumamos uma cantora para cantar a música para ele. E ontem eu fui surpreendido, porque no almoço, daqui a pouco, começou a tocar uma música e eu notei que a música tinha alguma coisa a ver com a gente, e era Disparada.

Então, o conjunto lá tocou Disparada, depois eles tocaram outra música do Zeca Pagodinho, Deixa a Vida Me Levar, depois eles cantaram Disparada, depois eles cantaram Asa Branca. E à noite, na minha surpresa, no jantar oferecido pela presidenta, eles cantaram Sem Medo de Ser Feliz, a famosa música da campanha de 89. E eu, sinceramente, fiquei emocionado, porque eu não lembrava, eu não imaginava que eles tivessem lembrado da boa recepção que nós fizemos para eles.

E ele resolveu, então, me dar o troco. E foi muito, muito importante. Alguns ministros ficaram emocionados, cantaram, alguns sabiam, outros não sabiam, quem não sabia, eu estou levando de conta quem não sabia.

Eu estou levando de conta, numa escala de 1 a 10, quem sabia vai ganhar 10, quem não sabia está arriscado a ganhar 1,5, 2,5. Bom, dito isso, nós estamos encerrando um ciclo de viagens internacionais que estava dentro da nossa estratégia nesse terceiro mandato. Recuperar a imagem e o poderio de negociação que o Brasil tinha conquistado no mundo, que depois teve um interregno, e vocês sabem porquê, e que nós resolvemos recuperar a imagem do Brasil ao mundo.

E é com muita satisfação que eu posso dizer para vocês que em apenas 3 anos e 2 meses nós fizemos mais de 520 novos mercados de produtos brasileiros. É mais do que tudo que a gente já tinha alcançado em muito tempo. Porque sempre prevaleceu na ideia do governo de que quem quer vai, quem não quer manda.

E quando a gente quer, a gente vai atrás. E a autorização minha para os ministros é viajar e tentar vender aquilo que for produtos brasileiros com possibilidade de atender as necessidades do mercado internacional. E essa viagem para a Índia tem toda uma característica muito especial.

Foi na Índia, em 2005, que pela primeira vez eu me dei conta da importância de reservas internacionais. Eu vim aqui na minha primeira viagem e a Índia tinha acumulado 100 bilhões de dólares de reserva internacional. E eu voltei para o Brasil convencido de que nós precisaríamos fazer reserva internacional, de que nós precisaríamos comprar um colchão extra para evitar que a gente ficasse vulnerável às mudanças internacionais.

E conseguimos, pela primeira vez, sair de devedores do FMI para credores do FMI e acumulamos uma reserva de 370 bilhões de dólares, que chegou a ser a quarta reserva internacional entre todos os países do mundo. Até hoje, essa reserva é um colchão de muita segurança para o nosso país. Não pense que não houve gente com vontade de utilizar essa reserva para muitas coisas, mas a gente acha que é desnecessário você utilizar um colchão que está guardado para determinadas situações críticas, sabe, sem necessidade.

Aqui também, em 2005, eu voltei para o Brasil e no Brasil nós comemoramos 100 bilhões de dólares de comércio exterior. Os jornalistas que estavam no Brasil se lembram que nós colocamos um contêiner na porta do Ministério da Indústria e Comércio e ficou pendurado mais de dois meses para a gente provar a grandeza de um país que tinha chegado a 100 bilhões de dólares de comércio exterior. Hoje, esse comércio está por volta de 649 bilhões de dólares e eu espero que, dentro de algum tempo, a gente possa comemorar um trilhão de dólares de comércio exterior.

É só acreditar e continuar trabalhando para que a gente possa chegar a isso. Mas o mais importante é que, quando se trata de uma negociação com a Índia, nós não estamos tratando com um colonizador. Porque quando você vai fazer negócio com um país rico, ou aqueles países habituados a serem colonizadores, é uma espécie de autoritarismo nas negociações, não levando em conta a especificidade de cada nação, sempre querendo que prevaleça a lei do mais forte.

Com a Índia é diferente. Nós somos dois necessitados. Ninguém é superior a ninguém.

Apenas a diferença religiosa, a diferença de linguagem, porque aqui se fala 40 idiomas, ou seja, a verdade é que nós temos muitas similaridades nas virtudes e nas necessidades. Então, quando você senta com os empresários indianos, quando você senta com o primeiro-ministro Modi, como eu sentava com o primeiro-ministro Singh [Manmohan], há uma coisa muito parecida nas nossas necessidades. E, portanto, fica muito mais fácil a gente trabalhar, estabelecer planos de ação, estabelecer metas, construir parcerias entre os empresários indianos e empresários brasileiros, convidá-los a fazer investimentos no Brasil e se oferecer para fazer investimento na Índia.

Ou seja, não existe o tom da supremacia, o tom do maior, o tom do grande. É a política dos iguais. Isso é que me dá muito prazer e muito otimismo.

É importante lembrar que, quando eu vim aqui a primeira vez, o comércio Brasil-Índia era de apenas 2 bilhões e 400 milhões de dólares. Chegou agora a 15 bilhões e meio, o que é muito pouco. O que é muito pouco para duas economias razoavelmente grandes.

É muito pouco. E o presidente Modi estabeleceu comigo a ideia de que nós precisamos ter uma meta para chegar a 20 bilhões até 2030. E eu queria falar aqui para a imprensa, para vocês anotarem.

Quando eu estou dando entrevista que eu vejo que ninguém está anotando, eu fico pensando, será que eu estou dizendo alguma coisa que não interessa? Às vezes, eu fico pensando que está na hora de parar. Então, deixa eu dizer uma coisa para vocês.

Eu quero que vocês anotem pelo seguinte, porque eu disse ao presidente Modi, nós vamos chegar a 30 bilhões em 2030. É um desafio que está colocado. Nós vamos chegar a 30 bilhões em 2030 porque o potencial econômico dos dois países é muito forte.

E as necessidades da Nova Indústria Brasil é mais forte ainda, sobretudo se a gente levar em conta a área da saúde. Nós estamos saindo daqui com sete acordos na área da saúde. Sete acordos.

Porque uma coisa que é importante a imprensa brasileira descobrir é que o SUS oferece ao Brasil a oportunidade de ser um dos mais extraordinários mercados consumidores, não apenas de remédio, mas também de máquinas modernas para reparar e descobrir novas doenças na humanidade. E a Nova Indústria Brasil tem na questão da saúde um dos seus polos principais. É ali que a gente vai atacar para oferecer ao povo pobre brasileiro, ao povo mais humilde e a todos que quiserem, a melhor política de saúde oferecida de graça para um país com mais de 100 milhões de habitantes.

A novidade que nós estamos fazendo é que o ano passado nós chegamos à primazia de 14 milhões e 700 mil cirurgias eletivas. A verdade é que o ano passado nós começamos o Agora Tem Especialistas, que é uma novidade extraordinária no Brasil, de modernização do atendimento ao nosso povo. E tudo isso vai precisar de convênios, de convênios com a Índia, de convênio com a China, de convênio com os Estados Unidos, de convênio com os países europeus.

Ou seja, nós não temos preferência comercial. O Brasil tem interesses comerciais. E o faremos com quem quiser fazer, desde que seja uma política de ganha-ganha.

Nós também não queremos fazer a política de que nós só queremos levar vantagem. Não. Nós achamos que a boa relação comercial, a boa relação política, a boa relação cultural é aquela que você dá e aquela que você recebe.

Porque assim você não tem desequilíbrio entre os países. E da mesma forma que o Brasil está aberto para a China, a China está aberta para o Brasil. Não sei se vocês perceberam, nós trouxemos o governador da Bahia [Jerônimo Rodrigues], aquele jovem simpático ali, que parece mais indiano do que brasileiro.

Nós trouxemos o diretor-geral da Polícia Federal [Andrei Rodrigues], porque agora, onde eu for, a Polícia Federal vai atrás, porque nós precisamos fazer convênios, precisamos colocar adidos da Polícia Federal nos países, precisamos fazer convênios para combater o crime organizado, para combater o narcotráfico. Na medida em que a gente sabe que o crime organizado é uma coisa, uma empresa multinacional, nós temos então que saber que a nossa Polícia Federal precisa construir parcerias com todos os países que tiverem interesse em fazer essa disputa conosco.

É por isso que quando eu for aos Estados Unidos conversar com o presidente Trump [Donald], nós vamos levar a nossa Receita, a nossa Polícia Federal, o nosso ministro da Fazenda, o nosso ministro da Justiça, porque se o governo americano estiver disposto a combater o narcotráfico, o crime organizado, nós estaremos dispostos na linha de frente para acabar de uma vez por todas, inclusive reivindicando deles mandar para nós os bandidos que estão lá.

Brasileiros que cometem crime, que todo mundo já sabe que cometeu crime, gente que contrabandeava gasolina, que está lá. Então nos mandem para a gente poder mostrar que a gente quer combater o crime organizado com muita seriedade.

Essa minha vinda à Índia é o marco de uma nova relação entre Brasil e Índia. Eu posso dizer para vocês que a tendência natural é melhorar e muito a nossa relação com a Índia, em todos os aspectos, em todos. Inclusive com investimentos brasileiros aqui, na área de inteligência artificial, com investimentos deles no Brasil, com parceria entre as nossas universidades, entre os nossos ministérios, porque nós somos os irmãos democráticos do sul global mais importantes e nós precisamos dar exemplo. Por isso eu volto para o Brasil muito, muito satisfeito.

Fiz questão que o Haddad [Fernando, ministro da Fazenda] viesse nessa reunião. Fiz questão, porque é importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil, que muitas vezes, lendo a imprensa brasileira, a gente não sabe. Mas é importante a gente mostrar para o mundo que nós vivemos no Brasil, nesse instante, um dos melhores momentos econômicos da história do Brasil.

Não pelo crescimento do milagre brasileiro de 14%, sabe, em 1970. Porque não basta o PIB crescer para o país melhorar. O país só vai melhorar se for distribuído o crescimento do PIB.

E é o que nós estamos fazendo. É por isso que nós estamos aumentando o salário mínimo. É por isso que nós temos a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil.

É por isso que nós temos a maior população economicamente ativa da história do Brasil. É por isso que nós temos, nesse momento, o menor desemprego da história do Brasil. É por isso que nós temos, nesse momento, o maior comércio exterior do Brasil.

Ou seja, tudo está acontecendo tal como estava previsto e tal como nós trabalhamos. Porque foi com muito trabalho que a gente conseguiu, inclusive, oferecer aos empresários internacionais previsibilidade, estabilidade fiscal, estabilidade econômica, estabilidade social, estabilidade jurídica. E hoje eu tenho certeza que o Brasil é um dos países de maior credibilidade a nível internacional.

Isso só é possível com muito trabalho e com muita seriedade. Dito isso, eu fico satisfeito quando o Jorge Viana [presidente da ApexBrasil] vem aqui e fala da reunião com os empresários.

Eu tive uma reunião com os empresários muito importante. Já tinham feito uso da palavra sete ministros antes de mim. E eu tive reunião com outros empresários que representam um PIB de um trilhão de dólares. E tive com essas pessoas para dar para eles a segurança de que investir no Brasil é vantajoso, de que comprar produto brasileiro é vantajoso, de que comprar avião da Embraer é um avião que vai dar mais garantia do que os outros aviões que podem ser comprados.

Porque se nós não tivermos coragem de elogiar os produtos que nós fazemos e disputar mercado, a gente nunca será um país com economia muito forte. E eu estou convencido que Brasil e Índia vão dar um salto de qualidade na sua relação de forma extraordinária, inclusive com a perspectiva de um voo direto Nova Délhi, Joanesburgo, São Paulo ou Rio de Janeiro. Dito isso, meus amigos, eu passo a palavra para vocês, lembrando vocês que o Corinthians ganhou do Atlético Paranaense de 1 a 0. Muito difícil, mas ganhamos.

E me colocar à disposição de vocês para as perguntas. Por favor, façam só perguntas que eu saiba responder. Se for uma coisa mais difícil, eu vou chamar a minha bancada de universitários daqui para eles responderem.

Jornalista Sudhi Ranjan Sen, da Bloomberg: Senhor presidente, muito obrigado por aceitar nossas perguntas. Eu quero te levar de volta para os Estados Unidos, onde você deve ir em breve. Nas questões das tarifas, como é que o presidente está vendo que grandes economias estão sendo afetadas? E também a questão dos minerais críticos, terras raras. Que tipo de discussão o senhor pretende ter com o presidente Trump [Donald, presidente dos Estados Unidos] na área de minerais críticos? Obrigado.

Presidente Lula: Na verdade, a pauta que eu quero conversar com o presidente norte-americano é muito mais ampla do que minerais críticos. Nós temos uma relação diplomática de 201 anos. É uma relação muito sólida.

Nós fomos surpreendidos com o impacto das taxações dos Estados Unidos, porque ela foi feita de forma totalmente anômala, porque era uma coisa impensável você receber no Twitter a determinação de um país de taxar o outro. Antigamente era feita uma reunião entre os ministros da Fazenda, entre os ministros da Indústria e Comércio. Não, mas ele faz por Twitter.

Nós tomamos as decisões com muita cautela. Todos vocês sabem que eu tenho na minha cabeça a ideia de não tomar nenhuma decisão quando eu estou com 39 graus de febre. Tem que esperar a febre passar para a gente tomar decisão. E eu acho que nós tomamos as decisões corretas. Uma parte das coisas já tinham sido mudadas pelo próprio governo americano. E agora nós tivemos a decisão da justiça americana que tomou outra decisão, contrariando aquilo que era a tese do presidente Trump.

Obviamente que eu não posso julgar a decisão da Suprema Corte de um país. Não julgo do meu, muito menos de outro país. Mas o que eu quero conversar com o Trump é a relação entre Brasil e Estados Unidos. Nós somos as duas maiores democracias da América. Nós somos dois homens com 80 anos de idade. Portanto, a gente não pode ficar brincando de fazer democracia. A gente tem que tratar com muita seriedade.

Eu disse por telefone ao presidente Trump: “é preciso pegar um na mão do outro, olhar um no olho do outro para a gente entender o que queremos entre Brasil e Estados Unidos”. E não tem veto, não tem nada proibido na mesa de negociação. Vamos colocar todos os temas na mesa de negociação. Se é para combater o crime organizado, nós estamos nessa para combater. Se é para fazer parceria com o Brasil, se é para poder explorar minerais críticos. Desde que o processo de transformação aconteça no Brasil, nós vamos conversar.

O que nós não vamos permitir mais é que os nossos minerais críticos, as nossas terras raras, sejam explorados como foi o minério de ferro durante tantos anos. A gente só cava buraco e manda o minério para fora para depois comprar produtos manufaturados. Não! Nós agora queremos transformar no Brasil. Por isso que nós criamos um Conselho Nacional de Política Mineral, subordinado à Presidência da República, para que a gente possa dar muito, muito mais seriedade e objetividade no trato dessa nova riqueza que se apresenta nesse momento de transição energética que o mundo tanto necessita.

Então, a minha pauta com o Trump é uma pauta longa. É uma pauta que, da minha parte, eu vou discutir comércio, eu vou discutir parcerias universitárias, eu vou discutir a população brasileira que mora nos Estados Unidos. Mas eu quero discutir, sobretudo, qualquer assunto, inclusive investimento americano no Brasil, que faz tempo que deixou de existir.

E eu não sei qual é a pauta deles, mas eu espero que depois dessa reunião a gente possa estar garantido de que voltamos a ter uma relação altamente civilizada, altamente respeitosa, e que a gente não vai deixar de conversar por telefone quando tiver qualquer novidade entre Brasil e Estados Unidos. E eu quero também dizer para o presidente Trump que nós não queremos uma nova Guerra Fria. Nós não queremos ter preferência por nenhum país.

Nós queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos com igualdade de condições e receber deles um tratamento, também, igualitário com os outros países. Se isso for possível, eu acho que tudo voltará à normalidade. E é isso que eu espero.

Jornalista Luciano Pádua, da Exame: Presidente, eu queria voltar para o assunto da Índia. O senhor teve diversas reuniões ontem e eu queria entender duas específicas, privadas, que o senhor teve com o primeiro-ministro Modi [Narendra, primeiro-ministro da Índia] e com os empresários. Eu queria entender com o senhor um detalhamento maior. Por exemplo, com o primeiro-ministro Modi, o que os senhores falaram, por exemplo, sobre o posicionamento geopolítico dos dois países no mundo em fragmentação?

Com os empresários, eu queria entender se a gente tem uma cifra que possa noticiar de quantos investimentos eles anunciaram? São os maiores grupos da Índia, por consequência, do mundo. Eu queria entender esse detalhamento maior dessas duas reuniões específicas, presidente.

Presidente Lula: A minha conversa com o primeiro-ministro Modi tratou da nossa relação comercial e da relação Brasil-Índia. A gente não entrou em detalhes sobre a geopolítica internacional. Eu sei o que pensa a Índia sobre determinados problemas. Sei o que o Brasil pensa. Nós temos problemas em que a gente tem mais cautela do lado da Índia ou mais cautela do lado do Brasil. E a gente discutiu aquilo que nos une. O que nos une nesse instante é a nossa briga para que as nossas economias sejam fortalecidas e a gente possa sair da situação que a gente se encontra.

Nós queremos nos transformar em países altamente desenvolvidos. Não discutimos nenhum problema que fosse polêmico entre nós dois, porque eu não vim aqui para discutir a divergência. Eu vim aqui para discutir a confluência entre Brasil e Índia.

E eu tenho muita afinidade com o primeiro-ministro Modi. Muita afinidade. Não entrei nem em detalhes com ele sobre o acordo dele com os Estados Unidos. É um problema dele. É um problema dele, assim como um acordo que nós fizemos é um problema meu. Porque eu acho que é assim que a gente constrói uma relação de confiança entre as pessoas. E foi extraordinária a conversa.

Posso dizer que foi uma conversa muito exitosa, eu acho, para a Índia e acho que para o Brasil. Porque tem uma coisa sagrada na relação política que é a confiança que você tem nas pessoas. Quando você tem confiança, tudo facilita que as coisas aconteçam.
Facilita a vida empresarial, facilita os acordos que nós fizemos entre ministérios. Foram vários acordos. Facilita a gente discutir parcerias, sabe, na questão da inteligência artificial. Tudo isso eu posso dizer para você que com o Modi eu não tenho nenhum problema.

A segunda coisa com relação aos empresários. Olha, eu estou conversando com os empresários que já têm investimento no Brasil. Todos eles falando bem da relação com o Brasil. Todos eles dizendo que vão fazer mais investimentos no Brasil. Não caberia a mim perguntar: “quando é que vocês vão investir? Quanto é que vocês vão colocar?”.

Não caberia. Seria falta de educação da minha parte. Mas eu posso lhe garantir que, para minha surpresa, eu gostaria que muitos empresários brasileiros vissem o discurso dos empresários indianos sobre o Brasil que possivelmente eles mudassem o comportamento deles também no Brasil.

Posso lhe dizer que os empresários indianos são muito otimistas com relação aos seus investimentos no Brasil. E é isso que eu quero. E pode ter certeza que vai ter investimento.
E logo, logo você vai ficar sabendo quando eles anunciarem. Vamos a mais uma pergunta

Jornalista Buvan Baga, da agência AFP: Olá, presidente. Bom dia. Estou com a AFP. O senhor falou sobre a reação da Suprema Corte dos Estados Unidos. O senhor adotou um princípio com relação às tarifas, de não ter uma guerra tarifária.

E o segundo ponto: você acha que potências médias como o Brasil, Índia, Canadá, Austrália, perceberam a importância de trabalharem juntas, em parte por causa das tarifas que foram impostas a elas, e como uma maneira de também reagir às políticas de Washington?

Presidente Lula: O dado concreto é que há muito tempo o Brasil defende que os países em desenvolvimento formem blocos para poder negociar conjuntamente. É por isso que nós somos defensores do multilateralismo. Porque se você permitir que um país pequeno negocie com um país maior, o acordo sempre será prejudicial ao país menor.

Essa é a experiência que eu trago do mundo sindical. Você não pode permitir que um trabalhador sozinho faça negociação com a empresa. Ou eles se juntam, se organizam, e fazem o enfrentamento à empresa, ou eles vão sair perdendo. No comércio é a mesma coisa. Nós passamos 26 anos para fazer um acordo com a União Europeia. 26 anos.

Quando eu assumi a presidência do Mercosul, eu disse aos negociadores europeus, tanto ao António Costa [presidente do Conselho Europeu], quanto à Ursula von der Leyen [presidente da Comissão Europeia], de que eu queria fazer o acordo enquanto eu fosse presidente do Mercosul. Porque o Brasil tinha a disposição de dar um exemplo ao mundo de fortalecimento do multilateralismo, sobretudo depois que o Trump anunciou as taxações de forma unilateral.

Nós temos que dar um exemplo de que a gente pode, juntos, ter mais força para poder vencer essa batalha. Então, eu acho que os países como Índia, Brasil, Austrália e outros países do Sul Global podem estar juntos. Porque na negociação direta com a superpotência, a tendência é a gente sair perdendo. E como nós temos problemas iguais e temos interesses iguais, a gente tem que estar juntos. Esse é um dos problemas da América do Sul.

Ou seja, não existe possibilidade de nenhum país resolver o seu problema individualmente. Não existe. “Ah, por que você fala isso?” Eu falo isso porque nós temos mais de 500 anos de experiência.

Nós temos mais de 500 anos. Embora todos os países conquistaram independência dos colonizadores, a verdade é que nós continuamos colonizados do ponto de vista tecnológico, do ponto de vista econômico. Então, é preciso construir parceria com gente que tenha similaridade conosco para que a gente possa somar o nosso potencial e nos tornar fortes. É simples assim.

Quando eu era dirigente sindical, eu ia para a porta da fábrica e dizia: “olha, isso aqui é uma varinha. Uma vara sozinha, eu quebro”. E quebrava a vara. Aí eu pegava um monte de vara, colocava junto e falava: “isso aqui é um feixe de varas. Isso aqui é todos os trabalhadores juntos”. Eu não consigo quebrar. Isso vale para os países.

Nós precisamos ter fóruns para discutir as coisas. Porque, afinal, as coisas não mudam. Veja, nós estamos reivindicando há muito tempo a mudança no Estatuto da ONU e a mudança no Conselho de Segurança da ONU, dos membros permanentes. Mas também a mudança dos países. É preciso ter mais gente no Conselho de Segurança. Não tem nenhum do continente africano. Não tem nenhum da América Latina. Só tem a China da Ásia.

Por que a Índia não está no Conselho de Segurança da ONU? Um país com um bilhão e quatrocentos milhões de seres humanos. Por que o Brasil não está? Por que a Alemanha não está? Por que o México não está? Por que a Nigéria não está? Por que o Egito não está? Você tem muitos países com mais de 100 milhões de habitantes e poderia ter para quê? Para mudar. Para a ONU voltar a ter eficácia, a ter representatividade. Porque do jeito que está a ONU, ela tem hoje pouquíssima eficácia. Ela não resolve nenhum problema. Ou seja, ela é capaz de fazer um belo diagnóstico, mas não tem o remédio. Então, se você só sabe fazer diagnóstico e não tem o remédio, você vai perdendo credibilidade.

Então, é preciso fortalecer a ONU se a gente quer que prevaleça uma instituição de importância vital para a manutenção da paz e da harmonia no mundo. Por isso que nós queremos nos fortalecer. E para isso precisamos estar juntos.

Da mesma forma é a questão econômica. Esses dias, eu liguei para quase todos os presidentes propondo que a gente tem que dar uma resposta ao que aconteceu na Venezuela, ao que aconteceu em Gaza, ao que aconteceu na Ucrânia. Você não pode permitir que, de forma unilateral, nenhum país, por maior que seja, ele possa ter interferência na vida dos outros países.

Aí você tem que ter a ONU para poder resolver esse problema. E por isso que ela tem que ter representatividade. Então, eu acho que, juntos, esses países em desenvolvimento e, juntos, os países do Sul Global podem mudar a lógica econômica do mundo. É só querer. A experiência que não deu certo, nós temos 500 anos. E nós temos que saber se queremos continuar ou queremos mudar alguma coisa. Eu sou daqueles que querem mudar.

Jornalista Camila Xavier, do Metrópoles: Presidente, eu gostaria de saber o que o senhor pensa sobre as críticas que os evangélicos têm feito à ala Neoconservadores em Conserva, que foi para a Avenida durante o Carnaval na homenagem da Escola de Samba ao senhor.

Presidente Lula: Olha, eu vou te dizer uma coisa. Eu não penso. Porque, primeiro, eu não sou carnavalesco. Eu não fiz, sabe, o samba enredo. Eu não cuidei dos carros alegóricos.

Eu apenas fui homenageado numa música maravilhosa que... Foi uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música. A música, na verdade, é uma homenagem à minha mãe. É a saga dela de trazer os filhos para São Paulo.

Eu, sinceramente, acho que a Escola fez uma coisa extraordinariamente. Não cabia ao presidente dar palpite nos carros alegóricos. Só cabia ao presidente da República aceitar, ou não, se ele queria ser homenageado. E eu aceitei. E sou muito grato à Escola. Muito grato.

Quando eu voltar para São Paulo e para o Brasil, eu vou visitar a Escola para agradecer a homenagem que eles prestaram. A saga da dona Lindu saindo de Garanhuns para São Paulo. Só isso.

Jornalista Ajit Singh, da Agência Sputnik: Bom dia, presidente. O senhor falou, por exemplo, do apoio pleno da presidência da Índia para o BRICS deste ano, mas quais serão as contribuições do Brasil com essa agenda do BRICS? Além disso, quando nós temos essa cooperação maior entre as ações do BRICS e temos esses alertas e expressões dos Estados Unidos para que isso não aconteça, como que o Brasil responde a isso?

Presidente Lula: A pauta dos BRICS é feita pelo país que lidera a reunião. O ano passado foi o Brasil e este ano é a Índia. A pauta é feita pela Índia. E a gente não discute a pauta. A gente vem aqui e se prepara para discutir a pauta que cada país faz.

O que eu ouvi do primeiro-ministro Modi é que ele está com a pretensão de mobilizar a Índia toda, fazer debate em todo o território indiano, para que tenha uma grande participação da sociedade indiana nas decisões das coisas que vão ser discutidas nos BRICS. Isso é muito bom.

Lá no Brasil nós fizemos o BRICS Social, em que nós chamamos o movimento social para participar. Os BRICS é um processo de formação de um grupo muito forte, quase metade da humanidade, quase metade do PIB, ou seja, o que nós precisamos é ter consciência de que dez membros dos BRICS participam do G20. Dez. Agora o presidente Macron [Emmanuel, presidente da França] está querendo ver se é possível misturar os BRICS com o G7. Então eu sei que já está convidado o primeiro-ministro Modi, já está convidado a África do Sul e eu já estou convidado.

Três membros dos BRICS para participar do G7. Nós vamos começar a compreender que nós não precisamos ter briga. Nós não precisamos ter G7, G4, G20. A gente vai caminhando para que a gente possa construir um único bloco. Por que foi construído o G20? Por conta da crise do subprime causada em 2008. Por que foram criados os BRICS? Por conta das reuniões que a gente fazia com a Índia, com a China e com a Rússia.

Então a gente está dando uma certa cara a um grupo que era marginalizado, que é o chamado pessoal do Sul Global. A gente está dando cara a isso. E nós temos pretensões políticas. Criamos um banco, que é o banco dos BRICS. Tudo nosso é muito novo ainda. Eu sei que os Estados Unidos têm uma inquietação com os BRICS. Na verdade, a inquietação é com a China, não é com os BRICS.

Como nós não queremos guerra fria, o que nós queremos é fortalecer um grupo, quem sabe esse nosso grupo fortalecido vai se juntar ao G20 e quem sabe um dia a gente tenha só um grupo? Ao invés de BRICS, ter um G30. Quem sabe alguma coisa similar porque não precisa de tantas reuniões. E eu acho que nós estamos caminhando para isso. Para ter um comércio mundial mais justo.

Esses dias me perguntaram aqui na Índia, numa entrevista [à India Today TV], se nós estamos defendendo a criação da moeda dos BRICS. Nós não queremos a moeda dos BRICS. Nunca ninguém defendeu a moeda dos BRICS. O que nós queremos, na verdade, é discutir o seguinte: para que o Brasil faça comércio com a Índia é preciso ter o dólar ou a gente pode fazer na nossa moeda? Para que o Brasil faça comércio com a China, é preciso ter o dólar ou pode ser feito na moeda chinesa e na brasileira? E isso nossos ministros da Fazenda, o nosso presidente do Banco Central têm que discutir para encontrar uma solução.

E eu acho que nós temos condições de provar que não é necessário. Que os Estados Unidos não gostem no primeiro momento, óbvio que não podem gostar. Eu não esperava que os Estados Unidos fossem concordar com essa ideia. Mas vamos debater. Só isso. Vamos debater.

Vamos ver se a gente consegue fazer algo que possa ser mais justo e penalizar menos os países, sobretudo os menores. Essa é a ideia. E por isso eu estou convencido que os BRICS é um jeito de a gente ter o equilíbrio geopolítico no planeta Terra. Nós ainda somos um processo em formação. Nem todo mundo confia ainda, sabe, nas mesmas coisas, acredita nas mesmas coisas. Mas isso é um processo.

E nesse processo eu acho que a gente vai construir um bloco muito, muito representativo e muito bom para discutir política econômica, para discutir a paz. Que é o que está faltando. Você veja que no ano passado se gastou 2 trilhões e 400 bilhões de dólares em armas.

Você veja que os países que fazem armas são todos do Conselho de Segurança da ONU, membros permanentes. Quem faz guerra são quase todos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. E o Conselho de Segurança não se reúne para discutir nada. Não se reúne. Então está muito difícil. Como é que você vai manter a paz no planeta Terra se os membros do Conselho de Segurança que deveriam ser o porta-voz dessas mensagens de paz estão envolvidos em guerra?

Então é preciso mudar. E os BRICS podem fazer a diferença. E eu espero que aqui na Índia a gente tenha os BRICS melhor do que nós tivemos no Brasil, que eu acho que foi o melhor de todos os BRICS. Eu espero que aqui na Índia a gente tenha os BRICS ainda mais pujantes do que aqueles que tivemos no Brasil.

Jornalista Tiago Eltz, da TV Globo: Bom dia, presidente. Eu queria esclarecer uma declaração que o senhor deu há pouco. O presidente americano tem entre suas políticas, talvez a política mais polêmica internamente hoje, a de caça a imigrantes. Imigrantes que não têm documentação, imigrantes que têm documentação, visto temporário. Isso é um problema e uma polêmica nos Estados Unidos, já resultou até em morte. O presidente Trump considera todos esses imigrantes criminosos. O senhor disse agora há pouco que na conversa com o presidente Trump pode acertar de receber criminosos para o Brasil ou quem cometeu crime por lá…

Presidente Lula: Não, você não ouviu isso aqui. Se eu aceito que você faça a pergunta do jeito que você está fazendo, dá a impressão que eu falei isso, eu não falei isso.

Jornalista Tiago Eltz: Eu ia só terminar, porque para o presidente Trump eles são criminosos. O senhor falou de receber, por exemplo, criminosos de combustíveis, que já cometeram crimes...

Presidente Lula: Não, não, não. Nós queremos prendê-los. Eu não quero recebê-los, eu quero prendê-los. Nós bloqueamos 250 milhões de litros de gasolina em cinco navios, entregamos para a Petrobras, essa pessoa mora em Miami, nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele, e nós queremos essa pessoa no Brasil.

É para combater o crime organizado? Então nos entregue os nossos bandidos. É isso. Não é a palavra receber, é prender

Jornalista Tiago Eltz: Era essa a questão que eu queria esclarecer, do jeito que o senhor falou. Queria, então, que o senhor explicasse um pouco melhor como é que pode ser essa cooperação, se o senhor já discutiu, ou se é uma ideia. A gente está aqui com o diretor da PF… se esse já foi um projeto, já está desenhado como uma proposta para ser feita nessa mesa.

Presidente Lula: Deixe-me falar. Nós ainda não tivemos uma reunião específica disso. Eu já conversei disso três vezes com o presidente Trump, por telefone. Já mandamos para ele uma relação das coisas que nós queremos fazer. Já mandamos um documento da Receita Federal. Já mandamos fotografias. Já mandamos nomes de pessoas.

Já criamos nossa entidade de combate ao crime organizado e ao narcotráfico, na fronteira, lá no Amazonas, para combater o contrabando na fronteira, o narcotráfico, o crime organizado, com participação de todos os países fronteiriços com o Brasil. E eu disse ao presidente Trump que nós estamos dispostos a trabalhar com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico, no tráfico de armas, na lavagem de dinheiro. Qualquer coisa que puder colocar os magnatas da corrupção na cadeia, nós estamos dispostos a trabalhar.

E esses magnatas não moram na favela, não moram no térreo. Eles moram em cobertura, moram no bairro mais chique do Brasil e no bairro mais chique dos Estados Unidos. E ele já sabe, inclusive, de alguns nomes que nós já mandamos. Então, nessa conversa com o presidente Trump, eu quero aprofundar. Por isso que eu vou levar minha Polícia Federal. Manda o pessoal da CIA, do FBI, o que ele quiser para juntar. Vou levar meu ministro da Justiça, coloca o departamento de Justiça deles. Vou levar meu Ministério Público, que ele leve o dele. Vou levar minha Receita, ele que leva a dele. Para a gente colocar um fim nisso. Se é para combater, o Brasil está disposto a combater.

Se tem uma coisa que nós precisamos trabalhar juntos, é combater o crime organizado, que é uma indústria multinacional altamente sofisticada, com braço no poder judiciário, com braço no futebol, com braço na política, com braço no empresariado, com braço em todos lugares da humanidade. Então, eu estou muito otimista com essa reunião com o Trump, para a gente colocar as coisas bem a nu, para todo mundo saber o que nós queremos fazer.

Jornalista Nelson de Sá, do Portal UOL: Bom dia, presidente. Ainda sobre a derrubada das tarifas nos Estados Unidos, isso dá mais peso ao Brasil para o encontro e as negociações com Trump, inclusive quanto à defesa da soberania dos países da América Latina, recuperando a liderança regional do Brasil. Como complemento, o senhor está aliviado de não ter fechado antes o acordo com Trump, como fizeram outros países, inclusive a Índia?

Presidente Lula: Olha, eu estou aliviado de não ter tido pressa de fazer as coisas de forma precipitada. Mas eu disse desde o começo isso. Nós criamos uma comissão de negociadores no Brasil, que tem o ministro da Fazenda, o Fernando Haddad, meu vice-presidente, Geraldo Alckmin, e meu chanceler, o Mauro Vieira, que está aqui. Ou seja, três altos ministros do meu governo, colocados à disposição dos Estados Unidos para negociar.

O que é que eu percebi? Que é muito difícil a negociação, porque me parece que, do lado de lá, não tem tanta vontade de negociar. Porque eles acham que o presidente Trump resolve as coisas pelo Twitter. E as coisas só andaram um pouco quando eu, pessoalmente, falei com o presidente Trump, porque ele nos deu um telefone em que a gente tem contato direto.

Então, às vezes, eu fico pensando que tem gente que não quer que a gente dê certo nos acordos. E é por isso que eu quero conversar com o Trump. Pessoalmente. Sentar em torno de uma mesa, conversar com muita seriedade sobre a importância da relação civilizada entre Brasil e Estados Unidos. E, obviamente, que eu não tenho como ficar medindo a decisão da Suprema Corte americana. Não tem como um presidente de outro país julgar a decisão da Suprema Corte.

Alguém recorreu, a Corte tomou a decisão, certamente ele já tomou novas medidas, alguém vai recorrer, vai ter outra decisão. Da nossa parte, o que nós achamos é que houve um alívio para muitos países que estavam taxados em 50% e 40%, houve um alívio. Agora, para todo mundo, vai ser 15%.

Eu estou convencido que, na conversa, a relação Brasil-Estados Unidos vai voltar à normalidade. Eles têm interesse, nós temos interesse. Se taxar algum produto nosso, vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo americano. Ele já sabe disso. E, veja, o Brasil não quer ser liderança na América Latina. A gente não quer ser liderança. O que a gente quer é que a gente tenha uma relação respeitosa na América Latina, porque nós definimos que a nossa zona é uma zona de paz. A gente não tem armas nucleares. A gente quer viver tranquilo, a gente só quer crescer economicamente, gerar emprego e melhorar a vida do povo.

E eu quero discutir com ele isso. Qual é o papel dos Estados Unidos na América do Sul? Qual é o papel deles? É de ajudar? Ou de ficar ameaçando? Agora está ameaçando o Irã.
Ou seja, é preciso colocar um paradeiro nisso. O mundo está precisando de tranquilidade. O mundo não precisa de turbulência, o mundo precisa de paz.

Então vamos gastar nossas energias para acabar com a fome no mundo. Vamos gastar nossas energias para acabar com a violência contra as mulheres que crescem em todos os países, cada dia mais. Então o chamamento nosso é isso. Vamos tentar olhar para as coisas boas que a gente pode resolver e vamos deixar a guerra de lado. Eu acho que se for possível a gente chegar num acordo, vai ser bom para nós, vai ser bom para a América do Sul, vai ser bom para a América Latina, vai ser bom para o mundo. Nós temos que dar sinais de paz.

Hoje, nós temos o momento de maior quantidade de conflitos no mundo depois da Segunda Guerra Mundial. Está cheio de países africanos com golpes de Estado, com ameaças de revolução interna e de guerra civil. E não tem um organismo multilateral, uma instituição que deveria ser a ONU para tentar colocar uma solução nisso. Então nós temos que estar preocupados em criar isso. Essa é a minha preocupação e eu acho que a gente vai resolver isso. Eu posso te garantir uma coisa: eu acredito muito numa coisa chamada negociação. Você sabe que essa história de química entre eu e Trump, eu acredito muito que nós, seres humanos, a nossa relação é química mesmo. De você tocar na mão, de você olhar no olho, de você poder conversar diretamente com as pessoas que você pode resolver qualquer problema. Eu acredito muito nisso.

Aliás, eu faço isso a vida inteira. E eu quero continuar fazendo isso e quero fazer essa reunião com o Trump para isso. Só isso.

Muito obrigado a vocês. Eu agora vou para a Coreia e depois eu vou para os Emirados Árabes. Só queria agradecer a presença de todos, jornalistas, ministros, parlamentares.

Muito obrigado.

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