Declaração à imprensa do presidente Lula em Juiz de Fora, a respeito das enchentes em Minas Gerais
Essa minha visita à região é para assumir a responsabilidade na frente dos prefeitos das cidades que foram vitimadas pelas chuvas que aconteceram aqui nesta semana. É para assumir o compromisso de que o governo federal vai repetir aqui o mesmo que nós fizemos com a tragédia do Rio Grande do Sul, ou seja, nós iremos ajudar os prefeitos a recuperarem as suas cidades. Nós iremos ajudar os pequenos empresários a poder ter crédito para recuperar as suas empresas. Nós vamos recuperar o que houve de estrago na saúde, o que houve de estrago na educação e, sobretudo, a gente vai dar casa para as pessoas que perderam as casas.
É por isso que eu vim aqui com o companheiro ministro da Saúde [Alexandre Padilha], com o companheiro presidente da Caixa Econômica Federal [Carlos Vieira], que é quem tem o dinheiro para liberar, para ajudar a fazer as coisas, eu vim aqui com o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome [Wellington Dias], eu vim aqui com o ministro-chefe da Integração Nacional [Walter Góes], que é o companheiro-responsável pela cidade e pela Defesa Civil, o meu ministro de Minas e Energia [Alexandre Silveira], o meu ministro das Cidades [Jader Filho], que é o responsável, a nossa ministra dos Direitos Humanos [Macaé Evaristo] que está aí, a Janja [Lula da Silva, primeira-dama do Brasil] para fiscalizar se eu estou errando, e eu trouxe comigo um convidado especial, que é o companheiro Pacheco [Rodrigo, senador]. A gente estava sem conversar há muito tempo, eu falei, vamos conversar um pouquinho. Eu quero agradecer aos deputados que estão aqui.
Eu, sem a nominata aqui, eu estou aqui com os deputados [federais] Carla Pimentel, com André Janones, com Igor Timo, com Luiz Fernando e com Reginaldo Lopes. Se tiver mais alguém que eu não pude citar, por favor. E estou aqui com os prefeitos José Damato, de Ubá; Maurício Domingos, de Matias Barbosa; José Henrique, de Cataguases; Everaldo Roberto, de Paula Cândido; Cirlei Freitas de Divinésia; Gustavo Fernando, de Senador Firmino; Pedro Augusto Ferraz, de Leopoldina e Lucas Pereira Lopes, de Iguatama. Iguatama? Muito bem. E estou aqui com a chefe, da cidade, a poderosa prefeita Margarida Salomão [de Juiz de Fora]. Deputado Betão que está aqui. Quem mais que eu não falei aí?
Bem, gente, eu faço questão de assumir o compromisso porque, normalmente, as pessoas ficam sensíveis quando acontece um desastre desse. No primeiro dia, vem todo mundo aqui, tem muita solidariedade, vem muita autoridade e depois que passa uma semana que secou, as pessoas vão deixando de vir e cai no esquecimento e as coisas não acontecem. Nós aprendemos muito com o desastre que houve no Rio Grande do Sul. Pela primeira vez na história deste país, o governo federal assumiu a responsabilidade de fazer, junto com o governador, junto com o prefeito, a recuperação daquele estado e daquela cidade.
Tanto com investimento pequeno e médio empresário, nos agricultores, casas para trabalhador rural, casas para o pessoal da cidade e lá nós criamos uma coisa nova que chamamos a compra das casas assistidas. Ou seja, se uma cidade não tiver terreno para fazer casa nova, porque a gente não vai refazer as casas no lugar de risco, a gente não vai recuperar a casa no lugar que a pessoa vai continuar em risco, nós temos que arrumar terreno para fazer as casas. Se não tiver terreno, a gente vai adotar o mesmo sistema de compra assistida.
O que é compra assistida? Vai ter um valor para comprar a casa e a pessoa pode escolher, em qualquer cidade do estado de Minas Gerais, que ele encontrar uma casa, que possa atender o seu desejo de moradia, o governo federal vai financiar, vai dar de graça a casa, não é financiar, vai dar de graça a casa para as pessoas que perderam a casa. Nós aprendemos isso depois de apanhar muito com o que aconteceu no Rio Grande do Sul e nós, então, criamos um padrão, um padrão chamado padrão decência, padrão respeito, padrão cuidar das pessoas. Eu digo sempre o seguinte, para mim não importa de que partido é o prefeito, para que time torce o prefeito, que religião que o prefeito professa, para mim não importa. O que importa é o seguinte, teve um problema na cidade, teve um projeto bem feito, a demanda é verdadeira, nós vamos ajudar os prefeitos a recuperarem a qualidade de vida dessa cidade.
Então, preste atenção para vocês me cobrarem, eu vim aqui para dizer para vocês que ninguém que foi prejudicado pela chuva, que ninguém que foi prejudicado pelo deslizamento de terra ficará com o prejuízo nas suas costas. Nós vamos ajudar essas pessoas a se recuperarem, dando as casas, ajudando as pessoas a receber antecipadamente uma parte do fundo de garantia que eles têm direito, receber o benefício do BPC que eles têm direito, ou seja, nós vamos fazer chegar para as pessoas o dinheiro para eles também começarem a recomeçar a vida delas. É um compromisso que eu estou assumindo aqui na frente do prefeito, na frente dos prefeitos -- da prefeita -- que estão aqui e, sobretudo, toda a fiscalização da Margarida Salomão, que é uma pessoa por quem eu nutro e admiro um profundo respeito por ela, tá? Agora você tem a palavra, Margarida.
Fala da prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão
A prefeita disse uma coisa muito importante, gente, mas eu queria reiterar o seguinte. Primeiro, a única coisa que a gente não vai poder devolver para a cidade são as vidas que se foram. As vidas humanas, a gente não tem o poder de fazê-las voltarem a viver, mas as coisas materiais que as pessoas perderam, nós vamos dar às pessoas o direito de voltar a viver com decência e muita dignidade neste país.
Nós vamos criar no governo federal uma pessoa que vai ser responsável, falei com a Margarida para ela arrumar uma sala, para que a pessoa venha de Brasília. A pessoa que vai ser responsável em manter o contato com os ministérios, com a Caixa e com os prefeitos. A gente está pedindo para a Margarida uma sala na prefeitura, para que a gente não tenha que perder tempo procurando um aluguel para fazer. Então, pode ter certeza que vocês vão ter uma surpresa com a rapidez que vai acontecer. Inclusive, eu trouxe o presidente da Caixa, porque havia gente que reclamava da demora para sair o benefício, e tudo isso está facilitado a partir do que aconteceu no Rio Grande do Sul.
O Pacheco teve um papel importante como presidente do Senado, os nossos deputados tiveram um papel extraordinário aprovando todos os projetos que a gente queria e facilitando. Até o Tribunal de Contas da União teve um papel extraordinário, facilitando os projetos que a gente tem que fazer, porque em tempo de desgraça, a gente não tem que ficar com burocracia, que vai papel, volta papel, vai papel, volta papel, vai papel. É para acabar com isso. Vamos todos assumir a responsabilidade e na hora que os prefeitos entregarem as demandas da cidade, tanto o Ministério das Cidades, o Ministério da Saúde, a Caixa Econômica Federal vão tratar de fazer as coisas acontecerem com muita, mas muita rapidez.
Eu queria passar a palavra agora ao ministro das Cidades, que é o cara que tem a responsabilidade de, junto com a Caixa, devolver uma coisa importante que todo mundo quer, a sua casinha de volta. Então, Jader, pode falar, querido.
Fala do ministro das Cidades, Jader Filho
Presidente Lula - ministro da Saúde.
Fala do ministro da Saúde, Alexandre Padilha
Presidente Lula – muito bem, agora o ministro Integração, o companheiro Walter Góes
Fala do ministro da Integração Nacional, Walter Góes
Presidente Lula - ministro Wellington Dias, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Fala do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias
Presidente Lula - O nosso presidente da Caixa Econômica Federal, que é o responsável, prefeitos, é o responsável por liberar o dinheiro para vocês.
Fala do presidente da Caixa, Carlos Vieira
Presidente Lula - Ô José Damato, vem aqui. É o seguinte, eu vou dar a palavra para o Damato, porque é o seguinte, quem for a Ubá e chegar no centro de Ubá acha que o maior desastre climático foi lá. E lá morreram seis pessoas e tem duas desaparecidas.
E aqui, em Juiz de Fora, morreram 70 pessoas. Ou seja, aqui teve muito mais vítimas, mas quem for lá e ver a fotografia, o centro da cidade está destruído. Está destruído. Ou seja, significa que aqui atingiu as pessoas mais pobres que moram no lugar mais perigoso. Mas aqui em Juiz de Fora tem uma coisa, eu vi de helicóptero muita casa de rico em cima do morro. Não sei qual é a segurança que tem, mas significa que aqui tem um problema de terreno, de área, como é que fala, garantida para construção, muito sério.
Eu vi lá muita casa com piscina, com tudo, que se um dia tiver um desastre e cair uma casa daquela, a piscina vai jogar tanta água quanto a chuva e vai aumentar o deslizamento. Mas lá não [em Ubá], lá é o centro da cidade. É o centro, é o comércio, é o pequeno empresário, é o comerciante, é o lojista.
Fala um pouco aqui, companheiro Damato.
Fala do prefeito de Ubá, José Damato
Para terminar a nossa entrevista coletiva, eu queria pedir ao companheiro Pacheco, que foi o presidente do Congresso Nacional e agora é senador, para falar o que o Congresso pode fazer para ajudar.
Fala do senador Rodrigo Pacheco
Presidente Lula - Se eu fosse utilizar o microfone que o Pacheco usou, eu tinha que subir num caixote aqui. Por que cresceu tanto e por que eu cresci tão pouco? Deixa a gente terminar este ato aqui, pedindo para vocês todos aqui, se vocês puderem se colocar de pé, para a gente fazer um minuto de silêncio pelas pessoas que morreram na zona da mata em função da enchente.
[pausa]
Obrigado, gente.
Gente, um abraço. Vocês ouviram tudo que nós falamos aqui. Eu espero que a imprensa tenha anotado, espero que tenha gravado no celular, porque vocês têm que nos cobrar.
Têm que nos cobrar, porque este ano é o ano da verdade neste país. Este é o ano em que a gente vai provar quem mente e quem não mente. Este é o ano em que a gente vai provar quem faz e quem não faz.
Este é o ano em que a gente vai provar que fazer pirotecnia através do celular não resolve o problema da sociedade. O cidadão que fica gravando e fazendo meme toda hora, brincando de fazer política, nós vamos desmascarar exatamente neste ano.
Muito obrigado. Que Deus abençoe todos nós!