Pronunciamento do presidente Lula na cerimônia de anúncio da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS
Primeiro, eu vou evitar a nominata, porque todo mundo já foi citado aqui, eu não vou repetir o nome de todo mundo. Terceiro, porque eu não sou louco de falar de saúde, depois de ouvir o Ministro da Saúde [Alexandre Padilha], depois de ouvir a Ludhmila [Hajjar, titular de Emergências Clínicas da Faculdade de Medicina da USP] e depois de ouvir o Alckmin [Geraldo, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços], que também é da saúde. E também não vou falar de finanças aqui, porque já assinou o Ministério da Fazenda e a Dilma [Rousseff, ex-presidenta do Brasil e presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento – NDB/banco do BRICS].
Eu tenho quatro palavras aqui. Primeiro, Dilma, libera esse dinheiro logo. Segundo, Dario [Durigan, ministro da Fazenda substituto], receba logo e libere logo.
Terceiro, Padilha, por favor, executa a obra no tempo mais rápido possível. Porque uma coisa que é importante a gente ter claro aqui é que você, na sua apresentação, eu entendi que a parte mais difícil e mais demorada vai ser a construção do hospital em São Paulo. Que vai ter que desmanchar coisas, vai ter que reconstruir coisas e tal.
Mas você, ao mesmo tempo, disse que vai ter 14 UTIs espalhadas pelo Brasil. E essas UTIs já estão prontas. As ambulâncias já estão prontas. Precisa apenas adaptá-las, sabe, à realidade do hospital inteligente. E isso pode ser muito mais rápido. Ou seja, significa que a gente vai poder ter funcionando no Brasil, em alguns estados, eu vou citar aqui o que você citou, o Hospital Conceição, no Rio Grande do Sul, ou algum do hospital no Rio de Janeiro. Mas tem que lembrar que o Brasil tem 27 estados. A gente precisa fazer as coisas mais ou menos iguais.
Então, significa que a gente vai ter, no menor espaço de tempo, a gente vai ter 14 hospitais nesse país podendo prestar esse serviço que tão bem a companheira Ludhmila falou aqui. Com a ambulância preparada, a UTI preparada, o médico da UTI já vai receber as informações da ambulância e já vai se preparar. Se isso acontecer, veja como vai ser bom, que ouro.
Eu tive um problema na cabeça aqui em Brasília. Eu detectei que eu não estava bem. Eu fui num dos melhores hospitais aqui em Brasília. E isso era mais ou menos cinco horas, cinco e meia da tarde. Aí eu descobri que eu estava com excesso de líquido na cabeça por conta da batida que eu tinha tido. Imediatamente, os médicos ficaram todos apavorados e disseram que eu tinha que ir para São Paulo urgente.
Eu estava na capital do país. Disseram que eu tinha que ir para São Paulo, urgente, para poder fazer o tratamento. E não tinha nem o avião presidencial aqui. Eu tive que esperar, nessa emergência, três horas no hospital e depois viajar mais uma hora e meia de avião. Quando eu cheguei no aeroporto, a equipe médica, dos quatro que estavam lá, tinha dois chorando porque eles achavam que eu poderia ter entrado em coma dentro no avião, porque, pelas imagens, eles acharam que era uma coisa muito grave. Então, eu espero que esses anúncios que a gente está fazendo aqui, de coisa inteligente, que a gente coloque uma coisa inteligente aqui em Brasília.
Que a gente coloque uma coisa inteligente. Porque, se isso aconteceu com o presidente, imagina o coitado do povo que a Ludhmila mostrou dormindo, aquele monte de gente numa maca. Eu conheço bem aquilo, Ludhmila, e eu acho que esse hospital inteligente e a recuperação da imagem que o SUS conquistou no Brasil, depois da apoteótica participação do SUS para salvar gente com relação à Covid-19, deu ao SUS uma legitimidade que a gente já sabia que ele tinha quando a gente criou. Mas que muitas vezes tinha sido negada ao longo do tempo para os amplos setores da sociedade brasileira.
O SUS era tratado de forma muito pejorativa. Ou seja, só se mostrava desgraça no SUS. Só se mostrava miséria no SUS. Só se mostrava morte no SUS. E eu tive o prazer de, não só junto com o Alckmin, que também foi constituinte, que nós aprovamos o SUS, eu tive o prazer de ver um dos melhores discursos da minha vida do doutor Adib Jatene defendendo a não retirada, em 2007, de 40 bilhões de reais por ano que eram aplicados no SUS.
A gente tinha o compromisso que o dinheiro seria todo para o SUS. Tiraram, achando que ia me prejudicar. E nós passamos todo esse tempo faltando a CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira], que também poderia ter ajudado a saúde nesse país.
E a gente tem que ter claro uma coisa. Quando a gente determina um projeto a gente não pode ouvir a palavra “não tem dinheiro”. A gente não pode ouvir a palavra “eu não posso fazer”. Porque o Brasil não está mais avançado, não está melhor, não está no outro patamar, porque nesse país aqui sempre se utilizou a palavra “gasta-se muito”, “é muito caro”, “não dá para fazer”. E a gente nunca se perguntou quanto custou a gente não ter feito as coisas na hora que deveria fazer.
Quantas mortes esse país poderia ter evitado se a gente tivesse um mínimo de garantia para essas pessoas? Porque a verdade nua e crua é que nós precisamos garantir que o povo mais humilde não pode ser invisível. Ele tem que ser olhado. É para eles que a gente governa.
É em função deles que nós temos que melhorar as coisas. Porque quem tem dinheiro, quando tem uma dúvida, pega um avião e vai para qualquer lugar do mundo. Mas, o pobre não tem o avião, ele tem o ônibus, depois de nós, ele tem o SAMU, e agora ele precisa ter acesso àquilo que a inteligência pode afirmar para ele melhorar de vida. Por isso, Ludhmila, parabéns pelo teu esforço. Eu sei da tua dedicação. Parabéns, companheira Dilma, por liberar esse dinheiro tão precioso – para nós é pouco, mas é o que pedimos, tá bom.
Padilha, pelo amor de Deus, Padilha, quanto tempo a gente vai demorar para fazer esse hospital? 3 a 4 anos? Bom, olha aqui, as UTIs já podem começar a funcionar esse ano, tá? Então eu vou ficar. A imprensa está registrando, nós estamos dizendo que o hospital vai demorar um pouco mais, mas as UTIs inteligentes já vão estar funcionando.
Então, agora o Alckmin diminuiu minha expectativa de vida. Eu tenho dito que eu vou viver 120 anos, ele disse que quem tem 80 pode viver até 90 só, está me devendo 30. Mas gente, olha, parabéns a vocês que participaram.
Eu comecei o ano muito feliz, porque, pela primeira vez, peguei três dias de Sol seguidos no Rio de Janeiro, três dias seguidos, mas porque nós terminamos o ano muito bem. Eu acho que jamais algum analista de mercado poderia imaginar que a gente iria terminar o terceiro ano de mandato na situação de conforto, na questão econômica, como nós terminamos.
E começa o ano melhor ainda, porque, além de continuar com a mesma expectativa na economia, e todas as análises feitas em janeiro deram erradas, Gilmar [Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal], todas, todas as previsões feitas em janeiro deram erradas e vão continuar errando. Aqueles que estão apostando que o Brasil não vai dar certo vão continuar errando, porque esse país não tem retorno. Ou a gente agora aprende a subir a escada e não desce mais ela, ou a gente vai se arrepender de ter nascido no tempo que nós nascemos.
Por isso, gente, parabéns. Parabéns, Padilha. Você tem na mão uma responsabilidade enorme. Espero que a Ludhmila esteja com você, espero que a USP possa colocar toda a sua excelência, para que a gente possa fazer com que a gente estenda esse conhecimento para o restante do Brasil.
Que Deus abençoe e feliz ano novo para todos nós, sobretudo para os pacientes do SUS.