Pronunciamento do presidente Lula durante a cerimônia em defesa da democracia
Eu, primeiro, quero desejar a todos vocês, mulheres e homens presentes nesse ato, dia 8 de janeiro, um feliz ano novo. Que 2026 possa ser marcado pela consolidação do processo democrático deste país; possa ser marcado pela ascensão social dos milhões de invisíveis que, historicamente, foram esquecidos nesse país; pode ser marcado pela ascensão do reconhecimento do povo quilombola desse país; pode ser marcado pela ascensão do reconhecimento das terras indígenas e da cidadania dos indígenas desse país; como pode ser marcado pela nossa luta incansável em defesa de um clima saudável para toda a sociedade brasileira e a sociedade mundial.
Eu, que não costumo ler nominata, hoje eu vou ler a minha nominata, porque tem muitos ministros aqui, tem três governadores que eu estou vendo aqui, tem senadores aqui que eu estou vendo, então eu vou ler a nominata no reconhecimento à presença de vocês, porque eu sei que muitos de vocês estavam de férias, umas férias merecidas depois de um ano de muito trabalho.
Então eu quero começar cumprimentando a minha querida companheira Janja [Rosângela Lula da Silva, primeira-dama do Brasil], o meu querido vice-presidente Geraldo Alckmin [vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços] e a sua esposa Lu Alckmin [segunda-dama do Brasil]; o meu ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa; o meu ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski; o meu ministro da Defesa, José Múcio Monteiro; o meu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o meu ministro da Fazenda substituto, Dario Durigan [secretário-executivo da Fazenda]; o meu querido ministro dos Transportes, Renan Filho; o meu querido ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho; o meu querido ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro; o ministro da Educação, Camilo Santana; a ministra da Cultura, Margareth Menezes; o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi; o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias; o ministro da Saúde, companheiro Alexandre Padilha; o meu querido ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França; o meu querido Alexandre Silveira [ministro de Minas e Energia]; o meu querido Gustavo Guimarães [secretário-executivo e ministro substituto do Planejamento e Orçamento]; a minha querida Esther Dweck [ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos]; o meu caro amigo Frederico de Siqueira Filho [ministro das Comunicações]; a minha querida Luciana Santos [ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação]; a minha querida Marina Silva [ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima]; o meu querido André Fufuca [ministro do Esporte]; Celso Sabino [ministro do Turismo]; Waldez Góes [ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional]; Paulo Teixeira [ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar]; Jader Filho [ministro das Cidades]; o companheiro Rivaltônio Araújo [ministro substituto da Pesca e Aquicultura]; Márcia Lopes [ministra das Mulheres]; Anielle Franco [ministra da Igualdade Racial]; Macaé Evaristo [ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania]; Sonia Guajajara [ministra dos Povos Indígenas]; Guilherme Boulos [ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República]; Marco Antônio Amaro [ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República]; Gleisi Hoffmann [ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais]; Sidônio Palmeira [ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República]; Jorge Messias [advogado-geral da União]; Vinícius Carvalho [ministro da Controladoria-Geral da União].
Quero cumprimentar o meu querido, sempre ex-ministro, embaixador Celso Amorim [assessor especial da Presidência da República]; os governadores Jerônimo Rodrigues [governador da Bahia], Elmano de Freitas [governador do Ceará], Fátima Bezerra [governadora do Rio Grande do Norte]; o senador Randolfe Rodrigues; o senador Jaques Wagner; o senador Beto Faro; o senador Veneziano Vital do Rêgo; o deputado federal José Guimarães; os deputados federais Ayrton Faleiro, Alencar Santana, Aliel Machado, Ana Paula Lima, Benedita da Silva, Camila Jara, Daiana Santos, Daniel Almeida, Delegada Adriana Accorsi, Dilvanda Faro, Erika Kokay, Juscelino Filho, Lindemberg Farias, Odair Cunha, Paulo Guedes, Pedro Uczai, Reginaldo Veras, Luciene Cavalcante, Valmir Assunção, o deputado Vicentinho e o deputado Zeca Dirceu.
Quero cumprimentar a presença do nosso querido companheiro almirante Marcos Sampaio Olsen [comandante da Marinha do Brasil]; do general Tomás Miguel Ribeiro Paiva [comandante do Exército Brasileiro]; do brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno [comandante da Força Aérea Brasileira]; e do almirante Renato Rodrigues de Aguiar Freire [chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas]; do brigadeiro Francisco Joseli Parente Camelo [presidente em exercício do Superior Tribunal Militar]; do ministro Aloysio Corrêa da Veiga [presidente em exercício do Tribunal Superior do Trabalho]. Dos presidentes dos bancos oficiais: Aloizio Mercadante [presidente do BNDES], Luiz Lessa [presidente do Banco da Amazônia], Carlos Vieira [presidente da Caixa Econômica Federal]. Andrei Rodrigues [diretor-geral da Polícia Federal]; Décio Lima [diretor-presidente do Sebrae]; Jorge Viana [presidente da ApexBrasil]; a nossa querida sargento Marcela Moraes [Polícia Militar do Distrito Federal]; companheiras e companheiros.
Se eu esqueci alguém, desculpem, porque eu não estava na minha nominata. Falta aqui convidar os companheiros dirigentes sindicais, representantes das centrais sindicais. Como eu não estou com a nominata aqui na mão, eu peço desculpa de não citar um nome que não vai me agradecer porque eu citei, mas porque eu esqueci e vou me criticar.
Então, peço desculpa a vocês, os companheiros das centrais sindicais aqui presentes. Obrigado pela presença de vocês e obrigado pela presença do povo que veio aqui e o povo que está lá fora, que não pôde entrar aqui dentro. O meu discurso será muito pequeno.
Senhoras e senhores,
Minhas amigas e meus amigos,
O 8 de janeiro está marcado na História como o dia da vitória da democracia.
Vitória sobre os que tentaram tomar o poder pela força, desprezando a vontade popular expressa nas urnas.
Os que sempre defenderam a ditadura, a tortura e o extermínio de adversários, e pretendiam submeter o Brasil ao regime de exceção.
Os que planejaram os assassinatos do presidente e do vice-presidente da República, e do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Os que exigem cada vez mais privilégios para os super-ricos, e menos direitos para quem constrói a riqueza do Brasil com o suor do seu trabalho.
Vitória sobre os que não hesitariam em desmantelar outra vez as políticas de inclusão social, e devolver o Brasil ao Mapa da Fome.
Os inimigos das conquistas dos mais carentes, da classe média e da classe trabalhadora.
Os traidores da pátria, que conspiraram contra o Brasil para causar o caos na economia e o desemprego de milhões de brasileiros.
Eles foram derrotados.
O Brasil e o povo brasileiro venceram.
Minhas amigas e meus amigos,
A tentativa do golpe em 8 de janeiro de 2023 veio nos lembrar que a democracia não é uma conquista inabalável.
Ela será sempre uma obra em construção, sujeita ao permanente assédio de velhos e novos candidatos a ditadores.
Por isso, a democracia precisa ser zelada com carinho. E defendida com unhas e dentes, dia após dia.
É preciso conscientizar as pessoas que a democracia é muito mais que uma palavra bonita nos dicionários.
É mais do que o dever e o direito de votar no dia da eleição, e depois guardar o título de eleitor pelos próximos quatro anos.
A democracia requer a participação efetiva da sociedade nas decisões de governo.
Ela é também o direito de dizer “Não”.
A verdadeira democracia exige a construção de um país cada vez mais justo e menos desigual, com mais direitos e menos privilégios.
Um país onde a saúde e a educação de qualidade sejam direito de todos, e não o privilégio de quem pode pagar por elas.
Onde morar com dignidade, conforto e segurança seja um direito de todos, e não o privilégio dos que vivem nos bairros mais nobres.
Onde a riqueza seja distribuída entre aqueles que trabalham para produzi-la, em vez de concentrada nas mãos de uma elite financeira.
Foi esse país mais justo e menos desigual que os inimigos da democracia tentaram demolir no dia 8 de janeiro.
Minhas amigas e meus amigos,
Não faz muito tempo, as principais lideranças do golpe defendiam a ditadura.
Eram favoráveis à tortura, e zombavam dos que foram torturados.
Chamavam os direitos humanos de esterco da bandidagem.
Mas foi graças à firmeza das nossas instituições democráticas que tiveram a garantia de um julgamento justo, e todos os seus direitos preservados.
Talvez a prova mais contundente do vigor da democracia brasileira seja o julgamento dos golpistas, pelo STF.
Todos eles tiveram amplo direito de defesa. Foram julgados com transparência e imparcialidade.
E, ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções e PowerPoints fajutos.
Quero parabenizar a Suprema Corte, pela conduta irrepreensível ao longo de todo o processo.
Julgou e condenou no estrito cumprimento da lei.
Não se rendeu às pressões. Não se amedrontou diante das ameaças. Não se deixou levar por revanchismos.
Saiu fortalecida. Sua conduta certamente será lembrada pela História.
Minhas amigas e meus amigos,
O poeta hispano-americano George Santayana disse certa vez:
"Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo.”
Em nome do futuro, não temos o direito de esquecer o passado.
Viva a democracia brasileira!