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Você está aqui: Página Inicial Acompanhe o Planalto Discursos e pronunciamentos 2025 12 Pronunciamento do presidente Lula na 14ª Conferência Nacional da Assistência Social
Info

Pronunciamento do presidente Lula na 14ª Conferência Nacional da Assistência Social

Transcrição do pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a 14ª Conferência Nacional da Assistência Social, em Brasília (DF), no dia 8 de dezembro de 2025
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Publicado em 08/12/2025 00h00 Atualizado em 30/12/2025 15h57

Eu estou com o meu discurso escrito, mas não vou lê-lo. Eu queria ter uma conversa com vocês sobre o que está na nossa cabeça para garantir àqueles que dependem de nós a possibilidade de um futuro mais promissor, de uma vida melhor.

É sagrado que a gente, neste dia de hoje, faça uma reflexão sobre o que nós já fomos, o que nós somos e o que nós queremos ser. É muito importante, porque vocês sabem o quanto foi difícil a gente construir o SUAS [Sistema Único da Assistência Social].

Vocês sabem quantos anos de briga foram necessários para que a gente fizesse uma parte da sociedade compreender que o Brasil não poderia prescindir do Sistema Único de Assistência Social. E eu estou ligado à assistência social muito antes de mais da metade dos que estão aqui nascer. Em 1979, houve o primeiro congresso de assistência social neste país, convocado lá em São Paulo, no IAPI [Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários], que tinha como presidenta a companheira Luiza Erundina [ex-prefeita de São Paulo], que me convidou. Na época, era para ser homenageado o ministro do Trabalho, que era o Murilo Macedo.

E a Luiza Erundina [atualmente, deputada federal], então, decidiu que quem deveria ser homenageado era eu, e não o ministro Murilo Macedo. A partir dessa data, em 1979, houve uma relação muito forte, em todas as minhas andanças pelo país, com todos os movimentos de assistentes sociais que havia neste país. E nós chegamos onde chegamos depois de quase sermos destruídos a partir de 2018.

Porque destruir é muito fácil; construir é muito difícil. Basta contar meia dúzia de mentiras que você passa para os ouvidos de algumas pessoas a ideia de que o que nós fazemos não é importante. E, quando você induz a pessoa a não acreditar na gente, fica fácil destruir a gente.

E todos nós estamos cansados de experimentar. Todos nós sabemos o que é o negacionismo. Todos nós sabemos o que foi a destruição de uma quantidade enorme de ministérios, de uma quantidade enorme de políticas públicas que vinham se consolidando e que poderiam hoje estar muito melhores se a gente não tivesse que começar a reconstruir a partir de 2023, quando nós tomamos posse.

Pois bem, meus queridos companheiros e companheiras, nós estamos falando de um futuro que está para ser construído pelas nossas mãos. Um futuro que está para ser construído pelo nosso comportamento, pelo nosso trabalho e pelo grau de consciência política que a gente tiver no dia que a gente tiver que votar. Isso é muito importante.

É muito importante, porque vocês sabem que tudo depende da qualidade dos deputados e das deputadas que vocês elegem. Depende da qualidade dos senadores, dos governadores e do presidente da República que vocês elegem para que a gente melhore ou para que a gente piore. Cada um de vocês sabe o que acontece.

Cada um de vocês sabe que nunca deu certo colocar raposa para tomar conta de um galinheiro. Por mais que a raposa pareça mansa, por mais que ela diga que não vai morder, ao colocar a raposa dentro do galinheiro o resultado será que ela vai comer todas as galinhas que estiverem lá dentro. Vocês sabem que para cuidar do povo pobre deste país, para cuidar das pessoas que mais necessitam é sempre uma luta sem trégua. É sempre um trabalho muito árduo, nós temos que vencer muitas barreiras.

Vocês estão lembrados quando nós criamos o Bolsa Família, que era chamado Fome Zero, eram só R$ 50. Eram só R$ 50, mas nós tivemos que enfrentar durante muitos meses gente dizendo que o Lula vai criar um bando de vagabundo que não quer trabalhar, que vão viver agora as custas do projeto Fome Zero. “As pessoas agora não querem trabalhar por conta do Bolsa Família.”

“As pessoas dizem que ninguém quer trabalhar por causa do BPC [Benefício de Prestação Continuada], por causa disso ou daquilo.” E eu respondo: uma pessoa vai querer trabalhar quando receber um salário decente e quando tiver uma jornada digna. É isso que faz qualquer ser humano querer trabalhar. Porque ninguém gosta de viver de favor. Ninguém gosta de viver a vida inteira de políticas públicas.

A coisa que mais dá orgulho a uma pessoa é ter uma profissão, é poder trabalhar -- ele, ela, homem, mulher -- e, no final do mês, levar para sua família o fruto do seu trabalho, do seu suor, do seu esforço. É isso que as pessoas precisam entender: é isso que nós queremos. As pessoas têm que entender que é isso que nós defendemos.

Porque as pessoas acham que o cara é vagabundo porque está recebendo auxílio-defeso. “Ah, o cara é vagabundo porque está recebendo seguro-desemprego.” Tudo o que é política criada para minimizar o sofrimento das pessoas transforma essas pessoas em vagabundas. Transforma a pessoa em alguém inidôneo. Transforma a pessoa em alguém que está cometendo um ilícito. Quando, na verdade, o que nós queremos, pura e simplesmente, é garantir a todo e qualquer brasileiro e a toda e qualquer brasileira, independentemente da idade, da cor, da religião, o direito de tomar café da manhã, almoçar, jantar, ter acesso à cultura, ter acesso ao emprego, ter um trabalho decente e ter o direito de aprender uma profissão.

Vocês sabem o que é uma pessoa com profissão e uma pessoa sem profissão. Eu digo sempre, antes de a gente criticar um morador de rua, antes de a gente chamá-lo de vagabundo, é importante que a gente saiba por que ele foi parar na rua. Possivelmente a causa que o levou para a rua é por conta do comportamento deste que o chama de vagabundo, que, na verdade, não se comporta com respeito à dignidade humana que todo mundo deveria se comportar.

E este país, mesmo a gente diminuindo a desigualdade no maior nível da história, ainda é um país muito desigual. Os ricos ainda são muito ricos, mesmo a gente aprovando agora o não pagamento do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. É preciso fazer mais, porque ainda há muita concentração de renda neste país.

E nós estamos apenas começando a fazer a transformação que este país precisa. E vamos fazer. Vai custar, mas nós vamos fazer. Vai dar trabalho, mas nós vamos fazer. Vai ter muita reunião, muita conversa, muita reunião com deputados e senadores. Não tem problema, mas nós vamos fazer. Porque fazer as coisas para mim é uma profissão de fé.

Não é um programa de governo. É que este país pode ter. Este país tem condições de melhorar muito a qualidade de vida das pessoas. De fazer com que as pessoas voltem a ser solidárias. Nós vamos acabar com essa coisa do ser humano, de estar virando algoritmo. Em que ele está perdendo a solidariedade, a fraternidade.

E muitas vezes a gente se esquece que, se não recuperarmos o humanismo que existe dentro de nós, será muito mais difícil construir a sociedade justa que todos nós sonhamos em construir.

Queridas companheiras e queridos companheiros, hoje é um dia em que eu estou muito feliz. Porque, a cada dia que se passa na minha vida, eu tenho que provar que alguma coisa boa pode acontecer.

Eu sempre conto a minha história para que as pessoas não se esqueçam. Eu nasci em uma região do país e numa época em que, possivelmente, muitas crianças morriam de fome antes de completar 5 anos de idade. E, naquele tempo, quando alguém morria sem ser batizado, era enterrado como pagão. Quem é nordestino sabe do que eu estou falando.

Eu vim para São Paulo agarrado no rabo da saia de uma mãe que tinha oito filhos, que deixou Pernambuco para vir à procura do marido. Ele tinha ido embora e deixado minha mãe grávida de mim, em fevereiro de 1945. E eu só fui ver o meu pai quando tinha 7 anos de idade.

Quando chegamos a São Paulo, depois de 13 dias de viagem em um pau-de-arara, comendo rapadura e farinha e tomando água sem tratamento do Rio São Francisco, minha mãe, que acreditava que encontraria o marido que ela amava, encontrou meu pai casado com outra mulher, já com mais quatro filhos. Minha mãe não se desesperou.

Minha mãe tomou uma decisão: “Eu vou criar meus filhos sozinha.” E ela teve a coragem de deixar meu pai e criar oito filhos por conta própria. Cada um de nós faria aquilo que soubesse fazer. E eu entro nesse assunto agora porque vou tratar de outro tema, ainda mais grave: a violência contra a mulher brasileira ou contra a mulher no mundo. E eu não quero misturar os assuntos.

Eu só quero dizer às companheiras e aos companheiros do SUAS, aos assistentes sociais que trabalham neste país, que o trabalho que vocês fazem é, possivelmente, muito mais digno e muito mais importante do que o salário que recebem. Muito mais.

Mas a história se repete: quem paga acha que é muito; quem recebe acha que é pouco. E assim a gente passa pelo planeta Terra sempre achando que ganha menos, enquanto quem paga sempre acha que está pagando mais. Eu sei que é pouco, porque eu sei o que é tratar dos outros. Eu sei o que é ter paciência. Eu sei o que é ter humanismo.

E eu queria dizer para vocês que o SUAS, possivelmente, seja uma das coisas mais importantes que nós criamos. E, se agora tem uma PEC para ser votada, e eu não posso prometer nada, porque eu sou presidente da República, é preciso que a gente, pelo menos, estude qual é a viabilidade econômica de termos um recurso fixo, para não precisar ficar brigando pelo orçamento todo ano.

E eu acho que, pelo trabalho que vocês apresentaram por este país nesses anos todos, vocês ganharam respeitabilidade. Vocês ganharam credibilidade. E vocês passaram a ser uma referência neste país para que a gente possa mostrar ao mundo que nós não somos melhores do que ninguém. Mas não tem ninguém melhor do que nós também. Nós somos no mínimo iguais.

Agora, companheiros, eu queria entrar no assunto que começou a ficar mais caro porque ele começa a aparecer com mais velocidade nos meios de comunicação.

Eu disse lá em Pernambuco que eu me levantei domingo passado, não este agora, o outro domingo, para tomar café com a Janja [Lula da Silva, primeira-dama do Brasil]. E, quando chego à mesa do café, a Janja estava chorando. Eu perguntei o que tinha acontecido. Uma mulher havia sido arrastada pelo ex-namorado por mais de um quilômetro, quem sabe vingança, por estar conversando com outro.

Depois, eu vi outra notícia: em Recife, um cidadão pegou a sua mulher, grávida e com mais três filhos, e teve a coragem de trancá-la dentro de casa e tocar fogo. Um outro cidadão resolveu descarregar duas pistolas contra a própria mulher. Ontem à noite, eu vi um cidadão, que é médico, bater na mulher no meio da rua.

E eu fico pensando: combater o feminicídio, combater a violência, é uma tarefa só das mulheres? Me perdoem, meus queridos companheiros homens, é uma responsabilidade nossa.

É uma responsabilidade nossa. Porque é muito raro, ou quase nunca, a gente ver uma notícia de mulher batendo no marido. Se, por acaso, acontecer, ele ainda fica com vergonha e não conta para ninguém. Nós temos um caso, lá em Alagoas, de uma mulher chamada Denilma Bulhões [primeira-dama do estado nos anos 1990], que batia no marido com uma toalha. Mas a verdade nua e crua é que a violência tem um lado só e esse lado é masculino.

Porque isso não é de agora, é milenar. O homem nasceu achando que é dono. Ele acha que, quando casa, é dono da mulher. Quando namora, é dono da noiva. Ele acha que as pessoas viram propriedade, como se fossem animais, ou como o senhor de engenho, que tratava os escravos como propriedade dele.

E eu acho que a gente só vai resolver esse problema quando assumir a responsabilidade de compreender que quem tem que mudar de comportamento não são as mulheres, são os homens. Nenhum homem, por maior que seja o motivo, tem o direito de levantar a mão para dar um tapa na pessoa que mora com ele.

A minha mãe dizia: “Meu filho, se um dia você brigar com a sua mulher e tiver vontade de bater nela, é melhor você sair de casa e deixar sua mulher viver tranquila. Nunca levante a mão para bater nela.” A minha mãe, que era analfabeta, que não sabia fazer um ‘o’ com um copo, tinha educação. E ela passou isso para os filhos dela.

E eu estou pensando que, aqui no Brasil, nós vamos ter que criar um movimento. Esses dias, eu fiquei feliz porque vi o Moisés [Selerges Júnior], presidente do sindicato de  [Metalúrgicos de] São Bernardo do Campo, na porta da Mercedes-Benz, falando para os companheiros homens que está na hora de a gente mudar de comportamento. Está na hora.

Porque muitos homens são covardes no bar, muitos homens são covardes na fábrica, mas quando chegam dentro de casa “viram heróis” e querem bater na mulher.

Então, é importante que a gente saiba que é uma questão que não é apenas de lei, porque se você analisar bem não tem como punir aquele cara aquele cara que deu 67 socos na mulher dentro do elevador. Nenhuma punição pode castigar um cidadão grosseiro como aquele. Então é um problema eminentemente educacional.

Nós vamos ter que começar a aprender na escola. Nós vamos ter que educar os nossos filhos porque o homem tem um defeito o homem quer que o filho dele seja machão. Às vezes, o pai já quer levar o filho com 14 anos para fazer sexo com a prostituta porque tem que provar que ele é homem e a mulher quer que case virgem. É educacional.

É preciso que nós mudemos nosso comportamento. Como é que eu criei os meus filhos? Como é que vocês criam os filhos de vocês? Como é que a gente aprende na escola? Não é normal o grau de violência contra a mulher, o assédio, a provocação, não é normal, não pode acontecer.

E muitas vezes as mulheres não fazem a denúncia porque elas têm medo de que a vingança seja maior. Ah, vai colocar a tornozeleira, o cara não poderá se aproximar da casa, mas quem está dentro de casa sozinha é a mulher e o safado aparece e quando ele aparecer, ele vai estar mais nervoso. Olha, se até um ex-presidente da República que tentou dar um golpe neste país tentou tirar a tornozeleira dele imagina se...

É muito importante que nós, homens -- e eu digo nós, homens, não porque eu não queira as mulheres nessa luta; é homem e mulher juntos --, mas eu digo nós, homens, porque vou convocar uma reunião com os Poderes da República. É importante envolver o Congresso Nacional, a Câmara e o Senado, a Suprema Corte, o Superior Tribunal de Justiça, os tribunais de justiça dos estados, os sindicalistas, os evangélicos. Eu preciso de todo mundo para fazermos um mutirão educacional, para que, quando um homem tiver vontade de levantar a mão para uma mulher, ele pegue os seus sapatos e bata na própria cabeça, e não descontar na mulher.

Porque a mulher não tem obrigação de levantar às duas horas da manhã para colocar comida para um cara que estava bebendo, ou para um cara que não consegue entrar no banheiro e fica gritando: “amor, minha cueca; amor, minha toalha”. Se essa mulher não leva, ela apanha. Então, Márcia [Lopes, ministra das Mulheres], é importante que o governo crie as condições para facilitar a denúncia, crie as condições de proteção. Mas a verdade nua e crua é essa.

Companheiros, aqui é só para os homens mesmo. A verdade é que nós temos que mudar. Nós, homens, é que precisamos mudar de comportamento, e isso a gente aprende na escola, a gente aprende no berço. Nós temos filhos, homens, e nós temos que educá-los desde cedo. As professoras e os professores têm que educar as crianças. A gente não pode deixar que isso se transforme numa coisa normal.

Nós precisamos despertar, no povo brasileiro e na humanidade, o direito à indignação. Nós temos que ficar indignados com a violência contra as mulheres.

Por isso eu queria vir aqui para dizer para vocês: durante muito tempo da minha vida, eu sempre achei que isso era uma questão de vocês, das mulheres. Porque, quando não toca na gente, quando a dor não é nossa, a gente tende a achar que “não é comigo”. Esse negócio de dizer que “briga de marido e mulher ninguém mete a colher” acabou.

Porque o que acontece? Se a mulher apanhar uma vez e não reagir, ela vai apanhar a segunda; se não reagir, vai apanhar a terceira; e, quando vê, aquilo vira um hábito.

E a violência não atinge só os pobres, não. Não é só na pobreza, na comunidade, na favela. É na classe média também. As pessoas têm vergonha de contar. Ninguém quer admitir: “Eu apanhei do meu marido”, porque o marido é médico, é dentista, é advogado, é engenheiro… Isso independe do dinheiro que tem no bolso; depende da educação que recebeu.

Companheiros e companheiras, eu vou dizer uma coisa para vocês: “Mulheres unidas jamais serão reprimidas!” Mas isso ainda é pouco. É uma coisa que está na nossa cabeça. Eu vou contar uma coisa para vocês. A mãe da Marisa [Letícia Lula, ex-primeira dama] era uma italianinha desse tamanho. Quando eu casei com a Marisa, ela dizia assim: “Minha filha, se um dia seu marido chegar aqui em casa bêbado, não brigue com ele. Coloque ele na cama e, no outro dia, às seis horas da manhã, você vá para cima dele. Porque, se você for brigar quando o cara está tomado de cachaça, ele vai ficar mais violento.” Essa foi a lição que uma velhinha italiana me deu.

Então, o que eu acho, gente, é o seguinte: nós temos que tentar mudar de comportamento. Eu não sei como é, sinceramente. Não sei. Não sei se vocês sabem. Mas eu acho que nós, juntos, podemos encontrar uma saída, sem transferir responsabilidades. Às vezes o cara bate na mulher e, com dois meses, está solto. E, se ele tiver dinheiro, então, ele nem preso vai.

É preciso que a gente mude. Eu quero dizer para vocês que estou assumindo a responsabilidade, como presidente da República, de criar uma situação de fato para ver se a gente consegue fazer uma reversão dessa violência. Eu sei que estamos numa época difícil para conseguir fazer reunião, porque está acabando o ano, todo mundo já começa a pensar em férias, em viajar. Mas eu vou tentar. Vocês podem saber que eu estou assumindo esse compromisso - como assumi em Pernambuco, depois na Petrobras, na cidade de Cupira e, depois, no Ceará, com as professoras. Agora, estou assumindo esse compromisso com vocês.

Eu vou fazer dessa luta a minha luta. Vou fazer dessa luta a minha luta. Não vou deixar de cuidar do que eu tenho que fazer. Eu vou governar este país, porque, se tem uma coisa que eu tenho orgulho de provar, é que, quando terminar o meu mandato, eu vou poder dizer que um metalúrgico, sem diploma universitário, é mais competente do que toda a elite brasileira que governou este país durante séculos e séculos.

Para terminar, eu quero que vocês saibam por que eu sou assim. Eu vou repetir porque quero que vocês aprendam, quero que vocês se convençam: eu não tenho formação para fazer o que eu faço. Eu faço o que eu faço porque eu não sou eu. Eu sou um pouquinho, uma célula de cada um de vocês, que juntas formam esse todo que me faz fazer o que eu faço.

Quando eu estiver fazendo, vocês podem ter certeza de que são vocês que estão fazendo. Porque, se não fosse a energia de vocês, se não fosse a disposição de vocês, se não fosse a confiança de vocês… Eu não vou esquecer os 580 dias de cadeia. Se não fosse vocês na rua, lutando para me libertar… Vocês acham que eu vou esquecer que o povo brasileiro teve coragem de votar em um semianalfabeto para ser presidente da República três vezes? Eu não vou. É por isso que eu faço questão de dizer: eu não sou eu. Eu sou vocês.

E é por isso que vocês têm que estar nessa luta. Cada vez que eu falo alguma coisa, podem ter certeza: eu estou pensando em vocês. Porque é para vocês — e foi por vocês — que eu fui eleito presidente da República. E é para nós que eu tenho que governar. Não é para a elite brasileira. É para o povo brasileiro. Então, meus companheiros e companheiras, eu quero que vocês saibam: eu sou um soldado.

Quais números têm para discar? Agora, nem toda mulher também, às vezes, disca 180, porque ela tem medo. Ela precisa discar no anonimato. Então, companheiras e companheiros, eu quero que vocês saibam: quando eu saí da cadeia, eu fui visitar o Papa Francisco. E, depois de visitar o Papa Francisco, eu fui ao Conselho Mundial de Igrejas. Eu queria começar uma luta para despertar a indignação da sociedade contra a fome. Porque o mundo produz duas vezes e meia a quantidade de alimentos que o ser humano consome. Então, por que as pessoas passam fome? No ano passado, o mundo gastou 2 trilhões e 700 bilhões de dólares em armas. Com 20% disso, a gente acabaria com a fome no mundo.

Então, eu queria indignar. Agora, eu acho que o nosso problema é indignar. A nossa humanidade, mas, sobretudo, o ser humano, o ser humano macho, com relação ao comportamento dele diante das mulheres. Porque muitas vezes isso não sai no jornal; só aparece quando acontece uma tragédia. Mas muita gente sofre,  aparece no jornal, e ninguém conta.

E é preciso que haja uma relação de confiança entre nós: o governo tem que confiar em vocês, e vocês têm que confiar no governo, confiar nas instituições, para que vocês possam fazer as denúncias. Porque nós temos que ir atrás. Não é normal. Eu, sinceramente, estou estarrecido com a quantidade e com o aumento da violência contra a mulher. Estou muito estarrecido.

Então, quero terminar a minha fala aqui dizendo para vocês: eu estou com 80 anos de idade. Eu estou para parar a minha luta política desde 1978, quando eu fui reeleito no sindicato, em 78, eu falei para a minha mulher: “Esse é o meu último mandato, eu vou desistir e vou cuidar de vocês.”

Aí eu inventei um partido. Eu, que não queria ser candidato a vereador, fui candidato a governador e perdi; candidato a deputado, me elegi; depois candidato a presidente, perdi; candidato a presidente de novo, perdi… E quando eu já estava cansado de perder, vocês me elegeram.

Então, estou com 80 anos de idade, mas vou dizer uma coisa para vocês: tem muita gente com 40 ou 50 que não tem 20% da causa que eu tenho para lutar por esse povo. Não é que eu tenha muita saúde — eu tenho uma causa, e quem tem uma causa não fica velho. Os anos passam, mas a disposição é a mesma. E é por isso que eu me sinto menino.

E vou dizer mais para vocês: nunca mais os negacionistas, essas tranqueiras que governaram este país, vão voltar a governá-lo. Nunca mais. Porque o povo não vai permitir. Nós não temos que permitir que o negacionismo volte a destruir este país.

Portanto, companheiros e companheiras, eu quero terminar, Wellington [Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil], dando parabéns ao trabalho que você faz; Márcia, ao trabalho que você faz

A todos vocês e, sobretudo, deixar um beijo no coração de cada mulher e de cada homem. Que Deus nos ajude a construir mais uma grande vitória neste país. Um abraço, gente, e até o próximo encontro, se Deus quiser.

Tags: Assistência SocialConferência Nacional de Assistência SocialSUAS
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