Pronunciamento do presidente Lula durante inauguração de maquete da Transposição do Rio São Francisco
Gleisi [Hoffmann, ministra das Relações Institucionais] o que é importante aqui, o milagre daqui é o seguinte, olha: em 1846, Dom Pedro II começou a pensar e fazer a transposição das águas do Rio São Francisco.
Eles contrataram um engenheiro alemão, que veio ao Brasil há 160 anos atrás. E o engenheiro alemão, depois de todos os estudos que ele fez, ele chegou à conclusão de que o melhor lugar para fazer a coleta da água era Cabrobó, em Pernambuco. Cento e sessenta anos depois, com toda a modernização tecnológica, com tudo que houve de avanço na engenharia, na transposição do São Francisco, o lugar que nós encontramos foi exatamente onde o alemão tinha feito há 160 anos. Numa demonstração da precisão da engenharia, sabe?
Deixa eu falar para vocês. Eu pedi para o ministro Waldez [Góes, da Integração e Desenvolvimento Regional] fazer essa maquete sobre a transposição das águas do Rio São Francisco, porque eu acho que essa transposição está se transformando na maior obra hídrica do mundo, tá?
Os números que ele deu são relevantes, não são apenas os canais que saem do São Francisco e pegam o eixo norte e o eixo leste. É a quantidade de açudes que são interligados por novos canais.
E alguns rios que estavam sem água, voltaram a ser perenes, porque a gente está atendendo aqui, por volta de quantos? Treze, 14 milhões de pessoas que vivem no semiárido. Hoje, muito mais, porque também vamos chegar em Fortaleza (CE).
Um cinturão das águas, acabando um problema crônico de Fortaleza por falta d'água. Então, quando estiver tudo pronto, o que vai acontecer? Essa é a parte principal. Qual é a parte mais importante? É quando os governos estaduais e os prefeitos fizerem com que essa água chegue no tanque, na pia, no chuveiro, para as pessoas poderem ter acesso à água. E também fazer com que essa água chegue aos pequenos e médios produtores rurais.
Tudo isso poderia ter sido feito há quase 200 anos. Não foi feito porque no Brasil, toda vez que a gente pensa em fazer uma obra de envergadura, sempre aparece alguém dizendo que custa muito. Investir na educação, custa muito. Investir para acabar com a fome, custa muito. Investir na saúde, custa muito. O que a gente nunca se perguntou é quanto custou não fazer no tempo certo as coisas que poderiam ser feitas.
Nessa transposição, alguns presidentes da República iam ao Ceará e prometiam fazer a transposição. Iam a Pernambuco e prometiam fazer a transposição. Iam à Paraíba e prometiam fazer. Iam ao Rio Grande do Norte, prometiam fazer.
Quando chegavam aqui na Bahia, a Bahia era contra. Quando chegavam em Sergipe, Sergipe era contra. Quando chegavam em Alagoas, Alagoas era contra, porque alguns políticos se achavam donos do Rio São Francisco, que é um rio nacional.
Ele não é de nenhum estado, ele é do Brasil. Então, nós entendemos que não era justo que um rio nacional deixasse de oferecer água para matar sede de milhões e milhões e milhões de pessoas, que ao longo desses anos todos, como a minha família, chefiada pela Dona Lindu, teve que sair de Garanhuns por conta da fome e da seca.
Então, quantos milhões de cearenses foram para a indústria da borracha no Acre e no Amazonas e no Pará? Quantos nordestinos saíram correndo da fome? E aqui tinha uma coisa mais grave. Eles inventaram coisas, vocês que são jovens não sabem, mas inventaram uma coisa chamada “frente de trabalho”. A frente de trabalho que não servia para nada. Não tinha uma obra estruturante que era feita na frente de trabalho. Eram os pobres tirando terra de um lado, colocando no outro e na outra seca tirava desse lado e voltava a terra para o mesmo lugar.
Então, isso aqui, isso aqui não foi um ato de coragem, não foi um ato de bravura, isso aqui foi um ato de brasilidade. Isso aqui foi um ato de reconhecimento de que não era justo alguém passar fome por conta da seca. A seca é um problema da natureza. A fome por conta dela é um problema de falta de responsabilidade de quem governou esse país durante muito tempo. Porque cabe ao governo evitar que a seca leve a sociedade à fome. Por isso que eu tenho muito orgulho disso aqui. Muito, Waldez, muito.
E eu acho que tem que colocar no papel quantos quilômetros de adutora, quantos quilômetros de canais, para as pessoas saberem que não existe nada impossível de ser feito no mundo quando alguém tem coragem de fazer. E é isso que nós demonstramos com isso aqui, para todo mundo saber.
[Fala do ministro Waldez Góes]
E todo dia aparece alguém pedindo um novo canal. O Hugo [Motta, presidente da Câmara dos Deputados] já pediu um canal de 23 quilômetros na Paraíba. Ou seja, não para nunca. Daqui a pouco, nós estamos trazendo água para encher o Oceano Atlântico.
[Fala do presidente Lula depois de experimentar o passeio com óculos de realidade aumentada]
Vocês não têm noção de como é bonito isso aqui.
É preciso, quando tiver os oito óculos, você fazer com que esse balão, o jornalista possa fazer essa viagem. Sinceramente, eu acho que é preciso você premiar a imprensa e, quando tiver os oito óculos, você fazer uma seleção pra fazer com que a imprensa possa fazer essa viagem que eu fiz. É uma coisa indescritível.
Vocês precisam ver. Sinceramente, vocês precisam ver. Porque isso aqui, na verdade, eu tenho dito ao Waldez, e eu pensei nessa maquete, porque é uma obra tão volumosa e tão boa pra melhorar a vida do povo, que ninguém sabe.
A única coisa que as pessoas sabem é a transposição do São Francisco. “Eu sou contra, porque sou contra”. Não, vocês têm que ver a magnitude disso. Para vocês compreenderem o que tá acontecendo numa parte esquecida do Nordeste, que é o semiárido. Quanto tempo a gente perdeu fazendo o povo sofrer, quando poderia ter resolvido isso há muito tempo. Então, custa dinheiro, gera emprego, gera salário e gera benefício para a população.
Eu, sinceramente, Waldez, eu falei para o Waldez que eu gostaria de fazer isso aqui e gostaria de fazer um documentário, A Transposição vista de cima, para que a gente pudesse mostrar para o Brasil inteiro o que é isso.
Se você chegar em São Paulo e falar de transposição, o cara pensa que é pegar um balde d'água, tirar e jogar em outro lugar. Não! Era preciso que visse. Tem coisas fantásticas nessa obra. Eu lembro que uma vez eu fui a Pernambuco e encontrei o seguinte drama: tinham feito uma explosão numa pedreira que tinha lá. E nessa explosão da pedreira, ao fazer uma visita, era um general que era responsável, porque era uma obra feita pelo exército, encontraram uma pedra semelhante a uma machadinha indígena. E o general ousou dizer, em voz alta: “Eu acho que é uma machadinha indígena”. Por conta dessa frase, a obra ficou parada nove meses para se estudar se era ou não uma machadinha indígena.
Então, houve coisas muito hilariantes para construir. Nessa obra, uma vez, tinha uma preguiça, um bicho preguiça numa árvore e era preciso derrubar a árvore. Tivemos que esperar dois dias para a preguiça descer, para a gente poder derrubar a árvore.
Tem coisas muito engraçadas. E eu acho que é importante, Waldez. Eu, sinceramente, quero fazer a viagem completa. Eu tinha até vontade de ir lá e fazer a viagem mesmo. De balão. É perigoso? Eu queria fazer a viagem de balão, mas eu vi que esse dia eu vi que na Turquia, qual é o lugar na Turquia que se utiliza muito balão? Capadócia. Então, eu tinha vontade de fazer uma viagem de balão. Mas, nesse dia, eu tive a notícia que caiu um balão e morreram as pessoas. Eu, então, fiquei com medo de ir. Porque eu quero viver até 120 anos. Eu já estou com 80 e eu não quero arriscar.
Mas, isso aqui, Waldez, é o seguinte: meu desejo, depois, é levar isso aqui para dentro do Congresso Nacional. Ficar naquele Salão Verde, Hugo Motta. Para os deputados verem. E dar esse óculos. Você precisava fazer essa viagem de óculos. Pode pegar os óculos agora e vai fazer a viagem ali. Vai fazer. É três minutos. Vai lá. Ensina ele a fazer a viagem aí e você vai ver que maravilha. É, sinceramente, uma coisa que vale a pena.
[Presidente da Câmara faz a experiência com os óculos em realidade aumentada]
[Fala do presidente Lula depois da experiência do presidente da Câmara]:
Você acha que você tem que gastar dinheiro na dívida quando você poderia pegar sua família e fazer uma viagem nesse balão para ver a transposição do São Francisco? É fantástico. Fantástico. Simplesmente fantástico. Agora eu poderia ter colocado um jumentinho ali embaixo para a gente ver. Uma cabrinha. Gleisi, você que é do Paraná, um estado que tem muita água, você precisava subir nisso aqui para ver. Subir no nosso balão. Pode virar um pouquinho o rosto para o lado, cara.
[Fala do presidente da Câmara, Hugo Motta]
Esse país é engraçado. O Sarney [José, ex-presidente da República] começou a fazer a Rodovia do Maranhão, a Ferrovia Norte-Sul. O Sarney, depois veio o Collor [Fernando, ex-presidente da República], depois veio o Fernando Henrique Cardoso, depois veio o Itamar [Franco, ex-presidente da República]. Quando eu cheguei, tinha 200 quilômetros feitos. Eu e a Dilma [Rousseff, ex-presidenta da República] fizemos todo o restante, até o Porto de Santos.
A Transnordestina, ela já existiu um tempo. Já existiu. Eu pensei em fazer a Transnordestina na campanha de 1989, atendendo um pedido de Miguel Arraes. A gente estava no Crato, e a gente vinha -- foi até engraçado --, eu fui visitar a mãe dele, que tinha 90 anos, e a gente foi para o palanque, e o palanque caiu. E no avião o Arraes falou: “Ô Lula, se você ganhar as eleições, faça a Transnordestina”. E eu botei na cabeça o que eu ia fazer. E já era para estar pronta.
Muita encrenca, muita coisa. Eu vou inaugurar o primeiro trecho agora. Em 2026, você vai andar de trem comigo. Você vai sair do Piauí e vamos chegar lá no Porto de Pecém. E depois a gente vai chegar mais um ano no Porto de Suape, porque estava parado. Então, essas coisas, se a gente não tiver determinação, a gente não faz.
Esse é o atraso do Brasil. E essa é a grandeza do PAC. Porque quando a gente pensa no PAC, você pensa em fazer uma estrutura de obra para o ano inteiro. Não tem tempo de o ministro entrar e fazer a obra dele. Eu vou fazer meu canal. Não, está projetado os canais.
Aí eu vou fazer meu portinho. Não tem, não. Não é República de ministro. É República Federativa do Brasil. Então, a gente tem um projeto. E todo mundo tem que cumprir aquele projeto. É por isso que a gente anda. E eu sou grato ao Waldez, porque ele tem trabalhado com muita competência nisso aqui. Muita competência, muita competência. Sem tirar a água do Apodi, Rafael [Fonteles, governador do Piauí] Sem tirar. E do Parnaíba também.
É isso, gente. Eu estou feliz. Hoje, na imprensa, eu disse que estava feliz, porque eu acho que estou vivendo um momento excepcional da minha passagem pelo planeta Terra. Com 80 anos, eu me sinto um cidadão pleno. E depois de tudo que foi aprovado no Congresso ontem, terminando de aprovar tudo que a gente tinha pra aprovar na questão tributária, que vai transformar esse país em outro país depois de 2027.
Depois de a gente aprovar todas as coisas que eram importantes para o país, receber de presente essa maquete, que eu tinha pedido já há muito tempo. Demorou mais a minha maquete do que a transposição do São Francisco. É, sinceramente, é muita alegria para mim, Waldez. É muita alegria. Eu, agora, eu quero, tenho fé em Deus, que eu quero fazer uma viagem de balão. Se tiver um balão bom, pode agendar. Eu tenho coragem. Eu tenho coragem de fazer uma viagem de balão.
[Fala do presidente da Câmara, Hugo Motta]
Sabe, a bem da verdade, é importante dizer que eu estava fazendo uma viagem com o Hugo e com o Davi Alcolumbre [presidente do Senado Federal], e eu estava dizendo pra ele que era necessário que a gente diminuísse a desoneração que favorece só os ricos. E ele falou pra mim: “Por que que a gente não faz uma desoneração linear?”. 10%. E foi feito. Foi feito. Parabéns. Parabéns. Sabe quem ganhou com isso? O povo brasileiro.
[Fala do deputado Hugo Motta]
Gente é o seguinte, para quem eu não ve r mais, Feliz Natal! Eu estou indo ainda, amanhã eu vou, eu vou de manhã, eu vou para São Paulo hoje, amanhã de manhã eu vou no chamado café com os catadores de materiais recicláveis que eu faço todo ano, depois eu vou para Foz de Iguaçu, inaugurar a nova ponte Brasil e Paraguai, depois eu vou fazer a reunião com o Mercosul e com a União Europeia, depois eu volto para Brasília e vou voltar aqui no meu balão para fazer mais uma viagem.
Se eu não ver mais vocês, Feliz Natal! Que Deus abençoe vocês! Feliz Ano Novo! E nós vamos voltar, esperem do jeito que a gente vai voltar, porque em 2026 será denominado o Ano da Verdade! O Ano da Verdade!