Pronunciamento do presidente Lula na inauguração da Ponte da Integração Brasil-Paraguai
Bem, queridas companheiras, queridos companheiros, queridos ministros e ministras, deputados, senadores, amigos da Receita Federal, amigos do DNIT [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes], amigos deputados estaduais, vereadores, prefeito da cidade, meus companheiros e companheiras, aqui está a nossa Receita Federal, aqui está a Polícia Rodoviária Federal e aqui está a Polícia Federal brasileira. Eu queria só repassar num minuto o histórico dessa ponte.
Companheiro Renan [Filho, ministro dos Transportes], as tratativas para a construção da ponte iniciaram-se em 1992, na assinatura de ata de entendimento entre Brasil e Paraguai. Eu não sei se o governo ainda era o Collor [Fernando] ou Itamar Franco, em 1992. Em 1994, já no governo Fernando Henrique Cardoso, não, em 1993 o acordo foi encaminhado para apreciação no Congresso Nacional, aí já era o Itamar Franco o presidente. A aprovação no Congresso Nacional ocorreu apenas em 1994, ano em que foi estabelecida a Comissão Mista Brasil-Paraguai.
Eu estou falando isso, o Celso [Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República] está balançando a cabeça porque ele estava no governo Itamar também como ministro das Relações Exteriores. A comissão foi retomada somente em 2005, já no meu primeiro mandato. O documento definiu também que os estudos técnicos e ambientais, projeto básico executivo e de engenharia ficariam sob a responsabilidade do Brasil.
Somente em 2012, portanto, sete anos depois que eu assinei o documento, o DNIT publicou o primeiro edital para a construção da nova ponte para a licitação, mas a licitação não prosperou por conta de divergências em relação aos valores do empreendimento. Novo edital foi publicado em 2014, mas a licença ambiental foi concedida pelo Ibama somente em 2017. Você, veja, que esse dilema começou em 92, nós já estamos em 2017 e nada da ponte ainda.
Nada da ponte, ou seja, oito anos até chegar a 2000, mais 17 anos, já são 26 anos discutindo essa ponte. Bem, em 2018, o Governo Federal encaminhou o pedido para a Advocacia-Geral da União para a construção da ponte, com financiamento da Itaipu Binacional. Além da ponte da integração, o pedido da Advocacia-Geral da União contemplava também a construção de uma ponte ligando Porto Murtinho, no Brasil, a Carmelo Peralta, no Paraguai, financiada toda pelo governo paraguaio.
Essa daqui, financiada toda pelo lado brasileiro de Itaipu, e a outra de Porto Murtinho, que é do mesmo tamanho, totalmente financiada pela Itaipu do lado paraguaio. Os novos convênios foram assinados em maio de 2019 e incluíram, além da ponte, o financiamento da perimetral do acesso conectado à nova ponte, que foi inaugurado pelo governador do Paraná, a perimetral. Ele poderia ter esperado para a gente fazer tudo de uma vez, mas ele tinha pressa e a verdade é que ele inaugurou uma obra financiada 100% com o dinheiro de Itaipu.
Eu quero explicar para vocês por que eu não estou aqui com o Santiago Peña, presidente do Paraguai. Ele não podia, na data de hoje, porque ele tem um problema em Assunção de ordem familiar, me parece, e eu não podia amanhã à tarde, porque eu termino o Mercosul e vou ter que viajar para Brasília. Portanto, como eu não podia amanhã à tarde, ele não podia hoje à tarde, o que aconteceu?
Eu inauguro o lado brasileiro, ele inaugura o lado paraguaio e ganham Brasil e Paraguai, porque a ponte vai estar definitivamente inaugurada. Qual é o pequeno problema que nós temos? O pequeno problema que nós temos é que, do lado brasileiro, a Polícia Federal já está pronta aqui, já tem a cabine dela aí. A Polícia Rodoviária Federal já está pronta para vigiar as estradas e a Receita Federal já está pronta também para cuidar dos paraguaios que querem ir para o Brasil e dos brasileiros que querem vir para o Paraguai.
Nós temos um pequeno problema, que é a falta de uma ponte num rio do lado paraguaio, que ainda não está concluída. E como tem uma cidade pequena, que os caminhões não podem entrar no centro da cidade, que vai avacalhar o trânsito da cidade, nós, então, resolvemos aceitar um acordo: a ponte vai funcionar à noite para caminhões, a partir de agora, de amanhã. E depois, a partir de janeiro, e vai poder passar ônibus também, à noite, para que a gente não entupa a cidade com veículo pesado.
Enquanto isso, o companheiro Santiago Penha vai trabalhando para que a ponte do lado paraguaio fique pronta, livre a cidade do transtorno, e aí nós estaremos 100% conectados com o Paraguai numa demonstração. Vejam que engraçado. Eu tive o prazer de construir a primeira ponte em 500 anos entre o Brasil e a Bolívia, lá na cidade de Brasileia, no Acre.
Eu tive o prazer de construir a primeira ponte em 500 anos entre o Brasil e o Peru, em Assis Brasil, no Acre. E agora eu estou tendo o prazer de construir a segunda ponte - porque a primeira começou em 1965 -, uma ponte mais poderosa, uma ponte maior, uma ponte maravilhosa, porque vocês vejam que ela não tem pilar, ela é totalmente livre, dá até para jogar snooker [sinuca] nessa ponte. Ou seja, numa demonstração de respeito do governo paraguaio e do governo brasileiro.
Só por essa ponte vai transitar alguns bilhões de dólares de interesse da economia brasileira e de interesse da economia paraguaia. Nessa ponte vai transitar o povo paraguaio para o Brasil e o povo brasileiro para o Paraguai, para fazer negócio, para trabalhar, para vender e para comprar. Isso significa que para nós, brasileiros, para nós brasileiros e para os paraguaios, o que interessa para nós é fazer com que as duas economias cresçam.
Porque em um ponto, o Renan disse: tem presidente querendo construir muro para o pobre não atravessar para o seu país. Tem gente querendo fazer guerra para permitir que o outro não passe para o seu lado. Nós aqui, latino-americanos, sul-americanos, paraguaios e brasileiros, queremos dizer ao mundo que nós somos da paz.