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SAÚDE
Discurso do presidente Lula durante inauguração do Centro de Radioterapia em Itabira (MG)
Eu, quando vinha no avião, disse ao companheiro Padilha [Alexandre, ministro da Saúde] que só ele e o prefeito [Marco Antônio Lage] falariam. Primeiro, porque a gente chegou atrasado. Segundo, porque a gente suspendeu o almoço. Terceiro, porque nós temos um encontro com muitos prefeitos em Belo Horizonte também para discutir os investimentos do Governo Federal no estado de Minas Gerais. Mas eu resolvi dizer umas palavras porque eu gosto de vocês. Porque vocês gostam de mim.
E eu queria começar cumprimentando os companheiros que estavam em Goiânia [GO], que estavam em Colatina [ES], que estavam em Marília [SP]e que estavam em São Luís do Maranhão [MA]. E eu queria, meu querido bispo Dom Marco Aurélio Gubiotti, presidente da Irmandade Nossa Senhora das Dores, aos companheiros de Itabira [MG], aos companheiros de João Monlevade, aos companheiros de outras cidades próximas a Itabira e aos companheiros que falaram em outros estados, dizer uma coisa muito simples e rápida. O que está acontecendo aqui hoje, Dom Marco, não é uma coisa qualquer.
Esse aparelho que está montado aqui, para que qualquer um de vocês, Deus queira que não tenham, mas, se tiver necessidade de fazer uma radioterapia, vão utilizar a mesma máquina que se o presidente Trump [Donald], dos Estados Unidos, precisar fazer uma radioterapia, ele vai fazer numa máquina igual a que vocês estão fazendo. Se o presidente Lula precisar utilizar uma máquina para fazer radioterapia, ele vai utilizar essa mesma máquina que vocês estão utilizando. Se o Papa precisar fazer radioterapia, ele vai utilizar essa mesma máquina que vocês vão utilizar.
O que significa isso? Significa que todos nós, dos mais humildes aos mais importantes, temos que ter os mesmos direitos e as mesmas oportunidades. Significa que uma sociedade humana que a gente quer criar não pode ter pessoas de primeira classe, que têm tudo, e pessoas de segunda classe, que não têm nada.
Ela não pode ter uma pessoa que pode pagar uma passagem de avião para fazer um tratamento em outro país e, ao mesmo tempo, deixar morrer as pessoas pobres que trabalham neste país por falta de acesso a uma máquina de tratamento.
O que está acontecendo aqui hoje é uma coisa que eu disse no meu primeiro discurso, quando eu fui eleito presidente em 2003. Vocês estão lembrados do que eu disse? Se ao terminar o meu mandato, cada brasileiro ou brasileira tiver tomando o café da manhã, almoçando ou jantando, eu já terei cumprido a missão da minha vida. Mas, obviamente que o povo não quer só comida.
O povo quer mais coisa. O povo quer ter um bom emprego. O povo quer ter um bom salário. O povo quer ter uma boa saúde. O povo quer ter uma boa casa. O povo quer se vestir bem.
Ninguém gosta de ser pobre. Ninguém é pobre por opção. Eu não conheço ninguém, Dom Marco, que diga: “Eu quero ser pobre”. Não conheço ninguém, não conheço ninguém. E todos aqueles que ousaram defender os pobres foram perseguidos, a começar por Jesus Cristo. Todo mundo sabe disso.
O que nós estamos fazendo aqui é dizer que este país não vai tratar as pessoas mais humildes -- os trabalhadores, as professoras, os comerciários, os frentistas de postos de gasolina, os metalúrgicos de João Monlevade e do Brasil inteiro, as comerciárias, os advogados, a classe média brasileira -- como se fossem cidadãos e cidadãs de terceira classe.
Nós temos direitos garantidos na Constituição. Portanto, o papel do governo é cumprir aquilo que diz a Constituição.
Todos nós somos iguais perante a lei, perante a Organização Mundial da Saúde, perante a Bíblia e perante as Nações Unidas. Então, o que nós estamos fazendo é dizendo pra vocês que este país nunca mais terá um presidente que deixou morrer a quantidade de gente que morreu por conta da Covid-19. Nunca mais.
Porque, se eu fosse presidente da República naquela época, e o Padilha fosse ministro da Saúde, eu duvido que a gente não tivesse salvado 70% ou 80% daquelas pessoas que morreram por falta de vergonha e de responsabilidade de um presidente que ficava na televisão imitando as pessoas com Covid, tossindo e zombando da saúde das pessoas que morreram neste país. Eu duvido.
Então, eu quero que vocês saibam: eu tive câncer na garganta em 2012. A coisa que eu mais senti, Elenita [Barbosa, usuária do SUS], foi quando meu cabelo começou a cair. Eu levantava de manhã e o travesseiro estava cheio de cabelo. Eu ia tomar banho, passava a mão na cabeça ou na barba e caía cabelo. Eu ia almoçar e começava a cair fio de cabelo e da barba no prato de comida.
Aí eu resolvi pegar a máquina e raspar tudo, para não ficar sofrendo no dia a dia com a queda.
E sabe quem me animou? A Dilma [Rousseff, ex-presidenta do Brasil]. A Dilma tinha tido câncer antes de mim e, quando eu comecei a reclamar da queda do meu cabelo, ela falou: “Ô Lula, isso vai voltar. O meu voltou; o teu vai voltar. O meu não voltou tanto quanto o teu, voltou mais fraquinho. Mas eu estou aqui com o que eu tenho — e já está de bom tamanho”.
Eu só quero dizer para vocês, gente, que nós precisamos tomar muito cuidado neste país. Vocês viram a experiência, destruir é muito simples. Falar mal dos outros é muito simples. Contar mentiras com o celular é muito simples. Se trancar dentro de casa e ficar passando zap (mensagens de WhatsApp) falando mal dos outros é muito simples.
Agora, construir… é muito difícil. Vocês, mulheres e homens que casaram, que construíram famílias, sabem o quanto é difícil cada tijolo que a gente põe na casa da gente; sabe o quanto é difícil cada caderno que a gente compra para os nossos filhos; o quanto é difícil realizar os sonhos que a gente tem em família. Porque todos os pais e todas as mães, eles querem mais para os filhos do que eles podem dar. É assim que a gente é. O maior desejo de uma mãe é que o filho estude, que tenha uma profissão. E se ele estiver com saúde, ele vai poder estudar muito mais.
Como é que uma jovem como esta pode ir para Belo Horizonte pegando a 381 (BR-381)? Prestem atenção: nesta semana, eu acho que hoje, inclusive, está acontecendo o leilão da 381. Vai ter um investimento de 14 bilhões de reais para que a gente faça a 381 voltar a ser uma estrada respeitada. Então, companheiros, eu só queria dizer isso: o que nós estamos fazendo aqui é garantir a vocês, mulheres e homens, trabalhadores e trabalhadoras deste país, um tratamento oncológico igual ao que qualquer pessoa rica deste país recebe. Vocês não morrerão mais por falta de respeito nem por falta de tratamento.
Eu quero parabenizar o Padilha, porque, em 2012, ele fez a maior compra de máquinas do mundo: 80 máquinas, Dom Marco. Prefeito, 80 máquinas.
E, pasmem: muitas delas só foram instaladas agora, quando ele voltou a ser ministro. Porque, neste país, as pessoas pobres são tratadas como invisíveis. Ninguém enxerga. Só enxergam em época de eleição.
As pessoas passam o ano inteiro jantando com empresários, almoçando com banqueiros e o pobre fica esquecido. Quando chega a época da eleição, o pobre é importante porque é a maioria, porque é quem tem mais votos. Aí todo mundo fica bonzinho e se elege.
Eu lembro que eu fui candidato em 2003 e eu dizia, o político Xuxa, aquele que agrada um minuto e depois esquece das pessoas. Tinha um ditado que a gente dizia na campanha de 2003, beijinho, beijinho, tchau, tchau. É assim que eles fazem com a gente.
Então eu queria que vocês soubessem, não será mais assim. É por isso que no mês passado a gente aprovou no Congresso Nacional a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais. É por isso que a gente aprovou o Luz do Povo, que quem consome até 80 kW não paga mais energia elétrica. E quem consome até 120 kw vai pagar apenas uma diferença pequena. É por isso que nós aprovamos agora o Gás do Povo. Até março estará concluída a entrega para todo mundo.
As pessoas que ganham menos não irão mais pagar gás, porque o governo vai fazer com que o gás chegue na casa de mais de 15 milhões de famílias, para que a gente possa tratar com respeito. É por isso que nós criamos o programa Pé- de- Meia, para garantir que nenhum jovem abandone a escola para ajudar no orçamento familiar. Se a gente não fizer assim, as coisas não andam neste país.
Por isso, eu estou feliz de estar aqui, em Itabira. Estou feliz de estar aqui com o prefeito, nosso querido prefeito de Itabira, com o bispo da cidade e com o povo desta cidade. Nós não estamos fazendo favor. Nós estamos dando a vocês o que vocês sempre deveriam ter tido neste país, ser respeitados pelas autoridades. Um abraço. Viva o nosso ministro Padilha. Viva o nosso SUS. E boa saúde para o povo de Itabira. Um beijo.