Pronunciamento do presidente Lula durante entrega de 2,8 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida em Imperatriz (MA)
Queridas companheiras e queridos companheiros do estado do Maranhão e da cidade de Imperatriz, a primeira coisa que eu queria falar, prefeito, é que o Fufuca [André, ministro do Esporte] já está dando ordem de pagamento aqui de R$ 1.432.500 para a construção da chamada Arena Brasil. Portanto, o dinheiro já está depositado agora, prefeito.
A responsabilidade passa a ser sua e do Fufuca. Portanto, eu quero vir inaugurar essa quadra no ano que vem.
Prefeito Rildo Amaral: O senhor vai jogar comigo.
Presidente Lula: Eu fui bom de bola, eu quase fui profissional.
Agora, gente, dê uma olhada. Eu, quando eu vim a Imperatriz, eu escolhi uma data, escolhi uma data. Eu não sei se vocês sabem, hoje eu estou completando oitenta anos de idade.
Olha, eu não comemoro meu aniversário dia 6 de outubro, porque tinha uma controvérsia entre a minha mãe e meu pai. Quando eu nasci, em 1945, meu pai já não estava mais em Pernambuco. Ele já estava em São Paulo. E vocês sabem que a gente que mora no meio do mato, para ir batizar leva tempo. E a gente não tinha registro, a gente tinha batistério. E eu não sei quem foi que errou, mas a minha mãe nunca aceitou a ideia que eu nasci dia 6 de outubro.
Ela disse que eu nasci dia 27 de outubro. A vida inteira, ela teimou que eu nasci dia 27 de outubro. E eu tinha em mim um dilema. Eu tinha um registro de nascimento, que era o batistério, e tinha minha mãe. E eu fiquei pensando em quem acreditar. Ora, quem me carregou na barriga foi minha mãe. Quem viu nascer o cabeçudinho dela foi minha mãe. Quem sentiu a dor do parto foi minha mãe. Então, eu sinceramente, com todo o respeito ao meu registro, eu comemoro meu aniversário dia 27 de outubro, quando eu vou completar 80 anos de idade.
Mas hoje, eu resolvi oferecer ao povo do Maranhão uma coisa importante. Eu tinha encomendado uma lua cheia, mas o companheiro Brandão [Carlos, governador do Maranhão], com ciúmes que eu ia falar da lua, pediu para uma nuvem maldosa esconder a lua. Mas a lua vai voltar, Brandão, e você vai pagar o pato aqui hoje.
Bem, gente, eu estou feliz e eu quero agradecer algumas pessoas aqui. Eu quero agradecer ao governador Carlos Brandão pela relação comigo, muito sincera, muito honesta. Eu quero agradecer aos ministros e às ministras de Estado: o André Fufuca, o Jader Filho [ministro das Cidades], a Sonia Guajajara [ministra dos Povos Indígenas] e a mãe da Sonia, Darli de Sousa Silva. A Sonia é indígena, mas quem é cacique é ela. É ela que manda no povo indígena. Quero agradecer ao querido companheiro Felipe Camarão, vice-governador do estado, quero agradecer à Iracema Vale, presidenta da Assembleia Legislativa do estado do Maranhão.
Quero agradecer aos senadores, ao companheiro Weverton [senador], que tem sido muito leal na relação com o governo, a companheira Eliziane Gama [senadora], que tem sido muito leal, e a companheira Ana Paula, que é uma senadora suplente do Flávio Dino e que tem trabalhado de forma extraordinária junto com o governo. Então, meus agradecimentos aos três senadores, duas mulheres e um homem do Maranhão.
Quero agradecer aos deputados e deputadas federais: Márcio Jerry, presidente estadual do PCdoB do Maranhão e vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, a Amanda Gentil, do PP do Maranhão, o Cléber Verde, do MDB do Maranhão, o Hildo Rocha, do MDB do Maranhão, o Juscelino Filho, do União do Maranhão, o Rubens Pereira Júnior, do PT do Maranhão.
Quero cumprimentar o companheiro Rildo Amaral, prefeito de Imperatriz, meu companheiro Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica Federal. Quero cumprimentar o Paulo Henrique Cordeiro, Secretário Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social. Quero agradecer ao Orleans Brandão, secretário de Assuntos Municipalistas do Maranhão, o vereador Aurélio Gomes, em nome de quem cumprimento todos e todas as vereadoras de Imperatriz também presentes aqui.
Quero cumprimentar os prefeitos e as prefeitas que estão aqui. Quero cumprimentar os empresários que participaram da construção do conjunto habitacional Residencial Canto da Serra. Quero dar os parabéns e dizer a Deus que eu espero que vocês sejam felizes. A Aliete Gomes Barbosa Pereira, a Claudiana Lima dos Santos, a Eliana dos Santos Pinto e o Valdean Costa de Sousa, que receberam as suas casas aqui hoje.
Minhas amigas e meus amigos.
Eu primeiro gostaria de pedir para o governador vir aqui, meu querido Jader, ministro, a Caixa Econômica Federal e o prefeito. Eu quero que vocês fiquem aqui, porque nós não estamos inaugurando um conjunto habitacional. Com 2.870 casas, nós estamos inaugurando uma cidade. Não é um conjunto habitacional, é uma cidade, porque tem muita cidade no Brasil que não tem 11 mil habitantes. Portanto, eu pedi para vocês virem aqui, porque é preciso que a gente assuma um compromisso.
As casas estão prontas, mas aquilo que nós precisamos fazer por vocês ainda não está totalmente acabado. É preciso que a gente tenha consciência de que as pessoas não precisam apenas de uma casa com telhado para se esconder do sol ou da chuva. As pessoas precisam de uma casa que dê a elas a dignidade que o ser humano precisa para viverem bem. Então, esse conjunto habitacional, não sei como é que foi escolhido para ser feito, mas ele é muito longe da cidade. Ele é muito longe da cidade.
Eu estava para vir aqui há quase oito meses atrás, eu me recusei a vir aqui, porque eu disse ao Jader: se a gente não assumir o compromisso de que a gente tem que ter algumas escolas de tempo integral naquele conjunto, se a gente não assumir o compromisso de a gente ter, não uma quadra, mas várias quadras de esporte nesse conjunto, se a gente não assumir o compromisso de ter escola de ensino técnico nesse conjunto, se a gente não assumir o compromisso de ter posto de saúde nesse conjunto, se a gente não assumir o compromisso de ter uma delegacia, e se a gente não assumir o compromisso de criar uma secretaria especial da prefeitura para contar nesse conjunto, eu temo que se a gente esquecer de vir aqui, isso aqui vai ficar deteriorado. Porque não basta casa, é preciso qualidade na casa que vocês moram para vocês poderem se sentir felizes.
Então, eu quero aqui, companheiro Brandão, companheiro prefeito, companheiro Jader, o compromisso. Eu me disponho, Brandão, a voltar aqui o ano que vem. Eu me disponho a voltar com você, com o prefeito, para a gente ver o que já foi feito. Porque é o seguinte: uma cidade de 11 mil habitantes tem muita criança. E se a gente não cuidar da educação e do lazer dessas crianças, a gente pode fazer com que o conjunto desse vire guerra de conjunto contra conjunto.
Se a gente não cuidar da educação, se não tiver muitas coisas para as crianças fazerem, muitos esportes, escola de tempo integral. Aliás, a gente precisa, numa cidade que faz um calor como essa, pelo amor de Deus, Jader, nós precisamos fazer um piscinão para essa molecada ter. Então, eu quero assumir o compromisso com vocês, fazer o que for necessário. Além das casas, a gente dar dignidade a essas pessoas para eles sentirem prazer no bairro em que eles moram.
Porque a casa é pequena, a gente não pode querer que essas pessoas cheguem do serviço e se tranquem dentro de casa e fiquem trancadas a noite inteira, não. É preciso dar ao bairro qualidade de vida. É preciso arborizar esse bairro. Arborizar, arborizar. A Caixa Econômica vai abrir linha crédito, mas tem que também financiar uma árvore, de preferência uma árvore frutífera. Aqui no Maranhão deve ter muita fruta, aqui no Maranhão.
Então, prefeito, nós temos que plantar. Por que eu estou dizendo isso, gente? Olha, quando eu cheguei de Pernambuco em São Paulo, eu cheguei em 13 pessoas. Nós fomos morar num quarto e cozinha. Um quarto e cozinha. A gente morava em 13 pessoas. O banheiro que a gente utilizava era o banheiro do bar. As pessoas bebiam no bar, iam pro banheiro, era naquele banheiro que a gente tinha que utilizar, minha mãe tomar banho, minhas irmãs tomarem banho.
Eu sei o que é o povo passar privação porque eu já passei, eu não li. Eu não li, eu não escutei, eu vivi. A primeira casa que eu comprei, em 1976, no Jardim Florence, rua Maria Azevedo Florence 273. A minha primeira casa com a Marisa era uma casa de 33 metros quadrados. Eu achei que eu estava realizando o meu sonho.
Eu fui morar nessa casa de 33 metros quadrados. Eu, Marisa, três filhos, a minha sogra e dois cachorros. Em 33 metros quadrados. Eu disse para a menina da casa, essa aqui tem 41 metros. É 42, ou seja, é 11 metros maior do que a casa que eu morei. E morei 10 anos naquela casa.
Então, companheiros, eu sei. Quando o povo fala para mim, a minha casa encheu d'água. Eu já acordei com um metro de água dentro de casa. Eu sei o que é rato dentro de casa, barata, cocô boiando. Eu sei o que é ter que levantar móveis para tirar a mãe da gente. Eu sei que esse conjunto aqui, como eu estou a fazer, era um alagado. Isso aqui perdeu mais de 100 casas, porque não tinha drenagem correta. Porque teve empresário irresponsável que fez isso, porque não respeitava o povo brasileiro.
Eu, por Deus do céu, eu não sei o que aquela praga que governou antes de mim veio fazer nesse país. Eu não sei. Por Deus do céu, eu não sei. Como é que alguém acaba com o programa do Minha Casa, Minha Vida, que é o maior programa habitacional já feito na história desse país. E nesse conjunto aqui, as pessoas mais pobres não vão pagar nada. A casa vai ser dada de graça para eles.
Nós agora, Fufuquinha, não tem mais vale-gás. Acabou o vale-gás, era no passado. Agora nós criamos o programa Gás do Povo. E 17,5 milhões de famílias, a partir de novembro, vão receber gás de graça em casa para ninguém precisar cozinhar em fogão a lenha ou fogão a álcool. Nós criamos o programa Luz do Povo. Vocês sabem que quem consome hoje até 80 quilowatts não paga mais energia. E quem consome até 120 quilowatts por mês vai pagar apenas uma pequena taxa.
Vocês sabem que nós aprovamos, e eu quero agradecer aos deputados, aprovamos por unanimidade, e eu acho que vamos aprovar no Senado, que quem ganha até R$ 5 mil não pagará mais imposto de renda a partir do ano que vem. Aqui nesse estado, Brandão, tem 237 mil crianças do Ensino Médio que recebem o Pé-de-Meia, porque eram meninos que desistiam da escola para poder ajudar no orçamento da família. A gente criou uma poupança, porque a gente não quer que as crianças pobres desistam da escola. A gente quer que eles estudem, porque filho de pobre quer virar doutor.
Este país pode ser um país muito mais justo. Esse país pode ser um país em que as pessoas não precisem receber ajuda do Estado para comer. Esse país vive um dos seus melhores momentos. A gente está vivendo um momento bom. É a melhor massa salarial deste país. O aumento do salário mínimo, Brandão, há sete anos não se fazia reajuste da tabela do imposto de renda. Nós agora, além de fazer reajuste todo ano, as pessoas até R$ 5 mil não pagam mais.
As pessoas sabem que quem criou o SAMU fomos nós. As pessoas sabem quem criou o Farmácia Popular. Quem toma remédio de uso continuado para diabetes, para hipertensão, hoje tem 40 e um remédio de graça para as pessoas. E agora criamos um programa chamado Agora Tem Especialista. Porque antes, Brandão, uma mulher pobre ia no médico, ela ia na UBS, e o médico dizia: “olha, a senhora precisa procurar o médico do coração”. E ela, então, ia no balcão e falava para a secretária: “secretária, o doutor disse que eu preciso do médico do coração”. A secretária olhava no computador e falava para a mulher: “olha, o especialista só daqui a um ano. Só daqui a dez meses”. E a mulher ficava em casa esperando um ano. Aí quando ela ia esperar um ano, ela ia no especialista.
Chegava lá e o cardiologista falava: “nossa senhora, dona Maria, a senhora está com um problema no coração sério, tem que fazer uma ressonância magnética. Tem que fazer um PET scan”. Aí ela chegava na moça: “o médico mandou fazer uma ressonância magnética”. A moça falava: “querida, só daqui a dez meses”.
Agora não vai ser assim. Nós estamos trabalhando para que, no máximo, em 30 dias as pessoas façam todas as consultas que tem que fazer e as pessoas tirem a radiografia que quiserem tirar. Porque pobre não é bicho. Pobre não é gente de segunda classe. Eu, presidente da República, faço check-up todo ano. Eu chego no hospital, aí me colocam 50 médicos do meu lado, um monte de máquina, eu entro na máquina um, na máquina dois, na máquina três. Por que o pobre não tem direito? Por que o pobre não tem direito?
Então, companheiros e companheiras, eu estou aqui com o coração muito aberto para vocês. Eu não gosto de utilizar a palavra governar. Governar é coisa chique. Eu gosto de cuidar das pessoas. Eu gosto de gente. Eu não esqueço nunca, quando a minha mãe chegou em São Paulo, ela veio atrás do amor dela, que tinha deixado ela grávida de mim em 1945. E quando a gente chegou em São Paulo, fomos ao armazém de café que ele trabalhava, qual não foi a surpresa da minha mãe?
Ele já tinha outra mulher e já tinha um monte de filhos. Que lição que eu aprendi com a minha mãe? A minha mãe nunca reclamou. Ela voltou para casa, pegou os oito filhos menores, com a roupa do corpo. A gente foi morar num barraco. Nunca mais ela olhou para a cara do meu pai e criou os oito filhos, três mulheres e cinco homens, e todos decentes, e o caçula dela virou presidente da República desse país. Porque dignidade e caráter, a gente não compra em shopping. A gente não compra em free shop. A gente não compra em lugar nenhum.
Caráter, a gente aprende dentro de casa, no berço que a gente nasceu, com a mãe e com o pai da gente. Por isso, é que eu estou feliz aqui. Esse conjunto ainda não é o conjunto que eu sonho. Esse conjunto pode ser melhorado. E eu tenho mais um ano e meio na Presidência e prometo a vocês, vou voltar aqui para inaugurá-lo outra vez com as coisas que nós temos que fazer para dar mais dignidade a vocês. Mais respeito, mais decência, porque o que importa para mim é a felicidade do ser humano. Uma mãe não quer riqueza. Uma mãe quer que o filho estude. Uma mãe quer que o filho tenha uma profissão. Uma mãe quer que o filho trabalhe.
E é para isso que a gente tem que fazer. Por isso, eu tenho orgulho, gente, de ser o único presidente do Brasil que não tem um diploma universitário, e sou o presidente que mais fez universidade na história desse país. Sou o presidente que mais fez Institutos Federais. E, junto com o Fufuca, nós vamos anunciar, ainda este mês, a Universidade do Esporte em Brasília. E vamos anunciar a Universidade dos Povos Indígenas, também em Brasília, para que a gente zere o compromisso que a elite brasileira tem.
Tem muita gente que fala: “nossa, Lula, os indígenas já têm 14% do território brasileiro. É muita terra para indígena”. Não é muita terra, não. Antes de Cabral chegar aqui, eles tinham 100% do território brasileiro. Não era 14%. E fomos nós que tiramos deles. Então, companheiro prefeito, se prepare, que eu vou vir aqui outra vez. Se prepare. E prepare a quadra. Vou lhe ensinar como é que se joga bola. Vou lhe ensinar.
Eu estou com 80 anos, mas não se engane com a minha idade. Não se engane, porque um pernambucano, parente de Lampião, não tem idade. Quando a gente tem uma causa, os anos passam. Mas a energia, eu falo para a Janja, eu tenho 80, energia de 30 e, sinceramente, outras coisas de 20. Tenho, tenho. E quero provar isso, quero provar isso trabalhando.
Porque eu tenho um compromisso nesse país. Enquanto tiver uma criança analfabeta, enquanto tiver uma pessoa sem ter o que comer, enquanto tiver uma pessoa sendo vítima de preconceito, o Lulinha estará na rua para defender a dignidade das mulheres e dos homens desse país.
Um abraço, gente, felicidade. Que Deus nos abençoe. Que Deus nos abençoe.
Um abraço. Gente, eu pedi a Deus, eu quero oferecer aquela lua para os homens e mulheres que se amam aqui na cidade de Imperatriz.
Um beijo, gente.