Pronunciamento do presidente Lula durante anúncio de investimentos da Petrobras e do Ministério de Portos e Aeroportos na Bahia
Olha, deixa eu dizer uma coisa pra vocês, nós não aprendemos mesmo. A gente poderia estar fazendo isso aqui mais rápido, mas vocês perceberam que vocês estão alegres, o pessoal daqui está alegre, porque nós estamos realizando um sonho que quase virou pesadelo.
É a segunda vez que eu volto à Presidência da República para dizer que é preciso retomar a indústria naval brasileira. E também voltei para dizer que a Petrobras é uma empresa, mais do que uma empresa de petróleo, a Petrobras é uma empresa de energia.
A Petrobras já tentaram desmontá-la muitas vezes. Quando não conseguiram privatizar a Petrobras, eles foram desmontando pedaços e vendendo pedaços da Petrobras, sob o argumento de que a Petrobras era deficitária, sob o argumento de que o petróleo ia acabar, sob os argumentos mais diversos possíveis. E eu estou convencido de que a Petrobras ainda não deu tudo o que ela tem que dar ao povo brasileiro.
Portanto, eu quero agradecer a companheira Magda [Chambriard, presidenta da Petrobras], e junto com a Magda eu queria chamar o Sergio Gabrielli [ex-presidente da Petrobras] aqui e o Armando [Tripodi, ex-chefe de gabinete da presidência da Petrobras] aqui.
Eu acho que chega um momento na vida da gente em que a gente precisa perder o medo de ser verdadeiro. Eu, quando cheguei à Presidência da República, eu disse para vocês que a gente ia tentar reconstruir esse país. Reconstruir porque quase tudo foi desmontado. O ministério dessa menina não existia mais. Não tinha mais Ministério da Cultura, não tinha mais Ministério do Trabalho, não tinha mais Ministério dos Direitos Humanos, não tinha mais Ministério da Igualdade Racial, não tinha Ministério da Mulher. Ou seja, eles foram desmontando o governo a pretexto de que eles eram sérios.
E conseguiram desmontar uma empresa do porte da Petrobras, dizendo que ela não precisava de investimento. E fizeram a venda da Eletrobras, que foi o maior trambique já feito na história deste país. Venderam uma empresa que eu tinha o sonho de transformar a Eletrobras na Petrobras do setor elétrico. Não foi possível.
E eu pedi para o Sérgio Gabrielli vir aqui, porque esse companheiro foi indicado presidente da Petrobras por mim, depois que o José Eduardo Dutra [ex-presidente da Petrobras] deixou a presidência para ser presidente do PT. E eu posso dizer para vocês que esse companheiro foi o mais extraordinário presidente da Petrobras de todos os tempos. E que a Magda, agora, vai ter a tarefa de ser melhor do que ele. E junto com ele, o Armando e outros companheiros foram perseguidos.
O que me dá pena é que, se você descobre que tem alguém que fez um mal feito na sua casa, você não vai punir a família, nem desmanchar a casa, você vai punir quem fez um mal feito. Se numa fábrica você descobre que alguém fez um mal feito, você não vai fechar a fábrica, você vai punir quem fez um mal feito.
No caso da Petrobras, eles não só fizeram uma mistureba muito grande, que tentaram envolver inocentes com pessoas que tinham cometido delitos, como eles resolveram destruir a Petrobras e desmoralizar vocês. Quem está de roupa amarela sabe o pão que o diabo amassou. Vocês eram chamados de corruptos nas ruas desse país, não podiam entrar em restaurantes deste país, porque tentaram passar a ideia da corrupção. E eu sou testemunha e boto a mão no fogo que esse companheiro jamais desviou um centavo da Petrobras em benefício dele. Jamais. E foi perseguido e está sendo perseguido ainda. Não está tudo resolvido.
Mas eu quero te dizer uma coisa, Sergio: não abaixe a cabeça, não abaixe a cabeça. Toda vez que alguém fala fulano de tal cometeu um erro. Eu chamo a pessoa e pergunto o seguinte aqui: só você sabe a verdade. Só você. Ninguém mais, a não ser Deus. Então, se você não fez o que estão dizendo, levante a cabeça. Levante a cabeça e vá brigar. Porque quem briga, conquista. Só não conquista quem não tem coragem de brigar.
Eu lembro como se fosse hoje quando tentaram me propor um acordo para eu sair da cadeia com tornozeleira. Eu disse: eu não tenho acordo. Porque eu não troco a minha dignidade pela minha liberdade. Eu não vou colocar tornozeleira, porque eu não sou pombo-correio e a minha casa não é prisão.
Portanto, eu quero dizer para o Zé Sérgio: tenha certeza, Zé, que haverá um dia que, além de mim, o povo brasileiro fará reconhecimento pela grandiosidade do trabalho que você fez na Petrobras. E eu briguei muito com ele. Ele era um que tinha dúvida se ia fazer sonda aqui, porque ninguém consegue fazer sonda, porque é mais fácil fazer naquilo... Eu falei: mais fácil o cacete, mais fácil. É mais fácil para a Petrobras, ela vai economizar 50 milhões de dólares, mas se gerar emprego aqui, eu vou gerar conhecimento tecnológico, vou gerar mão de obra, vou gerar salário, vou gerar imposto e vou gerar a coisa mais sagrada que é emprego.
E ele, humildemente, eu lembro para ele que eu falei para ele, aqui na Bahia, eu estava vindo de Pernambuco, foi aqui na Bahia mesmo, eu falei para ele: Zé Sérgio Gabrielli, eu vou te falar uma coisa: a caneta que assinou a tua posse é a caneta que assina a tua saída se você não comprar essa sonda para o Brasil.
E hoje eu quero reconhecer, você é uma das vítimas perseguidas desse país. Mas não abaixe a cabeça, porque eu te conheço. E você não só conquistou o meu respeito, como você merece o respeito de todo o povo da Petrobras e do povo brasileiro.
Bem, dito isso, era importante falar isso, o Armando também que está ali ao lado é outro perseguido.
Eu queria dizer uma coisa para vocês, gente. A gente sempre tem a oportunidade de escolher o mundo que a gente quer, o país que a gente quer. A política é uma opção de escolha. Todas as decisões que a gente toma são uma escolha, é como se fosse um simulado. Você tem várias alternativas e você tem que tomar uma, você tem que tomar uma. E o Rui Costa [ministro da Casa Civil] sabe, quem foi governo de Estado sabe, quem é prefeito sabe, a vida da gente é de tomar decisão. E na hora que você tomar decisão, você tem que dizer o que será e quem tem direito. Somente assim é que você governa. Neste país, antes de mim, as pessoas não tinham dificuldade de decidir, porque só decidiam para um lado. Só decidiam para um lado, não tinha política de inclusão social.
Os pobres nesse país, trabalhador só era lembrado na hora que fazia greve. Ninguém lembrava do trabalhador nesse país. Em 1939, pelo Getúlio Vargas…
[Falha na transmissão]
A CLT foi criada em 1943 por Getúlio Vargas. Em 1889, até a hora que nós chegamos na Presidenta da República, pesquise na internet e veja qual presidente da República fez coisas para o povo brasileiro, fez política de inclusão social, resolveu tirar o pobre da pobreza. O trabalhador só tem valor na época das eleições. Porque todo mundo trata pobre bem, porque pobre é a maioria. Mas depois que vem as eleições, o pobre é esquecido outra vez.
[Falha na transmissão]
Para vocês saberem, a gente decide que projetos de ação a gente quer fazer e se a gente usar a consciência da gente, a gente consegue fazer a maior revolução pacífica e democrática que esse país precisa que seja feita. É preciso acabar com os privilégios desse país para garantir que todos tenham direito. Não é possível… [falha na transmissão] reais por mês, pague 27,5% de Imposto de Renda e que um banqueiro, que fica nessas cooperativas aí, Fintechs, 12%.
[Falha na transmissão]
… do Ministério da Ciência e Tecnologia, senão eu vou voltar para a gente reajustar. Ou seja, esse país não se lembrava das pessoas. A gente tinha acabado com a fome em 2014, quando eu voltei tinha 33 milhões de pessoas passando fome e agora, esse mês, acabamos com a fome outra vez nesse país.
Portanto, companheiros e companheiras, nós fazemos muita política de inclusão social e eu queria pedir a compreensão de vocês para uma coisa. Eu queria que vocês pesquisassem. Eu não queria que vocês acreditassem em mim, eu gostaria que vocês pesquisassem quais presidentes da República, ao longo desses 200 anos, fizeram política de inclusão social. Eles em 100 anos, em 100 anos, fizeram apenas 140 institutos federais.
Nós, eu e a Dilma [Rousseff, ex-presidenta do Brasil], em 15 anos, vamos fazer 782 institutos federais nesse país e a Bahia vai ganhar mais nove. É muito estranho que eu seja o único presidente da República que não tenha diploma universitário e seja o presidente da República que mais fez universidade na história desse país e mais extensões universitárias. É muito estranho que eu seja o único presidente que não sabe falar inglês e poucos deles conseguiram a respeitabilidade.
E sabe por que eu conquistei a respeitabilidade? Porque caráter e dignidade a gente não aprende na escola, a gente não compra no shopping, a gente não compra no shopping. A gente nasce e conquista do pai e da mãe da gente. E eu tenho dignidade e caráter para me fazer respeitar.
Quando o presidente Trump resolveu gritar com o Brasil, os vira-latas desse país queriam que eu rastejasse atrás do governo americano. E eu aprendi com uma mãe alfabeta: não baixe a cabeça nunca. Se o pobre baixar a cabeça, eles colocam uma cangalha e você nunca mais consegue levantar a cabeça. O que aconteceu? Ninguém respeita quem não se respeita. Se vocês quiserem ser respeitados, antes vocês se respeitem. Porque se vocês não se respeitarem, ninguém vai respeitar vocês.
O que aconteceu? O presidente Trump, que parecia o inimigo número um, me telefonou na segunda-feira e disse para mim: “Lulinha, pintou uma química entre nós. Vamos conversar, vamos discutir”. Sabe?
E é bom que pintou a química mesmo, porque eu sei gostar de gente. Eu não sou daqueles que acham que tem ser humano 100% mau. Eu não sou daqueles que acham que tem 100% bom. O que a gente precisa é aprender a extrair das pessoas o que elas têm. Nós temos que aprender a gostar das pessoas, do jeito que a pessoa é e não do jeito que a gente quer que ela seja.
E eu gosto de vocês, sabem por quê? Porque eu não sou eu, eu sou vocês. Na verdade, quando eles falam que eu sou indestrutível, é porque eles sabem que derrotar um Lula é fácil. Derrotar dois é mais difícil, derrotar três é mais difícil, derrotar mil é mais difícil, derrotar um milhão é mais difícil e derrotar toda uma nação é impossível. Por isso, eles sabem, eles sabem do respeito que eles têm por ter. Então eu estou aqui com muito orgulho, vou até tirar o chapéu para vocês.
Estou aqui com muito orgulho, colocando uma empresa que vai gerar oito vezes mais emprego do que a Ford. Estou aqui para recuperar a indústria naval brasileira e dizer para vocês que os caras, não apenas um, os caras que deixaram o estaleiro dessa magnitude ficar parado deveriam ser presos, deveriam ser presos por causarem prejuízo à nação brasileira. São quase que nem o Netanyahu [Benjamin, primeiro-ministro de Israel] em Tel Aviv, na Faixa de Gaza.
Ou seja, isso aqui é matar gente, isso aqui é matar gente de desespero. Matar gente que fica sem saber o futuro, sem poder pagar a padaria, sem poder pagar a conta da luz, sem poder comprar uma roupa para a criança, sem poder comprar um presente, sem poder comprar o material da escola. É isso que eles gostam de fazer e é isso que eu acho que não deve ser feito.
Esse país é muito grande, gente. Esse país é muito poderoso. Esse país tem um povo extraordinário e o que a gente tem que fazer é tentar extrair do povo aquilo que ele tem de bom. É um povo lutador, um povo ordeiro, um povo pacífico, um povo amoroso. A gente não quer guerra com ninguém. Nem entre Vitória e Bahia a gente quer guerra. A gente quer que o jogo termine empatado para não ter vitorioso aqui na Bahia. É isso. O Jerônimo [Rodrigues, governador da Bahia] é do Vitória. E por conta dele eu virei do Vitória. Mas o Rui é do Bahia. E por conta do Rui eu vou virar do Bahia.
Então, gente, é o seguinte. Eu estou muito feliz. Muito feliz. Eu estou muito feliz, porque a gente conseguiu aprovar a Isenção de Imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil não vai pagar mais Imposto de Renda.
Estou feliz, porque a partir de agora irão receber gás gratuitamente em casa. Porque o gás sai da Petrobras a R$ 37 o botijão de 13 quilos e chega na casa das pessoas a R$ 130, a R$ 140, a R$ 150. Obviamente que não dá para a gente dar para todo mundo. Mas a gente vai dar para as pessoas mais necessitadas. Da mesma forma, a energia elétrica. Quem consome até 80 quilowatt por mês não vai pagar mais energia. E quem consome até 120 vai pagar menos. É esse país que criou o Pé-de-Meia, que na Bahia são quase 431 mil jovens que estão estudando. Porque queriam desistir da escola.
É esse país, do Minha Casa, Minha Vida. Esse país do SAMU, da Farmácia Popular. Esse país que faz com que a gente tenha milhões de jovens estudando em escola integral. Para que a criança possa dar ao pai e à mãe a tranquilidade de que pode trabalhar, porque seu filho está sendo cuidado. É esse país que aprendeu a andar de cabeça e vida. É esse país que sabe o que significa geração de emprego.
O que dá orgulho a um homem ou a mulher sair para trabalhar de manhã, voltar no final do mês com salário ganho às custas do seu suor. Porque ninguém também quer viver às custas do governo a vida inteira. A gente quer que as pessoas vivam do seu trabalho, com seu salário e de acordo com a sua profissão. Por isso as mulheres têm que estudar muito e os homens também.
Eu sei o que é procurar emprego sem profissão. E sei o que é uma mulher que não tem profissão também. Muitas vezes uma mulher é obrigada a morar com um homem a troco de um prato de comida. E ninguém pode morar com ninguém a troco de um prato de comida. A gente mora, porque a gente ama, porque a gente gosta e porque a gente quer estar juntos. É esse mundo que nós precisamos criar.
E eu tenho muito orgulho, porque eu fui criado por uma mãe analfabeta. Uma mãe que saiu de Pernambuco com oito filhos agarrados no rabo da saia. Foi para São Paulo para a gente não morrer de fome. Porque em Caetés, muitas crianças morriam antes de completar 5 anos de idade. Eu fui comer pão pela primeira vez com 7 anos de idade lá em São Paulo. E ainda comia pão velho porque a outra mulher do meu pai me dava pão velho para comer. E não me arrependo. Nunca fui um cara amargurado. Reclamão. A dona Lindu conseguiu criar a gente com decência e fez o caçulinha dela presidente da República desse país.
É isso que me dá orgulho. É isso. E o que me dá mais orgulho, companheiros, vocês mulheres que brigam tanto pela liberdade e pela independência das mulheres. A minha mãe largou meu pai com oito filhos pequenos. Nunca mais olhou para a cara dele e conseguiu criar os oito filhos. Porque a dignidade vale muito na vida da gente.
E eu queria terminar minha fala pedindo uma coisa para vocês. Eu vou ser homenageado na escola de samba Unidos de Niterói. E o samba-enredo da Unidos de Niterói é uma música em homenagem à chaga da minha mãe. E eu queria terminar essa minha fala, convidando vocês para no carnaval deste ano, depois de farrear um pouco na Bahia, vá no primeiro dia de carnaval, no sambódromo do Rio de Janeiro, assistir a entrada da Unidos de Niterói, com esse samba extraordinário, que eu quero que vocês ouçam agora. Vamos colocar?
Ô gente, vocês estão convidados, na abertura do carnaval no Sambódromo, para participar dessa festa da democracia lá no Sambódromo. Essa escola de samba era da Série B, ela subiu este ano para a Série A, e fez esse samba-enredo em homenagem à dona Lindu, E eu, sinceramente, tenho vontade de ser o porta-bandeira ou o mestre-sala. Vocês vão ver um homem com 80 anos, com energia de 30 anos.
Um beijo no coração, gente. E viva os trabalhadores da Enseada e viva os trabalhadores da Petrobras, e viva a indústria naval brasileira.