Presidente Lula fala em inauguração de usina de gás natural no Porto de Açu
Eu vim aqui em 2012 ou 2013, eu não era mais presidente da República, e eu fui convencido a vir aqui para conhecer o projeto de um porto que naquela época era tido como um porto faraônico, era tido como uma coisa tão exuberante, que as pessoas normais não acreditavam que pudesse acontecer um porto da dimensão do Porto do Açu.
E eu venho aqui 12 anos depois, 13 anos depois, e vejo que aquele mega sonho da construção de uma coisa diferente está acontecendo na prática, hoje, aqui nessa extraordinária cidade.
E é de se perguntar por que as coisas estão acontecendo?
As coisas só acontecem quando você começa a acreditar que é possível fazer as coisas.
Eu não conheço nenhum empresário estrangeiro, nenhum investidor estrangeiro que vai investir em um país que ele não acredite na política do país, que ele não acredite na economia do país e que ele não acredite nas coisas que estão acontecendo no país. Ninguém joga dinheiro fora, muito menos quem tem muito dinheiro.
Eu não sei se vocês percebem que para tornar minhas palavras verdadeiras, não sei se vocês já perceberam que só casa com comunhão de bens quem não tem bens. Já repararam, é só pobre que casa com comunhão de bens, as pessoas mais ricas não casam mais com comunhão de bens, as pessoas de casa já fazem contrato. O que é meu é meu, o que é teu é teu, o que a gente conquistar daqui para frente é meu e teu, mas pobre vai lá e casa com comunhão de bens. “O que você tem? Nada!”. A dívida para pagar o inteiro, na verdade, é o que a gente deixa.
Então, o rico pensa assim, o rico ele não coloca dinheiro onde ele não tem chance, porque ele só pode colocar dinheiro num lugar que ele imagina, depois de muita pesquisa de mercado, saber que o dinheiro dele vai ter um retorno acessível. Para isso, o que é que o Estado tem que garantir? O Estado não tem que ser investidor, o Estado tem que ser garantidor.
Então, o Estado tem que oferecer ordem política, tem que oferecer ordem social, tem que oferecer uma ordem econômica, uma ordem fiscal, tem que oferecer ordem jurídica e tem que vender uma coisa que eu considero muito importante: as pessoas acreditarem que as coisas vão acontecer de fato e de direito, chamada previsibilidade.
Quando você tem todas essas coisas juntas, as pessoas começam, então, a acreditar na possibilidade de fazer investimento. E se as pessoas encontrarem parceiros de outros países para trabalhar junto, acontece o que está acontecendo aqui.
Ou melhor, se tiver o Estado que tem o dinheiro para participar como sócio, também as coisas funcionam melhor. E é assim que nós começamos a fazer no Brasil.
Vocês estão lembrados, não faz muito tempo, eu penso que a memória de vocês ainda está muito fresca, a gente viveu um período de obscurantismo aqui no país. A gente viveu um período em que ninguém queria receber o presidente do Brasil e que ninguém queria vir visitar o presidente do Brasil.
Era uma coisa fantástica, porque nós saímos do Brasil mais alegre do mundo, o Brasil era considerado o país mais alegre do mundo, e o Brasil era considerado o país com mais esperança do mundo.
E, de repente, esse país caiu numa escuridão. Ninguém acreditava no Brasil, ninguém queria vir aqui e ninguém queria receber o homem lá. Ora, o que é que nós fizemos quando chegamos ao [à Presidência] do Brasil? A primeira coisa é a gente recuperar a credibilidade que esse país merece junto ao mundo. Nós fomos, na pior das hipóteses, a décima economia do mundo, na melhor já fomos a 6ª economia em 2008 e no meio nós podemos ser sempre a oitava economia do mundo, com viés de ser a 7ª.
Para isso, nós temos que acreditar em nós e fazer com que as outras pessoas acreditem em nós.
Nesses dois anos de governo, eu queria dizer para você o seguinte, eu já estive reunido com 54 países da União Africana; eu já estive reunido com 27 países da União Europeia; eu já estive reunido com 33 países da América Latina e do Caribe; eu já estive reunido com a China; eu já estive reunido com a Índia, já estive reunido com a Indonésia; já estive reunido com a Malásia; já estive reunido individualmente com muitos países europeus e já estive reunido com muitos outros países, inclusive muitas reuniões com os Estados Unidos, inclusive fazendo um acordo entre nós e os Estados Unidos na produção de energia renovável a partir do álcool.
E a gente tem muita coisa para falar lá fora, nós temos muita coisa para vender lá fora, não apenas os nossos produtos de exportação, mas as ideias desse momento que o mundo está vivendo em que a energia passa a ser o ouro do momento, porque só se fala em transição energética, só se fala em energia renovável e sustentável, só se fala em etanol, se fala em biodiesel, se fala em hidrogênio verde, se fala em uma série de coisas e todas essas coisas o Brasil tem de sobra.
E é aí que o Brasil pode ser o país mais importante nessa questão da transição energética. E agora inventaram uma nova coisa chamada: minerais críticos. Eu achava que crítico era nós, seres humanos, mas mineral crítico, fala mal de quê esse mineral? E aí o pessoal fala terra rara, tudo isso é coisa nova, que para um geólogo era coisa antiga, para nós normais do planeta Terra, tudo isso é novidade.
Aí eu fico sabendo que os Estados Unidos vão ajudar a Ucrânia, mas ele está querendo ter privilégio nos minerais críticos da Ucrânia. Esses dias eu li a matéria que os Estados Unidos têm interesse nos minerais críticos do Brasil. Ora, se eu nem conheço esse mineral e ele já é crítico, eu vou pegar ele para mim. Porque é que eu vou deixar para outro pegar?
Então, nós estamos construindo uma parceria dentro do Governo com a criação de uma comissão ultra especial, primeiro para que a gente faça um levantamento de todo tipo de riqueza que o Brasil tem no seu solo e no seu subsolo. Até agora, me parece, que nós só conhecemos o equivalente a 30%. Então, nós temos 70% do nosso território e das nossas riquezas que não foram ainda pesquisadas.
E nós temos que dar autorização para a empresa pesquisar sobre o nosso controle. A hora que a gente der autorização para uma empresa, que ela achar, ela não pode vender sem conversar com o governo e, muito menos, ela vai poder vender a área que tem o minério, porque aquilo é nosso, aquilo é de uma pessoa chamada povo brasileiro. E o povo brasileiro tem que ter direito de usufruir dessa riqueza que essas coisas podem produzir.
É simples assim! A gente não quer nada dos outros, a gente quer apenas garantir que aquilo que é nosso possa gerar riqueza para que esse país deixe de ser um país eternamente em vias de desenvolvimento e seja um país altamente desenvolvido.
É por isso que nós fizemos tantas universidades. As pessoas não sabem, mas fomos nós que fizemos a maior quantidade de universidades no Brasil desde que o Brasil foi descoberto. Fomos nós que fizemos a maior quantidade de escolas técnicas. O primeiro instituto federal foi fundado aqui em 1909, na cidade de Campos dos Goytacazes, pelo presidente da República da época.
Em 100 anos, eles fizeram 140 institutos. Nós, em menos de 15 anos, vamos entregar 782 Institutos Federais espalhados por esse país. Para a gente ver meninas como você, para a gente ver meninos como você, altamente qualificados do ponto de vista da sua formação profissional. Porque é a qualificação do nosso povo que vai garantir a competitividade do Brasil. A competitividade na produtividade, na escala e a competitividade na qualidade.
Porque não tem país do mundo que tenha se desenvolvido, que antes não tenha feito investimento na educação, na formação do seu povo. E é isso que nós estamos fazendo. É por isso que nós criamos um programa chamado Pé-de-Meia. Não sei se vocês já ouviram.
No ano passado, nós descobrimos, depois de uma pesquisa do IBGE, que 480 mil jovens do Ensino Médio desistiram da escola para ajudar no orçamento familiar. E eu fiquei me perguntando: que país vai para frente se a gente permite que meio milhão de jovens todo ano desistam da escola para poder ajudar no orçamento familiar? Então, nós resolvemos fazer um investimento.
Os meus adversários falam que é gasto. Eu digo, nós resolvemos fazer um investimento. Criamos uma poupança para que o jovem não saia da escola. O menino e a menina vão estudar, porque eles vão ter uma poupança, que vai dar um pouquinho de dinheiro para ele mensal, 200 reais por mês para ele, e no final do ano, mil reais, se ele passar e se ele tiver 80% de participação na escola. Com três anos, ele vai ter 9 mil reais. E o que é maravilhoso? É que acabou a evasão escolar dessas meninas e dos meninos da escola.
Bem, é por isso que nós fizemos uma parceria com todos os prefeitos deste país, com os governadores, para que a gente, até 2030, tenha no mínimo 80% das nossas crianças alfabetizadas até o segundo ano escolar. Porque hoje tem gente com 4 anos de escola que não foi alfabetizada. Então, é um crime.
É um crime contra a economia deste país, mas, sobretudo, é um crime contra a soberania deste país. Um país desse tamanho, com tanta riqueza, nós fizemos esse compromisso e vamos cumprir.
Da mesma forma que ninguém pediu para nós fazer o compromisso de acabar com o desmatamento na Amazônia até 2030. E é por isso que nós vamos fazer a COP30 lá, fazer no coração da Amazônia, porque tem muita gente no mundo que fala da Amazônia, mas não conhece a Amazônia.
Eu quero que eles se dirijam a Belém, participar da COP para conhecer o que é a Amazônia, ver as suas riquezas, mas também descobrir que embaixo de cada copa de árvore que a gente vê quando passa de avião, tem um extrativista, tem um indígena, tem um pescador, tem um pequeno trabalhador rural que precisa de dinheiro para sobreviver, senão ele vai desmatar ou vai facilitar o desmatamento para madeireiras criminosas. E isso a gente só pode fazer se a gente fizer as pessoas acreditarem e as pessoas tiverem dinheiro para sobreviver.
Da mesma forma que nós assumimos outros compromissos importantes nesse país. Por exemplo, a partir de agora, nesse país, quem consome até 80 quilowatts de energia não pagará mais nada de energia elétrica e quem consome até 120 [quilowatts] vai pagar apenas a diferença entre os 80% e os 40%.
Mais ainda, é por isso que nós vamos anunciar, não sei quando é que vamos anunciar, vai ter que ser logo, porque logo tá aí, é que as pessoas mais humildes deste país vão parar de pagar o gás a R$ 140 como pagam hoje. Vão parar. Não é possível que a Petrobras consiga tirar um botijão de 13 quilos por R$ 37 e a pessoa na sua casa compra 130, 140. Tem muita gente ganhando dinheiro, ou melhor, pouca gente ganhando dinheiro às custas do sofrimento de muitos.
Então, nós vamos garantir que 17 milhões de famílias mais pobres tenham o gás de graça para poder cozinhar o seu feijão e o seu arroz. As pessoas vão dizer “ah, mas isso é governar para o pobre”. Não é governar para o pobre, é governar para o rico, porque quando o pobre tem dinheiro, ele não vai comprar dólar, ele não vai depositar no Tesouro Direto, ele vai depositar na barriga dele, ele vai comprar o que comer.
Quando ele compra o que comer, quem vai ganhar é quem produz, e quem produz vai ganhar, mas também quem vende vai ganhar. Quando nós fizemos o Luz para Todos, aliás, eu não tenho falado no Luz para Todos. O Luz para Todos foi o maior programa de eletrificação que nós já fizemos na História desse país.
E muita gente falava “pô, mas o Lula só fica governando para os pobres, para os pobres”, e eu queria provar para eles que quando a luz chegava na casa de uma pessoa, você vai ligar a energia [para um] cara que mora sozinho no meio do mato, era muito caro levar poste. Nós começamos levando poste de cimento, que pesava mais de 1.200 quilos, depois nós começamos a fazer poste de madeira, que também pesava muito, aí nós fizemos poste agora de um material, não sei se é de amianto, uma coisa mais leve para a gente levar.
O que aconteceu? Quando o cara recebe um bico de luz em casa, o que acontece com ele? Ele vai comprar um televisor. Quem vai ganhar dinheiro? Quem produz o televisor e quem vende o televisor. Ele compra uma geladeira. Quem vai ganhar dinheiro? O cara que produz a geladeira e o cara que vende a geladeira. Ele compra uma bomba para tirar a água do poço. Quem vai ganhar dinheiro? Ele compra um motor para fazer farinha. Quem vai ganhar dinheiro? Ele compra um liquidificador…
Ou seja, no fundo, no fundo, o dinheiro do pobre volta imediatamente para a economia. E é isso que eu quero, eu quero que o dinheiro circule. Eu pego um exemplo aqui, companheiros. Aqui, por exemplo, vamos supor que aqui tenha mil pessoas. Vamos supor. Vamos supor que eu tivesse um milhão de reais e eu pegasse um milhão e desse para você.
O que você ia fazer com um milhão? O que você ia fazer? Você ia correr daqui. Ele ia correr daqui, ele ia depositar numa conta e ele ia ficar sozinho com um milhão. Todos vocês iriam ficar chupando o dedo. Agora, se esse milhão, ao invés de eu dar para ele, eu distribuísse R$ 200 para cada um de vocês, o que iria acontecer? Todos vocês iriam, no mesmo dia ou no outro dia, gastar esse dinheiro em alguma coisa de comida. O dinheiro começava a circular e todos viveriam melhor.
É esse país que eu quero construir.
Então, a minha tese econômica é a seguinte. Preste atenção. O Renan [Filho, ministro dos Transportes], o Renan é economista. Eu tinha vontade de ser economista. Eu não pude ser economista, mas eu tinha vontade porque economista de oposição sabe tudo, cara. Quando você está na oposição, você decora tudo. É impressionante como tem solução. Porque quando você é oposição, você só fala, “eu penso, eu penso isso e isso, eu acredito nisso, nisso e nisso, eu acho isso e isso e isso”. Isso é quando você é oposição.
Quando você está no governo, você não pensa, você não acha, você não acredita. Ou você faz ou não faz. Essa é a diferença básica. Então, eu fico só imaginando, gente, uma tese econômica que eu criei. Muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza. E pouco dinheiro na mão de muitos significa riqueza.
Significa uma sociedade vendo o dinheiro circular. É por isso que nós vamos aprovar no Congresso Nacional que quem ganha até R$ 7,2 mil, era até R$ 5 mil, parece que na emenda do Renan mudou para R$ 7,5 mil. Sabe, quem ganha até R$ 5 mil não pagará mais imposto de renda nesse país. Me parece que a emenda que o Lira [Arthur, deputado federal] fez aumentou para R$ 7,2 mil. Melhorou muito.
Mas, veja bem, o que é que nós estamos fazendo? Nós estamos pegando as pessoas que ganham acima de um milhão por ano. Alguém aqui ganha R$ 1 milhão? Só se tivesse um jogador do Flamengo aqui, senão... Que ganha por mês. Bem, aqui é o seguinte: quem ganha um milhão por ano vai pagar um pouquinho para que a gente faça com que as pessoas que ganham menos não paguem.
O que é que chama isso? Aumento de imposto? Não. Chama-se justiça tributária. É isso que nós estamos fazendo e é por isso que tem algumas pessoas chiando. Algumas pessoas. E quando eu venho na inauguração de uma termelétrica dessa, eu venho para dar exemplo de que eu tenho que sair do meu gabinete. No gabinete de um presidente, você não pensa que ter notícia é boa, não.
Só entra gente para pedir as coisas ou para reclamar. Então, quando eu vejo, sabe, inaugurar uma termelétrica que vai produzir 1,7 giga de energia, uma só que vai inaugurar um estado do tamanho do Rio de Janeiro, eu fico, eu vou lá para pensar coisa boa, para oferecer coisa boa, para passar notícia boa para a sociedade. Porque, senão, vocês ficam no telefone celular só vendo desgrafeiro o dia inteiro ou vendo mentira o dia inteiro.
Então, eu vim aqui para dizer para vocês que esse país que a gente sonha, onde meninas e meninos podem estudar, a gente pode construir o nosso sonho, a gente pode construir a nossa família, a gente pode viver livre com o que a gente quiser viver, a gente pode viajar, esse país está nas nossas mãos. Ele não está na mão de ninguém.
Ele depende muito do que a gente quer fazer ou não, da gente acreditar ou não. A gente não tem o direito de acreditar com incerteza, com dúvida.
Porque quem fica discutindo dúvida o dia inteiro não vai para frente, gente. A dúvida é para a gente confirmar a nossa certeza. A coisa ruim é para a gente ter coragem de fazer uma coisa boa. Nós somos provocados da hora que nós levantamos a hora que nós dormimos. Eu acredito, eu posso, eu vou fazer. Ou eu desanimo e falo “ah, está tudo muito ruim, é muito difícil, não vai dar certo. Ah, eu quero morrer”.
Aí ninguém vai para frente, gente. Nenhum país vai para frente. Esse país aqui, esse nosso querido Brasil, tinha ministros que viviam contando piada do Brasil aí fora. Tinha gente que ia lá fora para falar mal do Brasil. Vamos ver o que está acontecendo agora, para não falar de ontem. Vamos ver o que está acontecendo agora.
Vocês têm acompanhado no jornal o tempo inteiro. O que é que fez o filho do “coisa”? O filho do coisa, que é deputado federal, de forma sem vergonha, deixou a Câmara do Deputados, foi para os Estados Unidos, pediu para o Trump fazer uma taxação no Brasil, para não deixar o pai dele preso. Vocês acham que é correto?
A gente já tinha o tal do Silvério dos Reis que traiu o Tiradentes. Agora temos um cara que está traindo o povo brasileiro. Está traindo. “Não, Trump, taxa, taxa, porque estão perseguindo o meu pai. Pelo amor de Deus, taxa”.
Eu vou dizer para vocês, o pai dele não merece o sacrifício do povo brasileiro. Não merece. E ele não vai ser julgado pelo governo, ele vai ser julgado pela Justiça. Ele vai ser julgado. Então, é triste que tenha acontecido isso.
É muito triste. Porque a relação do Brasil com os Estados Unidos é uma relação muito séria. São 201 anos de relação diplomática, muito acertada e muito séria. Eu já me dei com Clinton [Bill, ex-presidente dos EUA], com Obama [Barack, ex-presidente dos EUA], com Bush [George W, ex-presidente dos EUA], com Hillary Clinton [ex-primeira dama e secretária de Estado dos EUA], com Biden [Joe, ex-presidente dos EUA], já me dei com todo mundo. Então, eu espero que o presidente dos Estados Unidos reflita a importância do Brasil e resolva fazer aquilo que no mundo civilizado a gente faz.
Tem divergência? Tem. Senta numa mesa, coloca a divergência do lado e vamos tentar resolver. E não de forma abrupta, individual, tomar a decisão de que vai mudar, taxar o Brasil em 50%. E isso é o filho do coisa e o coisa que estão pedindo para fazer. Ou seja, o cara que fazia a campanha embrulhado na bandeira nacional, “Brasil acima de tudo, acima de tudo”, e agora ele vai com a desfaçatez “Brasil acima de tudo, mas primeiro os Estados Unidos”.
É uma falta de vergonha, uma falta de caráter, uma falta de patriotismo, uma falta de patriotismo. Eu tenho dito o seguinte: com muita tranquilidade, o Brasil quer negociar, nós não temos contencioso com ninguém. O Brasil não tem. O último contencioso nosso foi a Guerra do Paraguai. Mesmo assim, porque o presidente do Paraguai da época invadiu Corumbá. Ele invadiu o primeiro Corumbá.
Mas nós não queremos contencioso, a gente não quer briga, a gente quer negociar, a gente quer fazer comércio.
Sabe quantos, vocês sabem quantos mercados novos nós abrimos, desde que eu tomei posse até agora? 398 novos mercados. Faltam dois mercados para completar 400. Quando completar 400 mercados, eu vou comemorar que nem o Pélé os mil gol dele. Porque não é fácil abrir 400 mercados.
É muita conversa, é muito telefonema, é muita carta, eu mando carta para todo presidente sobre todo assunto. Se tem uma coisa que ninguém me pega, é com preguiça de conversar. Porque Deus me deu uma boca e uma língua para falar, para falar e eu falo. Porque eu aprendi a falar, falo porque eu tenho que falar e porque eu sei a importância desse país.
Portanto, gente, eu queria dar os parabéns a vocês, parabéns a vocês da GNA [Gás Natural Açu]. Parabéns pela segunda, espero que façam a terceira, espero que façam a quarta, espero que façam a quinta, espero que façam a sexta, espero que não parem de fazer e espero que continuem dando prioridade às mulheres para que a gente possa ter [igualdade].
Hoje são 50%, me disseram aqui que são 53% de mulheres, eu espero que chegue a 100, a 80 e quem sabe um lugar só para nós sermos minoria uma vez, para a gente aprender como é ruim ser minoria. Aí a gente vai saber por que as mulheres têm razão de muitas vezes em nos criticar. Então, companheiros, eu quero terminar dando os parabéns.
Eu tinha um discurso para ler aqui, mas o discurso que eu ia ler não tinha nada do que eu falei, então eu preferi evitar. Eu quero agradecer à prefeita [Carla Caputi, prefeita de São João da Barra], obrigado por ter nos recebido aqui na sua cidade, prefeita. Obrigado aos companheiros ministros que vieram comigo [Márcia Lopes, das Mulheres; Renan Filho, dos Transportes; Sílvio Costa Filho, de Portos e Aeroportos; e Alexandre Silveira, de Minas e Energia] e, sobretudo, obrigado a vocês.
Acreditem em uma coisa, em se tratando de transição energética, o Brasil pode ser um país imbatível. O país pode ser. Vocês estão lembrados que outro dia a gente era importador de gasolina, estão lembrados? Pois é, o Brasil já virou exportador de gasolina outra vez. A gente ainda importa um pouco de óleo diesel, a gente importa um pouco de óleo diesel, mas a gente também está aumentando a exportação de petróleo.
E a gente não vai abdicar do petróleo por causa da energia limpa. Eu acho que no futuro a gente não vai precisar de ter combustível fóssil, mas enquanto a gente tiver e a gente não tiver energia limpa, a gente vai ter que utilizar o dinheiro do combustível fóssil para a gente construir a energia limpa, que é o que deseja todo ser humano no planeta Terra.
Por isso que na COP, eu tenho chamado a “COP da verdade". Eu quero que os presidentes dos países ricos venham aqui dizer se eles acreditam na ciência, se eles acreditam que os cientistas estão dizendo que o planeta está correndo risco. Porque se eles acreditarem, eles vão sair em acordo conosco.
Nós vamos cumprir o Acordo de Kyoto, nós vamos cumprir o Acordo de Paris e nós vamos fazer um bom acordo aqui no Brasil. Um bom acordo em que os ricos saibam que eles têm uma dívida com os países pobres. Nós somos oito países da América do Sul que têm floresta em pé. Somos o Congo, na África, e a Indonésia que tem floresta em pé. O resto já desmatou.
Então, agora, se eles querem que a gente garanta a nossa floresta em pé, eles têm que colocar din-din para que a gente possa garantir a vida de quem mora na floresta.
Um beijo, um grande abraço e parabéns a GNA.