Presidente Lula celebra a saída do Brasil do Mapa da Fome em ligação a Qu Dongyu, presidente da FAO
QU DONGYU, PRESIDENTE DA FAO – Meu companheiro, parabéns para o senhor, para o seu povo. Estamos realmente muito satisfeitos com essa notícia da segurança alimentar. Isso é muito bom para a sua população e é realmente uma conquista muito boa para o senhor, para o povo do senhor.
Estamos realmente muito orgulhosos de poder anunciar, durante essa reunião, que, obviamente, o êxito dos senhores é um êxito do mundo. Pois é a maior população da América Latina. E, bom, vocês também estão oferecendo a oportunidade para os seus colegas do mundo aprenderem com vocês. E é com isso que eu gostaria de parabenizá-los.
PRESIDENTE LULA – Meu caro amigo Qu Dongyu. Primeiro, a minha alegria de receber essa sua informação.
Você sabe que a luta para acabar com a fome no Brasil é quase que uma missão de vida que eu tenho, é uma profissão de fé. E meu sonho é criar uma campanha de indignação na humanidade, pois ainda temos 733 milhões de pessoas passando fome no mundo.
É uma vergonha para os governantes do mundo, já que o mundo produz alimento suficiente, mas as pessoas não têm dinheiro para acessar o alimento.
Eu lhe confesso que hoje é um dia muito especial para mim. Eu, quando assumi o governo em 2003, no meu discurso de comemoração da vitória, disse com todas as letras que, se ao terminar o meu mandato, cada brasileiro ou brasileira estivesse tomando café, almoçando e jantando todo dia, eu já tinha cumprido a minha missão de vida. E foi com muita tristeza que eu voltei à presidência em 2023, 15 anos depois de eu ter deixado a presidência, e ter encontrado o Brasil com 33 milhões de pessoas passando fome.
E eu assumi o compromisso que a gente ia acabar com a fome outra vez no Brasil. E graças a Deus, graças ao povo brasileiro, graças ao ministro Wellington [Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome], e às pessoas que trabalham com ele, graças a todos os ministérios que se preocupam com a questão do combate à fome no Brasil, [graças a] muitos prefeitos, muitos governadores, nós conseguimos acabar com a fome. Agora é preciso um pouco mais de esforço para que a gente possa não ter nenhuma pessoa [passando fome].
E eu estou feliz porque, quando você for divulgar os dados no próximo ano, que só entrar o meu mandato – 2023, 2024, 2025 –, posso te garantir que os dados estarão muito melhores.
Nesse balanço da ONU, a gente teve que carregar 2022, que era um ano muito ruim. Agora, meu caro, pode contar comigo porque, quando nós aprovamos no G20 a Aliança Global contra a Fome, que já tem mais de 100 países que vão participar dessa aliança, eu quero que você saiba que, com mandato de presidente ou sem mandato de presidente, eu serei um soldado mundial na luta contra a fome e a pobreza.
Não tem sentido que alguns governantes estão gastando 2,7 trilhões de dólares por ano de armas e não gastam a mesma quantia com comida e com preservação ambiental.
Então, eu quero que você saiba que eu sou um soldado do Brasil, um soldado da FAO e um soldado mundial para combater a fome no mundo. Muito obrigado pelas informações. E quero te dizer que, hoje, sou o homem mais feliz do mundo.
E vamos continuar trabalhando. E eu espero que as pessoas se interessem em saber o que aconteceu no Brasil. Porque, na verdade, meu amigo, para que a gente acabe com a fome e com a pobreza, é preciso colocar o povo pobre no orçamento do país, no orçamento do Estado e do Município.
O dia que os governantes fizerem isso, a gente vai resolver esse problema crônico da humanidade.
Eu tenho dito uma coisa todo santo dia: que muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza; e pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza. E somente assim nós vamos acabar com a desigualdade. Desigualdade no salário, desigualdade de raça, desigualdade de gênero, desigualdade de emprego.
E aqui no Brasil, meu caro, tem mais uma coisa importante: nós aprovamos uma lei garantindo igualdade entre homens e mulheres.
Se a mulher exercer a mesma função do homem, ela tem que ganhar o mesmo salário do homem. É assim que nós vamos mudar e melhorar a humanidade. Um grande abraço a você e a toda a diretoria da FAO.
E quero que você saiba que eu sou muito agradecido. Logo, logo, nos encontraremos pessoalmente, para eu lhe dar um abraço. E obrigado pelo trabalho que você está fazendo na FAO. Um grande abraço.
QU DONGYU – Muito obrigado. E [desejo] todo sucesso com a luta contra a fome, pois o senhor consegue fazer qualquer coisa acontecer. O senhor é um soldado, mas o senhor realmente é um comandante-chefe, na verdade. Pois o senhor mobiliza os seus colegas, o seu povo, para lutar contra a fome.
E como agência da ONU, fazemos a nossa parte. E, no próximo ano, nós vamos ao Brasil para ver o Brasil compartilhar toda a sua experiência na CELAC [Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos]. E, antes disso, eu espero que o senhor consiga também encontrar um tempo na agenda do senhor para vir para a comemoração de 80 anos da ONU que nós vamos ter em Roma.
PRESIDENTE LULA – Quando é que vai ser?
QU DONGYU – 16 de outubro, senhor presidente.
PRESIDENTE LULA – Não se esqueça que eu faço 80 anos dia 27 de outubro.
QU DONGYU – Então, podemos comemorar todo mundo junto e comemorar com os 20 mil participantes aqui em Roma. E aí o senhor pode nos brindar com o discurso dos 80 anos do senhor.
PRESIDENTE LULA – Quero que você diga, em inglês: a partir de hoje, o Brasil sai do mapa da fome.
QU DONGYU – Sim. O Brasil sai do Mapa da Fome de novo. Porque no seu mandato, você já saiu uma vez. E, agora, com a força da sua liderança, vocês saíram de novo.
Então, de novo, com comprometimento, determinação e o trabalho duro, você pode mudar as coisas em pouco tempo, e o Brasil é um exemplo disso. E a luta contra a fome é um direito humano fundamental, verdadeiro. E estou orgulhoso do senhor como grande líder e como bom amigo meu e da FAO.
“Obrigado” [em português].
PRESIDENTE LULA – Viva a Aliança Global Contra a Fome. E hoje eu vou dormir com a consciência tranquila do dever cumprido com o meu povo.
Um grande abraço.
QU DONGYU – Muito obrigado. E você pode viver até os 100 anos, pois vamos comemorar o aniversário da FAO juntos, se tudo der certo. Obrigado.
PRESIDENTE LULA – Muito obrigado, um abraço e boa noite. Boa noite, um abraço.