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Semana Ditadura, Arquivos e Memória debate acervos e direitos humanos no Arquivo Nacional
O Arquivo Nacional realiza, entre os dias 30 de março e 1º de abril, a Semana Ditadura, Arquivos e Memória, promovida pelo Centro de Referência Memórias Reveladas. A iniciativa reúne especialistas, pesquisadores e representantes de instituições dedicadas à reflexão sobre arquivos, direitos humanos e os chamados passados sensíveis, com foco na Ditadura Militar no Brasil e na América Latina.
A programação teve início na segunda-feira (30), com a aula aberta “Ditaduras em dois tempos”, ministrada por Thiago Mourelle e Luciana Lombardo, integrantes do Memórias Reveladas. A atividade abordou o uso de documentos e diferentes abordagens para a compreensão dos períodos ditatoriais.
Já no dia 31, a programação seguiu com a mesa “Memórias Reveladas e os arquivos da ditadura”, que reuniu a diretora-geral do Arquivo Nacional, Monica Lima, além de Thiago Oliveira, diretor de Processamento Técnico, Preservação e Acesso ao Acervo (DPT), e de Thiago Mourelle, chefe da Divisão Centro de Referência Memórias Reveladas.
Ao abrir a mesa, Monica Lima destacou o papel institucional do Arquivo Nacional na preservação da memória e na defesa da democracia. “Abrimos esta mesa para refletir sobre o papel dos arquivos na construção da memória pública e na defesa da democracia. O Arquivo Nacional, como instituição de Estado, tem a responsabilidade de preservar, organizar e garantir o acesso aos documentos produzidos pela administração pública brasileira”, afirmou. A diretora ressaltou ainda que esses acervos incluem registros de um período marcado por graves violações de direitos humanos, mas também por lutas, resistências e demandas por justiça e liberdade.
Já o diretor de Processamento Técnico, Preservação e Acesso ao Acervo, Thiago Oliveira, destacou iniciativas recentes da área e a importância de ampliar o acesso aos documentos como forma de fortalecer a transparência e a memória institucional. Em sua fala, destacou ainda: “O acervo do Arquivo Nacional é um componente fundamental para o estudo do período ao qual o Memórias Reveladas se dedica”.
Thiago Mourelle destacou a importância do engajamento contínuo na preservação da memória e na defesa da democracia. “É importante que a gente nunca deixe cair no esquecimento. Temos um dever, enquanto cidadãos e servidores públicos, de estarmos sempre engajados na defesa da democracia. Esse é o nosso objetivo”, afirmou, ao agradecer a equipe envolvida na organização do evento e a participação dos convidados.
Na sequência, a mesa “Arquivos e direitos humanos na Argentina e no Brasil” trouxe reflexões sobre memória, verdade e justiça a partir de diferentes experiências institucionais e militantes. A mediação foi realizada por Luciana Lombardo, que destacou os arquivos como espaços centrais na relação entre passado e presente. “Os arquivos são locais privilegiados de aproximação entre o passado e o presente e espaços centrais nos processos de enfrentamento das violações de direitos humanos cometidas pelas ditaduras latino-americanas”, afirmou.
Participaram do debate Maria Fabiana Almeida, integrante das Madres de Plaza de Mayo – Línea Fundadora; Cecília Coimbra, do Grupo Tortura Nunca Mais e da Universidade Federal Fluminense; e Isabela Costa, do Arquivo Central da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.
Isabela Costa apresentou o trabalho desenvolvido no âmbito da Comissão da Verdade da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), destacando o papel do patrimônio arquivístico da universidade como instrumento de ressignificação da memória e dos fatos históricos relacionados à ditadura militar no Brasil. Segundo ela, a iniciativa contribui para a democratização da informação e para o fortalecimento da memória social, por meio de ações de difusão cultural.
Em um dos momentos mais marcantes do encontro, Maria Fabiana Almeida compartilhou um relato sobre o desaparecimento de seu irmão durante a ditadura militar argentina e destacou a trajetória de luta das Madres de Plaza de Mayo. Ela ressaltou a importância da memória como ferramenta de resistência. “Temos que transmitir às próximas gerações o que aconteceu, para que não esqueçamos e para que nunca mais se repita”, afirmou.
Encerrando a mesa, Cecília Coimbra destacou a atuação do Grupo Tortura Nunca Mais, fundado por familiares de mortos e desaparecidos políticos e por ex-presos políticos. A pesquisadora ressaltou a importância da continuidade das investigações e das ações de memória para o fortalecimento dos direitos humanos no país.
A Semana Ditadura, Arquivos e Memória segue até o dia 1º de abril, com mesas-redondas, atividades formativas e a exibição do filme O Pastor e o Guerrilheiro, de José Eduardo Belmonte. A iniciativa conta com o apoio da Universidade Federal Fluminense e prevê a emissão de certificados para os participantes.