Mercosul – Vietnã
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Sobre o Acordo Comercial
O Vietnã é uma das economias mais dinâmicas do Sudeste Asiático e tem se consolidado como importante parceiro comercial do MERCOSUL. Nesse contexto, o bloco e o Vietnã iniciaram negociações com vistas à celebração de um Acordo de Comércio Preferencial (ACP), com o objetivo de fortalecer as relações econômico-comerciais, ampliar o acesso a mercados e fomentar os fluxos de comércio e investimentos.
O lançamento formal das negociações ocorreu durante a Cúpula do MERCOSUL realizada em dezembro de 2025, quando os Estados Partes e o Vietnã anunciaram o início do processo negociador. Desde então, as partes vêm conduzindo os trabalhos preparatórios necessários para o desenvolvimento das negociações.
O acordo em negociação deverá contemplar disciplinas voltadas à ampliação do comércio bilateral, incluindo temas relacionados ao comércio de bens, regras de origem, facilitação de comércio, medidas sanitárias e fitossanitárias, barreiras técnicas ao comércio, defesa comercial e outros assuntos de interesse comum, observados os objetivos e o nível de ambição definidos pelas partes.
Atualmente, as negociações encontram-se em fase inicial, com os trabalhos voltados à construção de um instrumento que contribua para o aprofundamento das relações econômicas entre o MERCOSUL e o Vietnã. A iniciativa integra a estratégia do MERCOSUL de ampliar sua rede de acordos comerciais e fortalecer sua inserção econômica na região da Ásia-Pacífico.
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Mandato negociador
As negociações entre o MERCOSUL e o Vietnã foram amparadas por dois mandatos negociadores distintos aprovados pelo Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (CEC-CAMEX), refletindo a evolução da percepção sobre a viabilidade e a ambição do acordo ao longo do tempo.
Mandato negociador de 2020
Em 2020, a CAMEX aprovou o primeiro mandato negociador para o início dos entendimentos entre o MERCOSUL e o Vietnã. O mandato possuía escopo relativamente amplo e inseria-se na estratégia de aprofundamento da inserção econômica do MERCOSUL na região da Ásia-Pacífico. A expectativa inicial era explorar a viabilidade de um acordo comercial abrangente, contemplando não apenas acesso a mercados para bens, mas também disciplinas regulatórias e temas horizontais tradicionalmente presentes nos acordos comerciais mais modernos celebrados pelo bloco.
Esse mandato serviu de base para a realização de contatos exploratórios, intercâmbio de informações e avaliação dos interesses ofensivos e defensivos dos Estados Partes. Ao longo dos anos subsequentes, contudo, tornou-se evidente a necessidade de calibrar o alcance das negociações em função das sensibilidades produtivas existentes no MERCOSUL, especialmente em setores industriais expostos à concorrência asiática.
Revisão do mandato em 2025
Em setembro de 2025, o CEC-CAMEX aprovou novo mandato negociador, substituindo a orientação anterior e redefinindo os objetivos da negociação. O novo mandato autorizou o início das negociações com vistas à construção de um Acordo de Preferências Comerciais (APC/PTA), caracterizado por liberalização gradual e seletiva, em vez de um acordo comercial de maior abrangência.
O novo mandato passou a orientar a negociação para temas considerados prioritários e politicamente viáveis, com foco em:
- ampliação do comércio por meio de preferências tarifárias;
- redução e eliminação progressiva de tarifas em produtos selecionados;
- facilitação de comércio;
- cooperação aduaneira;
- tratamento de barreiras não tarifárias;
- outras disciplinas comerciais diretamente relacionadas ao funcionamento do acordo.
A revisão do mandato refletiu também a preocupação de equilibrar interesses ofensivos e defensivos identificados junto ao setor privado brasileiro. A consulta pública realizada em 2026 evidenciou forte interesse exportador em setores como proteínas animais, café solúvel, couro, papel e celulose, mas também revelou preocupações significativas da indústria de transformação em relação a potenciais aumentos das importações provenientes do Vietnã.
Implicações para a negociação
O mandato de 2025 orientou diretamente a elaboração dos Termos de Referência (TdR) negociados entre o MERCOSUL e o Vietnã e serviu de base para a definição do escopo do futuro acordo. A abordagem passou a privilegiar uma liberalização comercial gradual, acompanhada de instrumentos de mitigação de riscos, incluindo regras de origem robustas, preservação dos mecanismos de defesa comercial e possibilidade de adoção de salvaguardas bilaterais.
Assim, a passagem do mandato de 2020 para o mandato de 2025 representa uma evolução da estratégia negociadora brasileira: de uma abordagem inicialmente mais ampla e exploratória para uma negociação mais focalizada, pragmática e compatível com as sensibilidades identificadas pelos setores produtivos nacionais. O mandato atualmente em vigor busca ampliar oportunidades de acesso ao mercado vietnamita, preservando simultaneamente instrumentos considerados essenciais para a proteção dos setores mais sensíveis da economia brasileira.
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Consulta Pública
Com o objetivo de ampliar a participação da sociedade e reunir contribuições sobre a eventual celebração de um Acordo de Preferências Comerciais (APC) entre o MERCOSUL e o Vietnã, foi realizada consulta pública, por meio da Circular SECEX nº 26, de 1º de abril de 2026, dirigida a empresas, entidades representativas e demais interessados.
A consulta permaneceu aberta até 15 de maio de 2026 e contemplou temas relacionados ao comércio de bens e a disciplinas comerciais potencialmente abrangidas pelo acordo, como regras de origem, barreiras técnicas ao comércio, medidas sanitárias e fitossanitárias, entre outros.
As contribuições encaminhadas pelos participantes permitiram reunir percepções e informações sobre oportunidades e desafios relacionados ao comércio bilateral entre o MERCOSUL e o Vietnã.
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Comércio Bilateral Brasil – Vietnã
Com uma população de aproximadamente 102 milhões de habitantes e um PIB nominal superior a US$ 510 bilhões, o Vietnã consolidou-se como uma das economias mais dinâmicas da Ásia. Após crescer 7,1% em 2024 e 8,0% em 2025, o país manteve um desempenho econômico robusto, impulsionado pela expansão das exportações, do investimento estrangeiro direto e da indústria manufatureira.
A corrente de comércio entre Brasil e Vietnã apresentou crescimento expressivo na última década, com forte expansão a partir de 2021. As exportações brasileiras aumentaram de cerca de US$ 1,3 bilhão em 2016 para aproximadamente US$ 4,0 bilhões em 2024, enquanto as importações alcançaram cerca de US$ 3,5 bilhões. Em 2025, observa-se leve retração das exportações, com importações praticamente estáveis, mantendo o comércio bilateral em patamar elevado e o Brasil com saldo comercial positivo.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Vietnã alcançou US$ 7,4 bilhões, refletindo uma relação comercial relativamente equilibrada, com exportações brasileiras de US$ 3,8 bilhões e importações de US$ 3,7 bilhões. O Vietnã representou 1,08% das exportações brasileiras, 1,31% das importações e 1,18% da corrente de comércio total do Brasil, ocupando a 21ª posição entre os destinos das exportações brasileiras, a 15ª posição entre as origens das importações e a 18ª posição entre os principais parceiros comerciais do país.
Comércio Bilateral Brasil e Vietnã - 2025
Dados de 2025
Exportações
Importações
Corrente
Valor
US$ 3,8 bilhões
US$ 3,7 bilhões
US$ 7,4 bilhões
Participação %
1,08
1,31
1,18
Ranking
21
15
18
Os principais produtos exportados pelo Brasil ao Vietnã foram milho, algodão, soja, trigo, fumo, café e carne suína. Entre os principais produtos de exportação do Vietnã ao Brasil, encontram-bens siderúrgicos, pneus, equipamentos de telecomunicação, equipamentos eletrônicos, máquinas e equipamentos, calçados e vestuário, pescados e veículos e autopeças, entre outros.
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Sobre o Acordo Comercial
