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COMUNICAÇÃO PÚBLICA
Conexões SICOM debate papel estratégico da comunicação no enfrentamento à violência contra as mulheres
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, esteve presente e destacou a importância dos profissionais de comunicação para o enfrentamento ao feminicídio e outras formas de violência - Foto: Vitor Vasconcelos/Secom/PR
Exercer uma comunicação qualificada para o enfrentamento à misoginia e fortalecer o papel estratégico das assessorias de comunicação do Governo do Brasil foi o objetivo da oitava edição do “Conexões SICOM – A transformação começa aqui”. Realizado nesta terça-feira, 3 de fevereiro, o encontro reuniu autoridades, especialistas e profissionais que compõem o Sistema de Comunicação do Governo Federal (SICOM) para debater o tema Brasil Contra o Feminicídio.
“Quem cuida das mulheres, cuida da sociedade. Quem pensa nas mulheres, pensa nas crianças, nos jovens, nos adolescentes e nas pessoas em todos os segmentos da população brasileira".
Márcia Lopes
Ministra das Mulheres
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, esteve presente e destacou a importância dos profissionais de comunicação para o enfrentamento ao feminicídio e outras formas de violência. “A política de mulheres é intersetorial, ou seja, nós estamos em todos os ministérios. E a comunicação é uma área absolutamente estratégica, porque é ela que assimila e que pode expor, de fato, o projeto que nós temos feito. É claro que vocês não têm todo o poder de mudança, mas vocês têm uma grande parte da responsabilidade de levar esse debate adiante”, ressaltou.
“Quem cuida das mulheres, cuida da sociedade. Quem pensa nas mulheres, pensa nas crianças, nos jovens, nos adolescentes e nas pessoas em todos os segmentos da população brasileira”, completou a ministra.
BOAS PRÁTICAS — A equipe de comunicação do Ministério das Mulheres também esteve presente. Durante a apresentação, Janara Souza, Eliane Barros, Ana Carolina Noveli e Luiza Saab elencaram exemplos de boas práticas de comunicação pública, mencionaram fontes seguras de dados e reiteraram a importância de questões regionais, geracionais e raciais serem levadas em consideração.
“Quando a gente fala de uma comunicação que aproxima, é uma comunicação que conecta essas mulheres às políticas públicas, seja informando ou mostrando como acessá-las. Não é só fazer política pública, mas saber comunicar para gerar confiabilidade”, destacou Carol Cassiano, coordenadora do Programa Antes que Aconteça, do Ministério da Justiça.
RACISMO ESTRUTURAL — Lena Garcia, diretora de Políticas de Ações Afirmativas do Ministério da Igualdade Racial, levantou como um dos pontos mais relevantes no debate o histórico racista do Brasil. “A comunicação que noticia o feminicídio com uma mulher branca e uma mulher negra ecoa de forma diferente para a sociedade. Isso traz outra discussão: a do racismo estrutural. É importante entender a singularidade e a especificidade dos grupos e sempre com a dimensão de classe, gênero, racial e étnica”, afirmou.
DIÁLOGO — Estela Bezerra, Secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, do Ministério das Mulheres, comentou sobre os diferentes tipos de protagonismo dos homens nos casos de feminicídio, dando ênfase na responsabilidade deles. “O homem que é agressor se esconde e o homem que não é agressor se omite. Nós precisamos ter diálogo direto com os homens. Os homens precisam se ocupar disso e não fazer de conta que o problema não é deles quando se fala de violência contra as mulheres”, declarou a Secretária.
Luiz Gustavo Pinheiro, publicitário, assistiu à palestra desta terça-feira e disse que o tema trazido pelo Conexões SICOM foi fundamental para levar a mensagem adiante. “Hoje eu levo comigo que a luta não é só das mulheres, os homens precisam fazer parte porque se não for toda a sociedade junto, não faz sentido. Eu vou divulgar as coisas que aprendi aqui hoje para o meu meio, porque se você divulga para duas pessoas e elas divulgarem para mais duas, você vai criando uma corrente gigantesca”.
A diretora de Planejamento da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), Patrícia de Almeida, enfatizou que o combate à violência contra a mulher passa necessariamente por uma mudança cultural profunda e pela união de diferentes setores da sociedade. "Nós juntamos aqui o Sicom para quebrar essa cultura do machismo estrutural. Precisamos de todos. Precisamos trazer toda a sociedade para essa conversa. A sociedade, os entes federativos, as empresas privadas, as instituições. Precisamos de todos vocês."
FRENTES ESTRATÉGICAS — Já a assessora especial da Secretaria de Relações Institucionais, Maria Helena Guarezi, destacou que o enfrentamento ao feminicídio precisa avançar em medidas concretas e urgentes. Ela apontou três frentes consideradas estratégicas para a proteção das mulheres no Brasil. "O cumprimento e acompanhamento das medidas protetivas, pois muitas mulheres, hoje, morrem exatamente com medida protetiva e a gente tem que dar serenidade a isso. A segunda coisa é o fortalecimento da rede de acolhimento. Nós sabemos que mulheres do campo, da floresta e das águas, por exemplo, quilombolas, às vezes, não têm acesso a isso. E a terceira, que diz respeito a cada um de nós, que é comunicação eficiente de informação, capacitação, mobilização, organização para o problema social brasileiro", ressaltou a assessora.
OUTRAS EDIÇÕES — O Conexões SICOM é uma iniciativa da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom/PR), coordenada pela Secretaria de Comunicação Institucional, que visa promover a formação continuada e incentivar a troca de experiências entre as equipes de comunicação dos ministérios e de outros órgãos do Executivo Federal.
Nas edições anteriores, a programação abrangeu temas relevantes como comunicação integrada, linguagem simples, combate à desinformação. planejamento de comunicação e comunicação antirracista.