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ON destaca protagonismo feminino no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência
No dia 11 de fevereiro é celebrado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, instituído em 2015 pela Assembleia Geral das Nações Unidas. A data tem como objetivo fortalecer o compromisso global com a igualdade de direitos entre homens e mulheres e ampliar a visibilidade de uma pauta que ainda exige esforços concretos: a participação plena e equitativa das mulheres nas áreas científicas.
Neste contexto, o Observatório Nacional (ON/MCTI) se une a instituições do Brasil e do mundo não apenas para celebrar a data, mas também para reforçar a importância da ciência e da igualdade de gênero como pilares fundamentais no enfrentamento dos desafios globais. Segundo dados da UNESCO de 2025, as mulheres ainda representam menos de um terço dos pesquisadores no mundo, o que evidencia que a desigualdade de gênero permanece como um entrave à qualidade, à relevância e ao impacto da ciência, tecnologia e inovação.
A promoção da equidade também é central para o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos no âmbito da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, em especial o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5, que busca “alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”. Nesse cenário, ampliar a presença feminina nas ciências não é apenas uma questão de justiça social, mas uma estratégia essencial para o avanço do conhecimento e da inovação.
O tema do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência em 2026 é “Sinergia entre IA, Ciências Sociais, STEM e Finanças: Construindo Futuros Inclusivos para Mulheres e Meninas”. A proposta destaca a integração entre inteligência artificial, ciências sociais, ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) e finanças como uma abordagem de quatro pilares capaz de acelerar o desenvolvimento inclusivo e sustentável, especialmente em um contexto de desigualdades crescentes.
Alinhado a esse compromisso global, o Observatório Nacional desenvolve ações voltadas à promoção da igualdade de gênero nas ciências. Como marco desta data, o ON lançará, no dia 11 de fevereiro, seu primeiro edital de iniciação científica exclusivo para estudantes do ensino médio que se identificam com o gênero feminino, o Programa ‘Meninas Cientistas do ON’, com o objetivo de estimular o interesse e a permanência de jovens do gênero feminino nas áreas de ciência, tecnologia e pesquisa desde a educação básica.
Em celebração à data, o ON também conversou com algumas de suas cientistas, que responderam à pergunta: “O que mais te motiva na sua atuação científica e por que é importante que mais meninas ocupem esse espaço?”
Dra. Simone Daflon dos Santos (Gestora da Coordenação de Astronomia e Astrofísica do ON – COAST): “Sempre sonhei em fazer pesquisa em astronomia e sou muito feliz por ter conseguido seguir a carreira que escolhi. Desejo que todas as pessoas tenham a oportunidade de trabalhar com aquilo que amam. Por isso, considero fundamental que pesquisadores e pesquisadoras mostrem aos jovens que a carreira científica é interessante e viável. Em especial, é importante que as meninas conheçam a ciência como uma possibilidade, para que possam escolher com liberdade e para que possamos construir um ambiente de pesquisa e de trabalho mais diverso e representativo da população brasileira.”

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Dra. Daniela Lazzaro (Coordenadora do Projeto IMPACTON e membro titular da Academia Brasileira de Ciências – ABC): “A possibilidade de ajudar a nova geração de pesquisadoras(es) a ser melhor do que a minha me emociona e me move todo dia. E para mim uma geração melhor é uma geração mais igualitária em termos de gênero e raça. Para tanto precisamos incentivar as meninas a seguir carreira nas áreas de ciências exatas, mostrar que elas podem, se assim o quiserem.

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Dra. Silvia Lorena Bejarano Bermudez (Tecnologista da Coordenação de Geofísica – COGEO): “O que mais me motiva na minha atuação científica é transformar pesquisa em ferramentas que aprimorem a estimativa e a compreensão das reservas de petróleo, integrando ciência e tecnologia com aplicações práticas no setor energético. A ciência se fortalece quando é feita com propósito, diversidade e abertura a diferentes formas de pensar. Nesse contexto, a presença das mulheres é fundamental, pois amplia perspectivas, enriquece o debate e torna a produção científica mais sensível às complexidades do mundo em que vivemos. Incentivá-las a seguir caminhos científicos significa ampliar oportunidades individuais e, ao mesmo tempo, transformar o futuro da própria ciência. Tornando assim a ciência mais diversa, mais inovadora e mais humana, capaz de promover desenvolvimento sustentável e justiça social."

- Dra. Silvia Lorena
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Dra. Lilianne Mariko Izuti Nakazono (Tecnologista da COAST): “Eu fui uma criança que se divertia com desafios de revistinha de banca de jornal. Hoje, tento resolver desafios que não possuem solução descrita nas últimas páginas da revista e fiz disso minha profissão. Pensar é ato libertador. Poder pensar é um privilégio. Que mais meninas e mulheres possam pensar sobre tudo aquilo que elas quiserem!”

- Dra. Lilianne Mariko
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MSc. Fernanda Araujo de Oliveira (doutoranda da COAST): “O que mais me motiva é poder contribuir para o avanço do entendimento do Universo. É importante que mais meninas atuem na Ciência porque durante séculos nos foi dito que as Ciências Exatas não eram para nós e, até hoje, somos minoria nos cursos universitários, nas pós-graduações e nos corpos docentes. Uma mulher cientista é também uma inspiração para as meninas, mostrando à elas que esse espaço também é nosso”.

- MSc. Fernanda Araujo
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Francielle Maria Antonio Silva (mestranda da COAST): “Desde os meus 11 anos eu sonhava em ser astrônoma e, mesmo encontrando poucas referências femininas, nunca me desmotivei. Na graduação em Astronomia, conviver com várias astrônomas trouxe um forte sentimento de acolhimento e pertencimento. No mestrado, porém, o número de mulheres diminuiu significativamente, o que deu um novo significado à minha trajetória. Ser mulher e astrônoma passou a representar não apenas a realização de um sonho, mas também a importância de continuar ocupando esse espaço. Isso é fundamental para que mais meninas encontrem referências e acreditem que esse caminho também é possível.”

- Francielle Maria
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MSc. Mariana Lopes da Silva Dias (Doutoranda DA COAST): “O que mais me motiva na minha atuação científica é a curiosidade em compreender o Universo e a possibilidade de transformar esse conhecimento em algo acessível, comunicando conteúdos complexos de forma simples. Fazer ciência também é compartilhar saberes com a comunidade, por isso, acho fundamental que mais meninas e mulheres ocupem o meio acadêmico, criando referências e mostrando às mais novas que a ciência é um espaço possível e diverso.”

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Dra. Marília Carlos (Pesquisadora da COAST): “A ciência é fascinante, e tentar entender como o universo funciona (porque as estrelas brilham, de onde surgiram os planetas, entre tantas outras questões) é a fonte de motivação para o meu trabalho como pesquisadora. Mas, acima de tudo, acho importante como mulher ocupar espaços de trabalho que são predominantemente masculinos. A diversidade no ambiente acadêmico não só beneficia a ciência em si (cabeças pensantes de diferentes realidades acrescentam pontos de vistas diversos), como também serve como exemplo de que se eu como mulher consegui ocupar esse espaço outras mulheres e meninas, futuras cientistas, também conseguirão. Quanto mais meninas e mulheres ocuparem esse espaço, mais plural a ciência se tornará.”

- Dra. Marília Carlos
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MSc. Madalena Nair Costa Maia (doutoranda do ON): “A minha motivação para ser cientista nasce da curiosidade pelo cosmo e da possibilidade de agregar, nem que seja um pouco, no conhecimento da humanidade sobre o nosso Universo. Sobre a segunda pergunta, pessoas como a Dra. Sonia Guimarães abriram caminhos para que cientistas como eu pudessem estar em um ambiente mais igualitário e saudável. Com certeza ainda há um bom caminho para percorrer, no entanto, a entrada e permanência de mulheres e meninas na ciência, permite a criação de comunidades que tornam a jornada mais sustentável, como também, torna possível uma organização mais ativa da luta pela diversidade e inclusão.”

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Dra. Rebeca Maria Batalha de Melo (Pesquisadora de Pós doutorado da COAST): "O que mais me motiva na ciência é seu impacto social a médio e longo prazo. A ciência não é apenas sobre resolver problemas imediatos, mas sobre construir, com método e técnica, caminhos sólidos para transformações duradouras e quebras de paradigmas. Mesmo na astronomia, frequentemente questionada por parecer distante da realidade, vemos como a ciência básica impulsiona tecnologias como GPS e Wi-Fi. É esse potencial de transformar vidas, em pequena e grande escala, que me move. É essencial que mais meninas ocupem esse espaço, porque a diversidade amplia perguntas, fortalece soluções e rompe estereótipos — especialmente quando consideramos também raça, classe e orientação sexual — e porque a representatividade não beneficia apenas quem se vê refletida, mas contribui diretamente para o desenvolvimento de uma ciência mais plural, crítica e inovadora.

- Dra. Rebeca Maria