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Evento marca os 110 anos do Observatório Magnético de Vassouras e o centenário de nascimento do professor Luiz Muniz Barreto
O Observatório Nacional (ON/MCTI), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, realizou em 24 de setembro em Vassouras (RJ) um evento para marcar os 110 anos do Observatório Magnético de Vassouras (OMV) e o centenário de nascimento do Prof. Dr. Luiz Muniz Barreto (1925-2006).
O OMV é a mais antiga unidade descentralizada do ON. O professor Muniz Barreto foi diretor do ON em dois períodos. Uma cerimônia durante o evento descerrou uma placa que dá o nome do cientista ao campus do OMV. Entre os presentes no descerramento estavam quatro familiares dele.
O ON fez os primeiros levantamentos geofísicos do território brasileiro. Para implementar um programa de observações magnéticas contínuas, em 1913 iniciou a instalação do OMV. Em 1915, foi obtido o primeiro registro e desde então os dados sobre o campo magnético terrestre são gerados diariamente, ao longo desses 110 anos, sem interrupção.
O OMV faz parte da rede global de observatórios INTERMAGNET, que define os padrões de qualidade e orienta sobre instrumentação e aquisição de dados. Os resultados obtidos desde o início de seu funcionamento e a pesquisa científica atualmente colocam o ON em posição de destaque no cenário científico mundial.
“O OMV é a nossa unidade descentralizada mais antiga e tem feito um trabalho internacionalmente reconhecido. Outro ponto importante da nossa celebração é o centenário do professor Luiz Muniz Barreto. Ele teve um papel fundamental no OMV, porque o estruturou para esta fase mais moderna. Tive o privilégio de conhecê-lo, e recorri a ele ao escrever o meu primeiro artigo de geofísica”, declarou o diretor do ON, o astrofísico Dr. Jailson Souza de Alcaniz.

Também presente, o coordenador da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional (COGEO/ON), Dr. Fábio Vieira, discursou em seguida: “É com grande honra que celebramos duas datas importantes: os 110 anos do OMV e o centenário de nascimento do professor Luiz Muniz Barreto, pioneiro no estudo de geomagnetismo no Brasil. A dedicação dele foi fundamental para consolidar a pesquisa geomagnética no Observatório Nacional, estruturando linhas de investigação que estão vivas até hoje. Seu legado científico e institucional continua a inspirar e orientar gerações de investigadores”.
O evento em Vassouras teve como organizadora e mestre de cerimônias a astrônoma do ON Dra. Josina do Nascimento. Na ocasião também ocorreu assinatura de uma carta de intenções entre o ON e a Universidade de Vassouras (Univassouras). Ambas pretendem estreitar os laços institucionais antes de assinar um Acordo de Cooperação Técnica (ACT).

Carta de intenções
Após a abertura, o evento que marcou os 110 anos do OMV teve a assinatura de uma carta de intenções para estreitar os laços entre o instituto centenário e uma instituição sexagenária, a Univassouras, que é mantida pela filantrópica Fundação Severino Sombra (Fusve).
“Assinar esta carta de intenções será extremamente importante para estreitar de forma institucional esse laço, porque o OMV está há 110 anos e a Universidade de Vassouras está há 58 anos fazendo um trabalho magnífico. Precisamos estreitar os laços entre os graduandos da universidade e os técnicos da OMV e dos laboratórios do ON no Rio Janeiro”, afirmou o diretor da ON, Dr. Jailson Souza de Alcaniz.
“Hoje celebramos o encontro de nossas instituições. Já tivemos atividades em conjunto, e vamos certamente intensificar essa cooperação”, declarou o presidente da mantenedora Fusve, Gustavo Oliveira do Amaral.

- O presidente da mantenedora Fusve, Gustavo Oliveira do Amaral, e o diretor do ON, Jailson Souza de Alcaniz, assinam carta de intenções durante evento em Vassouras. Foto: Tribuna do Interior.
Entre as diversas cooperações entre o ON e Univassouras está a organização da 17ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA), que reuniu estudantes e professores de todo o mundo e foi sediada em Vassouras e Barra do Piraí.
“A ideia dessa carta de intenções é que ela seja uma semente para a institucionalização (dessas cooperações entre o ON e a Univassouras)”, afirmou o assessor de Relações Institucionais da Fusve, Hamilton Moss.

O reitor da Univassouras, professor Marco Antonio Soares de Souza, também discursou e afirmou ser um “marco para a instituição” firmar um protocolo de intenções com o OMV, “por tudo que o OMV representa para a ciência e a tecnologia do país”.

- Reitor da Univassouras, professor Marco Antonio Soares de Souza, discursa sobre carta de intenções assinada com o OMV. Foto: ON.
O evento teve também uma homenagem ao pai do presidente da Fusve, Marino Carneiro do Amaral. Marino entrou para o OMV como jardineiro aos 14 anos na década de 1940 e chegou ao posto de técnico cartográfico. Aprendeu sozinho inglês e francês para ler os artigos necessários para suas atividades no OMV, além de ter feito muitos cursos técnicos.
Além de Gustavo, as irmãs dele, Anna Paula, Ana Lúcia e Andréa do Amaral receberam das mãos do Dr. Jailson, cada um, um certificado de homenagem ao Sr. Marino. A filha de Anna Paula, Stephanie do Amaral, também participou do evento.


- Homenagem do ON aos filhos de Marino Carneiro do Amaral pela contribuição ao OMV. Foto: ON.
Evento tem três palestras
Após a assinatura da carta de intenções, o evento teve três palestras. A primeira foi da historiadora síria radicada em Vassouras Amal Abdulmalek, cuja tese de mestrado foi “O Geomagnetismo no Acervo do OMV: História e Patrimônio Cultural da Ciência e Tecnologia”.
“O OMV é parte da história da nossa cidade. Vassouras busca preservar a sua história e a sua memória. O OMV é parte disso tudo. Agradeço também muito à Univassouras. É muito gratificante ver uma instituição tão importante de pesquisa e ciência em nossa cidade”, declarou a professora ao encerrar a palestra.

A segunda palestra do evento foi do pesquisador do ON Dr. Plinio Jaqueto. Ele falou sobre o legado histórico do OMV e das novas fronteiras do geomagnetismo.
“O OMV é essencial para o entendimento do campo magnético da Terra. Ele registra há mais de 100 anos dados com alta qualidade, que, quando somados às diversas redes internacionais de que participa, promovem estudos nas mais diversas áreas de pesquisa", declarou o Dr. Plínio.

- Pesquisador do ON Dr. Plinio Jaqueto faz palestra no evento dos 110 anos do OMV. Foto: ON.
A terceira palestra foi do pesquisador de Geofísica do ON Dr. Luiz Benyosef, que fez uma palestra sobre o professor Luiz Muniz Barreto, com quem trabalhou durante 20 anos.

- Pesquisador de Geofísica do ON Dr. Luiz Benyosef faz palestra sobre o professor Muniz Barreto. Foto: Tribuna do Interior.
O professor Luiz Muniz Barreto entrou no ON como estagiário (1945) e foi diretor da instituição em duas ocasiões (1968-1979 e 1982-1985). Possui graduação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1949), graduação em Bacharelado em Física pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1960), especialização pelo Observatório Nacional (1946) e doutorado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1962).
“Ele era uma pessoa extrovertida, alegre. Brincalhão. A devoção dele pelo ON é um caso raro. E não estamos falando da capacidade científica, do nível de conhecimento dele. Estamos falando da pessoa, do cidadão Luiz Muniz Barreto”, declarou o pesquisador.

Homenagem a atual servidor do OMV
Depois das palestras, o evento do OMV fez uma homenagem ao servidor Alberto Geraldo Faria dos Santos, que está há 39 anos no ON, 28 deles no OMV, sendo atualmente Chefe de Serviço do OMV. “Gostaria de compartilhar esta homenagem com todos aqueles que me antecederam e com os demais colegas, como os técnicos no Rio. Ela é para todos nós, não simplesmente para mim”, declarou o servidor.

“O ON concede esta homenagem em reconhecimento por sua dedicação exemplar e ao compromisso demonstrado ao longo de sua atuação no OMV que tanto engrandeceu a missão de promover a ciência, tecnologia e inovação”, disse o diretor do ON, Dr. Jailson Souza de Alcaniz, ao ler a placa por ele entregue ao homenageado.

Campus Luiz Muniz Barreto
A segunda parte do evento ocorreu no Campus do Observatório Magnético de Vassouras, onde Alberto convidou todos a visitarem o Centro de Visitantes Henrique Morize, onde fez uma breve palestra sobre o OMV e o referido Centro de Visitantes.
Em seguida houve o descerramento da placa que dá o nome de Luiz Muniz Barreto ao campus do OMV. Além de servidores do ON, estiveram presentes quatro familiares do cientista: o neto Pedro Barreto Pereira, as filhas Maria Celina Muniz Barreto e Sônia Maria Muniz Barreto de Castro, e o genro Luiz Alberto de Castro.
Antes do descerramento da placa o diretor do ON, Dr. Jailson Souza de Alcaniz, proferiu algumas palavras sobre o Prof. Dr. Luiz Muniz Barreto e sua importância para o Observatório Nacional e a ciência brasileira. Em seguida, passou a palavra ao Pedro Barreto Pereira, jornalista e neto do Prof. Muniz, que inicialmente agradeceu, em nome da família, a homenagem ao avô e depois emocionou a todos com suas palavras. Pedro falou sobre o avô e seu compromisso com a ciência e com o ON e concluiu: “Meu avô representa uma referência na ciência brasileira. Dedicou ao ON mais de 60 dos 81 anos de vida. Ele tinha uma preocupação de que a ciência tivesse uma função social. Era solidário, tinha uma preocupação pelo coletivo. Ele também dizia que quando morre um homem, incendeia-se uma biblioteca, mas a biblioteca do meu avô continuará viva pois a família fez a doação ao Observatório Nacional. Meu avô e sua biblioteca continuam vivos no Observatório Nacional.”

