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2026 será ano bissexto? Astrônoma do Observatório Nacional explica
Com a chegada de um novo ano, uma dúvida comum volta a circular: 2026 será um ano bissexto? A resposta é não. Segundo a astrônoma do Observatório Nacional (ON/MCTI), Dra. Josina Nascimento, 2026 seguirá o padrão de anos comuns, com 365 dias.
Para entender o motivo, é preciso conhecer as regras do calendário gregoriano, o calendário civil mais utilizado no mundo, e por que foram instituídas, conforme as explicações da Dra.Josina:
O calendário gregoriano foi instituído em 1582, pelo Papa Gregório XIII, substituindo o calendário juliano, criado em 46 a.C., que já previa o acréscimo de um dia a cada quatro anos. Mas, com o passar dos séculos foi se observando que havia uma defasagem da data do equinócio de março em relação às características do que deve acontecer na data do equinócio, como por exemplo, o sol nascer precisamente no ponto cardeal leste e se por precisamente no ponto cardeal oeste. O equinócio de março é o equinócio de primavera para o hemisfério norte e de outono para o hemisfério sul.
Qual a importância da data do equinócio? Principalmente a influência das estações do ano na agricultura e a determinação da data da Páscoa, que mesmo antes de Cristo já era uma data muito importante para vários povos.
Observamos que toda medida de tempo está relacionada com um fenômeno físico e no caso do ano civil, que é usado para a vida cotidiana, a ideia é aproximar ao máximo do período de translação da Terra em torno do Sol. Como vimos acima, o ponto central seria acertar as datas dos equinócios com a data civil. O tempo percorrido entre duas mesmas estações consecutivas chama-se ano trópico, que conforme sabemos hoje, tem 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos. Por isso dizemos que o calendário gregoriano é baseado no ano trópico.
Observemos que se o ano trópico tivesse o comprimento de 365 dias e 6 horas, a regra de acrescentar um dia a cada 4 anos seria perfeita. Mas a diferença de 12 minutos e 14 segundos, acumuladas ao longo de 4 séculos, resulta em cerca de 3 dias a mais. Então teria que haver um ajuste secular.
Assim, as regras do ano bissexto no calendário gregoriano são as seguintes:
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são bissextos os anos divisíveis por 4 que não são séculos inteiros
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são bissextos os anos que são séculos inteiros e são divisíveis por 400
Ou seja, em 400 anos, 3 anos deixam de ser bissextos acertando os 3 dias a mais.
Em 1582 já havia 10 dias a mais e isso foi resolvido com a extinção de 10 dias do mês de outubro daquele ano.