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ESTATÍSTICAS FISCAIS
Primeiro trimestre de 2026 registra necessidade líquida de financiamento do Governo Geral de 5,7% do PIB
No 1º trimestre de 2026, a necessidade líquida de financiamento do Governo Geral alcançou 5,73% do PIB, ante 1,77% do PIB no mesmo período do ano anterior. Essa variação se deve ao crescimento nominal de 17,61% da despesa do governo geral em relação ao mesmo período de 2025, parcialmente compensado pelo crescimento nominal de 7,84% da receita no mesmo período. Nas estatísticas de finanças públicas, há uma necessidade líquida de financiamento quando a diferença entre a receita e a despesa é negativa. Quando há um resultado positivo, existe uma capacidade líquida de financiamento.
Na ótica por esfera de governo, a necessidade de financiamento do Governo Geral (5,73% do PIB) decorre de uma necessidade de financiamento de 7,68% do PIB do governo central e de uma capacidade de financiamento de 1,57% do PIB e de 0,38% do PIB dos governos municipais e dos governos estaduais, respectivamente.
Os dados estão no Boletim de Estatísticas Fiscais do Governo Geral do 1º trimestre de 2026, divulgado nesta quarta-feira (01) pelo Tesouro Nacional. O documento apresenta estatísticas das três esferas de governo (Governo Central, governos estaduais e municipais) consolidadas no setor Governo Geral segundo a metodologia do Manual de Estatísticas de Finanças Públicas de 2014 do Fundo Monetário Internacional (FMI) – MEFP 2014, e faz parte do esforço do Tesouro Nacional de convergência às melhores práticas internacionais.
Nessa metodologia, que permite a comparação das estatísticas fiscais do Brasil com a de outros países, as despesas são apuradas pelo regime de competência, ou seja, seu registro ocorre quando se cria uma obrigação para o governo, e não no momento do pagamento. A receita, por sua vez, é apurada pelo regime de caixa, que considera apenas os recursos efetivamente recebidos.
Receitas e despesas
A receita total do Governo Geral alcançou 41,90% do PIB no primeiro trimestre de 2026, ante 41,76% do PIB no mesmo período de 2025. O aumento foi impulsionado principalmente pelo crescimento das contribuições sociais, favorecidas pela evolução da massa salarial e do emprego formal, e das rendas patrimoniais, beneficiadas pelo patamar mais elevado das taxas de juros. Esses efeitos foram parcialmente compensados pela redução da arrecadação de impostos, especialmente sobre a renda da pessoa jurídica.
A despesa total do Governo Geral atingiu 47,63% do PIB, registrando aumento de 4,10 pontos percentuais do PIB em relação ao primeiro trimestre de 2025. O resultado refletiu principalmente a elevação das despesas com juros, em um contexto de taxas de juros mais elevadas, e dos gastos com benefícios previdenciários e assistenciais, influenciados pela concentração de pagamentos de precatórios e sentenças judiciais no início de 2026. Também contribuíram para o crescimento das despesas os maiores gastos com remuneração de empregados.
O investimento líquido do governo geral passou de -0,18% do PIB no primeiro trimestre de 2025 para 0,08% do PIB em 2026, refletindo a ampliação dos investimentos públicos, especialmente em ativos fixos associados a obras e infraestrutura. O resultado foi sustentado principalmente pelos governos estaduais e municipais, enquanto o governo central permaneceu com investimento líquido negativo no período.
Metodologia
O Boletim de Estatísticas Fiscais do Governo Geral apresenta estatísticas das três esferas de governo – Governo Central, estados e municípios – consolidadas no setor Governo Geral.
As informações são compiladas no âmbito dos acordos de cooperação técnica firmados entre o Tesouro Nacional, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) com o objetivo central de aperfeiçoar as estatísticas fiscais no Brasil para convergência com os conceitos e metodologias estabelecidas pelo GFSM 2014 do Fundo Monetário Internacional.
O objetivo principal desse esforço é construir agregados econômicos harmonizados internacionalmente – permitindo a comparação entre países – e com o Sistema de Contas Nacionais – possibilitando uma análise mais precisa das relações entre as variáveis fiscais e as econômicas.
O boletim traz a estatística fiscal por um conceito diferente do mais difundido no Brasil que é o do pelo Resultado do Tesouro Nacional (RTN). O RTN foi estruturado com base no Manual de Estatísticas de Finanças Públicas de 1986 - MEFP 1986 do Fundo Monetário Internacional, e
tem como foco as receitas e despesas primárias, que não incluem juros, de forma a avaliar a gestão de liquidez de curto prazo e o impacto econômico das atividades do governo. Além disso, a abrangência do RTN é o governo central, ao passo que no Boletim de Estatísticas Fiscais do Governo Geral estão incluídas informações consolidadas do Governo Geral, que compreende os governos central, estaduais e municipais.