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TURISMO SUSTENTÁVEL
Lençóis (BA) disputa o selo ‘Melhores Vilas Turísticas do Mundo’ e destaca a Chapada Diamantina no cenário internacional
Porta de entrada da Chapada Diamantina, o município de Lençóis (BA), é um dos sete destinos brasileiros que concorrem ao selo de 'Melhores Vilas Turísticas do Mundo', iniciativa da ONU Turismo, que reconhece os locais que se destacam pela valorização do patrimônio cultural e natural, pelo compromisso com a sustentabilidade e pela promoção do desenvolvimento local.
As localidades foram escolhidas pelo Ministério do Turismo após seleção de dez inscrições. Entre os critérios, estão ter população de até 15 mil habitantes, estar situada em uma paisagem com presença significativa de atividades tradicionais, como agricultura, silvicultura, pecuária ou pesca, e compartilhar valores e estilo de vida comunitário.
O resultado final das vilas selecionadas será divulgado em dezembro, em Buenos Aires, na Argentina. As vilas brasileiras concorrem com outras 261 espalhadas por todos os continentes.
Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o prêmio é um reconhecimento ao compromisso com a sustentabilidade, com a preservação do patrimônio histórico e cultural. “O turismo rural e de natureza é um dos maiores motores de inclusão social e geração de emprego e renda que temos hoje. Ele fixa o homem no campo, valoriza o sentimento de pertencimento e distribui riqueza de forma justa. A seleção das vilas mostra ao mundo como o Brasil sabe aliar desenvolvimento econômico e conservação ambiental”, disse.
Patrimônio e natureza
Distante 418 km da capital baiana, Salvador, Lençóis reúne um conjunto singular de patrimônios culturais, históricos, naturais e forte participação comunitária no desenvolvimento do turismo, que reforçam sua importância para a Chapada Diamantina e para o Brasil. A cidade oferece aos visitantes um repleto cardápio de tradições locais. Só em 2025, o município recebeu 320 mil turistas.
No centro da cidade, o Centro Histórico de Lençóis, protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1973, preserva a arquitetura colonial do século 19, associada ao ciclo da mineração de diamantes, período que marcou profundamente a formação econômica e social da região. Essa herança também se manifesta em expressões culturais vivas, como a tradicional Festa do Senhor dos Passos, reconhecida como patrimônio cultural nacional e considerada a mais importante celebração religiosa da cidade, mantendo vivas as tradições ligadas à antiga comunidade garimpeira.
A riqueza histórica de Lençóis se estende ainda aos registros mais remotos da ocupação humana. O Complexo Arqueológico Serra das Paridas abriga importantes sítios com arte rupestre e pinturas pré-históricas, que revelam a presença de populações ancestrais na região. Ao mesmo tempo, o Território Quilombola do Remanso preserva a memória, os saberes e as tradições da herança afro-brasileira, constituindo um patrimônio cultural vivo, que fortalece iniciativas de turismo de base comunitária e contribui para a valorização da identidade local.
No campo ambiental, Lençóis está inserida em uma das áreas naturais mais emblemáticas do país. O Parque Nacional da Chapada Diamantina, criado em 1985, protege as nascentes da bacia do Rio Paraguaçu e os ecossistemas únicos da Serra do Sincorá, reunindo cachoeiras, cavernas, vales e uma biodiversidade excepcional, que projetam o destino internacionalmente como referência em ecoturismo.
Complementando essa rede de conservação, a Área de Proteção Ambiental Marimbus-Iraquara abriga o sistema de áreas úmidas conhecido como “Pantanal da Chapada Diamantina”, essencial para a manutenção da biodiversidade e dos modos de vida tradicionais da região.
Em escala local, o Parque Natural Municipal da Muritiba desempenha papel estratégico na proteção da bacia do Rio Lençóis e de atrativos naturais icônicos, como o Serrano, o Salão de Areias Coloridas e a Cachoeira da Primavera.
Já o Projeto Geoparque Serra do Sincorá, atualmente em fase final de avaliação para obtenção do título de Geoparque Mundial da Unesco, evidencia a relevância internacional do território, reconhecido por sua extraordinária geodiversidade e por cerca de 1,8 bilhão de anos de história geológica.
Juntos, esses patrimônios consolidam Lençóis como um destino onde cultura, natureza, ciência e desenvolvimento sustentável se encontram de forma integrada.
Sobre a premiação
Desde sua criação, a ONU Turismo recebeu mais de mil inscrições, de mais de 100 países. Atualmente, a Rede de Melhores Vilas Turísticas da ONU Turismo tem 319 destinos rurais em todo o mundo. No total, contabilizado este ano, 27 vilas turísticas brasileiras já foram indicadas. Duas delas alcançaram o reconhecimento internacional, sendo Testo Alto, em Pomerode (SC), conhecida pela Rota do Enxaimel, e Antônio Prado (RS).
A rota do Enxaimel reúne a maior concentração, fora da Europa, de casas construídas com essa técnica arquitetônica trazida pelos imigrantes alemães, na qual as estruturas de madeira são construídas sem nenhum prego ou parafuso, apenas com encaixes. São cerca de 50 residências ao longo de 16 km, em um percurso tombado como patrimônio paisagístico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Já Antônio Prado tem referência na preservação da herança da imigração italiana no país. O município gaúcho possui um valioso patrimônio histórico e cultural: aproximadamente 80% dos moradores falam talian, dialeto resultante da mistura de idiomas do norte da Itália com o português.
Conheça os outros representantes do Brasil na edição deste ano:
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Araçá (Porto Belo/SC): Com pouco mais de 1.100 habitantes, a Vila do Araçá destaca-se pela combinação entre natureza preservada e tradições comunitárias. Localizada em uma área de proteção ambiental no litoral catarinense, a comunidade mantém forte ligação com a pesca artesanal, a gastronomia baseada em frutos do mar e experiências turísticas autênticas, como passeios em embarcações tradicionais, trilhas e atividades costeiras.
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Conceição de Ibitipoca (Lima Duarte/MG): Situada na Serra da Mantiqueira, a vila preserva um rico patrimônio histórico e cultural ligado aos antigos caminhos do ciclo do ouro. Com cerca de 1.100 moradores é conhecida por sua proximidade com o Parque Estadual do Ibitipoca, um dos principais destinos de ecoturismo do país, reunindo trilhas, cachoeiras, grutas e experiências voltadas ao bem-estar e à contemplação da natureza.
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Delfinópolis (MG): Integrante da região da Serra da Canastra, o município alia turismo de natureza, cultura e produção rural. O destino é reconhecido pelas inúmeras cachoeiras, trilhas e paisagens naturais, além da tradição na produção do Queijo Minas Artesanal da Canastra e do Café da Canastra, produtos que reforçam a identidade local e enriquecem a experiência dos visitantes.
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Holambra (SP): Conhecida como a Capital Nacional das Flores, Holambra preserva a herança cultural deixada pelos imigrantes holandeses em sua arquitetura, gastronomia e manifestações culturais. O município responde por grande parte da produção e exportação de flores do país e tem como um de seus principais símbolos o Moinho Povos Unidos, o maior da América Latina.
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Vila Flores (RS): Localizado na Serra Gaúcha, o município de Vila Flores (RS) combina tradições, gastronomia típica, turismo rural e paisagens preservadas da Mata Atlântica, em um modelo de turismo baseado na autenticidade e na valorização da comunidade local. O principal símbolo dessa identidade é o Filó Italiano, tradição que garantiu a Vila Flores o título de Capital Estadual do Filó.
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São José do Barreiro (SP): Localizada no Vale do Paraíba e cercada pela Serra da Bocaina, a cidade combina natureza exuberante e patrimônio histórico. O destino preserva fazendas e construções ligadas ao ciclo do café e oferece atrativos como a Trilha do Ouro, cachoeiras e experiências gastronômicas baseadas em produtos artesanais da região.
Por Marco Guimarães
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo