ExpoCatadores 2025: quando a economia circular coloca pessoas no centro do desenvolvimento
Maior encontro de catadoras e catadores do mundo, a ExpoCatadores 2025 mostrou como inclusão produtiva, políticas públicas e negócios sustentáveis caminham juntos para gerar renda, dignidade e futuro
A ExpoCatadores é mais do que uma feira: é o maior encontro de catadoras e catadores de materiais recicláveis do mundo e um espaço de construção coletiva de um Brasil mais justo, sustentável e inclusivo. Realizado anualmente pela Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT), do Movimento Nacional dos Catadores (MNCR) e da União Nacional dos Catadores (Unicatadores), o evento reúne trabalhadores organizados, cooperativas, governos, empresas e especialistas para fortalecer a reciclagem, a logística reversa e a economia circular com justiça social.
MOMENTO HISTÓRICO — Em 2025, a 12ª edição da ExpoCatadores consolidou esse propósito ao reunir mais de 3,5 mil participantes, representando 600 cooperativas e associações de todas as regiões do Brasil, além de delegações internacionais de mais de 15 países.
Com o tema "Transição Justa na Cadeia de Valores da Reciclagem" e o lema "Catadores e Catadoras no centro da circularidade", o evento marcou um momento histórico para o setor.
Pela primeira vez, a Expocatadores foi realizada no Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo, um marco que simboliza a trajetória de crescimento do encontro, que nasceu debaixo de um viaduto na capital paulista, e hoje ocupa um dos maiores e mais emblemáticos espaços de eventos do país.
Com patrocínio da Fundação Banco do Brasil, Caixa e do Governo do Brasil, a ExpoCatadores 2025 reafirmou o reconhecimento do papel essencial dos catadores para a preservação ambiental, a geração de trabalho e renda e o desenvolvimento sustentável.
HISTÓRIA E RESISTÊNCIA — A trajetória do evento está diretamente ligada à história de organização e resistência do movimento dos catadores no Brasil. "É fruto de um grande evento que se chamava ‘Natal dos Catadores’. Começou na baixada do Glicério, em 2002, debaixo do viaduto, com os catadores e pessoas em situação de rua. Depois surgiu essa ideia, que a gente pudesse ter um encontro informativo e de descontração dos catadores e catadoras", explicou Roberto Rocha, presidente da ANCAT.
Esse percurso coletivo deu origem a um espaço de visibilidade, reconhecimento e afirmação de direitos, como destacou Roselaine Ferreira, da Unicatadores. “Mais de 90% do material que a gente produz nas nossas casas passa pelas mãos dos catadores. Essa é a importância que temos de mostrar para o mundo: qual é o nosso trabalho, a importância e reivindicar os nossos direitos”, disse.
OPORTUNIDADES REAIS — Um dos grandes avanços em 2025 foi a realização da Rodada de Negócios, organizada pelo Sebrae em parceria com a ANCAT. A iniciativa conectou mais de 30 organizações de catadores a 12 indústrias recicladoras, criando um ambiente estruturado de negociação, que resultou no fechamento efetivo de contratos de venda de materiais e de serviços de logística reversa.
Ao eliminar intermediários e aproximar cooperativas e indústria, a Rodada de Negócios fortaleceu a autonomia econômica dos catadores e demonstrou, na prática, o potencial da economia circular brasileira, quando baseada na inclusão produtiva.
A programação também contou com a Feira de Tecnologia e Equipamentos, que apresentou soluções para modernização do setor, como prensas, esteiras e elevadores de carga, ampliando a eficiência, a segurança e a escala das cooperativas. Além disso, foram realizados painéis de debates temáticos ao longo de toda programação, inclusive com a participação de Carlos Felipe Lacerda Ramalho, coordenador de patrocínios da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM-PR), nas discussões sobre os caminhos para acelerar a circularidade no pagamento de serviços ambientais e isenção tributária para as cooperativas.
O evento também destacou o protagonismo das mulheres catadoras, que ocupam papel central na organização das cooperativas. "A ExpoCatadores não é apenas um evento anual: ela é um território político, pedagógico, cultural e afetivo onde a categoria se encontra para reafirmar quem somos, de onde viemos e para onde queremos ir. É ali que a catação deixa de ser apenas sobrevivência e se transforma em palavra pública, em projeto coletivo e em horizonte de futuro", ressaltou Ramalho.
Comunicadores populares realizaram a cobertura das ações e projetos da Fundação Banco do Brasil na Expocatadores 2025
O Pronarep, lançado na Expocatadores 2025, conta com a Caixa como um dos principais agentes operadores
TRANSFORMANDO REALIDADES — A ExpoCatadores 2025 também foi palco de anúncios e avanços estruturantes para o setor. O Governo do Brasil destinou R$ 132 milhões em investimentos para ampliar a renda e fortalecer cooperativas e instituiu o Programa Nacional de Investimento na Reciclagem Popular (Pronarep), uma política pública estruturante e voltada ao fortalecimento da reciclagem com inclusão social.
Inspirado no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o programa tem como finalidade oferecer apoio financeiro, técnico, estrutural, econômico e social a catadoras e catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis (individuais, autônomos, cooperativas, associações, redes e outras formas de organização popular) em todo o território nacional.
Outro decreto do Governo do Brasil trará segurança jurídica para a doação direta de bens móveis inservíveis às cooperativas, gerando renda, reduzindo desperdícios e fortalecendo a lógica da economia circular no setor público.
Também foi assinado o acordo entre a Caixa Econômica Federal e a ANCAT para a criação da Plataforma Caixa de Ativos de Sustentabilidade, ferramenta digital que valoriza o trabalho dos catadores por meio da comercialização de certificados de crédito de reciclagem da logística reversa, com renda justa e transparente.
Durante o evento, foi firmado protocolo de intenções para o desenvolvimento do aplicativo Cataki, que conecta geradores de resíduos a catadores, fortalece a coleta seletiva e garante que o valor gerado pela reciclagem permaneça com quem realiza o trabalho.

- Para Roberto Rocha, presidente da Ancat, a presença em peso do Governo do Brasil nesta 12ª ExpoCatadores evidenciou, de forma certa, que o protagonismo dos catadores não é apenas um lema, é uma realidade que está sendo reconhecida
PROTAGONISMO, DIGNIDADE E FUTURO — Para Roberto Rocha, presidente da ANCAT, o evento simboliza uma virada histórica. "Para nós, catadores e catadoras, a presença em peso do Governo do Brasil nesta 12ª ExpoCatadores evidenciou, de forma certa, que nosso protagonismo não é apenas um lema, é uma realidade que está sendo reconhecida. Somos potência".
Segundo ele, a ExpoCatadores vai além da agenda técnica. "É um momento de troca, diálogo direto, fraternidade e, para muitos, o principal Natal de suas vidas", afirmou.
LEGADO PERMANENTE — A 12ª ExpoCatadores deixou um legado duradouro: mostrou que a reciclagem popular, construída diariamente por milhares de catadoras e catadores organizados, é parte central da solução para os desafios ambientais e sociais do Brasil.
Com políticas públicas estruturantes, novos instrumentos financeiros e reconhecimento institucional, o evento reforça o compromisso do Governo do Brasil com uma economia circular que gera renda, dignidade e futuro, colocando as pessoas no centro do desenvolvimento.