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MUDANÇA DO CLIMA
Governo Federal e RNP lançam painel sobre impactos das mudanças climáticas na temperatura e nas chuvas no Brasil e na América Latina
A ferramenta faz parte do AdaptaBrasil, plataforma do Governo Federal, desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com a RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Foto: Reprodução
O novo painel, que permite explorar como as mudanças climáticas podem alterar a temperatura e o regime de chuvas no Brasil e na América Latina nas próximas décadas, foi lançado nesta terça-feira, 3 de novembro. A ferramenta integra o AdaptaBrasil, plataforma do Governo Federal desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O AdaptaBrasil reúne indicadores de risco climático para os 5.570 municípios brasileiros, considerando fatores como ameaças climáticas, exposição e vulnerabilidade. Essas informações ajudam a identificar áreas mais suscetíveis aos impactos das mudanças climáticas e a orientar decisões sobre medidas de adaptação. Com o novo painel, a plataforma passa a oferecer também mapas com projeções de mudanças na temperatura e na precipitação sob diferentes níveis de aquecimento global.
Durante o lançamento do painel, na sede do MCTI, em Brasília, o secretário de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio Melo, apontou que o Governo Federal tem trabalhado para tornar a adaptação à mudança do clima uma agenda prioritária, estratégica e transversal. “Esse processo de atualizar o Plano Clima e de fazer um plano de adaptação muito mais robusto e transversal, por meio de 16 planos setoriais e temáticos, foi um esforço para traduzir e dar concretude a essa agenda tão fundamental para o desenvolvimento do país. Ela envolve a forma como enfrentamos nossas vulnerabilidades socioeconômicas, que são históricas, mas foram agravadas nesse contexto em que a mudança do clima se materializa, se faz presente e desafia as várias agendas e políticas de desenvolvimento setoriais.”
O lançamento faz parte de um processo de expansão do AdaptaBrasil, que prevê novos desenvolvimentos e atualizações ao longo de 2027. A iniciativa busca ampliar o conjunto de dados e recursos disponíveis na plataforma.
Na ocasião, o coordenador Geral de Ciência do Clima do MCTI, Márcio Rojas da Cruz, destacou que o Governo Federal está disponibilizando, por meio do AdaptaBrasil, informações relevantes no contexto da adaptação. “São as primeiras informações necessárias para se começar a pensar em adaptação. Não se pensa em adaptação sem, antes de mais nada, começar a vislumbrar como será o nosso futuro do ponto de vista climático”, apontou.
INDICADORES DE TEMPERATURA — O painel reúne indicadores de temperatura e precipitação, incluindo os relacionados a eventos extremos, para quatro níveis de aquecimento global: 1,5°C, 2°C, 3°C e 4°C. Os mapas também permitem comparar as mudanças projetadas em diferentes condições de aquecimento e identificar como elas se distribuem geograficamente.
Segundo o gerente de soluções da RNP, Christian Miziara, o painel tem a possibilidade de comparar diferentes níveis de aquecimento global. “Em uma única interface, é possível visualizar indicadores de temperatura e precipitação, considerando os cenários de aquecimento. Isso ajuda a compreender como as ameaças climáticas podem se comportar à medida que a temperatura global aumenta”, disse.
Para Jean Ometto, pesquisador sênior do INPE, o novo painel permite à sociedade acessar as projeções climáticas. “As projeções climáticas são um aspecto central, dentro do cálculo de risco, para que possamos planejar. Isso tudo, obviamente, embute uma incerteza, mas a ciência vai buscando justamente trazer a informação mais clara, mais robusta e mais transparente possível para que se possa trabalhar com planejamento.”
PROJEÇÕES CLIMÁTICAS — Durante o lançamento, o painel foi apresentado pelo meteorologista e pesquisador do INPE, Gilvan Sampaio. Ele explicou que a plataforma está em sua primeira versão e tem navegação simples e que o instituto tem trabalhado para que seja possível baixar os dados sobre o clima por área e biomas.
O pesquisador também destacou as próximas funcionalidades da plataforma, que deverá permitir o acesso a dados observacionais e a comparação das mudanças do clima em determinadas regiões ao longo dos anos e décadas com as projeções futuras. “Nós vamos incluir também outras variáveis, como umidade relativa, vento, radiação e que são importantes também para os grupos de pesquisa, pesquisadores e para os diversos usuários, inclusive a população, para ter uma informação confiável sobre a mudança do clima”, explicou Sampaio.
As projeções têm como base modelos climáticos reunidos no CMIP6 (Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados, Fase 6), iniciativa internacional que reúne simulações desenvolvidas por diferentes grupos de pesquisa. Pesquisadores do INPE selecionaram os modelos e aplicaram técnicas de correção de viés e redução de escala espacial, conhecidas como downscaling, para gerar dados com resolução de 10 km.
Esse processamento deu origem à base HiClim-SA (High-Resolution Climate Projection Dataset for South America), que reúne projeções climáticas de alta resolução para a América do Sul. Diferentemente das previsões meteorológicas, voltadas a condições do tempo em períodos específicos, esses dados permitem investigar possíveis mudanças no clima e apoiar estudos sobre riscos climáticos e o planejamento de medidas de adaptação.