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COMÉRCIO EXTERIOR
Governo Federal apresenta ações para fortalecer empresas, trabalhadores e exportações brasileiras diante de tarifa dos Estados Unidos
O Governo federal apresentou nesta quinta-feira, 16 de julho, as ações previstas para reduzir os impactos sobre empresas, trabalhadores e setores exportadores brasileiros sobre os efeitos da tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos.
As informações foram apresentadas em entrevista coletiva na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em Brasília, com a participação do vice-presidente, Geraldo Alckmin, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Fernando Elias Rosa, o ministro das Relações Exteriores (MRE), Mauro Vieira, o ministro da Fazenda (MF), Dário Durigan, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e a secretária nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Maria Rosa Guimarães Loula.
Alckmin informou que será estruturado um programa de apoio aos setores afetados. Entre as medidas avaliadas estão a ampliação dos instrumentos do Plano Brasil Soberano, o apoio financeiro às empresas e o reforço das ações de promoção comercial para a abertura de novos mercados.
Segundo Alckmin, instituições como a ApexBrasil e o BNDES deverão intensificar o trabalho de diversificação dos destinos das exportações brasileiras.
O vice-presidente também afirmou que o governo adotará, no momento adequado, os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional. O Brasil também retomará o questionamento da medida no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
APOIO ÀS EMPRESAS E AOS TRABALHADORES — O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que o governo federal dispõe de instrumentos para apoiar empresas e preservar empregos nos setores atingidos. Segundo ele, representantes das atividades afetadas serão chamados para novas reuniões, que subsidiarão a definição das medidas específicas.
Entre as possibilidades estão a ampliação do Plano Brasil Soberano, a utilização de linhas de crédito e outros mecanismos de apoio produtivo e financeiro. Durigan acrescentou que, embora determinados setores possam sofrer efeitos relevantes, a avaliação da equipe econômica é de que a medida não compromete a estabilidade macroeconômica do país.
Já o ministro Márcio Elias Rosa, do MDIC, afirmou que a determinação do governo federal é apoiar os setores mais afetados pelas novas tarifas, entre eles madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
NEGOCIAÇÕES COM OS ESTADOS UNIDOS — O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, apresentou um histórico das negociações e informou que o Brasil manteve mais de 30 contatos com autoridades norte-americanas desde março de 2025, nos níveis presidencial, ministerial e técnico.
Segundo o chanceler, o governo brasileiro apresentou propostas, participou das consultas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos — o USTR — e manteve disposição para buscar uma solução negociada.
O ministro afirmou que o Brasil continuará aberto ao diálogo e às tratativas diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos.
PIX — O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, respondeu aos questionamentos apresentados na investigação norte-americana sobre o Pix.
Segundo Galípolo, o sistema é uma infraestrutura pública de pagamentos disponível às instituições financeiras que operam no Brasil. Desde a implantação do Pix, o mercado brasileiro de cartões de crédito cresceu 150%, o que, de acordo com o presidente do Banco Central, demonstra que o sistema de pagamentos instantâneos não impediu o crescimento de outros meios de pagamento.
Galípolo informou também que o Banco Central mantém acordos de cooperação com mais de 47 autoridades monetárias interessadas em conhecer a experiência brasileira. O Pix continuará sendo oferecido de forma gratuita para as pessoas físicas, segura e instantânea, com aprimoramentos técnicos voltados à inclusão financeira.
IMPACTO SOBRE AS EXPORTAÇÕES — O ministro Márcio Elias Rosa apresentou uma avaliação preliminar dos efeitos da decisão norte-americana. Considerada a pauta exportadora de 2024, a nova tarifa alcançaria aproximadamente 18% das vendas brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. Com base nos dados de 2025, a parcela afetada corresponderia a cerca de 15% das exportações, ou US$ 5,8 bilhões.
De acordo com o ministro, aproximadamente 57% das exportações brasileiras continuarão sem incidência de tarifas adicionais. Outros 24% já estão submetidos a medidas específicas dos Estados Unidos, especialmente nos setores de aço, alumínio e automotivo.
Márcio Elias Rosa informou ainda que cerca de 2,4 mil empresas brasileiras exportam para os Estados Unidos e que 74% delas já comercializam produtos com outros países. O governo deverá apoiar a ampliação desses mercados, sem interromper as tratativas com as autoridades norte-americanas.
MEIO AMBIENTE E COMBATE À CORRUPÇÃO — O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, apresentou os dados brasileiros sobre o combate ao desmatamento e contestou as informações ambientais utilizadas na investigação norte-americana. O ministro afirmou que toda a madeira exportada pelo Brasil é certificada e passa por um sistema rigoroso de fiscalização. E ressaltou que, nos últimos três anos, o desmatamento foi reduzido em 50% no Brasil.
A secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães, explicou as informações encaminhadas pelo Brasil sobre as políticas e os mecanismos nacionais de prevenção e combate à corrupção. Segundo a secretária, os esclarecimentos apresentados pelas autoridades brasileiras não foram considerados de forma adequada na conclusão da investigação.
INVESTIGAÇÃO COMERCIAL — A tarifa adicional foi definida após investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O processo abordou temas como pagamentos digitais, regulação de plataformas, tarifas comerciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e políticas ambientais.
Durante a investigação, o Brasil apresentou duas manifestações escritas e participou de consultas bilaterais em Washington. Nas consultas públicas realizadas pelo USTR, 63 das 78 manifestações apresentadas por empresas e entidades dos dois países posicionaram-se contra a aplicação de novas tarifas.
O Governo Federal seguirá acompanhando os efeitos da medida, dialogando com os setores produtivos e adotando as providências comerciais, diplomáticas e jurídicas cabíveis.
Participaram da entrevista coletiva:
- Geraldo Alckmin, vice-presidente da República;
- Dario Durigan, ministro da Fazenda;
- Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços;
- Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores;
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central;
- João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima; e
- Maria Rosa Guimarães, secretária Nacional de Justiça.