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Previdência Social e BNDES acertam parceria para capacitar fundos de pensão em investimentos sustentáveis
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, reuniu-se nesta quinta-feira (12/3) com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, na sede do banco, no Rio de Janeiro. O encontro teve como objetivo central estabelecer uma cooperação técnica e educacional voltada aos gestores e analistas das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs).
A medida busca, sem intenção regulatória ou impositiva, aperfeiçoar a análise de risco dos fundos de pensão. Embora esses gestores já realizem análises focadas na sustentabilidade econômica e na rentabilidade, a parceria pretende agregar critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) aos processos de decisão.
"Desde a COP 30, a Previdência Social tem se debruçado sobre o impacto socioambiental nos investimentos dos fundos de pensão e esta é uma ação concreta para mudar a realidade dos investimentos", afirmou o ministro Wolney Queiroz. "É natural que os gestores se preocupem com a sustentabilidade financeira, mas hoje é indispensável que acrescentem uma análise diante de um cenário de impactos climáticos e energia renovável”, completou.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o banco já trilha esse caminho e está pronto para compartilhar seu conhecimento técnico. "O BNDES consolidou-se como uma referência global em financiamento sustentável e análise de riscos climáticos. Nossa expertise está à disposição dos fundos de pensão para que eles possam identificar projetos robustos em energia limpa e infraestrutura verde, garantindo rentabilidade com responsabilidade social e ambiental", pontuou Mercadante.
Com um segundo melhor resultado do sistema financeiro, uma carteira de crédito que chegou a 584,8 bilhões em 2024 e uma inadimplência de 0,06%, o BNDES é hoje o maior financiador de energia renovável do mundo, e de ônibus elétrico da América Latina. Desde 2023, o banco já mobilizou R$ 7 bilhões para conservação, recuperação e manejo de florestas brasileiras, que equivalem a 280 milhões de árvores plantadas.
Expertise do BNDES - Com a parceria, os gestores de previdência complementar poderão contar com a experiência do BNDES em financiamento sustentável e riscos climáticos para selecionar projetos sólidos de energia limpa e infraestrutura verde. O foco é assegurar que as aplicações de longo prazo continuem rentáveis, mas agora integradas às responsabilidades socioambientais exigidas pela transição ecológica.
Autonomia e gestão - A iniciativa, conduzida por meio da Secretaria de Regime Próprio e Complementar e da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), busca aprimorar a análise de risco dos fundos de pensão. A cooperação possui caráter informativo e orientativo, sem intenção regulatória ou impositiva. O objetivo é ampliar o conhecimento dos gestores e fortalecer a integração com o financiamento de longo prazo, respeitando integralmente a autonomia das entidades e os princípios de prudência e diversificação das carteiras previdenciárias.
Atualmente, os fundos de pensão brasileiros administram mais de R$ 1 trilhão em ativos. A integração desses recursos à agenda de transição ecológica é vista como fundamental para o financiamento de longo prazo da economia brasileira, respeitando sempre a Resolução CMN nº 5.202/2025, que já orienta a consideração de fatores ASG na análise de riscos.