Notícias
VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL
Seleção pública e profissionalização do Setor Museal Brasileiro: conheça os avanços do Ibram
Banner de divulgação contendo a frase "Valorização Profissional e Gestão Técnica". - Foto: Ibram/MinC
A valorização dos profissionais que atuam na preservação da memória nacional foi estabelecida como um dos pilares estratégicos da gestão do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Entendendo que o fortalecimento institucional passa, obrigatoriamente, pela valorização do seu corpo técnico e pela democratização do acesso aos cargos de liderança, a autarquia implementou medidas que priorizam a transparência na seleção de pessoal e o conhecimento especializado. Este movimento responde a um compromisso ético pactuado com o setor para garantir que a gestão do patrimônio brasileiro seja conduzida com excelência técnica e equidade de oportunidades.
Um dos marcos fundamentais deste período foi a realização do aguardado concurso público para o provimento de 28 novas vagas de nível superior. Este certame supriu carências históricas no quadro de pessoal da autarquia, recompondo áreas vitais para o funcionamento dos museus e da sede em Brasília, que teve o último concurso público realizado em 2010. A nomeação de 28 novos servidores ocorreu em 18 de maio de 2026, Dia Internacional dos Museus, por meio da Portaria MinC nº 252 O provimento busca garantir a continuidade das políticas públicas e a sustentabilidade administrativa do instituto para as próximas décadas.
Além da renovação do quadro efetivo, a gestão institucionalizou processos seletivos para a escolha dos dirigentes das unidades museológicas do Ibram. Amparada pela Portaria MinC nº 26/2023 e pela Resolução Normativa Ibram nº 21/2023, a escolha dos diretores passou a seguir critérios objetivos de formação acadêmica, experiência comprovada em gestão e conhecimento das políticas públicas de cultura. Essa mudança assegura que cada museu seja liderado por profissionais com trajetória destacada no setor.
Entre os anos de 2023 e 2026, essa nova política de gestão foi colocada em prática através de diversos editais de chamamento público. Em 2023, os Museu Castro Maya – Museu do Açude e Museu da Chácara do Céu – foram contemplados com nova direção selecionada por chamamento público. Em 2024, foi a vez dos Museus Histórico Nacional (RJ), de Arte Sacra de Paraty (RJ) e Forte Defensor Perpétuo (RJ) receberem direções selecionadas por meio de chamamento público, tendo seus resultados homologados ainda em dezembro do mesmo ano.
A valorização profissional também alcançou o campo da museologia social com o fortalecimento de instâncias participativas que impactam diretamente o cotidiano dos trabalhadores e coletivos de memória. A posse do novo Comitê Consultivo do Programa Pontos de Memória (CCPPM) foi um passo decisivo para garantir que as políticas de memória não sejam construídas de forma isolada. O comitê, de caráter permanente e consultivo, é responsável por propor diretrizes e estratégias para o campo da museologia social, assegurando que as demandas dos territórios e das redes de memória sejam integradas à agenda oficial do Estado.
Este comitê possui uma composição plural e democrática, reunindo representantes do Ibram, além de cinco representantes de Pontos de Memória (um de cada região do país) e três representantes de redes temáticas. Essa estrutura permite uma ampliação da escuta ativa, valorizando o saber de profissionais que atuam na ponta da cadeia produtiva cultural. Ao lado da reestruturação do Conselho Consultivo do Patrimônio Museológico (CCPM), essas instâncias devolvem ao setor o protagonismo na formulação e avaliação das políticas públicas museais.
A própria liderança institucional reflete este compromisso com a trajetória profissional. Pela primeira vez na história, o Ibram é presidido por uma mulher servidora de carreira, Fernanda Castro, cuja nomeação atendeu ao Ponto 2 da Plataforma Unificada para o Setor Museal Brasileiro . Sua trajetória técnica e seu conhecimento da estrutura interna da autarquia contribuíram para conduzir coletivamente a proposta de reestruturação institucional com o Decreto nº 12335/24 e a elaboração de um novo regimento interno. O novo regimento, em construção, prevê uma Unidade Setorial de Integridade, uma Ouvidoria e uma Corregedoria, esta última já instituída em conformidade com orientações da Controladoria-Geral da União (CGU). A unidade deverá contar, em breve, com a nomeação de um corregedor.