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Guia inédito propõe protocolos para preservação de obras de arte da performance em museus públicos brasileiros
Foi lançado durante o 5º Colóquio Musealização da Arte, realizado em 4 de junho, no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC RS), o "Guia para preservação de obras de arte da performance em museus públicos brasileiros". A diretora do Departamento de Processos Museais do Ibram, Ana Carolina Gelmini, participou do evento representando o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
Fruto de pesquisa do grupo mARTE (Musealização da Arte: Poéticas e Narrativas), com apoio do Ibram e financiamento do CNPq, o guia é inédito no país e oferece orientações técnicas e conceituais para a gestão de acervos de arte da performance. A publicação é gratuita e de livre acesso, com link disponibilizado no final da matéria.
"O Guia evidencia a qualidade da pesquisa realizada no campo museal e celebra a intersecção da produção de conhecimento acadêmico com a construção de política pública no setor. O trabalho conjunto dos integrantes do grupo de pesquisa mARTE e o corpo funcional do Instituto Brasileiro de Museus potencializa o compartilhamento de metodologias condizentes à realidade das instituições museológicas brasileiras", destacou Ana Carolina Gelmini.
A professora e pesquisadora Anna Paula da SIlva, uma das autoras do guia, lidera o grupo mARTE e coordena pesquisas sobre musealização da arte contemporânea na UFBA e na UFRGS. Segundo ela, a ideia do guia surgiu das próprias demandas de campo:
"A gente percebeu nos processos de pesquisa e nas conversas com profissionais de museus que havia uma demanda concreta: como preservar obras de performance em acervos públicos? Nosso desafio foi criar um protocolo que ajudasse as instituições a adquirir, documentar, preservar e reativar essas obras, respeitando suas especificidades", explica.
Dividido em duas partes, o guia trata desde os trâmites de aquisição até as orientações sobre documentação e reativação das performances. Inclui modelo de ficha catalográfica, checklist para entrevista com artistas, glossário de termos e sugestões de como lidar com diferentes formas de registro e delegação da obra performática.
"Um dos nossos focos foi justamente pensar na atuação do profissional de museu, no que chamamos de 'chão do museu'. O guia é um instrumento que valoriza o bastidor, a preparação que antecede a ativação de uma performance. Por isso, mais do que normatizar, ele busca dialogar com as possibilidades reais das instituições, e com a figura central do artista", afirma Anna Paula.
O apoio do Ibram foi fundamental para garantir a disseminação da publicação. "Sempre quisemos que esse material chegasse aos profissionais de museus do país inteiro. A parceria com o Ibram fortalece a acessibilidade e a legitimidade desse trabalho como referência para o setor", complementa.
Com base em experiências de pesquisa e escuta com museólogos, conservadores, artistas e gestores culturais, o guia também promove reflexões sobre a aquisição consciente de obras performáticas e alerta para o risco de se adquirir performances sem a intenção ou condição de reativação.
O "Guia para preservação de obras de arte da performance em museus públicos brasileiros" está disponível gratuitamente para leitura e download: Acesse o guia aqui.