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COMBATE AO TRÁFICO
Governo do Brasil firma parceria inédita com a Interpol contra o crime organizado transnacional
Entre as prioridades da iniciativa está o mapeamento, o monitoramento e a análise contínua das rotas do tráfico de drogas e de atividades criminosas correlatas. Foto. Vitor Vasconcelos / Secom-PR
Em uma iniciativa inédita na América do Sul, o Governo do Brasil, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), irá liderar uma ação integrada de combate ao tráfico de drogas e às organizações criminosas em parceria direta com a Interpol. A formalização da Parceria Brasil–Interpol para o Enfrentamento ao Tráfico Transnacional de Drogas ocorreu nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, no Palácio da Justiça, em Brasília.
A parceria marca um novo patamar de cooperação internacional liderada pelo Brasil e pela Interpol, reforçando o compromisso do país com a segurança no continente e com o combate efetivo às organizações criminosas que operam além das fronteiras nacionais. A iniciativa, pioneira no continente, será financiada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), com recursos do Fundo Nacional Antidrogas (Funad), e contará com o apoio operacional da Polícia Federal.
COOPERAÇÃO — O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, ressaltou que essa iniciativa representa uma importante evolução na forma como o Brasil combate o crime organizado. Segundo ele, como o crime organizado atua além das fronteiras, a resposta também precisa ser internacional e baseada em cooperação entre países. “Neste domínio, o fluxo ágil da informação, o nível de articulação e a capacidade dos organismos policiais que anteciparem a criminalidade organizada faz toda a diferença”, destacou o ministro.
É possível e é necessário que tenhamos condições objetivas, tanto pelo marco legal como pelos critérios de financiabilidade, pelas iniciativas como essa de elevar essa parceria a um patamar de prioridade inegavelmente. Para levar a sério esse combate, tínhamos que dar esse passo: internacionalizar essa cooperação e ter uma resposta transnacional para o fenômeno"
Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública
MEDIDAS CONCRETAS — Wellington César Lima e Silva afirmou que o combate ao crime organizado é uma das principais preocupações da população brasileira e, por isso, precisa ser tratado como prioridade com medidas concretas. “É possível e é necessário que tenhamos condições objetivas, tanto pelo marco legal como pelos critérios de financiabilidade, pelas iniciativas como essa de elevar essa parceria a um patamar de prioridade inegavelmente. Para levar a sério esse combate, tínhamos que dar esse passo: internacionalizar essa cooperação e ter uma resposta transnacional para o fenômeno”, afirmou o ministro.
INTEGRAÇÃO — Para o secretário-geral da Interpol, Valdecir Urquiza, o modelo proposto garante a autonomia das agências policiais dos países participantes, ao mesmo tempo em que cria uma plataforma de integração técnica para o intercâmbio contínuo de informações e a coordenação de operações conjuntas.
“É um modelo que prevê a autonomia de cada uma das agências policiais dos países que vão participar, mas que garante uma plataforma para uma integração técnica para o intercâmbio ativo de informações policiais e, eventualmente, para a coordenação de operações. Esse modelo, além do impacto operacional, produzirá também informações qualificadas, dados técnicos, análises estratégicas e diagnósticos que vão contribuir diretamente para a formulação de políticas públicas mais eficazes sobre drogas”, destacou Urquiza.
COMO FUNCIONARÁ — O programa terá como bases o Escritório Regional da Interpol, localizado em Buenos Aires, capital da Argentina, e sediará equipes de especialistas em segurança pública oriundos de diversos países da América do Sul, e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia) em Manaus, inaugurado pelo Governo do Brasil em setembro de 2025.
O Brasil será o principal financiador do projeto, viabilizando a participação de agentes selecionados entre os quadros mais experientes da Polícia Federal brasileira e de forças policiais parceiras da região. Esses profissionais serão recrutados pela Interpol e atuarão com acesso pleno às bases de dados e aos sistemas da organização, além das informações de suas respectivas agências nacionais. A cooperação permitirá o compartilhamento estratégico de informações e a realização de operações conjuntas, em tempo real, contra redes transnacionais do crime organizado.
PRIORIDADES — Entre as prioridades da iniciativa está o mapeamento, o monitoramento e a análise contínua das rotas do tráfico de drogas e de atividades criminosas correlatas, especialmente aquelas que atravessam áreas de fronteira e a região amazônica, cuja complexidade territorial favorece a atuação de organizações criminosas transnacionais.
REFERÊNCIA — O modelo adotado tomará como referência a atuação das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO), coordenadas pela Polícia Federal no Brasil. O objetivo é ampliar esse modelo para uma escala regional, fortalecendo as capacidades de investigação, inteligência e atuação das forças de segurança sul-americanas.
O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, destacou a iniciativa como um marco e uma resposta inovadora a um problema global. Ele ressaltou ainda a inspiração na experiência das forças integradas de investigação coordenadas pela Polícia Federal.
“Essa iniciativa tem como foco o tráfico internacional de drogas, com uma atenção especial para as áreas de fronteira. Há um foco na criminalidade transfronteiriça e também um foco na estrutura financeira das organizações criminosas. Esse projeto é um marco no contexto atual que nosso país vive, diante da necessidade de buscarmos saídas não usuais, não triviais”, afirmou.
SENAD — A atuação da Senad no financiamento da iniciativa está alinhada às suas atribuições institucionais de coordenação da política nacional sobre drogas e às prioridades do MJSP, com destaque para o enfrentamento ao tráfico internacional de drogas em áreas de fronteira, em especial na Amazônia, e no combate às estruturas financeiras do crime organizado, por meio da gestão e da destinação de ativos de origem ilícita.
A secretária da Senad, Marta Machado, explicou que, pela primeira vez, a Interpol vai financiar e ajudar a replicar, em nível internacional, o modelo brasileiro de integração policial. A ideia é levar essa lógica de integração, que já funciona dentro do Brasil, para a América do Sul.
“A Interpol vai recrutar profissionais da segurança pública de diferentes países da América do Sul e eles trabalharão atuando no escritório regional, em Buenos Aires, mas em estreita cooperação também com o CCPI, em Manaus, lançado ano passado e também é um outro modelo de cooperação internacional que temos. Isso vai fomentar ações focadas, ações estratégicas de desarticulação do crime organizado transnacional na nossa região”, disse.
INFORMAÇÕES QUALIFICADAS — A iniciativa também prevê o fortalecimento da produção, sistematização e disseminação de informações qualificadas e análises estratégicas, bem como o apoio à identificação, ao rastreamento, à recuperação e à destinação de ativos de origem ilícita, com vistas à restituição ao Estado dos valores auferidos com a atividade criminosa. Esse eixo é considerado fundamental para a descapitalização das organizações criminosas e para o reinvestimento desses recursos em políticas públicas.