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Margareth Menezes faz grande sucesso no Senegal
O canto à capela de Margareth Menezes surpreendeu a imprensa internacional
Por Suzana Varjão, texto e fotos
Os versos de Lágrima do Sul, de Milton Nascimento, ganharam força na voz de Margareth Menezes, surpreendendo a imprensa internacional, no dia 16 de dezembro, na Place du Souvenir (Praça da Lembrança), em Dakar (Senegal).
Em frente ao Oceano Atlântico e a um mapa suspenso da África, autoridades, intelectuais e artistas brasileiros participaram de uma coletiva de imprensa para falar sobre a participação do Brasil no III Festival Internacional das Artes e Cultura Negras.
Para guiar o acesso ao inusitado cenário da entrevista, o governo senegalês estendeu um enorme tapete rosa, sinalizando o carinho do povo pelos artistas e intelectuais brasileiros – que retribuíram com muita alegria, reflexão e profissionalismo.
Ao final da conversa à beira-mar, Margareth abriu o vozeirão e interpretou a canção de Milton à capela. Ponto alto do dia. Aliás, o sucesso da baiana foi extraordinário no Senegal. Nos dois show que fez, em Dakar e em Saint Louis, colocou os reservados muçulmanos (maioria no país) para dançar.
– A música dela fez muito bem ao coração dos senegaleses, resumiria um entusiasmado fã, dia seguinte, no hotel.
– Eu adorei o povo daqui. São muito educados e gentis, retribuiria a intérprete.
Lágrima do Sul
Reviver tudo o que sofreu
Porto de desesperança e lágrima
Dor de solidão
Reza pra teus orixás
Guarda o toque do tambor
Pra saudar tua beleza
Na volta da razão
Pele negra, quente e meiga
Teu corpo e o suor
Para a dança da alegria
E mil asas pra voar
Que haverão de vir um dia
E que chegue já, não demore, não
Hora de humanidade, de acordar
Continente e mais
A canção segue a pedir por ti
África, berço de meus pais
Ouço a voz de seu lamento
De multidão
Grade e escravidão
A vergonha dia a dia
E o vento do teu sul
É semente de outra história
Que já se repetiu
A aurora que esperamos
E o homem não sentiu
Que o fim dessa maldade
É o gás que gera o caos
É a marca da loucura
África, em nome de deus
Cala a boca desse mundo
E caminha, até nunca mais
A canção segue a torcer por nós
África tudo o que sofreu
Porto de desesperança e lágrima
Dor de solidão
Reza pra teus orixás
Guarda o toque do tambor
Pra saudar tua beleza
Na volta da razão
Pele negra, quente e meiga
Teu corpo e o suor
Para a dança da alegria
E mil asas pra voar
Que haverão de vir um dia
E África, em nome de deus
Cala a boca desse mundo
E caminha, até nunca mais
A canção segue a torcer por nós