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Primeiro dia do evento reuniu cultura, ancestralidade, arte negra e encontros entre África, Brasil e diáspora africana em diferentes espaços da capital paulista
Festival Akwaaba começa em São Paulo com feira afroempreendedora, abertura institucional e noite de música no CCSP
O Festival Akwaaba 2026 começou oficialmente nesta quinta-feira (22), ocupando o Centro Cultural São Paulo (CCSP) e o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo com uma programação que atravessou o dia inteiro entre feira afroempreendedora, cerimônia institucional, exposição, música e encontros culturais.
Logo pela manhã, o público começou a circular pela Feira Afroempreendedora montada no CCSP. Durante todo o dia, expositores de diferentes áreas apresentaram trabalhos ligados à moda, literatura, gastronomia, acessórios, artes visuais e economia criativa negra. A movimentação se estendeu até a noite e abriu oficialmente o clima do festival na cidade.
Enquanto o CCSP recebia a feira, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo sediou, durante a tarde, a solenidade de abertura do Akwaaba. A cerimônia reuniu representantes do Governo Federal, Ministério da Igualdade Racial, Ministério das Relações Exteriores, pesquisadores, artistas e instituições culturais parceiras do evento.
Na abertura, o diretor do Centro Cultural São Paulo, José Mauro Gnaspini, destacou a importância de receber um festival com essa dimensão dentro do equipamento cultural.
“O Centro Cultural talvez seja o espaço mais horizontal e diverso dos equipamentos públicos da cidade. Receber o Akwaaba aqui tem um significado muito forte”, afirmou.
Já o professor da Universidade do Sul da Bahia, Richard Santos, relacionou o festival ao fortalecimento das conexões afro-atlânticas e ao posicionamento do Brasil dentro do sul global.
“Pensar o Akwaaba é pensar como o Brasil pode incidir positivamente no desenvolvimento africano e fortalecer esse diálogo a partir da nossa identidade negra”, disse.
Representando o Ministério das Relações Exteriores, o embaixador Antônio Augusto reforçou a retomada das relações do Brasil com países africanos e o alinhamento entre diplomacia internacional e políticas de igualdade racial.
“Isso se articula com políticas domésticas de combate ao racismo e promoção da igualdade racial”, destacou.
O conselheiro do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo e CEO do Grupo Raça, Maurício Pestana, definiu o Akwaaba como um dos maiores encontros culturais recentes da cidade.
“Arte, cultura, intelectualidade e academia estão reunidos aqui. A Fundação Palmares conseguiu construir um pensamento que vai além das disputas e aproxima diferentes setores da nossa luta”, afirmou.
Também presentes na cerimônia, a secretária executiva do Ministério da Igualdade Racial, Bárbara Oliveira, destacou a importância das políticas de reparação histórica e do fortalecimento das relações entre África e diáspora.
Encerrando a mesa de abertura, o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, reforçou o significado simbólico de realizar o festival em São Paulo.
“São Paulo também é uma cidade negra. Aqui é a casa do pan-africanismo brasileiro”, declarou.
Segundo ele, o Akwaaba nasce como um espaço de reencontro entre memória, cultura e identidade afro-diaspórica.
“A expressão Akwaaba significa ‘bem-vindo’. É isso que estamos fazendo aqui: abrindo as portas para esse encontro entre África, Brasil e diáspora”, disse.
Após a solenidade, o público acompanhou a abertura da exposição “Um Xirê para Emanoel”, do artista baiano Alberto Pitta, em homenagem ao legado de Emanoel Araujo. A mostra reúne obras ligadas à ancestralidade afro-brasileira, religiosidade de matriz africana e memória negra.
A programação da noite voltou ao CCSP com apresentações musicais que encerraram o primeiro dia do festival.
Às 18h, o Bloco Afro Ilú Obá De Min levou ao público toda a potência dos tambores e das tradições afro-brasileiras. Fundado em São Paulo em 2004, o coletivo formado majoritariamente por mulheres negras se tornou referência nacional ao unir música, dança, ancestralidade e ocupação cultural das ruas da cidade.
Na sequência, às 19h, o Berklee Global Jazz Institute apresentou o espetáculo “Berklee Global Jazz convida Danilo Pérez”. Pianista panamenho premiado internacionalmente, Danilo Pérez é um dos principais nomes do jazz contemporâneo e diretor artístico do Berklee Global Jazz Institute, programa voltado à integração entre música, educação e intercâmbio cultural global.
Fechando a noite, o projeto BalanSoul, comandado pelo DJ Chicco Aquino e Umiranda, trouxe ao festival uma mistura de black music, grooves, brasilidades e sonoridades afro-diaspóricas diretamente de Brasília, encerrando o primeiro dia do Akwaaba em clima de celebração.
O Festival Akwaaba segue até o dia 28 de maio com seminários internacionais, apresentações artísticas, cinema, literatura, feira afroempreendedora e atividades voltadas ao fortalecimento das conexões entre África, Brasil e diáspora africana.
Henrique Bertoldo