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“Um Xirê para Emanoel” une ancestralidade, arte afro-diaspórica e celebração da memória negra no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
Festival Akwaaba 2026 abre programação em São Paulo com exposição de Alberto Pitta em homenagem a Emanoel Araujo
A abertura da exposição “Um Xirê para Emanoel”, do artista baiano Alberto Pitta, marcou o início da programação cultural do Festival Akwaaba 2026, realizado pela Fundação Cultural Palmares, em São Paulo. A mostra, apresentada no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, presta homenagem ao legado de Emanoel Araujo e inaugura uma semana de atividades voltadas ao fortalecimento das conexões entre África, Brasil e diáspora africana.
Inspirado na palavra ganesa “Akwaaba”, expressão de acolhimento e boas-vindas do povo Ashanti, o festival reúne seminários internacionais, apresentações artísticas, literatura, cinema, música, exposições e debates sobre identidade, memória e cultura afro-diaspórica contemporânea. Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, o evento nasce com a proposta de reposicionar São Paulo como território de pertencimento e reflexão sobre a experiência negra no Brasil.
“São Paulo recebe uma visita do mundo afro. O Akwaaba é reconexão com passado, presente e futuro. É identidade, autoestima e pertencimento”, afirmou o presidente durante a abertura do festival.
Segundo ele, a iniciativa busca provocar uma reflexão profunda sobre identidade e ancestralidade em uma das maiores cidades do mundo. “O maior problema da luta contra o racismo no Brasil é a identidade perdida. O Akwaaba vem justamente para reconectar as pessoas com suas origens, sua cultura e sua história”, destacou.
Dentro dessa proposta, a exposição de Alberto Pitta ocupa um lugar simbólico e central na programação. O artista explica que a mostra nasceu a partir do convite da Fundação Palmares para integrar o festival e dialoga diretamente com a herança ancestral construída por Emanoel Araujo ao longo de sua trajetória artística e institucional.
“Xirê quer dizer festa, celebração, cerimônia afro-religiosa. Essa exposição nasce desse encontro entre espiritualidade, arte e memória”, afirma Pitta.
Reconhecido internacionalmente por suas serigrafias e pela criação estética de blocos afro da Bahia, Alberto Pitta construiu uma obra marcada pela valorização das matrizes africanas, da religiosidade afro-brasileira e da cultura popular negra. Para ele, ocupar o Museu Afro Brasil com essa homenagem representa também um reconhecimento histórico da trajetória construída pela arte negra brasileira.
“O Museu Afro é hoje o museu mais importante da América do Sul. Não existe nada que se compare. Ocupar esse espaço me dá a certeza de que valeu a caminhada”, diz.
A exposição reúne obras que evocam símbolos do candomblé, referências afro-religiosas e figuras ligadas à ancestralidade negra. Entre elas, Pitta destaca trabalhos como “Os Oguns”, “Babá Alapalá”, “Casa de Oxalá” e a “cadeira de Mãe Santinha de Oyá”.
“Todas essas obras representam força. Elas revelam a cultura de um povo e ajudam o público a compreender a importância dessa herança no cotidiano brasileiro”, explica.
Para o presidente da Fundação Palmares, “Um Xirê para Emanoel” vai além de uma homenagem artística e assume caráter ritualístico dentro da proposta do festival.
“Esse xirê é uma oferta da arte de Alberto Pitta para Emanoel Araujo. É um ritual de encontro entre o espírito e Emanoel, que continua presente entre todos nós”, declarou.
Ele também destacou a importância histórica do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo para a preservação da memória africana e afro-brasileira no país. “Não era possível realizar o Akwaaba sem celebrar esse espaço e a trajetória de Emanoel Araujo. O museu é um símbolo da diáspora africana no Brasil”, afirmou.
Ao longo da programação, o Festival Akwaaba promove encontros entre artistas, intelectuais, lideranças políticas, pesquisadores e representantes de diferentes países africanos e afro-diaspóricos. A proposta é fortalecer intercâmbios culturais e construir novas perspectivas sobre o presente e o futuro das relações entre África e Brasil.
“Esse evento cria relações culturais, mercadológicas e troca de experiências. É um dos movimentos mais fortes nessa perspectiva de manter os laços afro-diaspóricos”, ressalta Alberto Pitta.
O presidente da Fundação Palmares também relacionou o festival à necessidade de valorização da cultura negra como instrumento de transformação social.
“A cultura é um alimento. Ela desperta, movimenta e faz as pessoas compreenderem seu lugar no mundo. O Akwaaba não é um festival de lamentação. É um festival de afirmação, de futuro e de construção coletiva”, disse.
Com programação distribuída entre o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo e o Centro Cultural São Paulo, o Festival Akwaaba 2026 segue até o dia 28 reunindo música, debates, cinema, exposições e manifestações culturais afro-brasileiras e africanas contemporâneas.
Henrique Bertoldo