Notícias
Comissão nigeriana visita Fundação Palmares em busca de apoio para Colóquio Internacional
Nesta quinta-feira, 18, um grupo de nigerianos – representando o Ministério da Cultura e outros órgãos ligados à valorização da cultura negra – esteve na Fundação Cultural Palmares em busca de apoio para a realização do 5º Colóquio Internacional sobre Ensino da História e Cultura da África.
Este ano, o evento terá como tema: “Ensinando e Propagando a História e a Cultura da África e Ensinando a História e a Cultura da Diáspora” e está previsto para o período de 11 a 13 de novembro, no Rio de Janeiro.
A comitiva – formada pelo secretário executivo do Grupo de Pesquisa Política e Estratégica Pan-africana (PANAFSRAG), Ishola Williams; pelo professor-doutor Felix Ayo Omodire, da Universidade Obafemi Awolowo; e pelo adido cultural da Nigéria, Umar Sarkinfada – está no Brasil para buscar apoio de diversas entidades públicas e governamentais ao projeto do Colóquio.
O objetivo do Colóquio é trazer professores africanos para ensinar e interpretar um pouco da cultura e da História da África e da Diáspora, de modo a trazer ao povo brasileiro um melhor entendimento da própria História do Brasil.
O grupo foi recebido na Fundação Cultural Palmares pela chefe de gabinete da instituição, Eliane Borges, e pela assessora internacional, Inez Passos. Eliane enfatizou a importância do diálogo direto com os países africanos, bem como da oportunidade de receber a delegação aqui no Brasil. “A Fundação Palmares tem o maior interesse na aproximação e no diálogo com a África. Vamos fazer um esforço para ajudar da melhor forma que pudermos. Vamos nos articular institucionalmente com os Ministérios das Relações Exteriores e da Educação para viabilizar a realização do evento na data prevista. Temos o maior interesse em apoiar e participar do projeto”, explicou.
Mesma opinião tem a professora Maria Auxiliadora Lopes, da Secretaria de Educação Continuada/MEC, que participou da reunião, juntamente com Elizabeth Silva, representando a Diretoria Internacional do Ministério da Cultura, e Denise Barata, professora da UERJ. Auxiliadora entende que o evento é de suma importância para o Brasil, uma vez que se precisa difundir a Lei nº 10.639/2003 e criar elementos para que se efetive o ensino da História e cultura da África nas salas de aula. “Essa aproximação vai nos dar inúmeras possibilidades para implementarmos a Lei no ensino brasileiro”, disse.
O Colóquio pretende atrair professores, estudiosos e participantes da África, da América, do Caribe e da Europa. O Brasil foi escolhido como sede devido ao grande interesse do governo brasileiro em ensinar a História da África, já que, desde 2003, o país conta com a Lei 10.639. Sancionada pelo presidente Lula, a norma incluiu na grade curricular dos ensinos fundamental e médio o estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política, pertinentes à História do Brasil.
Para Ishola William, do grupo PANAFSRAG, o Colóquio se faz necessário porque para se entender a cultura de um país, é necessário que se entenda a história dele. E entender a História da Diáspora e da África é fundamental para entendermos o Brasil. O objetivo é trazer professores africanos que possam dar um pouco da idéia da formação do povo africano e da formação de outros povos advindos da diáspora negra.