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Centenário de Mãe Stella é celebrado na Câmara com homenagem solene e selo comemorativo
100 anos de Mãe Stella de Oxóssi
Uma sessão solene realizada nesta quarta-feira (12), no Plenário da Câmara dos Deputados, marcou a celebração dos 100 anos de nascimento de Mãe Stella de Oxóssi, uma das maiores referências das religiões de matriz africana no Brasil. O encontro reuniu lideranças espirituais, autoridades políticas e representantes de comunidades tradicionais para reverenciar a ialorixá baiana, reconhecida nacionalmente por sua firmeza, sabedoria e atuação na defesa do povo de axé.
Proposta pelos parlamentares baianos Jaques Wagner (PT-BA), Bacelar (PV-BA) e Lídice da Mata (PSB-BA), a homenagem teve momentos de forte simbolismo, como a exibição de um vídeo com imagens históricas do Ilê Axé Opô Afonjá, terreiro que Mãe Stella liderou por décadas em Salvador, transformando-o em um dos maiores centros culturais e religiosos do país.
Durante a cerimônia, os Correios lançaram, em parceria com a Fundação Cultural Palmares, um selo comemorativo em tributo a Mãe Stella. A peça passa a integrar o acervo filatélico oficial do Brasil como reconhecimento à sua trajetória como sacerdotisa, educadora, escritora e referência da cultura afro-brasileira. O lançamento reafirma a importância de preservar, por meios simbólicos e institucionais, a memória de personalidades negras que marcaram a história nacional.
A Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, foi representada no evento por Fernanda Thomaz, diretora da Diretoria de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro (DPA/FCP), que recebeu o Cetro da Prosperidade das mãos de Adriano Azevedo, artista da obra e sobrinho de Mãe Stella. A peça, feita com talisca de coqueiro, tecido, búzios da costa e miçangas, agora compõe o acervo da Fundação, como expressão simbólica da força espiritual e cultural associada à trajetória de Mãe Stella.
Em declaração oficial enviada à organização do evento, o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, que não pôde comparecer por recomendação médica, reforçou o compromisso da instituição com a valorização das tradições afro-brasileiras:
“Mãe Stella é patrimônio do povo negro. Sua voz, sua sabedoria e sua firmeza em defender o candomblé como cultura e religião deixaram marcas profundas em nosso país. A Palmares tem o dever de proteger e dar visibilidade à sua trajetória, que nos ensina a construir respeito, identidade e liberdade,” destacou.
Entre os presentes estavam Mãe Ana de Xangô, atual Iyalorixá do Ilê Opô Afonjá; a ministra da Cultura, Margareth Menezes; representantes dos Ministérios da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos; além de lideranças de organizações como a ATRACAR, o FOAFRO-DF, o Coletivo Defensores do Axé e o Projeto Oníbodê.
Com saudações ancestrais e palavras de reconhecimento, a cerimônia reafirmou que a história de Mãe Stella segue viva nos rituais, nas palavras e nas políticas públicas que buscam dignidade e respeito para os povos de terreiro em todo o Brasil.


