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Pedra Sabão de Minas Gerais é reconhecida como Pedra do Patrimônio Mundial da IUGS com colaboração de pesquisadora do CETEM
A Pedra Sabão de Minas Gerais foi reconhecida internacionalmente como Pedra do Patrimônio Mundial (Heritage Stone) pela União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS – International Union of Geological Sciences).
A proposta foi submetida à Subcomissão de Pedras do Patrimônio (Heritage Stone Subcommission), vinculada à Comissão Internacional de Patrimônio Geológico da IUGS, com base em décadas de pesquisa do professor Antonio Gilberto Costa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e contou com a colaboração da pesquisadora Nuria Castro, do CETEM. A proposta foi aprovada após criteriosa revisão de cinco avaliadores de diferentes países e ratificada pela IUGS.
A designação IUGS Heritage Stone busca valorizar rochas utilizadas em monumentos e obras arquitetônicas representativas da cultura mundial, promovendo a divulgação de suas características geológicas, origem e histórico de uso, além de contribuir para a preservação do patrimônio cultural.
Com a nova certificação, o Brasil passa a contar com duas rochas reconhecidas mundialmente como Pedras do Patrimônio: o Gnaisse Facoidal do Rio de Janeiro e a Pedra Sabão de Minas Gerais. O CETEM foi o responsável pela designação do Gnaisse Facoidal, cuja proposta foi integralmente elaborada pela pesquisadora Nuria Castro, reforçando a atuação da instituição em pesquisas voltadas ao patrimônio geológico e cultural brasileiro.
As 14 novas Pedras do Patrimônio da IUGS serão oficialmente apresentadas em novembro, durante o IUGS Geoheritage Special Event 2026, que ocorrerá entre os dias 4 e 8 de novembro, no Geoparque Algarvensis, em Portugal. Na ocasião, o professor Antonio Gilberto Costa apresentará a proposta da Pedra Sabão de Minas Gerais.
A Pedra do Barroco Brasileiro
A Pedra Sabão contribuiu para o desenvolvimento de uma cultura típica da região central do Brasil e quase única no mundo, ao substituir os caros mármores e calcários italianos e portugueses na produção de elementos do patrimônio cultural brasileiro nos séculos XVIII e XIX. A Pedra Sabão de Minas Gerais é geralmente associada ao Barroco brasileiro, que, no início do século XX, foi considerado pelos modernistas como o primeiro estilo arquitetônico nacional.
Como resultado, inúmeros edifícios, monumentos e artefatos presentes em coleções de museus que incorporam Pedra Sabão foram reconhecidos por órgãos responsáveis pela salvaguarda do patrimônio nacional e mundial. Entre eles, destacam-se as esculturas e elementos arquitetônicos do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos e da Cidade Histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais, assim como o mosaico do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, todos reconhecidos como Patrimônio Mundial da UNESCO.
Além disso, a Pedra Sabão de Minas Gerais possui significativo impacto social e cultural no Brasil devido à longa tradição da produção artesanal de utensílios, atividade representativa da cultura mineira e reconhecida como Patrimônio Imaterial em Ouro Preto e Mariana.
Atualmente, além da produção artesanal, a Pedra Sabão é beneficiada por modernas indústrias que oferecem produtos diversificados, desde chapas até peças artísticas, sendo exportada para diversos países. A rocha possui múltiplas aplicações, tanto internas quanto externas, devido às suas boas propriedades térmicas e baixa absorção de água, destacando-se em pisos para piscinas e revestimentos de lareiras.




