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MEIO AMBIENTE
Brasil e Itália lançam iniciativas para ações de resfriamento global antes da COP30
Brasil e Itália anunciaram novas iniciativas no enfrentamento à crise climática global, com foco na redução dos impactos do aquecimento global. Os anúncios ocorreram durante a primeira Reunião de Pontos Focais dos Signatários do Compromisso Global de Resfriamento, realizada em Bonn, na Alemanha, como parte da preparação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro, em Belém (PA).
Em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o Brasil lançou o "Mutirão contra o Calor Extremo", uma ação global voltada à promoção de soluções de resfriamento sustentável. A iniciativa prevê apoio técnico a municípios para diagnóstico de ilhas de calor, modelagens urbanas e desenvolvimento de projetos para reduzir os impactos das altas temperaturas e preparar as cidades para eventos climáticos extremos.
A Itália, por sua vez, anunciou o aporte de US$ 2 milhões ao Compromisso Global de Resfriamento — iniciativa criada na COP28, nos Emirados Árabes Unidos, que estabelece metas globais integradas para reduzir as emissões relacionadas à refrigeração em 68% até 2050 e expandir o acesso a tecnologias de resfriamento sustentável até 2030, com foco no design passivo e construções mais eficientes.
O país europeu anunciou também novos financiamentos para a implementação do Compromisso Global de Resfriamento, por meio do novo Mecanismo de Implementação do Compromisso de Habilitação para o Resfriamento (EPIC) do Pnuma. A nova iniciativa, que abriga um Mecanismo de Assistência Técnica e um Acelerador de Fundos, canalizará assessoria técnica e financiamento para as cidades.
O secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e copresidente do Compromisso Global de Resfriamento, Adalberto Maluf, destacou a importância de proteger a população mais vulnerável diante do avanço do calor extremo e reforçou o papel estratégico da iniciativa. "Representa uma oportunidade poderosa para proteger vidas, saúde e segurança alimentar. Ao trazer a natureza de volta às nossas cidades, não apenas atendemos às necessidades urgentes de mitigação e adaptação climática, mas também apoiamos a biodiversidade e tornamos nossas cidades mais habitáveis para todos”, afirmou Maluf.
PRIORIDADES — A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, destacou que o tema do resfriamento sustentável será uma das prioridades da conferência em Belém. “As cidades, o clima e bilhões de pessoas dependem dele. Nosso objetivo é transformar as cidades em motores de adaptação, impulsionar a implementação do Compromisso Global e garantir que ninguém seja deixado para trás diante da aceleração do calor extremo”, afirmou.
RELATÓRIO — Segundo o Relatório Global para o Resfriamento 2023, divulgado pelo Pnuma, o aumento da demanda por refrigeração, caso as tendências atuais persistam, poderá gerar até 6,1 gigatoneladas de CO₂ até 2050. Além disso, mais de 1 bilhão de pessoas ainda não têm acesso a meios adequados para refrigerar alimentos, medicamentos ou manter suas atividades produtivas.
"O resfriamento sustentável é uma alavanca fundamental para a adaptação, e uma medida de mitigação que corrige o curso e ainda nos mantém dentro do limite de 1,5 °C", disse Martin Krause, Diretor da Divisão de Mudanças Climáticas do Pnuma. "Integrar o resfriamento nos novos planos climáticos nacionais será fundamental para garantir uma abordagem holística que alinhe a ação climática com os benefícios sociais e econômicos", acrescentou.