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Neusa Borges
Atriz e cantora que estreou no teatro em 1969 e emendou papéis marcantes em Escrava Isaura, Dancin’ Days e O Clone, somando prêmios APCA e Kikito ao longo de seis décadas de carreira. Integrou elencos de novelas, filmes e séries, sempre destacando a cultura afro‑brasileira. Como crooner e musical performer, participou de montagens de Hair e Ópera do Malandro. Coordena oficinas de interpretação para jovens negras em Santa Catarina. Continua ativa no palco, na TV e no cinema, ampliando a representatividade negra nas artes cênicas.
Nilma Lino Gomes
Pedagoga e antropóloga social que, após doutorado e pós‑doc em Coimbra, dirigiu ações afirmativas na UFMG e tornou‑se, em 2013, a primeira mulher negra reitora de universidade federal (UNILAB). Foi ministra das Políticas de Promoção da Igualdade Racial (2015–2016), implementando cotas educacionais. Autora de obras sobre relações raciais e educação, inspira políticas públicas de equidade. Preside hoje instituto de pesquisa em diversidade e coordena programas de inclusão em pós‑graduação. Recebeu em 2024 o Prêmio UNESCO de Educação para Transformação Social.
Nilo Feijó
Carnavalesco e compositor de samba‑enredo que, desde os anos 1950, fortaleceu clubes negros e presidiu a Sociedade Satélite Prontidão em Porto Alegre. Inventivo no desfile e nas letras, integrou júris oficiais do Carnaval e via o evento como espaço de resistência política. Suas composições são estudadas em cursos de cultura popular. Em 2021, ganhou um centro cultural em sua homenagem, oferecendo oficinas de samba e memória coletiva. É tido como um dos pilares do samba gaúcho e da luta antirracista no Sul do Brasil.
Nina Simone
Cantora e pianista que, após ser rejeitada no conservatório Curtis, reinventou-se em bares de Atlantic City, adotando o nome artístico e mesclando jazz, blues e gospel com técnica erudita. O sucesso de I Loves You, Porgy (1958) levou-a ao estrelato, e hinos como “Mississippi Goddam” tornaram-na voz combativa pelos direitos civis. Enfrentou racismo, violência doméstica e transtorno bipolar, mas manteve-se intérprete visceral até sua morte em 2003. Seu legado inspira música de protesto e documentários, consolidando-a como “Sacerdotisa da Alma”.
Norton Nascimento
Ator e apresentador paulista, formado na ECA‑USP, destacou‑se como Jeferson em A Próxima Vítima (1995) e Canuto em Agosto (1993), além de brilhar no musical Aquarela do Brasil (2000). Conhecido pelo timbre grave e elegância, fez campanhas pela doação de órgãos após transplante cardíaco em 2003. Participou de projetos sociais de saúde e foi porta‑voz do transplante de coração. Seu carisma e militância humanitária marcaram a arte e o engajamento cultural até sua morte em 2007.
Nzinga Mbandi
Rainha guerreira dos reinos de Ndongo e Matamba (atual Angola) no século XVII, Nzinga Mbandi liderou a resistência contra a colonização portuguesa. Diplomata astuta e estrategista militar, ela desafiou normas de gênero e poder, e se tornou um ícone da luta africana por soberania. Sua inteligência e bravura a colocaram entre as grandes líderes da história, ao inspirar a resistência contra a opressão. Nzinga é um exemplo de tenacidade e resiliência feminina diante das adversidades coloniais.
Ogan Bangbala
Ritmista-sacerdote que, com mais de um século de vivência, é venerado como o ogan mais antigo em atividade no Candomblé brasileiro. Artesão de atabaques e agogôs, preserva técnicas tradicionais e rituais em terreiros de Salvador e Belford Roxo. Recebeu a Ordem do Mérito Cultural em 2014 por sua contribuição à percussão e à espiritualidade afro‑baiana. Participou de livros, filmes e exposições, compartilhando mitos e cânticos que ligam música e resistência ancestral.
Pai Euclides Talabyian
Euclides Menezes Ferreira (1937–2015) fundou em 1954 a Casa Fanti Ashanti, pioneira do candomblé Jeje‑Nagô no Maranhão. Iniciado em 1950, publicou livros e CDs sobre Mina, Baião de Princesas e rituais de cura. Reconhecido com a Ordem do Mérito Cultural e a medalha Simão Estácio da Silveira, formou inúmeros filhos de santo. Legou um vasto acervo de devoção e salvaguarda da cultura afro‑maranhense.
Pinah
Rainha de bateria que conquistou o mundo em 1978 ao dançar com o príncipe Charles representando a Beija‑Flor, recebeu o apelido de “Cinderela Negra” e tornou‑se ícone do Carnaval. Formada em contabilidade, desfilou como destaque da Nilópolis nos anos 1970‑80, conhecida pela ginga elegante e carisma. Aposentou‑se em 1989, passou a conselheira da escola e hoje vive em São Paulo, onde aconselha novas gerações. Sua trajetória simboliza empoderamento feminino e a força do samba‑enredo.
Preta Gil
Cantora e atriz que, filha de Gilberto Gil, lançou‑se em 2003 com Prêt-à-Porter e emplacou hits como “Sinais de Fogo” e “Vá Se Benzer”. Criou o Baile da Preta e o Bloco da Preta, eventos que misturam funk, samba, axé e pop e arrastam multidões. Em 2017, reafirmou seu ecletismo em Todas as Cores. Presente na TV e nas redes, combate a gordofobia e defende a inclusão, tornando-se símbolo de liberdade artística, diversidade e representatividade afro‑baiana.
Pureza Lopes Loyola
Ativista que, oriunda de Presidente Juscelino (MA), liderou a luta contra o trabalho escravo e o tráfico de pessoas no Brasil. Inspirou em 1995 a criação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho, resgatando mais de 61 000 trabalhadores. Recebeu o prêmio Anti‑escravidão da Anti‑Slavery International em 1997 e, em 2023, foi reconhecida como “Herói” no relatório dos EUA sobre tráfico de pessoas. Sua história virou filme estrelado por Dirá Paes e continua a impactar políticas públicas de dignidade laboral.
Rainha Makeda de Aksum (Rainha de Sabá)
Soberana lendária do Reino de Sabá (atual Etiópia e Iêmen), Rainha Makeda é, segundo a tradição etíope, matriarca da linhagem imperial salomônica. Sua história, contada no "Kebra Negast", a consagra como símbolo de sabedoria, poder feminino e ancestralidade africana. Sua visita ao Rei Salomão é um marco cultural e religioso, o que reafirma sua importância como figura histórica e espiritual. Makeda é um elo entre o poder feminino e as raízes profundas da cultura africana.
Ramsés II
Considerado o maior faraó do Egito, Ramsés II teve um reinado de 66 anos marcado por conquistas militares, obras monumentais e estabilidade. Ele participou da Batalha de Kadesh e assinou o primeiro tratado de paz da história. Mandou construir os templos de Abu Simbel e é lembrado como “Ramsés, o Grande”. Sua grandiosidade e longevidade no poder cimentaram seu lugar como um dos governantes mais poderosos e influentes de toda a antiguidade. Ramsés II simboliza o apogeu do poder egípcio, e foi responsável por um período de notável prosperidade e expansão.
Ranavalona III
Última rainha de Madagascar, Ranavalona III reinou entre 1883 e 1897, um período de resistência à colonização francesa. Ela tentou preservar a independência do reino por meio de diplomacia e alianças internacionais, mas acabou exilada, e se tornou símbolo da luta pela soberania malgaxe. Sua determinação em defender seu povo e sua cultura, mesmo diante de forças avassaladoras, a consagra como uma heroína nacional. Ranavalona III representa a dignidade e a resistência de Madagascar frente às ambições imperiais.
Rappin' Hood
Pioneiro do hip‑hop brasileiro que, nascido em 1971 em São Paulo, venceu um campeonato de rap em 1989 e em 1992 fundou o Posse Mente Zulu, consagrado pelo single “Sou Negão”. Em carreira solo uniu rap e samba em Sujeito Homem, dialogando com raízes afro‑brasileiras. Parceiro de Caetano Veloso e Gilberto Gil, é também apresentador e ativista em projetos de educação e cidadania. Em 2023, reforçou seu compromisso com a cultura negra ao visitar a Fundação Palmares.
Rebeca Andrade
Ginasta olímpica de Guarulhos, maior medalhista brasileira com seis pódios (dois ouros, três pratas e um bronze), incluindo o salto em Tóquio 2020. Bicampeã mundial no salto (2021, 2023) e campeã geral em 2022, acumulou títulos pan‑americanos e sul‑americanos, firmando‑se como referência global da ginástica. Após grave lesão em 2019, regressou aos treinos e conquistou novos pódios. Em 2024, abriu academia em Guarulhos para desenvolver talentos e promover inclusão social pelo esporte.
Renata Souza
Jornalista e política criada na Maré, doutora em Comunicação e Cultura e militante dos direitos humanos. Chefiou gabinete de Marielle Franco e, em 2018, tornou‑se a mulher negra mais votada para a ALERJ, presidindo a Comissão de Direitos Humanos. Reeleita em 2022 com 174 000 votos, é autora de Cria de Favela e utiliza a palavra como instrumento de denúncia e transformação. Coordena projetos de comunicação popular e políticas de igualdade, mantendo viva a memória de Marielle Franco.
Rita Batista
Jornalista e apresentadora de Salvador, com carreira na Rádio Globo FM e na TV Globo, onde integra É de Casa e Saia Justa (GNT). Publicitária e radialista, é referência na comunicação inclusiva e no combate ao racismo. Destaca‑se por pautas sociais e entrevistas que ampliam a voz de mulheres negras. Leciona oficinas de jornalismo comunitário e assessora iniciativas de diversidade na mídia. Sua postura autêntica fortalece a representatividade negra na televisão brasileira.
Rosa Parks
Costureira e ativista dos direitos civis cujo recusa em ceder o assento num ônibus de Montgomery em 1º dez 1955 desencadeou o Boicote aos Ônibus e catapultou o movimento pelos direitos civis nos EUA. Secretária da NAACP em Montgomery desde 1943, investigou abusos raciais e, após ser demitida, mudou‑se para Detroit em 1957 para trabalhar com o deputado John Conyers Jr. Cofundou o Instituto Rosa e Raymond Parks e dedicou‑se a capacitar jovens afro‑americanos. Homenageada com a Medalha Presidencial da Liberdade e a Medalha de Ouro do Congresso, é lembrada como “mãe do movimento dos direitos civis”.
Rosa Reis
Cantora, compositora e produtora cultural de São Luís do Maranhão, integra desde 1983 o coletivo Laborarte em defesa dos ritmos tradicionais como cacuriá e bumba‑meu‑boi. Ao longo de quatro décadas, organizou carnavais de rua, shows e oficinas que difundem saberes ancestrais e exaltam a herança africana no Maranhão. Enfrentou preconceitos por seu gênero e cor, mas abriu espaço para novos artistas comunitários. Sua trajetória converte resistência cultural em arte viva, consolidando‑a como guardiã das tradições maranhenses.