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Publicado em 24/11/2013 09h00 Atualizado em 26/01/2026 17h09

A maior medalhista paralímpica do Brasil

Publicado em 29/02/2016 09h00 Atualizado em 05/06/2023 15h13

Se participar de uma edição dos Jogos Paralímpicos já é difícil, imagine ser convocada para uma aos 14 anos de idade, apenas um ano após iniciar sua carreira como velocista. Mais ainda, conquistar duas medalhas de prata em sua primeira participação nos Jogos.

Bem, esses foram alguns dos feitos de Ádria Santos, mineira de Nanuque, nascida em 11 de agosto de 1974. Ádria nasceu com apenas 10% da visão, em decorrência da associação entre duas doenças que provocaram a degeneração de sua retina (retinose pigmentar e astigmatismo congênito), ficando completamente cega a partir de 1994.

Ádria Santos começou a treinar aos 13 anos, em 1987, na cidade de Belo Horizonte, no Instituto São Rafael, especializado em pessoas com deficiência visual. No ano seguinte, participou das Paralimpíadas de Seul (Coreia do Sul), alcançando o segundo lugar no pódio nas provas dos 100m e 400m rasos.

Em 1989, tornou-se mãe. Porém, a maternidade precoce não foi empecilho para que ela abandonasse sua brilhante carreira. A chegada de Bárbara, ao contrário, parece ter funcionado como impulso para novas conquistas.

Nos anos seguintes, Ádria Santos acumulou vitórias e recordes, especializando-se nas provas de 100, 200 e 400 metros rasos. Nas Paralimpíadas de Barcelona (1992), conseguiu a primeira medalha de ouro, nos 100m. Contudo, foi nos Jogos de Sidney (2000) que ela sagrou-se como a melhor para-atleta velocista do mundo, conquistando 2 ouros (100m e 200m) e uma prata (400m).

O ano de 2003 foi também de grandes conquistas para Ádria, que subiu no lugar mais alto do pódio em três ocasiões. Duas delas se deram no Mundial do International Blind Sports Federetion (IBSA), realizado em Quebec (Canadá), mais uma vez nos 100 e 200 metros. Nesse campeonato, a para-atleta ainda obteve a medalha de bronze nos 400m.

A terceira medalha de ouro daquele ano foi ganha no Mundial de Atletismo da Internactional Association of Atlhetics Federations (IAAF), ocorrido em Paris (França). Na ocasião, ela conseguiu pela segunda vez em um mundial ser a única, entre atletas brasileiros sem e com deficiência, a subir na parte mais alta do pódio. Ádria Santos ficou com a primeira colocação na prova dos 200m para cegos e deficientes visuais com o tempo de 25:22s, batendo assim o recorde da competição que foi conquistado por ela própria na edição anterior.

As Paralimpíadas de Atenas (2004) e de Pequim (2008) serviram para ratificar o posto de Ádria no panteão olímpico brasileiro. Com mais 4 medalhas, ela se tornou a maior medalhista paralímpica do Brasil, somando 13, no total.

Uma lesão no menisco, contudo, acabou a afastando de sua sétima participação em paralimpíadas. Não obstante, para não restar sem o brilho dessa grande atleta, a organização dos Jogos de Londres (2012) a escalou para o revezamento da tocha na cidade-sede.

Ádria participou de campeonatos ao lado de vários companheiros, os chamados guias, como Gerson Knittel e Jorge Luís, o Chocolate. O último deles foi Luiz Rafael Krub, com quem Ádria Santos está casada.

Em 2014, aos 40 anos, após a 10ª edição dos Jogos Nacionais do SESI, que ocorreram na cidade de Belém (PA), Ádria anunciou sua aposentadoria, encerrando uma carreira gloriosa. Foram mais de 70 medalhas em competições internacionais, incluindo paralimpíadas, jogos Parapan-americanos e mundiais.

Mesmo no auge da carreira, a fonte de renda de Ádria Santos, assim como a da maior parte dos nossos para-atletas, era oriunda do Bolsa Atleta (programa do Governo Federal de incentivo direto ao atleta), sem acréscimo de nenhum outro patrocinador, talvez por isso sonhe em presenciar o momento em que sociedade reconheça o trabalho desempenhado pelos atletas paralímpicos.


Outros títulos internacionais

Prata nos 100m, 200m e 400m, nas Paralimpíadas de Atlanta, em 1996;
Ouro nos 100m, 200m e 400m, no Parapan-americano da Cidade do México, em 1999;
Ouro nos 100m, no Parapan-americano de Mar del Plata, em 2003;
Ouro nos 100m e Prata nos 200m e nos 400m, nas Paraolimpíadas de Atenas, em 2004;
Prata nos 200m, na Copa do Mundo Paralímpica, na Inglaterra, em 2005;
Ouro nos 200m, no Mundial da IAAF de Helsinque (Finlândia), em 2005;
Ouro nos 100m e 200m, no Aberto Europeu de Atletismo Paraolímpico, na Finlândia, em 2005;
Prata nos 200m e 800m, no Parapan-americano do Rio de Janeiro, em 2007;
Bronze nos 100m, nas Paralimpíadas de Pequim, em 2008.

Assista aqui a homenagem feita pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) à Ádria Santos.

Fonte:
http://goo.gl/ckCt0b
https://goo.gl/T2Otkf
http://goo.gl/7QjvXM
http://goo.gl/nTWUWw
http://goo.gl/TwG1uy

Édson Bispo dos Santos

Publicado em 30/03/2016 09h00 Atualizado em 21/08/2025 11h45

Édson Bispo dos Santos brilhou como atleta e técnico, tornando-se um dos maiores nomes do basquete brasileiro. Com quase dois metros de altura e precisão nos arremessos, conquistou o título mundial de 1959 e duas medalhas olímpicas de bronze, em 1960 e 1964. Jogou pelos principais clubes do país e integrou a seleção ao lado de lendas como Wlamir Marques e Amaury Pasos. Após encerrar a carreira, assumiu o comando da equipe nacional, conquistando a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1971. Na maturidade, dedicou-se a projetos com crianças. Morreu em 2011, deixando um legado exemplar no esporte.

Cultura, Artes, História e Esportes

Guilherme Paraense

Publicado em 22/03/2016 09h00 Atualizado em 21/08/2025 11h59

Guilherme Paraense nasceu em Belém do Pará, em 1884, e destacou-se como o primeiro campeão olímpico brasileiro. Militar de carreira, desenvolveu sua precisão no tiro enquanto treinava no Exército. Em 1920, integrou a primeira delegação do Brasil nas Olimpíadas de Antuérpia, superando inúmeras adversidades, como a perda de armas e munições. Venceu a prova de pistola rápida e garantiu a primeira medalha de ouro do país. Também conquistou um bronze por equipes ao lado de outros atletas. Após anos de glórias no esporte, afastou-se das competições e alcançou o posto de Tenente-Coronel. Morreu em 1968, aos 83 anos, e seu nome permanece como símbolo do pioneirismo

Cultura, Artes, História e Esportes

Joaquim Cruz, o único brasileiro campeão olímpico nas pistas de atletismo

Publicado em 11/03/2016 09h00 Atualizado em 05/06/2023 16h23

Depois das conquistas de Adhemar Ferreira da Silva, no salto triplo, durante as Olimpíadas de 1952 e 1956, o Brasil sofreu um jejum de quase 30 anos sem medalha de ouro no atletismo. Entretanto, em 1984, nas Olimpíadas de Los Angeles (EUA), Joaquim Cruz realizou um feito histórico. Na final dos 800 metros, não apenas conseguiu o primeiro lugar, como também quebrou o recorde olímpico, concluindo a prova em 1min e 43 segundos. O mundo era apresentado a um grande atleta, apesar da juventude (o meio-fundista tinha apenas 21 anos), e o Brasil assistia ao vivo , pela primeira vez, um brasileiro vencer uma prova e subir no topo do pódio olímpico.

Tudo isso foi protagonizado por um jovem nascido em Taguatinga, cidade satélite da também jovem capital brasileira, em 12 de março de 1963. Começou treinando basquete dada sua altura. Porém, foi logo deslocado para o atletismo, por sugestão do técnico Luiz Alberto de Oliveira, que o acompanharia por toda carreira.

Aos 15 anos de idade, após poucos anos de treinos, os resultados começaram a aparecer. Joaquim venceu as provas dos 400 e 800m tanto no Campeonato Brasileiro de Atletismo de Menores quanto no Sul-americano (Uruguai), também de menores. No ano de 1979, conquistou o ouro nos 1500m do Mundial de Menores.

O ano de 1980 representou um marco em sua carreira. A sequência de bons resultados lhe deu visibilidade e ele recebeu a oferta de uma bolsa de estudos para a universidade do Oregon, na cidade de Eugene (EUA).

Morando nos Estados Unidos, acompanhado de seu técnico, e tendo melhores condições de preparação, o atleta brasileiro arrebatou, ainda aos 17 anos, os títulos dos 800 e 1500m nos Jogos Pan-americanos Juvenis, do Canadá, e os dos 400 e 800m dos Jogos Estudantis Mundiais, de Turim (Itália). No ano seguinte, Joaquim mantém o alto rendimento e quebra o recorde mundial juvenil dos 800m, fazendo 1m44s3, durante o Troféu Brasil de Atletismo.

Em 1983, conquista a medalha de bronze na primeira edição do Campeonato Mundial de Atletismo, realizada em Helsinque (Finlândia). Nesse mesmo ano consegue assegurar uma vaga para as Olimpíadas de 1984, nas provas dos 800 e 1500m.

O meio-fundista chegou a Los Angeles ainda pouco conhecido e teve que enfrentar o recordista mundial de então, o inglês Sebastian Coe, e seu compatriota e vencedor dos últimos jogos, Steve Ovett. Ao longo da competição, das preliminares às finais, Joaquim Cruz foi sempre melhorando suas marcas (1:45.66, 1:44.84 e 1:43.82), o que lhe deu suporte para chegar na última prova com chances de medalha. No dia 06 de agosto de 1984, Joaquim Cruz alcançou o 1º lugar dos 800m com expressiva superioridade frente aos adversários e com direito a novo recorde olímpico.

Um resfriado o tirou das semifinais dos 1500m, mas seu nome já estava escrito na história do atletismo mundial e brasileiro.

O período entre as olimpíadas havia sido de glórias, como a segunda melhor marca dos 800m (1:41.77), mas também de problemas físicos. Quatro anos depois, na Olimpíada de Seul (Coreia do Sul), Joaquim Cruz chegou facilmente à final dos 800m e tinha grandes chances de igualar o feito de Adhemar Ferreira da Silva ao conseguir a sua segunda medalha de ouro consecutiva, não fosse o queniano Edwin Koech ter surpreendido nos últimos 50 metros da final olímpica. Joaquim Cruz ficou com a prata, com o tempo de 1:43.90.

Os anos seguintes foram marcados pelas lesões, que o tiraram de competições entre os anos de 1989 e 1991. Um machucado no tendão de Aquiles lhe tirou das Olimpíadas de 1992, Barcelona (Espanha). Seu último grande título foi, em 1995, no Pan-Americano de Mar del Plata (Argentina), quando ganhou o ouro dos 1500m. Chegou a disputar as Olimpíadas de 1996, em Atlanta (EUA), ocasião em que foi porta-bandeiras da delegação brasileira, mas não passou da fase de Eliminatórias.

Joaquim Cruz encerrou sua carreira em 1997 e passou a se dedicar a projetos sociais. Em 2003, criou o Instituto Joaquim Cruz, sediado em Brasília, para ajudar crianças e jovens carentes por meio de ações esportivas, educacionais e culturais.

Sua carreira e suas vitórias foram homenageadas pelo Comitê Olímpico Brasileiro, em 2007, quando Joaquim foi designado para acender a pira olímpica dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro.

Atualmente vive com a família, em San Diego, Califórnia (EUA), e trabalha na orientação de atletas militares e olímpicos dos Estados Unidos.

Ainda hoje, Joaquim Cruz é o único brasileiro campeão olímpico nas pistas de atletismo. Seus feitos lhe renderam, no ano passado, a publicação do livro biográfico Matador de Dragões , de Rafael de Marco.

Fontes:
ht tp://www.ijcdf.org/
https://goo.gl/JSnpN4
http://goo.gl/6no2VF
http://goo.gl/SOkyGw
http://goo.gl/yhFt0L

José Telles da Conceição

Publicado em 29/03/2016 09h00 Atualizado em 21/08/2025 12h16

José Telles da Conceição nasceu em 1931, no Méier, Rio de Janeiro, e conquistou a primeira medalha olímpica do atletismo brasileiro ao saltar 1,98m em Helsinque, 1952. Filho de baianos humildes, sonhava ser engenheiro, mas encontrou no esporte seu caminho. Começou no Vasco e brilhou no Flamengo, onde ganhou o apelido de “homem-equipe”. Competia com excelência em várias modalidades, incluindo 100m, 200m, salto em altura e pentatlo. Em 1954, ultrapassou os 2 metros no salto, mantendo o recorde nacional por quase duas décadas. Morreu tragicamente em 1974, aos 43 anos, assassinado no Rio de Janeiro.

Cultura, Artes, História e Esportes

Melânia Luz dos Santos

Publicado em 05/04/2016 09h00 Atualizado em 21/08/2025 13h00

Melânia Luz nasceu em São Paulo em 1928 e tornou-se a primeira mulher negra brasileira a competir em uma Olimpíada, nos Jogos de Londres, em 1948. Velocista de destaque, integrou o revezamento 4x100m ao lado de outras pioneiras, em uma época marcada pelo racismo e pela desigualdade de gênero. Superou adversidades e cravou seu nome na história com coragem e talento. Representou o São Paulo Futebol Clube, conquistando títulos expressivos no atletismo nacional e sul-americano. Permaneceu ativa em competições até os 70 anos, estabelecendo recordes como veterana. Sua trajetória permanece pouco lembrada, apesar de sua grandeza.

Cultura, Artes, História e Esportes

Vanderlei Cordeiro de Lima – a representação viva do espírito olímpico

Publicado em 23/03/2016 09h00 Atualizado em 06/06/2023 09h07
Dentre os desportistas brasileiros que ganharam projeção internacional, na virada do século XX para o século XXI, um dos principais nomes foi o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima.


Nascido em Cruzeiro do Oeste, interior do estado do Paraná, em 4 de julho de 1969, numa família de lavradores, formada por sete irmãos, Vanderlei cresceu na cidade de Tapira-PR. Assim como todos de casa, aprendeu desde cedo a lidar com a terra e, ainda criança, passou a trabalhar como boia-fria nas plantações de cana-de-açúcar e café da região.

Foi em meio ao verde-prata das folhas da cana que o menino Bodega, como era conhecido, à revelia da dureza do trabalho, encontrava espaço e tempo para brincar. O gosto pela corrida emergiu em Vanderlei já nesse período.

Correr era sua diversão predileta. Em vez de correr atrás da bola, como os outros meninos, Bodega preferia correr por correr. A frequência com que realizava essa prática esportiva, embora o fizesse mais pelo prazer do que pelo atletismo, chamou a atenção do professor de educação física de sua escola, Arnei César Moreira, que o convidou para participar dos jogos interescolares da cidade. Sua participação garantiu a vitória à Escola Estadual Castelo Branco e, a partir disso, Vanderlei passou a dedicar-se aos treinos.

Começou a participar de campeonatos regionais e ganhou destaque ao conquistar o 4º lugar no Troféu Maringá , aos 16 anos. Passou a representar o município de Maringá em competições regionais. Como suas marcas e conquistas continuaram, em 1988, foi convidado para integrar a equipe Eletropaulo, treinando com o técnico Humberto Garcia de Oliveira e competindo para provas de pista em São Paulo. Permaneceu aí até 1990, quando mudou para a equipe da União Esportiva Funilense, sediada em Campinas-SP.

Seu treinador, Asdrúbal, faleceu em 1992. A partir desse momento começou a treinar com Ricardo D’Angelo, com quem seguiu por toda sua carreira.

Foi ainda em 1992 que o nome Vanderlei Cordeiro de Lima foi apresentado a seus compatriotas, quando o atleta chegou em 4º lugar na Corrida de São Silvestre .

Todavia, seu foco permanecia sendo as corridas de cross-country , modalidade a qual se dedicava desde 1989 e por meio da qual iniciara sua carreira internacional. Em 1994, no entanto, foi contratado como coelho (atleta que corre na frente dos competidores que detêm reais condições de vitória, impondo o ritmo inicial da prova) para a Maratona de Reims (França). Como se sentia bem quando atingiu a marca dos 21 km, momento em que se esperava que abandonasse a corrida, continuou até o fim e acabou vencendo-a com o tempo de 2:11.06. Pode-se dizer, portanto, que Vanderlei Cordeiro de Lima foi escolhido pela maratona e não o contrário.

Apesar de ter conquistado, no ano seguinte, o Campeonato Sul-americano de Cross-Country , disputado em Cali (Colômbia), passou a se dedicar plenamente às provas de 42km. Isso o levou ao título da Maratona de Tóquio (1996), com a marca de 2:08:38, estabelecendo novo recorde sul-americano e se classificando para as Olimpíadas de Atlanta , no mesmo ano. Nessa edição dos Jogos Olímpicos, um problema com seus tênis de corrida comprometeu sua performance.

Em 1998, entretanto, Vanderlei volta a obter bons resultados, chegando em 2º lugar em Tóquio (2:08.31, quebrando seu próprio recorde sul-americano) e em 5º lugar na Maratona de Nova York , em 2:10.42.

Em 1999, o maratonista brasileiro conquistou o 1º lugar na maratona dos Jogos Pan-americanos de Winnipeg (Canadá) e voltou a alcançar marca olímpica ao subir no terceiro lugar do pódio na Maratona de Fukuoka (Japão).

Contudo, mais uma vez, Vanderlei não atinge um resultado condizente com as conquistas alcançadas no período pré-olímpico. Devido a uma inflamação no pé e a uma contusão mal curada, chegou apenas em 75º lugar nas Olimpíadas de Sidney (Austrália, 2000), após parar para caminhar em três momento durante a prova.

Os maus resultados olímpicos do atleta, não tiram o brilho de sua carreira. Durante o novo ciclo olímpico de quatro anos, Vanderlei teve duas grandes conquistas: a vitória na Maratona Internacional de São Paulo , em 2002, cravando o tempo de 2:11:19 (melhor marca para uma prova de maratona disputada em território nacional até hoje), e o bicampeonato pan-americano, conquistado nos Jogos de Santo Domingo (República Dominicana), em 2003.

Jogos Olímpicos de Atenas

Após iniciar o ano de 2004 vencendo a Maratona de Hamburgo (Alemanha), podia-se dizer que Vanderlei Cordeiro de Lima chegava às Olimpíadas de Atenas no auge de sua forma física e entre os favoritos para conquistar a maratona, embora tivesse pela frente adversário como o supercampeão Paul Tergat (Quênia), o campeão europeu Stefano Baldini (Itália) e o medalhista de prata nas Olimpíadas de Sidney Erick Wainaina (Quênia).

O percurso foi o mesmo da primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna: iniciava na cidade de Maratona e terminava no estádio Panathianaiko, em Atenas. Embora com uma concorrência alto nível, antes mesmo da metade do trajeto Vanderlei descolou-se do pelotão e correu sozinho, liderando a disputa por mais de uma hora e abrindo cada vez mais vantagem sobre os demais corredores.

Quando se encontrava a pouco mais de sete quilômetros da chegada no imponente estádio ateniense, com cerca de 25 a 30s de diferença – algo em torno de 150 m – sobre os demais corredores e a medalha de ouro parecia eventualmente ganha, Vanderlei foi atacado no meio da rua por um espectador, o ex-padre irlandês Cornelius Horan, que o jogou fora da pista. Ajudado por um espectador grego, Polyvios Kossivas, a se desvencilhar do agressor, voltou à prova ainda na liderança, mantendo a metade da vantagem que tinha.

Porém, o susto e o estresse emocional ao qual foi submetido tinham nitidamente atingido o rendimento do atleta brasileiro e era difícil acreditar que ele conseguiria chegar entre os 10 primeiros. Movido por um elevado espírito esportivo, no entanto, Vanderlei resignou-se, recuperou-se e entrou no estádio olímpico sob a aclamação de uma plateia emocionada. De braços abertos, com um largo sorriso no rosto e os olhos mareados, numa das cenas mais marcantes daqueles Jogos, o maratonista cruzou a linha de chegada em 3º lugar, conquistando a medalha de bronze olímpica.

Após os Jogos de Atenas , Vanderlei continuou a participar de competições, mas já sem conseguir apresentar boas performances. Nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro , em 2007, foi escolhido para ser o porta-bandeira da delegação brasileira, uma forma de reconhecimento por seus feitos esportivos. Contudo, na disputa da maratona foi obrigado a abandonar a prova por problemas musculares.

Encerrou sua carreira após disputar a Maratona de Paris, em 2009.

Medalha Pierre de Coubertin e outras premiações

A perseverança, a altivez e a humildade de Vanderlei Cordeiro de Lima durante a maratona da Olimpíada de Atenas foram reconhecidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que o premiou com a Medalha Pierre de Coubertin * , condecoração máxima de cunho humanitário-esportivo, por seu elevado espírito olímpico. O maratonista brasileiro é o único latino-americano que recebeu essa honraria, que é concedida pelo COI não em decorrência do desempenho técnico do atleta, mas por suas qualidades morais e éticas demonstradas em situações complexas ou inusitadas que se apresentam no momento da disputa dos Jogos.

Ainda em 2004, o maratonista recebeu alguns outros prêmios. Na Espanha, foi homenageado com o Prêmio Ernest Lluch , concedido anualmente a personalidades do mundo esportivo que se destacam pela conduta exemplar e civismo nas competições. Em sua pátria, foi o grande congratulado do Prêmio Brasil Olímpico do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), conquistando as categorias Melhor Atleta do Ano , Personalidade Olímpica do Ano e Melhor Atleta do Atletismo Brasileiro do Ano .

Em 2012, após ter tido a honra de carregar a tocha olímpica, foi presenteado com uma das que foram confeccionadas para a edição da competição em Londres.

Recentemente, em 2014, recebeu das mãos do bicampeão olímpico da vela, Torben Grael, o Troféu Adhemar Ferreira da Silva ** , considerada a mais importante premiação conferida pelo COB, cujo objetivo é homenagear atletas e ex-atletas que perpetuam os valores do esporte olímpico.

* O nome dessa condecoração homenageia o idealizador e criador dos Jogos Olímpicos modernos, Barão Pierre de Coubertin, que também presidiu o COI entre 1896 e 1925.

** A premiação do COB homenageia o brasileiro bicampeão olímpico no salto triplo, cuja carreira e a vida foram marcados pela ética, eficiência técnica e física, esportividade, respeito ao próximo, companheirismo e espírito coletivo.


Fontes:
https://goo.gl/lYpCIU
http://www.vanderleidelima.com.br/site/historia.php
http://goo.gl/SiSrWH
https://goo.gl/cXlV5s
https://goo.gl/RFqz32
http://coubertin.org/pages/en/pdc.html
http://goo.gl/5MzJlj

Servílio de Oliveira

Publicado em 12/04/2016 09h00 Atualizado em 21/08/2025 13h21

Servílio de Oliveira nasceu em São Paulo e tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha olímpica no boxe, com o bronze nos Jogos do México em 1968. Inspirado por Éder Jofre e pelos irmãos, iniciou-se ainda menino na academia Caracu. Com vitórias nos principais campeonatos nacionais e latino-americanos, destacou-se pela técnica e perseverança. Em sua trajetória como profissional, acumulou vitórias expressivas até uma lesão na retina encerrar sua carreira prematuramente. Mesmo fora dos ringues, dedicou-se à formação de novos talentos. Hoje, coordena equipes e mantém sua paixão intacta pelo esporte que o imortalizou.

Cultura, Artes, História e Esportes

Janeth Arcain, uma atleta que não reconheceu limites

Publicado em 27/06/2016 09h00 Atualizado em 06/06/2023 10h40

Entre os anos 1980 e os anos 2000, o basquete feminino brasileiro experimentou seus principais momentos de glória. Foi uma geração de ouro, da qual se destacavam Hortência, “Magic” Paula e Janeth. Esse trio protagonizou conquistas formidáveis, como o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Havana (Cuba), em 1991, a prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta (EUA), em 1996, e a inesquecível medalha de ouro do Campeonato Mundial de 1994, ocorrido na Austrália.

Janeth dos Santos Arcain, um dos grandes nomes dessa geração, nasceu em Carapicuíba, interior de São Paulo, no ano de 1969. Começou a jogar basquete aos 14 anos. Seu primeiro clube foi o Higienópolis, de São Paulo. Dois anos depois, 1985, já conquistava seu primeiro campeonato regional, em 1986 ganhou o sul-americano de clubes e em 1987 conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis (EUA), pela seleção principal, embora tenha competido até o ano de 1989 pela seleção brasileira juvenil de basquete.

A ascensão foi meteórica, mas Janeth manteve-se como atleta de alto rendimento por duas décadas. Inicialmente, atuava como uma coadjuvante de luxo, já que, quando ingressou na seleção brasileira, Paula e Hortência eram as grandes estrelas, estavam em pleno vigor físico e encontravam-se no melhor momento de suas carreiras. Não obstante, isso não foi empecilho para Janeth firmar-se também como uma jogadora referência dentro de quadra.

Quatro anos após o Pan de Indianápolis, quando praticamente estreava na seleção brasileira, ocasião em que marcou meros 12 pontos em 5 jogos, Janeth mostrava ter ganho maturidade e se aprimorado como ala, melhorando nos fundamentos, diversificando suas jogadas e demonstrando mais segurança e habilidade, apesar de ainda ter apenas 22 anos.

O mesmo se dava com a seleção brasileira que vinha numa trajetória de ascensão e melhora de resultados nas competições continentais. O Brasil havia sido 4º lugar nos Jogos de San Juan (1979), 3º lugar no Pan de Caracas (1983) e 2º lugar em Indianápolis (1987).


Nos Jogos Pan-Americanos de Havana (Cuba), 1991, o Brasil foi à final com as anfitriãs. A forte seleção cubana era a favorita, pois jogava perante a sua torcida. No entanto, o time brasileiro deu uma aula de basquete, marcando forte e errando poucos arremessos. Ao final, o placar de 97 a 76 e a qualidade da equipe brasileira impressionou o presidente de Cuba, Fidel Castro, que fez questão de descer à quadra para fazer pessoalmente a entrega das medalhas às brasileiras. Entre elas estava Janeth Arcain, que em seis jogos marcou 87 pontos.

A partir desse título, a seleção feminina de basquete vivenciou a década mais vitoriosa de sua história. O Pan de Havana representou uma verdadeira guinada no basquete brasileiro, que passou a ser tratado com mais respeito pelas adversárias e começou a despontar no cenário internacional da modalidade como uma equipe competitiva e poderosa.

Dali a três anos, se deu o Mundial da Austrália . O Brasil não figurava dentre as favoritas, mas aos poucos a equipe foi adquirindo confiança e, apesar de ter sofrido duas derrotas, avançando nas fases. O Brasil venceu Cuba e Espanha na segunda fase, os Estados Unidos na semifinal (a seleção americana só voltaria a sofrer outra derrota após 12 anos, dessa vez para a Rússia), com o apertado placar de 110 a 107, e deu a revanche sobre a China, na grande final, quando conquistaram o título inédito e, até hoje, o único mundial da seleção feminina de basquete, com o placar de 96 a 87. A jovem Janeth, à época com 25 anos, foi a cestinha nessa partida, marcando em toda a competição 149 pontos.

O, então, técnico da seleção Miguel Ângelo dá uma dimensão da conquista: Ninguém tinha ganhado um Mundial além de Rússia e Estados Unidos. Depois que ganhamos das americanas, criaram a WNBA. Ninguém imaginava, só a gente acreditava. Quebramos todos os paradigmas.”


Olimpíadas de Atlanta (1996)

Em 1996, o Brasil chegou às Olimpíadas de Atlanta (EUA) como uma das favoritas e, de fato, fez uma campanha espetacular, embora tenha perdido a final para a seleção americana. A conquista da medalha de prata nessa edição dos Jogos Olímpicos, contudo, é considerada por Janeth como um momento inesquecível de sua carreira. E não é para menos, ela foi a primeira medalha olímpica do país em esportes coletivos femininos.

Essa conquista abriu as portas da liga americana de basquete feminino ( WNBA ) para Janeth, que foi convidada a integrar a equipe do Houston Comets na primeira edição do torneio, em 1997. Janeth foi a primeira brasileira a competir na WNBA .

No berço do basquetebol, a jogadora brasileira se impôs e firmou posição na equipe titular, apesar do Houston Comets contar com outras estrelas como Cynthia Cooper e Sheryl Swoopes. Nesta equipe, Janeth atuou em quase todas as posições: foi ala, armadora e ala-pivô. Nela conquistou os 4 primeiros campeonatos da WNBA , de 1997 a 2000. Em 2001, Janeth fez sua melhor temporada, entrando para o quinteto ideal da WNBA e indo para o All-Star Game ( Jogo das Estrelas ), como a segunda jogadora mais votada de toda a Liga.

Para que os torcedores brasileiros não a esquecessem, Janeth, ao fim da temporada estadunidense, disputava os campeonatos brasileiros e jogava pela seleção. Por aqui, atuou em equipes como Vasco da Gama, Sorocaba, Santo André, São Paulo/Guaru e Ourinhos, sempre colecionando títulos.

Nas Olimpíadas de Sidney (Austrália), no ano de 2000, Janeth era a líder da seleção brasileira, já sem Hortência e “Magic” Paula. Era a jogadora mais conhecida, a estrela, a referência. Nesta edição dos Jogos, o Brasil saiu com a medalha de bronze e Janeth foi a cestinha da equipe, vencendo a Rússia (uma das potências da modalidade) e a Coréia do Sul na decisão do terceiro lugar, ambos jogos dificílimos.

Nos Jogos de Atenas (Grécia), a seleção manteve a boa forma e ficou com o 4º lugar. Janeth continuou competindo na liga americana até 2005, sempre pelo Houston Comets . A atleta chegou a jogar ainda a temporada 2005/2006 pela equipe espanhola Ros Casares Valencia .

Janeth escolheu o Pan-Americano do Rio de Janeiro , de 2007, para encerrar sua vitoriosa carreira. A seleção brasileira perdeu a final para os Estados Unidos e ficou com a medalha de prata. Janeth entrou para a história do basquete nacional, sendo a terceira maior pontuadora da seleção, com 2.247 pontos em 138 jogos oficiais, o que dá uma média de 16,3 pontos por jogo.

Além dos títulos já mencionados, Janeth foi cinco vezes campeã sul-americana pela seleção brasileira, quatro vezes campeã paulista, campeã carioca, tetracampeã nacional e campeã sul-americana de clubes.

Entre 2009 e 2013 assumiu o cargo de treinadora das categorias de base da Seleção Brasileira de Basquete Feminino e também se tornou uma das assistentes técnicas da equipe principal. Nesse período conquistou o Campeonato Sul-Americano Sub-15 Feminino (Equador – 2009 e 2010) e, pela equipe principal, a Copa América – Pré-Mundial Adulto Feminino (Brasil – 2009), o Campeonato Sul-Americano Adulto Feminino (Chile – 2010) e o Campeonato Pré-Olímpico (Colômbia – 2011).

No ano de 2015, Janeth Arcain entrou para o Hall da Fama do Basquete Feminino , sendo a terceira brasileira a integrar o seleto grupo. Antes dela, Paula e Hortência já havia ganhado a honraria, em 2006.

Desde 2002, a ex-jogadora dirige o Instituto Janeth Arcain , que, a partir da concepção do esporte educacional e com o objetivo de democratizar o acesso ao esporte de qualidade, auxilia no desenvolvimento físico e mental de crianças de 7 a 15 anos.

Fontes:
http://goo.gl/RXA3eE
https://goo.gl/q3m1DU
http://goo.gl/34mEBl
http://goo.gl/uzZ1fZ
http://goo.gl/yuIKcp
http://goo.gl/pKJpkK
http://goo.gl/t9gI7S
http://goo.gl/fg7qtY
http://goo.gl/lPCaLt
http://goo.gl/Q4QCUj

Terezinha Guilhermina, a atleta cega mais rápida do mundo

Publicado em 29/07/2016 09h00 Atualizado em 06/06/2023 10h48

Seu nascimento foi dentro de uma carroça, órfã de mãe aos 9 anos de idade, abandonada pelo pai logo após. Perdeu totalmente a visão na juventude. E hoje é a velocista paralímpica mais rápida do mundo. Terezinha Guilhermina é um verdadeiro exemplo de heroísmo e superação.

Terezinha nasceu em Betim (MG) , no dia 3 de outubro de 1978 com retinose pigmentar, uma doença que provoca a perda gradual da visão. De uma família humilde, com doze irmãos, sendo que cinco também possuem deficiência visual. Ela encontrou no atletismo a força pra superar as dificuldades da vida.

Quando criança, Terezinha tropeçava nos móveis, mal enxergava os objetos e tinha dificuldades na escola, porém a família não suspeitava que pudesse ser um problema na visão. Terezinha acreditava que todo mundo enxergava como ela. Na escola, disseram que ela tinha miopia e mesmo ela usando óculos, nada adiantava.

Aos 10 anos de idade, Terezinha apanhava na escola de uma menina mais velha, mesmo com a visão debilitada. Para não apanhar ela corria.

“Eu tinha que correr pra fugir dela, foi aí que descobri que podia ser atleta.”

Aos 16 anos de idade, a família ainda não tinha noção da gravidade da doença. E em um exame realizado na Santa Casa de Betim , o resultado mostrou que ela tinha apenas 5% de visão e que com o tempo ela perderia a visão por completo. Apesar de ser um choque para Terezinha e sua família, ela não se dobrou perante mais uma dificuldade que a vida lhe apresentou.

As desconfianças de como seria a vida de Terezinha daí pra frente não foram as melhores. Ela matriculou-se em um curso técnico de administração, e as dúvidas que ela conseguiria se formar eram enormes, pois seria preciso usar calculadora, fazer balanços, algo que a diretora da escola julgou ser improvável para uma cega. Aos 21 anos de idade Terezinha conseguiu completar o curso e com um histórico plausível de ótimas notas. Depois conseguiu um estágio também na área, e apesar de sempre subestimada, ela sempre conseguiu fazer tudo que quis.

Terezinha descobriu o atletismo no ano de 2000, quando se inscreveu em um projeto da prefeitura de Betim (MG). Um projeto que oferecia aos portadores deficiência a possibilidade de praticar esportes, sendo atletismo e natação. Terezinha se inscreveu para natação, pois tinha um maiô, mas sua vontade mesmo era o atletismo, que não se inscreveu por não ter um tênis. Então a irmã de Terezinha ( Evania ) deu-lhe o único tênis que tinha, o seu primeiro da carreira e que Terezinha tem até hoje.

Ainda no ano de 2000, Terezinha se inscreveu na sua primeira corrida. Uma corrida para deficientes visuais que era organizada pela prefeitura de Betim. O tênis que usava era de qualidade ruim e durante a prova se desfez. Terezinha terminou a competição com um pé descalço. Pouco tempo depois ela ficou em segundo lugar em uma corrida de rua, o que lhe deu um prêmio de R$ 80,00.

“Eu me senti milionária naquele dia”, afirma Terezinha.

Com essa “premiação” a primeira coisa que fez foi ir ao supermercado comprar iogurte.  Aos 22 anos de idade ela ainda não tinha sentido o gosto de um.

O seu talento logo foi notado e ela foi convidada pra treinar em um clube de Belo Horizonte com os atletas da Associação dos Deficientes Visuais de Belo Horizonte ( Adevibel ) . Porém seus treinadores não acreditavam tanto no seu potencial e comparavam seu nível ao das outras meninas da equipe. Diziam que ela era um fusca e as outras meninas eram aviões (felizmente Terezinha não deu ouvidos).

Depois disso a ascensão de Terezinha foi rápida. Em 2001, ela foi convocada para o Pan-americano, na Carolina do Sul (EUA), representando a seleção brasileira. Para quem demorou muito tempo para sair de sua pequena cidade, esse era um salto enorme na carreira.

Em sua primeira competição internacional, Terezinha competiu na categoria T12, para atletas com alguma visão, onde conquistou três medalhas de prata. E sua carreira e marcas só foram melhorando.

Em 2004, na Paraolimpíadas de Atenas, conquistou o bronze nos 400 metros. Como seu problema de visão avançou, Terezinha teve que trocar de categoria, passando para a T11 (atletas completamente cegos).

Entre suas principais conquistas estão:

  • Medalha de ouro nos 100m rasos, 200m rasos, 400m rasos e 4x400m rasos no Parapanamericano da IBSA em São Paulo, 2005;
  • Medalha de ouro em cinco das seis etapas do Circuito Loterias Caixa de Atletismo Paralímpico, 2005;
  • Campeã invicta nos 100m, 200m e 400m rasos do Circuito Loterias Caixa, 2006 e 2007;
  • Campeã mundial nos 200m rasos, em Assen, Países Baixos, 2006;
  • Recordista mundial nos 400m rasos, Curitiba, 2007;
  • Medalha de prata nos 400m rasos na Golden League IAAF em Paris, França, 2007;
  • Medalha de ouro e recorde mundial no 100m rasos, medalha de ouro nos 200m e nos 400m rasos, no Mundial da IBSA, em São Paulo, 2007;
  • Medalha de ouro nos 100m e 200m rasos, medalha de prata nos 400m rasos com novo recorde mundial para a categoria T11, Parapan Rio 2007;
  • Medalha de prata nos 100m e 200m rasos na Copa do Mundo Paralímpica em Manchester, Inglaterra, 2008;
  • Medalha de ouro nos 400m rasos na Golden League IAAF Etapa de Paris, França, 2008;
  • Medalha de ouro nos 200m, prata nos 100m e bronze nos 400 nas Olimpíadas de Pequim, China, 2008;
  • Medalha de ouro nos 100 e 200m nas Olimpíadas de Londres, Reino Unido.


Hoje, além de várias medalhas, recordes mundiais e outros prêmios, Terezinha Guilhermina é considerada a atleta cega mais rápida do mundo. Aos 38 anos, ainda treina forte para conquistar mais ouros nas olimpíadas do Rio 2016.

Fontes:

http://migre.me/utdyO
http://migre.me/utdBm
http://migre.me/utdCV
http://migre.me/utdEw
https://goo.gl/Tm9X6p

Reinos e Impérios Africanos – África Antiga

Publicado em 22/05/2019 09h00 Atualizado em 06/06/2023 15h21

O ser humano é um animal histórico e os povos africanos não fogem a esta regra. E foi para solidificar esta ideia que a série Reinos e Impérios foi criada. Nesta primeira fase, tratamos da África Antiga, período da história que se estende do final do Neolítico, em torno do 8º milênio antes da Era Cristã, até o início do século VII da nossa era. Por isso, hoje trazemos um resumo das grandes civilizações da África Antiga, centradas, sobretudo, na região mais ao norte e oriental do continente.

Na porção subsaariana, neste período, as sociedades passavam do estágio da caça e da coleta para uma economia centrada na agricultura. A população aumentava e disso resultou uma vida mais estável em aldeias e comunidades. Alguns estados começavam a surgir, como o Reino de Gana, a partir do século VII, o que veremos mais adiante. No entanto, durante a antiguidade, na África Subsaariana, não foram constituídos grandes reinos.

Em geral, quando se estuda a antiguidade, sobretudo a África Antiga, os estudos se concentram em um único povo africano, os egípcios. No entanto, ao passo que se desenvolvia a civilização egípcia, núbios, axumitas e cartagineses também faziam a sua história e constituíam reinos, impérios e civilizações.

A Civilização Egípcia, (CLIQUE AQUI E LEIA SOBRE A CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA) que se desenvolveu ao longo do delta do Rio Nilo, durou quase três milênios, a partir da unificação política por Menés. O Egito não foi apenas uma dádiva do Nilo, mas uma criação do ser humano e de estratégias de dominar o meio ambiente, a aridez do solo e as dificuldades impostas.

Foi o primeiro estado africano a fazer uso da escrita, construiu um complexo sistema de irrigação, de administração pública, contábil e política, por meio dos faraós, como forma de gerir a disponibilidade de recursos, organizar os trabalhos e minimizar a vulnerabilidade às cheias e secas do Rio Nilo. Para sobreviver e se desenvolver naquela região, foi preciso organizar-se.

Localizada ao sul do Egito e no norte do Sudão, região estratégica e elo entre a África Central (subsaariana) e o Mediterrâneo (norte da África e oriente próximo), a Civilização Núbia (CLIQUE AQUI E LEIA SOBRE A CIVILIZAÇÃO NÚBIA) surgiu por volta de 4.000 a.C, em meio ao Deserto do Saara e, assim como o Egito, é uma ‘‘dádiva do Nilo’’, bem como do trabalho de construção de diques e canais de irrigação destes povos para evitar inundações durante as cheias e garantir boas colheitas.

Por volta de 2.000 a.C, houve a unificação das comunidades núbias sob o poder de um rei; surgiu então o Reino de Kush (Cuxe), um dos primeiros reinos negros africanos.

O ouro de Kush enriqueceu o Egito e, ao se expandir, os kushitas passaram a ser uma ameaça ao vizinho do Norte. Por isso, os egípcios ocuparam Kush, por volta de 1.500 a.C. Este foi o período da egipcianização da Núbia: adotou-se a religião, o culto às divindades egípcias, os costumes funerários, a construção de pirâmides. Em Napata e Méroe, cidades kushitas, foram erguidas numerosas pirâmides. Os meroítas construíram mais pirâmides do que os faraós egípcios; até o presente já foram contabilizadas mais de 230 pirâmides nos arredores de Méroe, 100 a mais do que no Egito. Por isso, os núbios são conhecidos como ‘‘Faraós Negros’’.

Seguindo a nossa linha do tempo da antiguidade em África, sairemos um pouco da região do Saara, com destino à parte oriental do continente, região do ‘‘Chifre da África’’, para o Império de Axum, que deu origem ao Império Etíope (Etiópia e Eritreia). O Império Axumita (CLIQUE AQUI E LEIA SOBRE O IMPÉRIO DE AXUM) foi considerado um dos quatro grandes impérios do final da Antiguidade (séculos I-VI d.C.), ao lado de Roma, Pérsia e China.

No século X a.C., de acordo com a mitologia etíope contida no livro Kebra Negast, acredita-se que nesta região viveu a Rainha de Sabá (Makeda). Acredita-se também que a família imperial da Etiópia, bem como os imperadores de Axum, têm sua origem a partir de Menelik I, filho da Rainha de Sabá e do rei Salomão. Esta dinastia governou o país durante aproximadamente três mil anos, terminando apenas em 1974, com o Imperador Haile Selassie, o que demonstra a origem milenar da Etiópia.

A partir do século I da Era Cristão, teve início a expansão de Axum pelo norte da Etiópia, parte da Pérsia, sul da península arábica (Iêmen) e, no século IV, a conquista de Meroé, capitão do Reino de Kush (Sudão). Deste modo, construiu-se um império, que abarcava ricas terras cultiváveis do norte da Etiópia, do Sudão e da Arábia meridional.

Nos séculos VII e VIII, o reino se enfraqueceu enquanto os árabes muçulmanos emergiam. O império de Axum e, posteriormente, o império etíope deixou uma diversidade de riquezas para a posteridade, a exemplo da língua ainda falada na região (ge’ez), a igreja etíope com suas tradições, a história milenar que remonta à Rainha de Sabá e o patrimônio arquitetônico.

Para finalizar o nosso passeio pela antiguidade no continente africano, aportamos no Império Cartaginês, no Mar Mediterrâneo. A cidade-estado de Cartago localizava-se no norte da África, próximo de onde hoje é a cidade de Túnis, capital da Tunísia. Foi fundada pelos fenícios no século IX a.C e, com o tempo, passou a exercer controle político sobre boa parte do Mediterrâneo, controlando as rotas marítimas deste mar por mais de seiscentos anos.

No entanto, a prosperidade de Cartago fez com que a cidade-estado entrasse em choque com outra superpotência, Roma. As lutas entre cartagineses e romanos ficaram conhecidas como Guerras Púnicas. Ao final da Terceira Guerra Púnica, Cartago foi incendiada, dizimada e o seu chão foi salgado, para que nada nele crescesse. Era o ano de 146 a.C quando chegou ao fim o Império e a hegemonia de Cartago na região.

Na próxima semana, retomaremos a série abordando a Idade Média em África, desmistificando o domínio do feudalismo europeu neste período.

Por Lorena de Lima Marques

Diáspora africana, você sabe o que é?

Publicado em 20/02/2019 09h00 Atualizado em 06/06/2023 13h53

O termo diáspora tem a ver com dispersão e refere-se ao deslocamento, forçado ou não, de um povo pelo mundo. Foi largamente utilizado para nomear os processos de ‘dispersão’ dos judeus entre os séculos 6 a.C (cativeiro na Babilônia) e o século XX (perseguições na Europa). Além da diáspora judaica, outros processos diaspóricos são importantes para a compreensão das relações históricas e sociais entre os povos ao longo do tempo. Nesse sentido, é importante para nós, enquanto brasileiros e latino-americanos, destacar a diáspora africana.

A diáspora africana é o nome dado a um fenômeno caracterizado pela imigração forçada de africanos, durante o tráfico transatlântico de escravizados. Junto com seres humanos, nestes fluxos forçados, embarcavam nos tumbeiros (navios negreiros) modos de vida, culturas, práticas religiosas, línguas e formas de organização política que acabaram por influenciar na construção das sociedades às quais os africanos escravizados tiveram como destino. Estima-se que durante todo período do tráfico negreiro, aproximadamente 11 milhões de africanos foram transportados para as Américas, dos quais, em torno de 5 milhões tiveram como destino o Brasil.

Compreende-se que a diáspora africana foi um processo que envolveu migração forçada, mas também redefinição identitária, uma vez que estes povos (balantas, manjacos, bijagós, mandingas, jejes, haussás, iorubas), provenientes do que hoje são Angola, Benin, Senegal, Nigéria, Moçambique, entre outros, apesar do contexto de escravidão, reinventaram práticas e construíram novas formas de viver, possibilitando a existência de sociedades afro-diaspóricas como  Brasil, Estados Unidos, Cuba, Colômbia, Equador, Jamaica, Haiti, Honduras, Porto Rico, República Dominicana, Bahamas, entre outras.

Ao embarcar nos navios negreiros, jejes, iorubas e tantos outros, eram obrigados a deixar para trás sua história, costumes, religiosidade e suas formas próprias de identificação. Passavam, então, a ser identificados pelos traficantes com base nos portos de embarque, nas regiões de procedência ou por identificações feitas pelos traficantes. Neste contexto, na diáspora, novas configurações identitárias iam surgindo: bantus (povos provenientes do centro-sul do continente), nagôs (povos de língua ioruba), minas (provenientes da Costa da Mina). Além destes, crioulos (escravizados nascidos na América) e, em um contexto de fim da escravatura, afrodescendentes.

A diáspora, neste sentido, constituiu um processo complexo que envolveu a promoção de guerras em África e a destruição de sociedades; captura de homens, mulheres e crianças; travessia do atlântico que durava em média 40 dias (entre Angola e Bahia, por exemplo); a inserção brutal em uma nova sociedade; lutas por liberdade e sobrevivência e a construção de novas identidades. As sociedades construídas com base no processo de diáspora africana, apesar das marcas estruturais decorrentes do passado escravocrata, conectam-se social e culturalmente, seja por meio da história e deste passado comum, das manifestações artísticas, da ciência, da religiosidade, da black music, do jazz, do soul, do reggae, do samba.

Para saber mais:

CLIQUE AQUI e assista o Documentário Rostos familiares, lugares inesperados: uma diáspora africana global

Outras fontes:

https://bit.ly/2GDLDMS

https://bit.ly/2lw5Axq

Por Lorena de Lima Marques

Teatro Experimental do Negro (TEN)

Publicado em 14/01/2016 09h00 Atualizado em 06/06/2023 14h46

O Teatro Experimental do Negro (TEN) surgiu em 1944, no Rio de Janeiro, como um projeto idealizado por Abdias Nascimento (1914-2011), com a proposta de valorização social do negro e da cultura afro-brasileira por meio da educação e arte, bem como com a ambição de delinear um novo estilo dramatúrgico, com uma estética própria, não uma mera recriação do que se produzia em outros países.

Alguns anos antes, aflorara em Abdias uma inquietação perante a ausência dos negros e dos temas sensíveis à história da população negra nas representações teatrais brasileiras. Em geral, quando lhes era concedido algum espaço cênico, este vinha para reforçar estereótipos, a partir do direcionamento dos atores/atrizes negros/as a papéis secundários e pejorativos. Havia, segundo ele, uma rejeição do negro como “personagem e intérprete, e de sua vida própria, com peripécias específicas no campo sociocultural e religioso, como temática da nossa literatura dramática.” (Nascimento, 2004, p. 210).

Por essa razão, o TEN foi pensado para ser um organismo teatral que promovesse o protagonismo negro. Nas palavras do próprio Abdias do Nascimento, desde que era ainda uma ideia em gestação, o TEN teria como papel defender a “verdade cultural do Brasil”.

À sua proposta, aderiram de imediato o advogado Aguinaldo de Oliveira Camargo, o pintor Wilson Tibério, Teodorico Santos e José Herbel. Logo em seguida, foram acompanhados pelo militante negro Sebastião Rodrigues Alves, Claudiano Filho, Oscar Araújo, José da Silva, Antonio Barbosa, Arlinda Serafim, Ruth de Souza, Mariana Gonçalves (as três trabalhavam como empregadas domésticas), Natalino Dionísio, entre outros.

O corpo de atores era formado, inicialmente, por operários, empregados domésticos, moradores de favelas sem profissão definida e modestos funcionários públicos. O TEN os habilitou a enxergar criticamente os espaços destinados aos negros no contexto nacional.

Este projeto disponibilizou a seus membros cursos de alfabetização e de iniciação à cultura geral, além do de noções de teatro e interpretação, mesclando aulas, debates e exercícios práticos, e contando com a contribuição dos professores Rex Crawford, Maria Yeda Leite e José Carlos Lisboa, do poeta José Francisco Coelho e do escritor Raimundo Souza Dantas, que ajudavam o grupo em formação por meio de palestras.

O Teatro Experimental do Negro tinha grandes ambições artísticas e sociais, dentre elas, estava a exaltação/reconhecimento do legado cultural e humano do africano no Brasil.

Dada à inexistência de peças dramáticas que refletissem sobre a situação existencial do negro no Brasil, o grupo decidiu interpretar o texto O Imperador Jones , de Eugene O’Neill, que dedicava-se àquele mesmo empreendimento, embora tendo como referência o contexto estadunidense. O autor cedeu os direitos autorais ao TEN, por simpatizar com a iniciativa e reconhecer a similitude de condições entre o teatro brasileiro da década de 1940 e o teatro estadunidense de duas décadas antes.

A estreia da peça se deu em 8 de maio de 1945, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde nunca antes havia pisado um negro, fosse como intérprete; fosse como público.

Após o sucesso de crítica, que destacou a atuação de Aguinaldo de Oliveira Camargo, o passe seguinte do grupo foi o da criação e encenação de peças dramáticas nacionais que focassem as questões mais caras da vida afro-brasileira. Antes disso, porém, o grupo interpretou, em 1946, outro texto de O’Neill: Todos os filhos de Deus têm asas .

O primeiro texto escrito especialmente para o TEN foi O filho pródigo , de Lúcio Cardoso, inspirado na parábola bíblica. Foi considerado por parte da crítica como a maior peça do ano. A montagem seguinte se deu sobre o texto Aruanda , de Joaquim Ribeiro. Como desdobramento dessa peça, formou-se o grupo Brasiliana, constituído por seus percussionistas, cantores e dançarinos. O grupo de dança Brasiliana excursionou por quase 10 anos por toda Europa.

A atuação do TEN não se limitava ao teatro ou a uma crítica social restrita à esfera discursiva. As aspirações do grupo incluíam a melhoria real da qualidade de vida da população afrodescendente, o que não podia prescindir do engajamento político de artistas, autores, diretores e demais formadores de opinião. Assim, o TEN organizou o Comitê Democrático Afro-Brasileiro e, em seguida, a Convenção Nacional do Negro, que apresentou à Constituinte de 1946, entre outras propostas, a inserção da discriminação racial como crime de lesa-pátria. Merecem destaque também a realização, em 1950, do 1º Congresso do Negro Brasileiro, e a edição entre os anos de 1948 e 1951 do jornal Quilombo.

O TEN adotava a postura político-discursiva do Négritude, movimento político-estético que impulsionou a luta pela independência de muitos países africanos, como o Seneal, e influenciou a busca por libertação dos povos afro-americanos. Assim, tinha como bandeira “priorizar a valorização da personalidade e cultura específicas ao negro como caminho de combate ao racismo” . (Nascimento, 2004, p. 218).

As dificuldades financeiras, porém, selaram a história do TEN, no ano de 1961. Todavia, não obstante o curto tempo de duração do grupo, o Teatro Experimental do Negro, juntamente com o grupo Os Comediantes, é responsável por inaugurar o teatro moderno brasileiro. Priorizando seu projeto artístico sem levar em conta o gosto médio da plateia, acostumada com as fáceis comédias de costume, abrindo mão da profissionalização dos atores, encenando textos de expoentes da literatura e da nova dramaturgia brasileira, como Jorge Amado, Augusto Boal e Nelson Rodrigues, por exemplo, além de suas próprias peças (como Sortilégio, de Abdias do Nascimento), e atraindo a atenção e a colaboração de outros inovadores como o diretor Zigmunt Turkov e o cenógrafo Tomás Santa Rosa, o TEN “significou uma iniciativa pioneira, que mobilizou a produção de novos textos, propiciou o surgimento de novos atores [Ruth de Souza e Haroldo Costa, por exemplo] e grupos e semeou uma discussão que permaneceria em aberto: a questão da ausência do negro na dramaturgia e nos palcos de um país mestiço, de maioria negra.” (Enciclopédia Itaú Cultural).

Fontes:

NASCIMENTO, Abdias. Teatro Experimental do Negro: trajetória e reflexões. In.: Estudos Avançados. Vol. 18. N.º 50. São Paulo: 2005, pp. 209-224.
Teatro Experimental do Negro. In.: Enciclopédia Itaú Cultural. Disponível em: < http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo399330/teatro-experimental-do-negro >. Acesso em: 03/11/2015.

Reinos e Impérios Africanos – Império de Axum

Publicado em 26/04/2019 09h00 Atualizado em 06/06/2023 14h59

Do Império de Axum ao Império da Etiópia: um breve passeio pela história milenar do ‘‘Chifre da África’’.

Retomando a nossa série ‘‘Reis e Impérios africanos’’, hoje iremos abordar o Império de Axum, inscrito como um dos grandes impérios do mundo, na antiguidade. Retomando a nossa linha do tempo, iniciamos a série no norte da África, com a civilização Núbia, que floresceu ao sul do Egito, onde hoje é o Sudão. Passamos pelo Egito, uma das grandes civilizações da idade antiga e hoje, chegamos ao Chifre da África (África Oriental), para falar do Império de Axum, origem da atual Etiópia e Eritréia. O Império Axumita foi considerado um dos quatro grandes impérios do final da Antiguidade (séculos I-VI d.C.), ao lado de Roma, Pérsia e China.

Voltando alguns séculos antes da Era Cristã, mais precisamente ao século X a.C., de acordo com a mitologia etíope contida no livro Kebra Negast, acredita-se que nesta região viveu a Rainha de Sabá (Makeda). Acredita-se também que a família imperial da Etiópia, bem como os imperadores de Axum, têm sua origem a partir de Menelik I, filho da Rainha de Sabá e do rei Salomão. Esta dinastia governou o país durante aproximadamente três mil anos, terminando apenas em 1974, com o Imperador Haile Selassie, o que demonstra a origem milenar da Etiópia.

Apesar da Etiópia ser uma das áreas de ocupação humana mais antigas do mundo, pouco se sabe sobre os períodos anteriores à unificação dos povos da região sob o Império de Axum, no século I d.C. A origem da Rainha de Sabá ainda hoje é reivindicada por etíopes e por iemenitas (Iêmen) e o que se sabe é fruto de estudos arqueológicos e dos escritos do Kebra Negast. Ademais, há indícios arqueológicos de que Makeba viveu na cidade de Askum, capital do Império Axumita.

A partir do século I da Era Cristão, teve início a expansão de Axum pelo norte da Etiópia, parte da Pérsia, sul da península arábica (Iêmen) e, no século IV, a conquista de Meroé, capitão do Reino de Kush (Sudão). Deste modo, construiu-se um império, que abarcava ricas terras cultiváveis do norte da Etiópia, do Sudão e da Arábia meridional, cujos monarcas pagavam tributos ao ‘‘rei dos reis’’ de Axum. Axum alongou-se por aproximadamente um milênio, a partir do século I da Era Cristã.

A capital do Império era a cidade de Askum, na atual Etiópia, embora as cidades mais prósperas eram as cidades portuárias de Adúlis e Matara, onde hoje é a Eritréia. A partir das conquistas de estados na região, os axumitas passaram a controlar uma das rotas marítimas comerciais mais importantes da antiguidade, o Mar Vermelho, caminho entre a África, a Arábia e a Índia. Para fomentar as trocas comerciais e facilitar a economia local, o Império de Axum passou a cunhar sua própria moeda, constituindo o primeiro estado da África a evidenciar-se pela cunhagem de sua própria moeda.

A cidade de Askum e o reino de mesmo nome, gozavam de sólida reputação no século III da era Cristã. A população era relativamente numerosa, cuja as atividades não se limitavam à agricultura ou a criação de animais. O comércio era intenso e a arquitetura, com destaque para as ‘‘estelas’’, é marca importante da cultura axumita.

A posição do Reino no mundo comercial da época era a de uma potência mercantil de primeiro plano. A cunhagem, sobretudo de moedas de ouro, constituía medida econômica e política, pois através dela, o Estado proclamava ao mundo sua independência e prosperidade, o nome de seus monarcas e as divisas do reino. Dos vinte reis que se sucederam no trono, dezoito foram descobertos por terem os bustos esculpidos em moedas.

A língua e a escrita axumita era o ge’ez, usada até hoje. Outro ponto importante de Axum foi a conversão do reino ao cristianismo, fato atribuído ao bispo Frumêncio, que foi responsável pelo batismo do Rei Ezana, no século IV. O Antigo Testamento foi gradualmente traduzido do grego para o ge’ez nos séculos seguintes. A Bíblia difundiu-se por toda a Etiópia, um dos primeiros países cristãos do mundo. Nascia então, a Igreja Ortodoxa Etíope.

Nos séculos VII e VIII, o reino se enfraqueceu enquanto os árabes muçulmanos emergiam como um novo centro de poder. O reino de Axum continuou imponente até o século XI, época em que o islamismo já havia se expandido pela Península Arábica e conquistado boa parte do território que os axumitas dominavam, isolando aquele reino cristão.

O império de Axum e, posteriormente, o império etíope deixou uma diversidade de riquezas para a posteridade, a exemplo da língua ainda falada na região (ge’ez), a igreja etíope com suas tradições, a história milenar que remonta à Rainha de Sabá e um patrimônio arquitetônico. Na Idade Média, há o renascimento deste reino, sobretudo com a construção das famosas onze igrejas da cidade de Lalibela, esculpidas em rochas, no solo e inspirada em Jerusalém, as quais, desde 1978, são patrimônio histórico da humanidade.

Nos séculos seguintes, Axum entrou em decadência, mas a importância simbólica para a religião e a realeza etíope, nunca foi esquecida. Atualmente, a cidade de Aksum e Lalibela são cidades sagradas para a Igreja Ortodoxa Etíope, em vista, respectivamente, do início da cristandade e das construções sagradas.

Fonte: Síntese da coleção história geral da Africa, I: pré-história ao século XVI: http://bit.ly/2IZV2Se

De Lorena de Lima Marques

Reinos e Impérios Africanos – Reino Núbia

Publicado em 04/04/2019 09h00 Atualizado em 06/06/2023 15h12

Você conhece a história dos ‘‘Faraós Negros? ’’ Conheça conosco a história da Núbia e do Reino de Kush.

Quando se pensa em África Antiga, automaticamente, remete-se à civilização egípcia. No entanto, outros povos, reinos, impérios e civilizações destacaram-se na antiguidade. Iniciando a nossa série ‘‘Reinos e Impérios Africanos’’, estaremos trazendo hoje, a Núbia e, discutiremos a relevância histórica desta civilização localizada ao sul do Egito e no norte do Sudão, região estratégica e elo entre a África Central (subsaariana) e o Mediterrâneo (norte da África e oriente próximo). Ali habitava uma população negra com língua e origem étnica diferente dos egípcios. Os Núbios eram africanos na língua e na civilização.

A civilização núbia surgiu por volta de 4.000 a.c, em meio ao escaldante Deserto do Saara e, assim como o Egito, é uma ‘‘dádiva do Nilo’’, bem como do trabalho de construção de diques e canais de irrigação destes povos para evitar inundações durante as cheias e garantir boas colheitas. Por volta de 2.000 a.c, houve a unificação das comunidades núbias que habitavam ao longo da margem do Nilo sob o poder de um rei; surgiu então o Reino de Kush (Cuxe), um dos primeiros reinos negros africanos, tendo sido Napata, a primeira capital. Napata foi um importante centro comercial e religioso.

Por séculos, as riquezas do Reino de Kush foram levadas para o Egito: ébano, marfim, incenso, gado, ouro, escravizados. O ouro de Kush enriqueceu o Egito. O reino se expandiu e passou a ser uma ameaça e, por isso, os egípcios ocuparam o vizinho por volta de 1.500 a.c, tornando-o vice-reino. Este foi o período da egipcianização da Núbia: adotou-se a religião, o culto às divindades egípcias, os costumes funerários, a construção de pirâmides. Em Napata e Méroe, cidades kushitas, foram erguidas numerosas pirâmides.

Por volta do ano 1.000 a.c. Kush libertou-se do domínio egípcio e emergiu como potência, quando o monarca núbio Piankhy ‘’Peye’’ derrotou os assírios que dominavam o Egito e unificou Egito e Kush, sendo aclamado ‘‘senhor dos dois reinos’’, iniciando o reinado dos ‘‘faraós negros’’ no Egito. A dinastia dos faraós negros perdurou por 52 anos, quando foram derrotados pelos assírios e Kush novamente invadido pelos egípcios.

Os vestígios dos faraós kushitas foram apagados pelos egípcios, exemplo disso foi que no ano de 2003, arqueólogos da Universidade de Genebra encontraram no norte do Sudão uma cratera (fechada por aproximadamente 2 mil anos) contendo várias estátuas de ancestrais, lembranças dos faraós negros. Algumas estavam destruídas e enterradas, como forma de apagar o vestígio do domínio desta civilização no Egito.

Após o domínio egípcio, a civilização kushita renasceu aos redores da cidade de Méroe, nova capital, estendendo-se por mais mil anos. Os meroítas construíram mais pirâmides do que os faraós egípcios; até o presente já foram contabilizadas mais de 230 pirâmides nos arredores de Méroe, 100 a mais do que no Egito. Desta forma, no Sudão, há mais pirâmides do que no Egito.

Outro episódio destacável do Reino de Méroe é a atuação das rainhas que governaram e comandaram exércitos, as ‘’candaces’’ (rainha mãe) que iniciaram uma tradição matrilinear. Em 330 da nossa era, o Reino de Kush foi conquistado pelo Reino de Axum (falaremos dele mais a frente), outro importante reino africano.

Curiosidades:

Taharqa, filho de Piye e 3º faraó negro da 25ª dinastia egípcia, é personagem da Bíblia. Ele aparece no Livro dos Reis, do Antigo Testamento.

Para saber mais: https://bit.ly/2IedAxl

De Lorena de Lima Marques

Reinos e Impérios Africanos – Civilização Egípcia

Publicado em 10/04/2019 09h00 Atualizado em 06/06/2023 15h16

O Egito, pois, não é apenas uma dádiva do Nilo: é, acima de tudo, uma criação do homem.

Dando prosseguimento à nossa série, iremos tratar hoje da Civilização Egípcia. É importante observar que para melhor compreensão das dinâmicas dos povos, reinos e impérios do continente africano, a série está sendo construída a partir de uma ordem cronológica, onde estaremos considerando a construção política e social do continente da antiguidade até o século XVIII.

Dois fatos são de extrema relevância para se compreender o nascimento do Egito enquanto uma civilização: a unificação política por Menés (tornando-se o primeiro faraó) e o surgimento da escrita. Ambos fenômenos foram motivados pela necessidade de coordenar os regimes de cheias do Nilo, racionalizar o trabalho e a colheita, estabelecer a distribuição sistemática dos recursos entre a população e, desta forma, garantir a sobrevivência do povo e, consequentemente, do Estado.

A civilização egípcia se desenvolveu ao redor do Nilo, aprendendo a tirar do rio a sua subsistência. Além da agricultura, o comércio foi bastante relevante e o Nilo tornou-se importante via para o transporte de mercadorias e pessoas, facilitou as negociações e possibilitou o desenvolvimento e enriquecimento do Egito.

A sociedade egípcia era bastante hierarquizada e organizada como uma grande pirâmide, de uma forma que a finalidade era trabalhar em função das necessidades do Estado, personificada no faraó. No topo estava o faraó, responsável pela ordem, economia, controle das cheias do rio; seguido pelos sacerdotes; escribas; o exército. Na base da pirâmide estavam os comerciantes e artesão, os camponeses e no fundo, os escravos, que sustentavam toda pirâmide social.

A escrita surgiu por volta de 3.000 a.C. A escrita hieroglífica era usada em textos oficiais e sagrados. Além desta, havia a escrita hierática, utilizada pelos sacerdotes e a demótica, utilizada em cartas.

A história política do império egípcio pode ser dividida em 3 períodos: Antigo, médio e novo império. O Antigo império foi o ápice, onde se deu a construção das pirâmides. Durante o médio, houve expansão do Egito e conquista da Núbia. A partir do século 8 a.C. o Egito foi invadido pelos assírios e em 525 a.C., dominado pelos persas.

Em 322 a.C., após Alexandre, o Grande ter conquistado a Pérsia, este conquistou também o Egito. Os sucessores de Alexandre, o Grande, governaram o país por 300 anos e fundaram Alexandria, capital intelectual do Ocidente naquela época. Após a queda da última rainha da dinastia dos Ptolomeu (sucessores de Alexandre, o Grande), Cleópatra, a região foi dominada pelos os romanos, pelo Império Bizantino e pelos árabes, em 642.

De Lorena de Lima Marques

Martin Luther King, um ícone da luta por igualdade e paz

Publicado em 31/03/2011 09h05 Atualizado em 07/06/2023 09h16

Por Karina Miranda da Gama

Martin Luther King Jr. foi um grande líder pacifista. Lutou incessantemente pelos princípios de liberdade e igualdade, e pelos direitos civis na América. Pelo combate pacífico contra o preconceito racial, ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Mas a trajetória de um dos mais importantes e respeitados líderes políticos negros foi breve. Luther King foi assassinado no dia 4 de abril de 1968, aos 39 anos, por um branco segregacionista.  

A luta de Luther King pelos direitos civis nos Estados Unidos teve início no episódio conhecido como Milagre de Montgomery, em 1955. Então presidente da Associação de Melhoramento de Montgomery, liderou, junto com os demais membros da comunidade, um boicote às empresas de ônibus da cidade, após um ato discriminatório a uma passageira negra.  

MOVIMENTO – A passageira, Rosa Parks, que se recusou a ceder o lugar para um branco, foi presa por desacato às leis segregacionistas. O episódio colocou a questão racial em debate nacional e gerou um movimento, que durou um ano, para pressionar o Estado a abolir este tipo de segregação. A reivindicação foi acatada pela Suprema Corte Americana, que determinou o fim da discriminação nos transportes públicos.  

King liderou uma série de protestos em diversas cidades norte-americanas contra a segregação racial em espaços públicos e pelos direitos civis do negro. Em 1960, os negros conquistaram o direito de acesso a bibliotecas, parques e lanchonetes. Na década de 60, a questão racial era apenas uma parte da luta de classes nos EUA, além das greves e da luta dos trabalhadores, e da participação dos EUA em golpes e conflitos militares no mundo inteiro.  

MARCHA  Em 1963, o ativista político liderou a Marcha para Washington, um movimento de luta pelo fim da segregação racial. O manifesto em prol dos Direitos Civis de todos os cidadãos americanos contou com a participação de mais de 200 mil pessoas. Na ocasião, Luther King proferiu o célebre discurso Eu tenho um sonho, que clamava por uma sociedade de liberdade e igualdade.  

Aos 35 anos, Luther King foi contemplado com o Nobel da Paz, sendo o mais jovem ganhador deste importante Prêmio. A não-violência foi a forma utilizada para articular sua luta, realizada por meio de uma resistência firme, mas pacífica. No entanto, o líder político foi preso por diversas vezes, duramente criticado e sofreu ameaças por seus posicionamentos.  

A batalha de Luther King pelos direitos civis dos negros teve continuidade com a aprovação da Lei dos Direitos Civis, assinada em 1964, que garantia a igualdade de direitos. No ano seguinte, mais uma importante conquista aconteceria: a aprovação da Lei dos Direitos de Voto para os negros. Luther King também lutou em favor de oportunidades de emprego para os pobres no país e, em 1967, uniu-se ao Movimento pela paz na Guerra do Vietnã.  

ASSASSINATO – Martin Luther King foi assassinado no dia 4 de abril de 1968, aos 39 anos, em Menphis. Todavia, sua luta significou um marco histórico na defesa pelos direitos civis de toda a humanidade e pela paz. Seu legado influenciou o fim do Apartheid na África do Sul e permitiu que o mundo assistisse, na primeira década do século XXI, a ascensão do primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América, Barack Obama.  

Temos um sonho e a luta continua!

Manifestações de racismo são constantes na sociedade brasileira e mundial, e ainda assistimos a crimes bárbaros motivados pela questão racial. Os níveis de vitimização de jovens negros são alarmantes, conforme consta no Mapa da Violência 2011 – Os Jovens do Brasil, publicação do Ministério da Justiça e do Instituto Sangari, recentemente lançada (disponível em: www.mapadaviolencia.org.br).  

De acordo com a análise, em todos os dados apresentados, a população negra ocupa os primeiros lugares entre as vítimas por mortes violentas, principalmente os homens negros. “Esta situação está presente em todas as regiões brasileiras, com raras exceções em alguns Estados, e visibiliza um nítido componente racial no perfil de incidência dessas mortes” (trecho do relatório).  

FUNDAÇÃO PALMARES – Neste governo, o cerne da luta contra o racismo é fomentar ações de enfrentamento às violências motivadas pela discriminação, contribuindo para a promoção do direito da população negra à vida. E construir políticas de ações afirmativas para a valorização da cultura negra é o desafio da Fundação Cultural Palmares (FCP), ora sob a presidência de Eloi Ferreira de Araujo.  

Com ferramentas como o Estatuto da Igualdade Racial e a disposição de avançar na transversalidade da cultura com os demais órgãos governamentais e segmentos sociais, os gestores da Palmares desejam promover a identidade dos negros e das negras no Brasil e no mundo. No Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, Luther King inspira o combate à discriminação.  

Violência racial é violação de direitos humanos. Portanto, a luta pela igualdade e pela liberdade não pode parar! 

Luther King, um perfil

Martin Luther King nasceu numa família de negros norte-americanos, em 15 de janeiro de 1929, na parte mais radical do segregacionismo – o sul dos Estados Unidos, em Atlanta. Filho e neto de pastores, cresceu num ambiente de fortes convicções políticas e religiosas, tornando-se pastor batista aos dezenove anos. Formou-se em teologia pelo Seminário Teológico Crozer e, em 1955, concluiu o doutorado em filosofia pela Universidade de Boston. Defendeu a luta pela paz e se dedicou à filosofia do protesto não violento, inspirado nas idéias do líder indiano Mahatma Gandhi. 

Serviço 

Para ler sobre outros acontecimentos e personalidades importantes da história dos negros e negras, consulte o Calendário Internacional da Cultura Negra e a Galeria de Personalidades Negras.

Zumbi dos Palmares

Publicado em 01/01/2015 12h05 Atualizado em 21/08/2025 13h37

Zumbi dos Palmares nasceu em 1655, em Alagoas, e tornou-se símbolo da resistência negra à escravidão no Brasil. Líder do Quilombo dos Palmares, organizou estratégias de defesa, alianças e resistência contra os ataques coloniais. Foi capturado na infância, batizado como Francisco e educado por um padre, mas retornou ao quilombo aos 15 anos. Recusou acordos com os colonizadores e defendeu a liberdade de culto, o direito à terra e a valorização da cultura africana. Tombou em combate em 1695, mas sua memória atravessou séculos. O 20 de novembro consagra sua luta como Dia da Consciência Negra.

Cultura, Artes, História e Esportes

BOLSA-PRÊMIO DE VOCAÇÃO PARA A DIPLOMACIA

Iniciativa promove caminhos para novos avanços que introduz negros, pretos e pardos na carreira de diplomata
Publicado em 07/06/2023 12h47 Atualizado em 07/06/2023 12h56

O Instituto Rio Branco (IRBR) anuncia nesta quarta-feira, 07 de junho de 2023, o Programa de Ação Afirmativa Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, o qual promove caminhos para novos avanços que introduz negros, pretos e pardos na carreira de diplomata.

O objetivo da iniciativa é ampliar as oportunidades de acesso aos quadros do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e incentivar e apoiar o ingresso de pessoas negras, pretas e pardas na carreira de diplomata, mediante a concessão de bolsas-prêmio destinadas ao custeio de estudos preparatórios ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).

Na presente edição, foram convocados 58 candidatos negros, ranqueados conforme seu desempenho no CACD 2022, para procedimento de heteroidentificação - a realizar-se no Instituto Rio Branco nos dias 26 e 27 de junho de 2023. O resultado final da seleção para concessão das 30 bolsas disponíveis será publicado no dia 5 de julho de 2023.

O PAA é uma iniciativa pioneira na Administração Pública Federal, que completa 21 anos em 2023. Trata-se de parceria entre o Instituto Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores (IRBr/MRE), o Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Ministério da Igualdade Racial (MIR) e a Fundação Cultural Palmares (FCP).

De acordo com o Presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, a iniciativa é um passo importante para as ações afirmativas da cultura, da educação e para os afro-brasileiros.

 “É uma retomada muito importante, no qual permitirá que a população negra brasileira recomece. A diplomacia pode e deve ter a cara preta, a cara negra, a cara da cultura afro-brasileira. Essa iniciativa é um passo importante para este novo momento do novo governo do presidente Lula, da ministra Margareth Menezes e da própria Palmares, que volta a ser protagonista das ações, da cultura e da luta pela igualdade do país. ” Destacou João Jorge.

A presença desse grupo minoritário na diplomacia é importante no ponto de vista da representatividade e também nas perspectivas únicas e experiências diversas para a tomada de decisões internacionais. A inclusão de diferentes vozes e experiências enriquece o diálogo global e contribui para soluções mais abrangentes e equitativas.

Lei Afonso Arinos: A primeira norma contra o racismo no Brasil

Publicado em 20/12/2018 09h05 Atualizado em 07/06/2023 13h24

A trajetória da população negra no decorrer das décadas é marcada por muitas lutas e conquistas, como implementação de leis de combate à discriminação, direito individual e coletivo. Embora, na pratica há algumas deficiências no cumprimento dessas leis, que são de suma importância para assegurar os direitos do povo negro.  A Lei Afonso Arinos foi a primeira norma contra o racismo no Brasil.

O Congresso Brasileiro em 3 de julho de 1951, aprovou a Lei 1.390 , que tornava contravenção penal a discriminação racial. A discriminação por raça ou cor. E que ficou conhecida pelo nome de seu autor, o deputado federal pela UDN, Afonso Arinos de Melo Franco. Segundo notícias, a motivação para elaborar a lei veio depois de um caso de discriminação envolvendo a bailarina afro-americana Katherine Dunham que foi impedida, em razão da sua cor, de se hospedar em um hotel em São Paulo. O caso não teve tanta notoriedade no Brasil, mas repercutiu negativamente no exterior.

A criação da Lei Afonso Arinos serviu para trazer à tona o tema “racismo” , para alertar a sociedade que racismo era crime. Mas que não obteve tanto efeito na prática, pois não havia condenação.

Em 20 de dezembro de 1985, a Lei 1.390 ganha uma nova redação que inclui entre as contravenções penais, a prática de atos resultantes de preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil. Sendo assim, a partir dessa data, entra em vigor a Lei 7.437 , apelidada de Lei Caó , referindo-se ao Deputado Carlos Alberto Caó de Oliveira, advogado, jornalista, militante do movimento negro que se destacou por sua luta contra o racismo e que foi o autor da nova redação.

A lei ainda haveria de passar por alterações, quando foi criada a Lei 7.716 em 5 de janeiro de 1989 a legislação determina a pena de reclusão a quem tenha cometidos atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Com a sanção, a lei regulamentou o trecho da Constituição Federal que torna inafiançável e imprescritível o crime de racismo, após dizer que todos são iguais sem discriminação de qualquer natureza.

Embora, após décadas após a criação e alteração dessas leis, ainda não há tanta eficácia no cumprimento das mesmas, mas elas são importantes para o povo negro pois consolidou o início da seguridade que a população negra tem de recorrer à legislação no combate aos crimes de racismo.

Fontes:

https://bit.ly/2EAJfHu

https://bit.ly/2EDh2kt

https://bit.ly/2EAY4K9

https://bit.ly/2EFOQgz

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