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Primeiro diretor do INPE, Fernando de Mendonça recebe título de Pesquisador Emérito do CNPq
Fundador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Fernando de Mendonça recebeu o título de Pesquisador Emérito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no dia 28 de junho. No início da década de 1960, Mendonça foi diretor científico do Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CNAE), embrião do INPE, instituto em que foi o primeiro diretor de 1963 a 1976.
O diploma de Pesquisador Emérito foi entregue a Fernando de Mendonça por Ricardo Galvão, presidente do CNPq que dirigiu o INPE entre 2016 e 2019. O atual diretor do INPE, Antonio Miguel Vieira Monteiro, participou da restrita cerimônia na residência do homenageado em São José dos Campos (SP).
Fernando de Mendonça é considerado um dos maiores cientistas na história da ciência e tecnologia do Brasil. Ao longo de sua vida profissional, desempenhou papel central na capacitação de pesquisadores em física espacial, consolidando a posição do Brasil no cenário científico internacional. Aos 100 anos de idade, continua a inspirar gerações de cientistas e profissionais da área espacial.
Pioneiro
Natural de Guaramiranga (CE), Fernando de Mendonça foi aviador da Força Aérea Brasileira (FAB) e se graduou engenheiro eletrônico no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em 1958. Recebeu o título de PhD em Radio Ciências pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, em 1961.
No final da década de 1960, não havia no país profissionais especializados em ciência e tecnologia espacial. Por isso, no período inicial do INPE, Fernando de Mendonça concentrou-se na formação desse quadro e enviou 84 estudantes brasileiros para fazer doutoramento em ciências espaciais no exterior.
Em 1963, auxiliou o Estado Maior da Força Aérea na criação de um grupo de estudos e projetos especiais, tendo como resultado a construção da Base de Lançamento de Foguetes no Rio Grande do Norte. Como diretor científico da CNAE, embrião do INPE, participou de todas as etapas de sua criação, desde obras físicas à busca de pesquisadores interessados em trabalhar no emergente programa espacial brasileiro.
No início dos anos 1970, quando os Estados Unidos se preparavam para lançar o primeiro satélite de sensoriamento remoto ERTS-1, Mendonça preparou o INPE para ter a primeira estação da América do Sul de recepção e de gravação de imagens para rastrear o satélite. Instalada em Cuiabá (MT), a estação foi a terceira no mundo, depois das dos Estados Unidos e do Canadá. Assim, quando o ERTS-1 foi lançado ao espaço, em julho de 1972, o INPE já adquiria os equipamentos necessários para o Laboratório de Processamento de Imagens, a ser instalado em Cachoeira Paulista (SP). Em menos de um ano, em abril de 1973, a Estação de Cuiabá já estava recebendo e gravando os primeiros dados do satélite ERTS-1, que proporcionou ao mundo a capacidade de pesquisar e monitorar os recursos naturais e, como um todo, o meio ambiente da Terra. O INPE, então, começou a dar os primeiros passos nas pesquisas e domínio no processamento de imagens de satélite.
Em 1974, graças a uma iniciativa conjunta com o Ministério da Educação (MEC) e o CNPq, Mendonça cria o Projeto SACI, de educação primária via satélite, para atender as quatro primeiras séries do antigo primeiro grau. SACI era a sigla para Satélite Avançado de Comunicações Interdisciplinares. Na opinião de Mendonça, a educação por satélite seria uma solução para reduzir o número de analfabetos no Brasil, à época considerado um entrave à modernização do país, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Em 1976, o projeto registrava um total de 1.241 programas de rádio e TV, realizados com recepção em 510 escolas de 71 municípios. Contudo, o projeto não teve continuidade e foi interrompido em 1978, sob o argumento dos altos custos de manutenção de satélites.
De 1977 a 1982, Mendonça foi diretor executivo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), conduzindo a formação de centenas de doutores na Alemanha para o Programa Nuclear Brasileiro. A partir de 1983, atuou no setor privado, na área de telecomunicações via satélite e representações no setor espacial.
Saiba mais em: http://www3.inpe.br/FernandoMendonca
Com informações do CNPq