2026
Palestrante: Camila Paiva Novaes
Filiação: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Data: 14/04/2026
Horário: 14h
Local: Auditório do prédio CEA II, na sede do INPE em São José dos Campos (Av. dos Astronautas, 1758, Jardim da Granja)
Título: O que o espectro de potência não conta: cosmologia com estatísticas não-Gaussianas e simulações
Resumo: A distribuição de matéria no Universo carrega muito mais informação do que aquela capturada por estatísticas de dois pontos, como o espectro de potência. Como os traçadores de matéria escura são fortemente influenciados pela evolução não-linear das estruturas cósmicas, descrições puramente Gaussianas acabam sendo insuficientes, e estatísticas não-Gaussianas (NG) passam a ter um papel central para acessar essa informação adicional. Ao mesmo tempo, técnicas de inferência baseada em simulações (SBI) que fazem uso de aprendizado de máquina vêm ganhando espaço como alternativa aos métodos tradicionais de análise, especialmente quando não dispomos de modelos teóricos analíticos — situação comum ao trabalhar com estatísticas NG. Neste seminário, vou apresentar como a combinação de estatísticas NG e SBI pode ser usada para obter vínculos mais robustos sobre parâmetros cosmológicos, e discutir o potencial de combinar diferentes estatísticas e conjuntos de dados.
Palestrante: Ted Leandro de Almeida
Filiação: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Data: 07/04/2026
Horário: 14h
Local: Auditório do prédio CEA II, na sede do INPE em São José dos Campos (Av. dos Astronautas, 1758, Jardim da Granja)
Título: Exoplanetas além das técnicas tradicionais: o poder das microlentes gravitacionais
Resumo: As microlentes gravitacionais (MG) constituem uma das técnicas mais poderosas, e ao mesmo tempo mais singulares, para a detecção de exoplanetas. Sensíveis a planetas frios, de baixa massa e afastados de suas estrelas hospedeiras, esta técnica permite explorar regiões do diagrama massa x semi-eixo maior ainda pouco povoadas por detecções obtidas por outros métodos. Nesta palestra, discutiremos os princípios teóricos das microlentes gravitacionais e seu papel no contexto mais amplo da busca por exoplanetas, em comparação com técnicas como trânsito planetário e velocidade radial.
Além de apresentar os principais resultados já obtidos por essa abordagem, a palestra abordará seus prós e contras, destacando por que as MG são essenciais para construir um retrato mais completo da diversidade de sistemas planetários na nossa Galáxia. Também discutiremos a importância das observações de acompanhamento realizadas por redes de observatórios, incluindo a contribuição de pequenos e médios telescópios. Nesse contexto, o Observatório do Pico dos Dias tem participado de esforços internacionais de monitoramento fotométrico, evidenciando o papel do Brasil na caracterização desses eventos e na detecção de novos exoplanetas.
Palestrante: Everson Henrique Rodrigues
Filiação: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Data: 31/03/2026
Horário: 14h
Local: Auditório do prédio CEA II, na sede do INPE em São José dos Campos (Av. dos Astronautas, 1758, Jardim da Granja)
Título: Análise bayesiana da matéria escura em anãs brancas e conexões com estrelas de nêutrons
Resumo: Nesta apresentação abordarei inicialmente a possível presença de matéria escura em estrelas de nêutrons, com ênfase em seus efeitos sobre a estrutura estelar e sobre propriedades macroscópicas. Também destaco o papel das correlações de curto alcance nessas quantidades.
O foco principal, contudo, recai sobre os resultados da análise bayesiana da presença de matéria escura em anãs brancas azuis pouco luminosas - as faint blue white dwarfs - a partir de observáveis como massa e gravidade superficial. Nesse estudo, utilizo técnicas de inferência bayesiana e efeitos da relatividade geral em um modelo de dois fluidos para investigar a presença de matéria escura nesses objetos. Os resultados obtidos até o momento apontam para um cenário privilegiado, bem como para uma faixa preferencial da quantidade de matéria escura presente, semelhante ao caso das estrelas de nêutrons.
Por fim, apresentarei a conexão entre esses estudos e meu projeto de pós-doutorado (recentemente iniciado) que abordará estrelas de nêutrons no contexto da gravidade f(T).
Palestrante: Marcio Guilherme Bronzato de Avellar
Filiação: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Data: 24/03/2026
Horário: 14h
Local: Auditório do prédio CEA II, na sede do INPE em São José dos Campos (Av. dos Astronautas, 1758, Jardim da Granja)
Título: Além das correlações: o caso dos FRBs | Severidade do teste como critério discriminante
Resumo: Este seminário apresenta os FRBs como um problema de decisão entre cenários físicos rivais, e não como uma busca por mais correlações. O argumento central é que a área avançará por meio de testes severos baseados em polarização, comportamento temporal, ambiente da galáxia hospedeira, restrições multibanda e controle explícito de efeitos de seleção e propagação. A palestra está ancorada no meu programa de pesquisa no INPE, que combina modelos de magnetares, dinâmica de Kozai–Lidov, cenários unificados em sistemas compactos e física de propagação em uma estrutura orientada a testes.
Palestrante: Yenifer Angarita Arenas
Filiação: Chalmers University of Technology (Suécia)
Data: 17/03/2026
Horário: 14h
Local: Auditório do prédio CEA II, na sede do INPE em São José dos Campos (Av. dos Astronautas, 1758, Jardim da Granja)
Título: Galactic magnetic field tomography using starlight polarization observations
Resumo: The Galactic magnetic field interacts with dust, gas, and cosmic rays, influencing the dynamics of the multiphase interstellar medium (ISM) from the diffuse regions to dense molecular clouds. Polarization tomography offers an effective method for investigating the structure of magnetic fields in different ISM environments. As starlight travels through magnetized, dust-filled regions, it becomes linearly polarized due to the alignment of non-spherical dust grains with local magnetic fields. Integrating polarization measurements with distance information enables the separation of contributions from multiple intervening structures and facilitates the reconstruction of the plane-of-sky magnetic field at various depths along the line of sight. In this study, statistical decomposition techniques are employed on multi-band polarization data to identify distinct polarizing components corresponding to separate dust layers. The findings indicate that polarization tomography can distinguish between nearby and distant magnetic field contributions and reveal variations in magnetic field properties across large-scale structures. This approach proved useful for mapping three-dimensional magnetic field geometries and examining their relationship with the underlying matter distribution.
Palestrante: Thais dos Santos Silva
Filiação: Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)
Data: 10/03/2026
Horário: 14h
Local: Auditório do prédio CEA II, na sede do INPE em São José dos Campos (Av. dos Astronautas, 1758, Jardim da Granja)
Título: Reconstruindo a história de formação estelar de Canis Major OB1
Resumo: A região de formação estelar de Canis Major OB1 constitui um dos cenários mais intrigantes da Via Láctea para o estudo da formação e evolução de estrelas jovens. Localizada a cerca de 1 kpc de distância, essa associação é composta por nebulosas de emissão, nuvens escuras e agrupamentos estelares em um ambiente marcado por múltiplos episódios de formação estelar e pela influência de estrelas massivas. Nesta palestra, apresentarei um panorama dos principais resultados obtidos ao longo dos últimos anos sobre a estrutura, a população estelar e a história evolutiva dessa região. Inicialmente, observações em raios X com o XMM-Newton, combinadas a dados no óptico e no infravermelho próximo e médio (2MASS e allWISE), revelaram duas populações estelares com idades distintas e distribuição espacial diferenciada: estrelas mais jovens concentram-se nas regiões ainda ricas em material denso enquanto as mais antigas estão presentes em toda associação, incluindo as áreas onde o gás molecular já foi disperso, indicando pelo menos dois episódios principais de formação estelar, um mais recente (< 5 milhões de anos) e outro há mais de 10 milhões de anos. Evidências adicionais, como a presença de estrelas runaway e a baixa fração de estrelas com disco circunstelar, sugerem que mais eventos de supernova tenham influenciado a evolução do meio interestelar. Posteriormente, com a astrometria de alta precisão do segundo data release da missão Gaia, foi possível identificar os agrupamentos fisicamente associados à CMa OB1, estimar suas idades e distâncias, mostrando que os grupos mais jovens compartilham uma história comum, compatível com múltiplos episódios ocorridos dentro de uma mesma estrutura progenitora. Dados mais recentes do Gaia DR3 ampliam significativamente o censo estelar da região, refinando sua caracterização cinemática e evolutiva. Em conjunto, esses resultados contribuem para reconstruir a história da formação estelar de CMa OB1, bem como para aprofundar nossa compreensão dos processos envolvidos na formação e na evolução de estrelas e associações jovens na Galáxia.