2026
Palestrante: Thais dos Santos Silva
Filiação: Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)
Data: 10/03/2026
Horário: 14h
Local: Auditório do prédio CEA II, na sede do INPE em São José dos Campos (Av. dos Astronautas, 1758, Jardim da Granja)
Título: Reconstruindo a história de formação estelar de Canis Major OB1
Resumo: A região de formação estelar de Canis Major OB1 constitui um dos cenários mais intrigantes da Via Láctea para o estudo da formação e evolução de estrelas jovens. Localizada a cerca de 1 kpc de distância, essa associação é composta por nebulosas de emissão, nuvens escuras e agrupamentos estelares em um ambiente marcado por múltiplos episódios de formação estelar e pela influência de estrelas massivas. Nesta palestra, apresentarei um panorama dos principais resultados obtidos ao longo dos últimos anos sobre a estrutura, a população estelar e a história evolutiva dessa região. Inicialmente, observações em raios X com o XMM-Newton, combinadas a dados no óptico e no infravermelho próximo e médio (2MASS e allWISE), revelaram duas populações estelares com idades distintas e distribuição espacial diferenciada: estrelas mais jovens concentram-se nas regiões ainda ricas em material denso enquanto as mais antigas estão presentes em toda associação, incluindo as áreas onde o gás molecular já foi disperso, indicando pelo menos dois episódios principais de formação estelar, um mais recente (< 5 milhões de anos) e outro há mais de 10 milhões de anos. Evidências adicionais, como a presença de estrelas runaway e a baixa fração de estrelas com disco circunstelar, sugerem que mais eventos de supernova tenham influenciado a evolução do meio interestelar. Posteriormente, com a astrometria de alta precisão do segundo data release da missão Gaia, foi possível identificar os agrupamentos fisicamente associados à CMa OB1, estimar suas idades e distâncias, mostrando que os grupos mais jovens compartilham uma história comum, compatível com múltiplos episódios ocorridos dentro de uma mesma estrutura progenitora. Dados mais recentes do Gaia DR3 ampliam significativamente o censo estelar da região, refinando sua caracterização cinemática e evolutiva. Em conjunto, esses resultados contribuem para reconstruir a história da formação estelar de CMa OB1, bem como para aprofundar nossa compreensão dos processos envolvidos na formação e na evolução de estrelas e associações jovens na Galáxia.