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Plataforma Cena Brasil leva a Xangai 166 profissionais das artes cênicas brasileiras
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Entre 14 e 31 de outubro, Xangai recebe a Plataforma Cena Brasil, iniciativa que reúne 166 artistas, curadores, programadores, produtores e outros profissionais brasileiros em uma programação de apresentações artísticas, encontros de mercado e formação. Integrada ao Ano Cultural Brasil-China, a ação busca ampliar a presença da produção nacional no circuito asiático e criar condições para que o intercâmbio entre os dois países tenha continuidade após o encerramento dos eventos.
Apresentada pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Vale, a Plataforma Cena Brasil é realizada via Lei Rouanet pela Cinco Elementos Produções, Quitanda Soluções Criativas e Instituto Ibero Culturas, em articulação com as diretrizes de internacionalização das artes brasileiras implementadas pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) por meio do Programa Funarte Brasil Conexões Internacionais. A produção executiva é da Peixe-Mulher. A ação ocorre em parceria com o China Shanghai International Arts Festival (CSIAF) e a Network of Silk Road Arts Festivals, com apoio institucional de entidades brasileiras e chinesas.
O Ano Cultural Brasil-China é uma ação de fortalecimento dos laços bilaterais entre Brasil e China, fomentando a cooperação cultural com foco nas artes, na inovação, na sustentabilidade e no desenvolvimento econômico criativo. Nesta agenda estratégica, construída pela via diplomática e pela articulação institucional, um retrato plural e impulsionante das cenas brasileiras vem se apresentando em território chinês. A Política Nacional das Artes, que orienta a atuação do Estado brasileiro, entes federativos, agentes e instituições da sociedade civil, é guia das diretrizes públicas aplicadas nas missões.
A diretora do Centro de Teatro da Funarte, Aline Vila Real, integra a comitiva oficial da Plataforma Cena Brasil.
Da apresentação à circulação — A programação artística é uma das portas de entrada para a aproximação entre os dois mercados. O repertório brasileiro inclui teatro, teatro de bonecos, dança e música, com trabalhos de cinco estados: Minas Gerais, Amazonas, Rio de Janeiro, Ceará e Paraná.
Mas a agenda não se limita às apresentações. A delegação inclui 15 representantes de festivais, centros culturais, instituições e organizações ligadas às artes cênicas, que participarão de rodadas de negócios e encontros com curadores e programadores chineses e internacionais. A expectativa é realizar mais de 60 reuniões para identificar possibilidades de circulação, coprodução e parceria entre instituições.
A estratégia também prevê aproximar os profissionais brasileiros da produção chinesa, criando oportunidades para que as relações estabelecidas em Xangai possam se desdobrar em futuras programações no Brasil. A presença de curadores e programadores das cinco regiões do país busca ampliar a circulação das informações e das conexões para além dos participantes da viagem.
Fórum e cooperação institucional — A formação e o intercâmbio de conhecimento integram o terceiro eixo da Plataforma. Em 14 de outubro, o primeiro Fórum Brasil-China de Artes Performativas começa com o painel “Paisagens Performativas do Brasil: Diversidade e Experimentação”, no Fotografiska. No dia 15, a Shanghai Theater Academy recebe os debates “Formação, Pesquisa e Produção de Conhecimento: Redes de Cooperação e Perspectivas do Sul Global” e “Conexões entre Brasil e China: Festivais, Instituições, Circulação e Estruturas de Apoio” – este último, com participação da diretora do Centro de Teatro da Funarte, Aline Vila Real.
Os encontros reúnem artistas, pesquisadores, professores, curadores e programadores dos dois países para discutir modelos de cooperação e possibilidades de intercâmbio. Também está prevista a assinatura de um Memorando de Entendimento entre a Funarte e a Shanghai Theater Academy, voltado à cooperação acadêmica, à formação e à circulação artística.
Brasil em cena — A Orquestra Sinfônica do Paraná abre a programação artística brasileira em 17 de outubro, com 82 músicos e um repertório dedicado à música de concerto nacional. O programa reúne obras de Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri, incluindo as “Bachianas Brasileiras nº 4”, de Villa-Lobos.
No dia 20, a Paracuru Cia. de Dança, do litoral do Ceará, apresenta trabalhos de seu repertório contemporâneo. No dia 21, o grupo mineiro Giramundo leva ao Lyceum Theatre sua versão de “Alice no País das Maravilhas”, que combina teatro de bonecos, animação digital, projeções e stop motion.
A programação se encerra com duas companhias que se apresentam nos dias 29 e 30. A Panorando Cia. e Produtora, de Manaus (AM), apresenta “As Cores da América Latina”, espetáculo que articula teatro, dança e referências de manifestações populares do Chile, do Peru e do Brasil. A montagem venceu o 34º Prêmio Shell de Teatro na categoria Destaque Nacional. Os Ciclomáticos, do Rio de Janeiro (RJ), levam “Tudo Faz Sentido, mas é Mera Coincidência”, trabalho que combina teatro, performance e recursos audiovisuais para abordar as contradições de uma sociedade marcada pela conexão permanente e pelo distanciamento nas relações presenciais.
As atividades incluem ainda rodadas de negócios, Networking Hub, pitches e a Conferência Silk Road, que reúne profissionais e instituições ligados à rede internacional de festivais.
Uma agenda com desdobramentos — A Plataforma Cena Brasil integra as ações do Ano Cultural Brasil-China, que em 2026 marca os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países. Reconhecendo a China como um mercado cultural de grande escala, ainda pouco acessado pela produção brasileira, a presença no China Shanghai International Arts Festival e na Network of Silk Road Arts Festivals pode aproximar grupos e instituições nacionais de redes internacionais de programação.