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Funarte celebra a culminância dos atos públicos que marcam as comemorações dos seus 50 anos pelo Brasil, com atividades no Rio de Janeiro
(Divulgação)
A Fundação Nacional de Artes (Funarte), entidade vinculada ao Ministério da Cultura do Governo Federal (MinC), encerra o período de celebração de seu cinquentenário no dia 31 de março, no Rio de Janeiro (RJ). Finalizando três meses de ações que reverberam ao Brasil a importância histórica da instituição e anunciam entregas para o presente e futuro das artes brasileiras, este último ato inclui a abertura da nova sede do seu Centro de Documentação e Pesquisa (CEDOC Funarte), onde se instala a “Ocupação Grande Othelo”, e uma ativação do Palácio Gustavo Capanema, a sede histórica da Funarte, com a exposição “Visualidades Brasileiras - Funarte 50 Anos” e solenidade com show das cantoras Cátia de França, Josyara e Juliana Linhares. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.
Instituída em 16 de dezembro de 1975 (Lei n° 6.312), com regulamentação em 16 de março de 1976 (Decreto n° 77.300), a Funarte tem portanto um aniversário que se estende em um trimestre. Foi assim que, desde dezembro, atos públicos em diferentes cidades e contextos vêm se realizando para afirmar a importância da defesa pública de políticas para as artes, que devem ser vistas como bem coletivo e direito de cada brasileira e brasileiro.
O foco destas ações está na afirmação da importância histórica, na reconstituição de sua memória e na recuperação institucional da Fundação, que entrega e dá relevo à Política Nacional das Artes – o chamado “Brasil das Artes”. Iniciados em 2015, os esforços de elaboração do escopo conceitual da Política Nacional das Artes foram retomados em 2023, a partir dos acúmulos já existentes e de Grupo de Trabalho, instituído pelo MinC e coordenado pela Funarte. O GT atuou por 15 meses para formular o texto-base que agora se encaminha para a implementação de uma política inovadora, firmada na democracia, que orienta o Estado brasileiro e os entes federativos, assim como agentes e instituições da sociedade civil, na promoção do direito às artes, na sua proteção e partilha.
Responsável pelas políticas públicas para as Artes Visuais, o Circo, a Dança, a Música e o Teatro no Brasil, a Funarte vem desenvolvendo, desde 2023, um trabalho de recuperação e atualização institucional para o fortalecimento das ações desenvolvidas e o estabelecimento de políticas articuladas ao Sistema Nacional de Cultura, bem como da restituição da participação social como fundamento do processo qualificado de formulação e consolidação destas políticas.
Somam-se ao arcabouço de conquistas institucionais, neste cinquentenário, a reestruturação administrativa da Funarte, com a recuperação de estruturas extintas e reorganização de diretorias específicas para as linguagens artísticas; o concurso público para novos servidores, após mais de dez anos de sua última realização, por meio do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU2) em parceria com o Ministério da Gestão e da Inovação (MGI); a reabertura do Centro Técnico de Artes e do Centro de Documentação e Pesquisa como articuladores nacionais das políticas para as áreas técnicas e para a memória das artes; a inauguração da nova lona da Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha (ENCLO); e, ainda, o retorno da Funarte ao Palácio Gustavo Capanema.
No conjunto dos programas da Funarte, estão contempladas as variadas frentes da rede produtiva das artes. Como diretriz prioritária de política pública, está o Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, que promove manutenção e previsibilidade para iniciativas artísticas de caráter continuado, de todas as regiões do Brasil: espaços, grupos e coletivos e eventos calendarizados, em suas experiências essencialmente coletivas. Em duas edições, mais de R$ 30 milhões foram investidos anualmente em mais de 100 projetos a cada biênio. A partir de 2026, o Programa avançou em articulação com a Política Nacional Aldir Blanc: o Programa Nacional Aldir Blanc de Apoio a Ações Continuadas conta, em sua 1ª edição, com a participação de 12 estados e sete capitais, numa atuação coordenada que faz somar mais de R$ 100 milhões de recursos federais numa rede ampla de ações artístico-culturais a cada ano no Brasil.
O Programa Funarte de Difusão Nacional, o Programa Funarte Brasil Conexões Internacionais, o Programa Funarte Aberta e o Programa Funarte Memória das Artes são outros constituintes do Brasil das Artes. Junto a circuitos artísticos mobilizados em rede em todas as regiões do país e em internacionalização, está o Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes, que, em suas duas edições, investiu R$ 10 milhões no reconhecimento de uma centena de mestras e mestres, acima de 60 anos e reconhecidos por seus pares, com notório conhecimento e atuação para os segmentos artísticos.
Em 2025, a Funarte também completou uma agenda de decisão institucional de reconhecimento dos setores artísticos, na recuperação da participação e organização social fundamentais aos avanços políticos. Encontros Nacionais de Políticas para as Artes foram realizados para todas as áreas de atribuição da Fundação, gerando a produção de documentos orientadores, entregues à Funarte e ao MinC, e a instituição de Grupos de Trabalho para proposição e acompanhamento das estratégias de implementação dos Sistemas Setoriais previstos no Sistema Nacional de Cultura para as Artes Visuais, o Circo, a Dança, a Música e o Teatro.
Celebrando, fomentando, difundindo, conectando e protegendo as artes do Brasil, a Funarte demonstra como, por meio de seus programas e da força das artes brasileiras, cada iniciativa se desdobra em contágio, numa constelação de agentes, linguagens, públicos, comunidades, territórios, em todas as regiões do país.
Abertura da nova sede do CEDOC Funarte com a “Ocupação Grande Othelo”
No dia 31 de março, às 10h, a Funarte abre a nova sede de seu Centro de Documentação e Pesquisa (CEDOC Funarte). Hoje vinculado à nova Diretoria de Memória, Pesquisa e Produção de Conteúdos (DIMEMO), criada com a reforma administrativa da Funarte em 2025, o setor finalmente se instala em um imóvel próprio, totalmente ocupado por seu rico acervo com mais de 1 milhão de itens que registram a memória das artes brasileiras e da própria instituição.
O CEDOC Funarte agora ocupa o casarão histórico e tombado onde já funcionaram o Arquivo Nacional e o Museu Casa da Moeda, na Praça da República, Centro do Rio de Janeiro. Sob sua salvaguarda, estão acervos fundamentais para a história das artes do Brasil, três deles registrados no Programa Memória do Mundo da Unesco: do dramaturgo Oduvaldo Vianna (1892-1972), do produtor e autor de teatro de revista Walter Pinto (1913-1994) e do ator, produtor, diretor e pesquisador Fernando Peixoto (1937-2012).
Também sob a guarda do CEDOC Funarte, desde 2008, está o acervo pessoal de Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Othelo (1915-1993), memória e fundamento das artes brasileiras. É desta coleção que surge a “Ocupação Grande Othelo”, uma parceria da Funarte com o Itaú Cultural, que expôs a mostra entre os últimos meses de dezembro e março, em sua sede na cidade de São Paulo (SP).
Agora a exposição é aberta em sua casa, no CEDOC Funarte, apresentando ao público a trajetória e contribuições artísticas de Othelo, marcando também os 110 anos de seu nascimento. São mais de 160 reunidos, que convidam a uma imersão na vida e obra daquele que foi o primeiro artista negro a ocupar lugar de destaque no teatro, rádio, cinema e televisão no Brasil. Com talento, humor e sagacidade, Othelo abriu caminhos nas artes e pautou discussões importantes, reivindicando direitos e representatividade. Uma presença marcante para a cultura do Brasil, de alcance e reconhecimento internacional.
A concepção e curadoria são do Itaú Cultural, com consultoria da pesquisadora Deise de Brito e projeto expográfico de Kleber Montanheiro. O espaço expositivo apresenta rascunhos de poemas ou outros concluídos – como “Cadê você, Gonzagão?”, que ele escreveu em homenagem a Luiz Gonzaga –, partituras originais dos anos 1940, roteiros, objetos, cartas, fotografias, indumentárias, suas agendas para recados e outros cadernos pessoais, documentos históricos como um contrato com a Rede Globo, de 1967, um diploma de cidadão paulistano, de 1978, e troféus como o Velho Guerreiro, que Chacrinha lhe ofereceu em seu programa dominical.
Após a abertura neste momento especial, a “Ocupação Grande Othelo” seguirá aberta até 30 de setembro, de segunda a sexta, de 10h às 16h, com visitação gratuita. A partir de maio, serão abertas visitas guiadas para escolas através do Programa Educativo do CEDOC Funarte.
“Visualidades Brasileiras - Funarte 50 Anos”
Nas ações do marco de celebração de seus 50 anos, a Funarte já promoveu atos de partilha de ações para a Música, com uma homenagem aos 90 anos da cantora Alaíde Costa, que contou com a pré-estreia da cinebiografia “A Noite de Alaíde”, dirigida por Liliane Mutti, e pocket-show da artista, acompanhada por Caio Prado, no Palácio Gustavo Capanema; para o Circo, com a inauguração da nova lona da sua Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha (Enclo), intitulada “Mestre Jamelão – Diamante Negro”; para o Teatro, com o ato “Grupos, Memória e Acervos do Teatro Brasileiro”, realizado em Manaus (AM); e para a Dança, com “Memória e Futuro da Dança Brasileira: políticas públicas que atravessam o tempo”, em Brasília (DF).
Agora, as Artes Visuais destes 50 anos de história são foco da exposição “Visualidades Brasileiras - Funarte 50 Anos”, que será aberta no dia 31 de março, às 16h, no Mezanino do Palácio Gustavo Capanema, com uma roda de partilha e a performance “Nimbo Oxalá”, do artista Ronald Duarte.
A mostra reúne cinco décadas de arte contemporânea, políticas públicas e diversidade estética, sob curadoria da pesquisadora e crítica de arte Luíza Interlenghi, abrangendo o período de 1976 a 2026. Apresenta, assim, um amplo panorama das artes visuais no Brasil, a partir do percurso histórico da própria Funarte. São revisitadas iniciativas históricas como os Salões Nacionais de Artes Plásticas, o Projeto Macunaíma, o Instituto Nacional de Fotografia (INFOTO) e prêmios como Projéteis de Arte Contemporânea, Funarte de Arte Contemporânea, Conexão e Circulação, Mulheres nas Artes Visuais, entre outros.
Estão reunidas obras de 40 artistas, de todas as regiões do Brasil, que participaram de programas, editais, prêmios e ações que moldaram o campo artístico nacional, de diferentes gerações e linguagens, da pintura à performance, da fotografia às práticas coletivas, das tradições populares às investigações contemporâneas: Adriana Maciel (MG), Arjan Martins (RJ), Armando Queiroz (PA), Augusto Leal (BA), Beatriz Milhazes (RJ), Céu Vasconcelos (CE), Cildo Meireles (RJ), Daniel Morena (RJ), Daniel senise (RJ), Derlon (PE), Eudes Motta (PE), Eustáquio Neves (MG), Fernanda Junqueira (RJ), Franklin Cassaro (RJ), Gervane de Paula (MT), Getúlio Damado (MG), Glicéria Tupinambá (BA), Hélio Oiticica (RJ), Juliana Notari (PE), Julio Leite (PB), Luiz Braga (PA), Lygia Pape (RJ), Manfredo Souzanetto (MG), Marcia Thompson (RJ), Marcone Moreira (MA), Martha Niklaus (RJ), Nino (João Cosmo Félix) (CE), Oscar Niemeyer (RJ), Paulo Paes (PA), Pituku (AP), Raul Mourão (RJ), Raymundo Colares (MG), Rodrigo Braga (AM), Ronald Duarte (RJ) Suely Farhi (RJ), Tunga (PE), Walter Firmo (RJ), Waltércio Caldas (RJ), Xadalu Tupã Jekupé (RS) e Yuri Firmeza (SP).
A perspectiva curatorial parte da compreensão de que a arte brasileira é atravessada por temporalidades múltiplas, ativando um “tempo circular insurgente” que costura ancestralidade, presente e porvir. Romper as permanências da colonialidade nas formas de ver, legitimar e narrar é condição fundamental para imaginar novos horizontes estéticos e sociais – como destacam epistemologias e movimentos anticoloniais.
Ao celebrar sua memória, a Funarte abre novas passagens para a criação, a circulação e a celebração da arte, ancorando esta exposição comemorativa como um arquivo vivo, plural e pulsante, que celebra o legado institucional e anuncia futuros para as artes visuais do país.
“Visualidades Brasileiras - Funarte 50 Anos” tem correalização da Associação de Amigos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (AMEAV) e apoio do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), vinculado ao Iphan. A visitação gratuita permanecerá aberta até o dia 15 de maio.
Ato solene e show de Cátia de França, Josyara e Juliana Linhares
O Palácio Gustavo Capanema é um marco da arquitetura modernista e do patrimônio cultural brasileiro, primeiro prédio moderno de escritório da América Latina, símbolo do labor cultural, da criatividade e da invenção. Construído entre 1937 e 1945 para sediar o Ministério da Educação e Saúde Pública, é um ícone mundial, com projeto liderado por Lucio Costa e participação de Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira, Ernani Vasconcelos e consultoria de Le Corbusier. Obras de Cândido Portinari, Burle Marx, Bruno Giorgi, entre outros artistas consagrados, ocupam seus ambientes.
Ao completar 80 anos, em 2025, o Capanema foi reaberto e devolvido ao Brasil, após nove anos fechado, totalmente restaurado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). A reinauguração se deu em 20 de maio do ano passado, com a entrega da Ordem do Mérito Cultural (OMC), a mais alta honraria pública da cultura do Brasil. Reinstalada em sua sede histórica, a Funarte celebra esta retomada como mais um marco guardião do processo de restituição da memória institucional, da cultura e da soberania brasileira.
Os 16 pavimentos do Gustavo Capanema se estruturam sobre os famosos pilotis, que se projetam num quarteirão inteiro do Centro do Rio de Janeiro – lugar que, ao lado do povo brasileiro, foi palco de manifestações históricas e edificação da resistência do campo da cultura, como o Ocupa MinC, em 2016, e os protestos de 2021 contra sua inclusão em leilões de imóveis.
É neste terreno emblemático que a Funarte conclui sua festa de aniversário: a primeira vez, desde o fechamento do edifício, que um evento público convoca a presença maciça da população ao local.
Um ato solene com autoridades públicas, incluindo a presidenta da Funarte, Maria Marighella, antecede o show das cantoras Cátia de França (PB), Josyara (BA) e Juliana Linhares (RN): gerações de artistas que reinventam o Nordeste em som, corpo e palavra.
O show percorre os mais de 50 anos de carreira de Cátia, apresentando ao público músicas que também integram seu mais recente trabalho, “No Rastro de Catarina” (2024), além de canções do potente repertório autoral de Josyara e Juliana, nomes relevantes na atual música brasileira independente. Elas compartilham um espetáculo construído a partir de escutas, atravessamentos e camadas distintas da música nordestina. A apresentação articula repertórios, gestos e sonoridades que tensionam tradição e contemporaneidade. Entre composições, improvisos e performances, o trio revela afinidades e contrastes, criando um espaço de troca onde criação, memória e liberdade aparecem como forças centrais da cena.
Serviço
FUNARTE 50 ANOS - ATO 3
31 de março
Rio de Janeiro (RJ)
CEDOC Funarte
Praça da República, 26 - Centro
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10h
Abertura da nova sede do Centro de Documentação e Pesquisa (CEDOC Funarte), com a exposição “Ocupação Grande Othelo”
Palácio Gustavo Capanema
Rua da Imprensa, 16 - Centro
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16h, no Mezanino
Abertura da exposição “Visualidades Brasileiras - Funarte 50 Anos”
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18h, nos Pilotis
Ato solene com show de Cátia de França, Josyara e Juliana Linhares
Entrada gratuita | Sujeita à lotação dos espaços