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Após reconhecimento histórico, Fórum do Circo de Tradição Familiar reúne artistas e pesquisadores em São Paulo
Foto: Rennan Peixe (associação respeita Januário)
Depois da conquista histórica do dia 11 de março, quando o Circo de Tradição Familiar foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil, em decisão unânime do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, a comunidade circense se reuniu novamente para o Fórum do Circo de Tradição Familiar do Brasil, nos dias 24 e 25 de março, no Complexo Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo (SP).
Além de partilha de experiências em torno do processo deste reconhecimento, o evento se propôs a discutir os desafios e perspectivas da efetiva salvaguarda do Circo de Tradição Familiar no Brasil. Justamente na semana em que se comemora o Dia Nacional do Circo, 27 de março, pesquisadores e representantes de famílias tradicionais do circo, da Associação Respeita Januário (ARJ), da Fundação Nacional de Artes (Funarte), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Ministério da Cultura (MinC) se encontraram para troca coletiva das metodologias e do trabalho de agentes de todas as regiões do Brasil durante os mais de trës anos de pesquisa dedicada à construção do dossiê e dos produtos técnicos para a inscrição no Livro de Registro das Formas de Expressão, que confirma a relevância dessa manifestação para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira.
Marcos Teixeira, diretor do Centro de Circo da Funarte, participou da mesa de abertura, com mediação de Diana Dianovsky, coordenadora-geral de Identificação e Registro do Iphan, e com falas das demais entidades envolvidas no projeto: Luiz Henrique Santos, coordenador geral da ARJ; Consuelo Vallandro, atual presidente da Associação de Circo do Rio Grande do Sul e técnica da pesquisa do inventário do Circo de Tradição Familiar; Marina Lacerda, coordenadora-geral de Promoção e Sustentabilidade do Iphan; e Desirèe Ramos Tozi, parecerista e diretora de Articulação e Governança do MinC.
Em sua fala, Marcos destacou a importância da conquista para toda a comunidade do circo e enalteceu a união dos circenses para manter viva a tradição: “O Circo não vai morrer. Ele segura a onda, se adapta, se recupera, passa por todas as dificuldades que a gente sabe que os circos passam. Contra preconceitos, lutam, brigam, se ajudam. É uma das características interessantes do circo itinerante”.
O diretor do Centro de Circo da Funarte também reafirmou o compromisso da instituição com a salvaguarda, manutenção e reconhecimento da comunidade circense. “Com a participação de todos os entes, nas três ligas de governo, municípios, estados e Federação, a gente vai fazer com que os circos vivam com mais dignidade. Eu acho que é isso que a gente, como gestor, todo dia pensa. O que vai dar mais dignidade? o que vai dar uma vida digna a esse artista? A gente já tenta fazer isso há muitos anos na Funarte”.
Pedro Clerot, coordenador de Identificação do Iphan, apresentou a página dedicada ao Circo de Tradição Familiar no site do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), que é o principal instrumento para identificar, documentar e valorizar bens culturais materiais e imateriais no Brasil.
A luta de mais de 30 anos para esta conquista foi ainda mais celebrada com a entrega dos títulos de reconhecimento aos representantes do Circos de Tradição Familiar, no encerramento do Fórum, na tarde do dia 25 de março. As irmãs Edlamar e Erimeide Zanchettin se emocionaram ao receber o título em mãos e ver o trabalho de décadas se consolidando. “Essa conquista é para nós, mas é para todos aqueles que já se foram, que tiveram uma vida dedicada ao circo. É para minha mãe e todos vocês que perderam parentes em circo. E para os de agora, que estão levando adiante a nossa linda, bela e amada profissão”.
O pedido inicial de registro foi protocolado em 2005, por iniciativa do Circo Zanchettini, do Paraná, liderado por Wanda Cabral Zanchettin, que, desde a década de 1990, defendia o reconhecimento do Circo como patrimônio cultural do país.
Assim, em 2026, o mês de março, do marco do Circo brasileiro, entra para a história da cultura nacional com esta inscrição .