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“É preciso descapitalizar o crime, assim, ele tende a falir”
O ministro Gilson Dipp do Superior Tribunal de Justiça participa, neste momento, do workshop Lavagem de Dinheiro – Recuperação de Ativos, no IV Fórum Global de Combate à Corrupção. Para o ministro, presidente da mesa deste workshop, o Brasil tem reagido firmemente diante do cenário atual, onde a lavagem de dinheiro provém, principalmente, da corrupção. Além disso, ele ressaltou a necessidade de que se reforcem os laços de cooperação internacional para a recuperação de ativos brasileiros que são enviados para paraísos fiscais. “Estamos reagindo à corrupção. Hoje, por exemplo, temos 17 varas criminais no Brasil especializadas em tratar de crimes ligados à corrupção. Isso é inédito no mundo”, disse.
No entanto, ainda há muito o que fazer, lembrou o ministro. “Em torno de 70% do dinheiro lavado no Brasil vem da corrupção, de acordo com dado levantado pela operação Farol da Colina, da Polícia Federal. E chega a U$ 200 bilhões o montante de dinheiro brasileiro que está hoje no exterior e em paraísos fiscais”, ressaltou. O ministro também lembrou de um dado alarmante: o Brasil ocupa o 20º lugar no ranking dos países que enviam dinheiro para paraísos fiscais. “É preciso descapitalizar o crime, assim, ele tende a falir.”
Uma vez incorporado ao montante circulante legal de um país, torna-se bastante difícil diferenciar o dinheiro oriundo de corrupção. Por isso, a cooperação entre nações de todo o mundo é essencial para que haja uma diminuição desse tipo de crime. “O Brasil vem realizando várias parcerias para a recuperação de ativos e de cooperação internacional. Isso mostra que nosso País está seriamente comprometido em combater a lavagem de dinheiro, tanto nacional quanto internacionalmente. Se não fizermos isso, o combate à lavagem de dinheiro será ineficaz e moroso”, finalizou.