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Técnicos africanos conhecem laboratórios da AMIPA
“O conceito do prédio construído para abrigar a sede da AMIPA é o mesmo conceito da Associação: o da sustentabilidade”
. Foi assim que o Diretor-Executivo da
Associação Mineira dos Produtores de Algodão (AMIPA)
, Lício Pena Sairre, apresentou, logo no hall de entrada, a sede de uma das parceiras do
"Projeto Regional de Fortalecimento do Setor Algodoeiro na Bacia do Lago Victoria"
, ou “Cotton Victoria”, para um grupo de africanos que estão no Brasil desde o início da semana, em Uberlândia, Minas Gerais.
No edifício da AMIPA, a água da chuva é 100% reaproveitada e os painéis solares revestem todo o teto da estrutura arquitetônica. A luz natural é valorizada com o uso de vidros, que recobrem toda a fachada frontal, onde fica localizado o Museu do Algodão, um dos pontos altos da visita feita na tarde desta quarta-feira (11/3) pelos 12 representantes do Burundi, Quênia e Tanzânia e pelos especialistas da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores (MRE) . A visita integra a agenda do comitê gestor do “Cotton Victoria” , que já se encontra pela quarta vez desde o início do projeto.
No Museu do Algodão os visitantes puderam conhecer os variados produtos e subprodutos provenientes do algodão, além de outras fibras, naturais e sintéticas, existentes. O gerente de laboratório, Anicézio Rezende, fez uma explicação detalhada dos tipos de fibra, suas características e diferentes qualidades. Apresentou, ainda, as quantidades de produtos feitos a partir de um fardo de algodão, cujo exemplar está presente no museu. “Com um fardo de algodão é possível produzir mais de duzentas calças jeans, mil e duzentas camisetas e mais de 4 mil meias” , exemplificou.
Tecnologia
Rezende também apresentou o Laboratório de Classificação de Fibras localizado na AMIPA. “Aqui é a parte mais importante do processo de classificação, é o coração do laboratório” , afirmou, em uma sala climatizada e com umidade controlada onde fica o HVI ( High Volume Instrument ), um equipamento capaz de analisar as propriedades essenciais do algodão, determinantes para a indústria têxtil e para o mercado do algodão.
Segundo o especialista, é preciso que todas as fibras a serem testadas permaneçam no ambiente por 24h até que estejam estabilizadas e nos parâmetros de umidade determinados conforme padrões internacionais. “Só então a fibra pode ser testada no HVI, que é o equipamento capaz de aferir 16 características diferentes, como, por exemplo, sua resistência, comprimento e índice de fibras” , explicou. “Essa análise não pode ser feita pelo ser humano, com tal precisão” .
O grupo pôde, antes, conferir o ambiente de testes para averiguar os índices de impureza e de açúcares presentes nas fibras do algodão. A sala onde essa aferição é feita segue padrões internacionais, como o uso das superfícies na cor preta e incidência de determinada quantidade de luz, por exemplo, para a classificação que é feita a olho nu.
Combate natural a pragas
Já o responsável pela Biofábrica da AMIPA, Fauser Elias, apresentou os detalhes de produção de agentes biológicos usados no combate às pragas da cotonicultura. Fauser explicou, em uma sala repleta de caixas cheias de insetos adultos, já em fase de coleta, toda a dinâmica que envolve a produção dos tricogramas, vespinha que combate pragas em plantações agrícolas. Os presentes puderam, em pequenos grupos, conhecer como é feito o processo de coleta. “Há dias em que são coletadas 2 mil caixas” , disse Fauser. A produção de tricogramas chega a ser, em média, de 18 mil insetos por caixa, a cada 15 coletas realizadas.
Autor: Claudia Caçador