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Seminário debate preservação de línguas e culturas indígenas na região amazônica

- Seminário debate preservação de línguas e culturas indígenas na região amazônica
A mesa inaugural, dedicada ao tema “Políticas de Estado e Cooperação Internacional para a salvaguarda do patrimônio linguístico e cultural indígena”, conta com a participação de autoridades e especialistas, entre eles a diretora adjunta da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, Embaixadora Maria Luiza Lopes, que falará sobre a importância da cooperação internacional para fortalecer políticas públicas e ampliar iniciativas de preservação cultural.
O seminário ocorre entre os dias 27 e 29 de abril, no Centro Audiovisual da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), e marca o encerramento do projeto “Salvaguarda do Patrimônio Linguístico e Cultural de Povos Indígenas Transfronteiriços e de Recente Contato na Região Amazônica”, executado em parceria entre a Funai, a UNESCO, com apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).
Cooperação e políticas públicas para a preservação cultural
O evento foi concebido como espaço de diálogo interinstitucional e intercâmbio de experiências voltadas ao fortalecimento de políticas públicas e mecanismos de cooperação internacional para a proteção das línguas e culturas indígenas. A programação aborda temas como documentação e revitalização linguística, patrimônio imaterial, uso de tecnologias digitais e o papel das instituições de memória na preservação do conhecimento tradicional.
Ao longo dos três dias, painéis e atividades discutem iniciativas relacionadas ao direito à memória, à educação diferenciada e à valorização dos saberes indígenas, além das conexões entre cultura, território e biodiversidade, especialmente em áreas de fronteira e em contextos de recente contato.
Resultados e legado da cooperação internacional
Com duração de dez anos, entre 2015 e 2026, o projeto que motivou a realização do seminário se consolidou como uma das principais iniciativas de cooperação internacional voltadas à salvaguarda do patrimônio linguístico e cultural indígena na região amazônica. Seu objetivo é fortalecer as bases de conhecimento técnico-científico e ampliar o intercâmbio entre o Brasil e países vizinhos nas áreas de linguística, cultura e preservação da memória.
Entre os resultados alcançados destacam-se a produção de léxicos multimídia e gramáticas de línguas indígenas, desenvolvidos pelo Projeto de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin), do Museu do Índio, além da formação de acervos linguísticos e culturais em diferentes formatos, como registros orais, escritos, audiovisuais e museológicos relacionados às culturas indígenas em regiões de fronteira.
A iniciativa também contribuiu para fortalecer o protagonismo dos povos indígenas na produção de conhecimento e na gestão de seus próprios patrimônios culturais. Reconhecido como uma experiência de referência, o projeto foi apresentado em espaços internacionais, como a Cúpula da Amazônia e a COP30, como exemplo de cooperação voltada à preservação e valorização da diversidade cultural.