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Resultados Finais do Projeto Shire-Zambeze são apresentados em reunião remota
Os resultados finais do
“Projeto Regional de Fortalecimento do Setor Algodoeiro nas Bacias do Baixo Shire e Zambeze”
foram apresentados nesta segunda-feira (20/7), em uma reunião remota entre os profissionais da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), da
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
, do
Centro Internacional de Agricultura Tropical da Colômbia (CIAT)
, e do
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Em linhas gerais, os dados apresentados indicam que os impactos foram positivos, tanto para o aumento da produção algodoeira como para o incremento da renda dos agricultores familiares envolvidos com o projeto.
A missão de avaliação final do projeto ocorreu no final de 2019 e uma reunião presencial para a apresentação desses resultados estava agendada para março, mas, devido à pandemia da Covid-19, precisou ser cancelada.
No encontro remoto ocorrido nesta segunda, os especialistas puderam conhecer os impactos social, ambiental, econômico e institucional do projeto, implantado na região entre Moçambique e Malawi, desde 2014. A discussão sobre esses resultados é uma fase importante que antecede a consolidação do relatório final de avaliação e determina uma possível segunda fase do projeto, que, caso definida, terá início em 2021.
Avanços
Os especialistas envolvidos na avaliação do projeto destacaram que, em linhas gerais, os impactos foram positivos, tanto para o aumento da produção algodoeira, como para o incremento da renda dos agricultores familiares envolvidos com o projeto. Do ponto de vista ambiental verificou-se que houve, no entanto, um aumento do uso de defensivos agrícolas para alcançar esse patamar de produção mais elevado. Nesse sentido, o trabalho dos extensionistas, técnicos que mantêm uma relação mais frequente e próxima dos agricultores, foi primordial para treiná-los no uso consciente dos defensivos.
Alberto Santana, coordenador do projeto pela Embrapa, lembrou que o combate às pragas foi um avanço da iniciativa. “A contribuição do projeto foi trabalhar o manejo por parte da agricultura familiar para o controle de pragas, que antes não existia” . Já o Supervisor Agronômico do projeto, o moçambicano Alexandre Pelembe, destacou que é preciso reforçar com os produtores a mensagem do uso correto de fertilizantes e defensivos para que haja uma mudança de cultura no tema em ambos países.
O especialista da Embrapa Geraldo Stachetti sublinhou que, em uma eventual segunda fase do projeto, será importante fortalecer o trabalho já realizado de educação ambiental no tema do descarte de embalagens, proteção de mananciais hídricos, uso de EPIs, além do descarte e armazenamento de resíduos químicos.
Sementes
Já o CIAT avaliou os impactos econômicos da produção de algodão a partir de sementes certificadas usadas nos países africanos. Byron Reyes, especialista do Centro, apresentou dados em que foi possível verificar, estatisticamente, uma mudança no rendimento e na produtividade no Malawi, onde foram entrevistados 116 produtores. No entanto, em Moçambique, onde 168 produtores participaram das entrevistas, essa mudança não foi verificada, dentro dos diferentes níveis de impacto e conforme a metodologia usada pelo CIAT.
Flavio Avila, avaliador da Embrapa lembrou que a amostra de Moçambique ficou prejudicada porque as sementes do projeto não foram usadas na região de Manica, área que participa do projeto, já que a empresa algodoeira local não quis comprar as sementes e estas foram utilizadas em outras regiões do país. “É importante ressaltar que esse fator teve um impacto imenso nos resultados finais para Moçambique” , lembrou.
Sustentabilidade e Expansão
As recomendações apresentadas para uma possível continuidade do projeto foram detalhadas pelo especialista Rodrigo Ferraz. Segundo Ferraz, o potencial de escalabilidade do projeto teve um índice muito alto, cerca de 96% se considerada uma média dos entrevistados em ambos países e no Brasil. As estimativas otimistas têm a ver com o fato de o subsetor algodoeiro ver o projeto Shire-Zambeze como estratégico e prioritário para a região.
A sustentabilidade da iniciativa, no entanto, é o tema que parece ser unânime entre todos os especialistas envolvidos. Além da sustentabilidade financeira, a determinação das funções precisa ser assumida com comprometimento, em cada um dos países, para que o projeto tenha continuidade, mesmo após o encerramento das atividades no formato atual, ou seja, quando o Brasil interromper sua participação na iniciativa. Para o analista do projeto pela ABC, Fábio Webber Tagliari, o tema é uma preocupação que existe desde o início das ações. “Mesmo com esse tema tendo sido tratado nas reuniões do Comitê Gestor, ainda faz-se necessário obter o compromisso dos países quanto às ações implantadas até aqui, de forma a garantir a sustentabilidade das ações, evitando que nada se perca.”
Uma outra ação que fará parte das medidas de sustentabilidade é a manutenção do fundo de sementes, onde os recursos gerados pelo projeto serão revertidos para benfeitorias futuras.
Impacto Institucional
A especialista da Embrapa, Graciela Vedovoto, apresentou dados relativos aos impactos institucionais ocorridos com a iniciativa. “O projeto contribuiu para uma discussão conjunta, para estabelecer diálogo entre as instituições e buscar ações relacionadas ao algodão de forma estratégica, para o benefício de todos” . Graciela destacou que os países participantes do projeto têm na agricultura sua principal atividade como base econômica e que, por isso, um projeto como o Shire-Zambeze tem relevância imediata, em todos os aspectos analisados.
O representante do PNUD, Daniel Furst, elogiou as apresentações. “No âmbito dos projetos de cooperação sul-sul, é a primeira vez que vejo uma avaliação tão profunda e completa e, ao mesmo tempo, de tão fácil compreensão”.
O projeto Shire-Zambeze é coordenado pela ABC e implementado tecnicamente em parceria com a Embrapa e com os governo de Moçambique e Malawi, com apoio do PNUD e do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).
Autor: Claudia Caçador